Água Brava: finalmente de volta, 25 anos depois

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Água Brava: finalmente de volta, 25 anos depois

Press-Release postado por Mara Bastos Moreira e Eduardo Bianchi Rolim | Fonte: Água Brava / Minuto HM

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Matéria publicada em 10/03/12. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

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Grupo carioca de hard-heavy-rock, surgido em 1980. Ivo Ricardo (Baixo), Daniel Cheese (Guitarra) e Jacaré (Bateria).
A banda teve significativa presença na cena do Rock Brasil dos Anos 80 e entrou em modo “freeze” em 1987 e não gravou naquela época. Agora, com mais experiência na bagagem, Ivo Ricardo e Daniel retomam o projeto para gravar o CD que estava faltando na história do Rock Brasil 80´s.

O Água Brava é do Rock

A tendência natural quando vai se descrever uma banda é buscar uma rotulagem e o seu imediato enquadramento em uma categoria pré-existente. Mas isso é bem difícil com o Água Brava.

Quem escuta as músicas dos caras percebe claras referências a diferentes manifestações do Rock. O CD traz 13 músicas de visitam com muita intimidade os estilos heavy metal, progressivo, pop e hard rock. O Água Brava é inspirado no trabalho de bandas como Rush, AC/DC, Rolling Stones, Led Zeppellin, Deep Purple, Motorhead, Van Halen, Iron Maiden, Yes, e Pink Floyd, Dream Theather, Evanescence e de músicos como Jeff Beck, Santana, Jimmy Hendrix, e mais alguns outros nessa linha.

O trio foi destaque na cena do Rock carioca nos anos 80, e realizou centenas de shows e tinha o Circo Voador como seu principal palco. Tudo que eu Queria, Túnel do Tempo, Pressão, Veneno, Enquanto a Bomba não vem e tantos outros sucessos eram cantados em alto e bom som pela galera que viveu aquela época. Essas músicas estão presentes no CD que agora chega para o público.

Apesar de uma grande visibilidade e intensa atividade de shows na cena Rock dos anos 80, o Água Brava não gravou sua obra. Agora, 25 anos depois, os caras entram no estúdio para documentar seu trabalho que foi marcante na época, com a vantagem da experiência profissional e os recursos de aparatos tecnológicos disponíveis para tal.

A volta

Junte duas pessoas e um sonho. Um toca baixo de forma exemplar. Outro arranca acordes inimagináveis da guitarra. Adicione amigos e produtores tão sonhadores quanto. Acrescente uma pitada (bem generosa) de baterista dos bons. Pronto, você terá a receita de uma banda feliz! Estou falando do Água Brava, grupo que fez um grande sucesso nos anos 80, durante cinco anos lotando casas noturnas por onde passava e tornando, na época, o Circo Voador, sua segunda casa. De 82 a 84 foram nada menos que 21 apresentações do Água Brava no Circo Voador, fora as canjas. O grupo tem muitas histórias e guarda registros curiosos, como filipetas de shows, clipping de matérias, cartas de fãs... Há até algumas histórias impublicáveis… (mas isso deixa prá lá). por Luck Veloso – radiocultfm.com

O Água Brava está de volta!

Quando Ivo e Daniel resolveram finalmente gravar o trabalho do Água Brava, 25 anos já haviam se passado, e com esse tempo, as músicas foram esquecidas, perdidas, guardadas no passado. A retomada exigiu uma forte pesquisa do histórico fonográfico, afinal, onde é que eles iriam resgatar as linhas melódicas pra gravar? Abriram os baús e encontraram algumas fitas cassetes e anotações das letras.

Eles também contaram com a ajuda de amigos da banda que ao longo desses anos guardaram, a sete chaves, algumas gravações de shows como, por exemplo, o guitarrista Claudinho Gurgel, que tinha um vídeo cassete com Shows gravados no Tijuca Tênis Clube, Parque Laje, Circo Voador.

Já o Luiz Marques, o fundador do Fã Clube do Água Brava, transformou em DVD a fita de vídeo resgatada pelo Claudinho e ainda acrescentou os áudios que tinha de dois dias de show gravados no Cara de Cão, Rj. João Bulcão, grande amigo fotógrafo desde sempre, captou umas imagens em Vídeo, dos Shows no Mistura Fina, em Teresópolis e Jorge Ventura, amigo da banda desde sua fundação - quase um fundador - ainda guarda um caderno com letras originalmente anotadas à mão.

A ajuda veio por todas as mídias e de diversas formas: Carlos Coelho nos mandou um vídeo, pelo Youtube, mostrando como era a execução de uma música chamada UFO (essa nem entrou no CD), mas o fato é que o cara pegou o violão e tocou pra eles verem.

Todo esse material foi visto, ouvido, selecionado e a partir daí, refizeram as linhas melódicas, os solos, redefiniram o tempo das músicas e graças a sua experiência profissional deram mais peso e qualidade ao trabalho. A partir daí, foram para o estúdio...

Clima de ao vivo na gravação

Ivo e Daniel começaram a gravação do CD em 12 de dezembro e ficaram até o final de fevereiro. Além de o som estar uma pauleira, o trabalho de gravação foi uma pauleira à parte! Mas mesmo nesse trampo intenso, o que eles relatam é que sentiram muito tesão em fazer a coisa acontecer da forma como ela merecia.

O Cesinha, como você já sabe, está participando da gravação, emprestando a sua verve rock´n roll e todo o seu profissionalismo para tornar o trabalho digno do mais alto orgulho. “Muito foda, o cara. Sentava aqui com a gente para estudar a música, entendia suas linhas melódicas, transcrevia tudo em anotações muito peculiares, entrava pro estúdio, botava o fone e aí, meu irmão, sentava o braço com uma precisão e um peso sensacionais.” Conta Ivo Ricardo.

Durante a gravação, mesmo estando em salas diferentes, tocavam como se estivessem ao vivo. Isso pode soar óbvio para alguns aqui, mas o fato é que em algumas gravações alguns músicos não se integram na música e não sentem a música se formando. O fato é que a sonoridade que surgiu no trabalho teve doação e entrega. Parecia que o trio estava formado há bastante tempo.

“Energia rolando como se fosse ao Vivo. Bom demais”

O trabalho de gerar o som do Água Brava foi integralmente sentido pelos 3 e ao mesmo tempo. Uma energia única, entregue pra cada música. Sensação indescritível de felicidade e satisfação. “Afinal, foi o que fizemos todo tempo de nossa carreira. Ao Vivo, ao Vivo, ao Vivo…” conta Daniel Cheese.

No estúdio, 14 de dezembro de 2011

Tive o privilégio de registrar esse ‘renascimento’ no estúdio ‘Pacto com Baco’, nesta quarta-feira, dia 14 de dezembro. A exatos dez dias para o Natal, não poderia ter recebido presente melhor do Papai Noel. Aliás, é ao bom velhinho que Daniel Cheese (guitarras) me remete. Segundo o próprio, gozando a tudo e a todos em meio às gravações, referindo-se a ele mesmo como ‘guitarrista da terceira idade’, está em sua melhor forma musical. Luck Velloso »» Culturall

Cesinha na batera. Quem mandou gostar de Motorhead?

O clima no estúdio é de festa. Mesmo que tenha demorado 25 anos para acontecer, a gravação veio e agora é pra valer! O grupo não tinha registrado seu material na década de 80 e agora o faz com o que há de melhor na tecnologia. Operando os Macintosh do estúdio Pacto com Baco, Daniel Cheese parece um mago pós moderno, com seus cabelos brancos e longos. O ProTools vai registrando tudo enquanto os takes vão sendo repassados, cada vez melhores. Originalmente um trio, o Água Brava ficou sem o baterista e vocalista Jacaré, já falecido. O escalado para fazer as batidas foi Cesinha, baiano que desde cedo já emprestava seu talento aos estúdios WR, um dos maiores da Bahia, tocando diariamente de 16 aos 22 anos. O cara é polivalente e ao longo dos anos, já trabalhou com gente como Marina Lima, Caetano Veloso, Kid Abelha, Cássia Eller, Marisa Monte, Simone e mais uma penca de notáveis.

A julgar pelas excelentes respostas de público que rolaram com apenas alguns posts no seu blog www.aguabravarock.wordpress.com , a volta do grupo tem tudo para ser um dos melhores acontecimentos do rock nacional nos últimos tempos. O grupo está com um uma fan page no Facebook, por onde antigos e novos fãs podem acompanhar tudo o que os caras vem fazendo. Acesse e curta, pois a água está rolando novamente!

Para soar Bem aos olhos e aos ouvidos

Tente se lembrar de quantas vezes você escutou um Disco viajando na ilustração e nos encartes da capa. Essa memória é muito viva prá nós que durante anos escutamos vinil na vitrola. Tem capas que são tão inesquecíveis quanto a música que escutávamos, não é? Por isso, pensamos na nossa capa com o mesmo carinho que gravamos cada acorde e chamamos um cara muito foda pra traduzir em imagens o nosso trabalho. O Gustavo Sazes.

Além de ser um artista incrível, sua história com a música esbarra na história de várias bandas de uma forma inusitada e bastante curiosa. O Gustavo tinha uma banda de Metal e tinha que ter o site e a capa do disco pronto para promoverem seu trabalho recém gravado. Com uma formação humanística e cultural muito sólida e ampla, ele mesmo se meteu a fazer a capa e se envolveu tanto nesse trabalho que se descobriu como capista. Desde 2002 o cara não para de receber jobs para desenvolver capas para bandas do mundo inteiro e já tem uns mil trabalhos publicados entre CDs, DVDs, publicidade, sites, logos etc, em 22 países mundo afora. Para isso, Gustavo se inspira em mestres da tipografia e do design como David Carson, Storm Thorgerson, Travis Smith e Sundin.

Gustavo se remeteu ao conceito “pinkfloydiano” de capas, na idéia da arte ser uma fração do todo. À medida que vai se abrindo a embalagem do CD vai se descobrindo os detalhes e percebendo a evolução do conceito. Algo muito análogo à sensação do progressivo, que se vai descobrindo as texturas e camadas de sons em cada música.

E assim ficou a capa. Um barco de papel em chamas que, ao se abrir a embalagem aparece incendiada num improvável oceano feito num copo de água - apresentando a dualidade fogo/água, num choque de forças, numa superação de possibilidades e impossibilidades.

“Capas assim, não se fazem mais”. Otto Guerra - Produtor musical

Essência Verde e consciência ambiental

Durante um dos intervalos da gravação, Cheese relata que o Água Brava foi, provavelmente, a primeira das chamadas bandas ‘verdes’, quando esse tema ainda estava longe de existir. Em suas letras, o cunho ecológico sempre está presente, como na viajante ‘Apocalipse Não’: “Quando você olhar para o céu e não ver mais a luz… escuridão”. Soa familiar, certo? Cheese propõe uma profunda reflexão com a canção. Em um mundo onde bandas cantam cada vez mais bobagens sem sentido, ter um som como esse tocando em algum lugar pode despertar a esperança de que se volte a fazer música pensando em algo que realmente importe no mundo e na vida, como a própria vida.

O nome Água Brava surgiu da admiração das Cataratas Sete Quedas – que nem existem mais - e foi inspirado pela forte referência a pressão, energia, força e movimento da natureza. Durante sua atividade nos anos 80, a banda sempre esteve envolvida com as causas ambientais e participou de movimentos marcantes.

Em 82 e 83 participaram de um grande movimento em Angra dos Reis chamado Hiroshima Nunca Mais . O Show fazia parte de um grande movimento contra a construção da Usina de Angra, organizado pelos fundadores do PV, Alfredo Sirkis, Fernando Gabeira, Carlos Minc, Lizt Vieira, Hebert Daniel, Cláudio Mesquita, Ricardo Arnt, Bia Saldanha e outros ambientalistas. Veja o cartaz desse show clicando aqui.

A música "Enquanto a Bomba não Vem" , faixa desse CD virou um hino durante o evento que tinha na letra : " ...energias alternativas, me aliviam da destruição, nós não gostamos de nostalgia, oh Hiroshima nunca mais! Enquanto a bomba não vem, eu vou cantar pra vocês..."

Algum tempo depois em 1983, participaram, no Circo Voador , do movimento em favor da preservação de Canoa Quebrada, no Ceará, chamado "Não deixe nossa canoa afundar". Veja o Cartaz desse show aqui

O discurso das letras sempre foi positivista e leve, contrapondo-se com o peso da música. As letras engajadas de "Apocalipse não" e "Esquizofrenia" abordam questões a serem fortemente pensadas em prol da qualidade de vida do indivíduo e do planeta sustentável. Para a época que isso aconteceu, pode-se dizer que eram diferentes do que se via de forma geral. Mas hoje, diante desse movimento crescente pela tomada de consciência ambiental a banda se vê orgulhosamente verde.

Toni Platão na faixa “De que adianta”

Amigo de sempre desde a faculdade com Ivo, quando surgiu o Hojerizah, Toni aceitou imediatamente o convite para cantar na balada “De que adianta”. Ele chegou agregando seu timbre operístico e seu talento ao trabalho. O resultado agradou totalmente à banda, assim como todos que participam do CD.

MEMÓRIA E REFERÊNCIAS VISUAIS
http://aguabravarock.wordpress.com

Álbum de fotos
http://www.facebook.com/pages/%C3%81gua-Brava/24942422509850...

Música no SoudCloud »» VENENO
http://soundcloud.com/daniel-cheese-volpini/gua-brava-veneno...

Vídeos do Making Off »» BandPage
http://www.facebook.com/pages/%C3%81gua-Brava/24942422509850...

Matérias Publicadas sobre nossa volta
http://radiocultfm.com/2011/12/20/agua-brava-25-anos-de-rock...
http://www.rockemgeral.com.br/2011/12/20/agua-brava-quer-gra...

Entrevista no Minuto HM
http://minutohm.com/2011/10/21/agua-brava-entrevista-exclusi...

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Sobre Mara Bastos Moreira

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Sobre Eduardo Bianchi Rolim

Paulistano, nascido em 1982, bacharel em Sistemas de Informação pelo Mackenzie e pós-graduado em Administração de Empresas (CEAG) pela FGV. Tem como paixão as bandas Iron Maiden e MetallicA, mas é fã de rock e metal internacional em geral. Alguns hobbies são: acompanhar o time do coração, Corinthians; doente por Back To The Future e Indiana Jones; viajar; Playstation; jogar o eterno Duke Nukem 3D. Carros em geral e F1 em especial. Tudo que pode ser relacionado à tecnologia (software e hardware). Ama os velhos receivers valvulados e aquelas maravilhosas caixas pesadas e potentes. Fã do Whiplash desde os primórdios. Criador e administrador do Minuto HM (www.minutohm.com), o blog da família do Heavy Metal (Twitter: @minutohm).

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