Rock no Irã: isso existe? Existe sim, e dos bons

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Rock no Irã: isso existe? Existe sim, e dos bons


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Matéria publicada em 15/05/13. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

O jornalista Miguel Martins, do Diário do Nordeste, um dos maiores veículos impressos do nordeste brasileiro, publicou no blog Rock Nordeste, mantido pelo jornal cearense, um texto muito bem trabalhado sobre um assunto que a maioria dos bangers nem cogitava existir: o rock no Irã, terra dos aiatolás, um país onde a religião muçulmana tem sempre a última palavra. Publicamos aqui a lista completa. No entanto, aconselhamos que você continue acompanhando o blog e suas publicações sobre rock e metal local, nacional e internacional.

http://blogs.diariodonordeste.com.br/rocknordeste/

Você não sabia que existia, mas existe. Você nunca ouviu falar, mas deveria. Nas próximas linhas apresento a vocês um pouco do Rock N’ Roll da terra dos Aiatolás, o Irã. O rock iraniano é amplamente produzido na Europa e também em círculos underground de Teerã, a Capital do Irã. Quase que em sua totalidade cantado em persa, o que demonstra o sentimento de nacionalismo dessa galera, o Rock do Irã, é claro, tem suas raízes no rock americano, britânico e também no alemão. No entanto, alguns elementos do País são inseridos no som dos caras para dar um ar mais original ( e exótico, cá para nós).

Cena do filme “‘No one knows about Persian Cats”. FOTO: DIVULGAÇÃO

No início da década de 1970, assim como na maior parte do mundo, a cena roqueira do Irã começava a dar seus primeiros passos, mas, infelizmente (e é infelizmente mesmo), em 1979, com a “revolução” islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini proibiu o rock, assim como toda forma de de expressão musical no País, o que foi um atraso e retrocesso para um lugar que começava a mostrar seus estilos mais íntimos.

Na verdade, toda a música foi proibida, inclusive, com instrumentos musicais sendo queimados em praça pública. Gravações, concertos e o porte de instrumentos, tudo, tudo foi proibido. “A música é como uma droga. Quem adquire o hábito já não pode dedicar-se a atividades importantes… Temos de eliminá-la completamente”, disse o aiatolá a uma rádio daquele País.

Vender instrumentos musicais, então, crime rapaz. Ou seja, naquela época, era o mesmo que traficar drogas aqui no Brasil. Crime com direito à punição e prisão.

Somente em 1990, o então presidente Mohammad Khatami decidiu defender um ambiente cultural mais amplo e o Irã chegou a vislumbrar um florescimento de uma turma “raçuda”, que curtia rock e porque não, heavy metal, death metal e por aí vai. Daí a cena underground iraniana foi surgindo e no final dos anos 1990 o público dessas bandas também apareceu, ainda que os shows sejam restritos pelo Governo e as bandas tenham que pedir permissão para poderem realizar suas apresentações de rock, o que requer que a música passe por uma censura do Ministério da Cultura. Isso te lembra alguma coisa?

Daí, meu amigo, em tempos de redes sociais, é mandar ver no Twitter, Youtube e Facebook. Indico a vocês entrarem na página oficial do EENDO. Os caras além de colocarem suas músicas, disponibilizam também de toda a cena local. Legal, né?

Bem, eu, particularmente, conheci o som que vem do Irã há uns dois anos, quando assisti ao filme No One Knows About Persian Cats, do diretor Bahman Ghobadi (as produções cinematográficas do Irã, em minha opinião, estão entre as cinco melhores do mundo). O longa conta a história real de um casal de jovens músicos e a dificuldade para montar e promover uma banda de indie rock em Teerã.

Acreditem se quiser, mas o diretor Bahman Ghobadi chegou a ser preso duas vezes enquanto rodava o filme, é claro, por querer passar uma imagem que vai contra aos padrões rígidos de seu País. Ele insistiu na produção por causa do “entusiasmo” e “energia” dos jovens atores. Não perca tempo e corra atrás desse filme, porque é um deleite só e muito dificilmente você irá encontrar nas “melhores locadoras”.

Dito isto, vamos ao top ten do Rock Pop Iraniano.

10. AHOORA

Banda iraniana de death metal na terra dos aiatolás? Pois é, o que vale é o resistir. A banda já lançou três discos "Ahoora" (2006), "All in Blood with You" (2007), e "Awkward Diary" (2010). Este último com elementos do Heavy Metal, Groove Metal, Hard Rock e Jazz Melódico.

09. ALIAJ

O ALIAJ é a banda de metal mais antiga do Irã, e olha que os caras formaram o grupo há apenas 12 anos, em 2001. Até o momento só se tem notícia de um álbum lançado pelo grupo, sendo com três músicas em persa e o resto em inglês. O grupo já se apresentou em alguns shows em sua terrinha e atualmente tocam um estilo mais para o lado do rock progressivo.

08. ATRIA

O ATRIA é um dos grupos mais foderosos que existe. Tocando o que se denominou technical/melodic death metal a banda surgiu em 2007 tocando cover do IRON MAIDEN, SLAYER e MEGADETH. O primeiro álbum dos caras, chamado “Sound Of Atria “ foi lançado no dia 16 de agosto de 2010.

07. THE YELLOW DOGS

“Os cães amarelos” (que nome!) são de Teerã, no Irã, e cantam em inglês, com muita influência da música dos anos 1980, em especial JOY DIVISION. A música dos DOGS não foi aprovada pelo Ministério da Cultura e Orientação Islâmica do Irã, e, por isso, como a maioria, é considerada ilegal. E como a maioria também, os meninos se mandaram para os Estados Unidos, a fim de terem mais liberdade e melhoria do som.

06. KIOSK

Talvez a banda iraniana mais promissora de seu País, apesar de ter todos os seus seis discos proibidos por lá. O KIOSK tem em sua música influências do blues, rock alternativo e country rock, com é claro, pitadas de regionalismo.

05. BOMRANI

Como diz na página oficial do Facebook deles,BOMRANI é formado por um grupo de moleques que se inspiram no blues e na música country, tentando conquistar um público iraniano com esses estilos, adaptando cada letra ao farsi. Rola muito improviso no som dos caras e muitas das vezes tudo não passa de uma brincadeira, sem qualquer pretensão em especial. Por isso curto eles.

04. MOHSEN NAMJOO

Considerado pelo New York Times como o BOB DYLAN do Irã, NAMJOO é um mestre na arte de fazer boa música, com letras marcantes que falam da cultura, religião e cotidiano da sociedade iraniana. Influenciado pelo Blues e Rock, o artista foi ao longo de sua carreira foi construindo os alicerces para fazer a crítica que queria ao Governo de seu País. Em 2006 foi condenado à prisão de cinco anos por tribunais iranianos por supostamente ter ridicularizado o “ash-Shams”, um sura do Alcorão na canção chamada “Shams”. Foi condenado, mesmo pedindo desculpas em público.

E é essa que eu disponibilizo aqui.

03. BALLGARD

Formada em 2005, a BALLGARD é uma banda de rock underground do Irã, com umas pegadas bem rock britânico. Tudo o que ouvi deles até aqui eu gostei. Super indico o disco "Rajazzalin".

02. EENDO

Por que o EENDO aqui? Bem, a dupla está em seu primeiro disco, "Bord o Baakht" (Ganhar ou perder em farsi), e como os dois acreditam, o ritmo é o caminho que deve ser seguido, por isso não se prendem a estilos musicais. Tanto que no álbun você vai ouvir influências de Gypsy Jazz, Rock, Klezmer, Trad Jazz, Latina e Clássica. Como o título sugere, o álbum é sobre contradições na vida: alegria e tristeza, União e Separação, compaixão e crueldade, contentamento e Ganância, celebração e Luto, amor e luxúria, intoxicação e sobriedade, divina e terrestre, alto e baixo, Vencer e perder. Ou seja, é intenso e delicado, como uma boa música deve ser.

01. 127

Se você ouviu e não se interessou pela história e nem pelo som de nenhuma das bandas até agora citadas, com certeza, você vai gostar de saber que o 127 resolveu fazer uma música que todo brasileiro adora. Eu, falando com o guitarrista do BALLGARD, e ele me contou que adora a música brasileira. Pelo visto não é só ele. Bem, o 127 tem uma pegada alternativa com misturas de jazz e, é claro, melodias iranianas. Os caras já têm quatro discos e o "Khal Punk", de 2008, é o que todo brasileiro deveria ouvir. Fui.


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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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