O seguinte texto foi publicado por Duff McKagam em sua coluna no Seattle Weekly, em julho de 2009.
Duff McKagan: Reapresentando você ao Crüe
O ano era 1989, e eu tinha recentemente comprado um pequeno lugar para passar as férias em Lake Arrowhead, Califórnia, para sair de Los Angeles e na esperança de escapar de meus maus hábitos de beber e me drogar. Mal sabia eu que Tommy Lee do Mötley Crüe também tinha uma casa lá. Dali a dois meses, eu estava vomitando sangue na choupana dele. Ninguém, nem mesmo eu na época, dava conta de ‘andar’ com os caras do Mötley Crüe.
Eu tenho sido solicitado pelo editor-chefe aqui do (jornal norte-americano) Seattle Weekly para escrever um artigo sobre o Mötley Crüe, antecipando a aparição deles no dia 27 de julho pelo CrüeFest no White River Amphiteatre. Eu acho que eu sou o mais qualificado, uma vez que minha banda Loaded acabou de passar um mês excursionando pela Europa com eles, e minha banda antiga, o Guns N´ Roses saiu em turnê com eles em 1988. Eu acho que eu simplesmente sei onde alguns dos corpos estão enterrados.
Aqui vão alguns dos fatores determinantes para aqueles de vocês que quiserem saber mais sobre ‘o Crüe’, mas talvez tenham medo de perguntar.

2) Mick Mars é um herói. Apenas assistir a esse cara tocar guitarra faz uma pessoa saudável sentir vergonha na cara por se queixar de qualquer coisa. Diagnosticado aos 19 anos com uma doença progressiva, a espondilite anquilosa, Mick mais recentemente tem encarado suas costas se calcificando e uma cirurgia de recolocação de quadril como resultado. A dor que ele deve suportar só pode ser imaginada; O jeito dele tocar é um orgasmo visual para qualquer músico com problemas físicos. Esse mês passado na Europa, eu e os outros caras do Loaded encaramos Mick como uma arma secreta quase não-revelada do Mötley Crüe... como se disséssemos “De onde saiu esse cara?”
3) O Mötley Crüe esculachou com a gente. Lá atrás, nos dias de loucura do Guns N’ Roses, quando todo mundo achava que éramos a banda mais fudidona e que tomava mais álcool e drogas do pedaço (e talvez a gente também achasse), rapidamente descobrimos que éramos dentes-de-leite comparados ao patamar onde estava o Mötley Crüe. Com seus nomes codificados pra diferentes drogas e jatinhos particulares, nossa olhadela no mundo deles – quando abrimos pra eles na turnê do ‘Girls, Girls, Girls’ – foi como olhar pro abismo à beira do qual eles estavam andando de skate enquanto muitos outros tinham despencado. Hey, não há nada glamoroso em beber e se drogar, mas eu tenho que dizer que esses caras pelo menos aperfeiçoaram aquela arte sombria por um tempo lá pelos anos 80.
4) O Mötley VOLTOU! Testemunhar esses caras tocarem um saudável punhado de shows mês passado provou que eles de algum modo acharam uma fagulha que estava faltando pelos últimos 15 anos: num show em Wettingen, na Suíça, num palco pequeno em frente de 3.000 fãs ensandecidos, eu vi esses caras tornarem-se quase punk-rock em energia e garra. É como se eles tivessem percebido que a música deles não está mais na moda, e é eles contra o mundo de novo – e ninguém vai ajudá-los na briga. Se você ainda não viu essa banda ao vivo, agora pode ser a melhor hora de todas para vê-los. Eles estão emputecidos e aparentemente unidos em uma causa de novo.
Vamos encarar os fatos, o Mötley Crüe não é uma banda que vai desafiar você intelectualmente ou impressionar você com composições inovadoras e que farão você pensar. O Mötley simplesmente se mantém mandando uma bela batida e progressões de acorde simples, mas de arrebentar o crânio. Quer ser desafiado musicalmente? Não vá ao CrüeFest. Quer se divertir e esquecer sobre seu emprego chato e seu chefe cuzão? O Mötley é a banda perfeita, e o CrüeFest oferece o elenco mais sólido de heavy metal que você conseguirá achar esse verão todo.
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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