Da série Os Melhores: Os Álbuns Destaques do Novo Milênio

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Da série Os Melhores: Os Álbuns Destaques do Novo Milênio

Por Daniel Miola de Amorim

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Esta história de melhores do ano, melhores da década ou melhores do que quer seja acaba sendo algo muito relativo, pois se mil pessoas diferentes fizerem uma lista do tipo os “10 Melhores”, com absoluta certeza, não haverá duas iguais. Mas que é legal fazer uma lista, isto ninguém pode negar. E estes primeiros dez, onze anos do novo milênio foram realmente intensos. Digo que só não foram tão grandes como nos anos oitenta devido à pirataria e, principalmente, aos downloads ilegais. Foi muito difícil enxugar a lista até chegar a apenas dez destaques – entenda bem, “destaques”, e não necessariamente “melhores” -, mas os álbuns citados a seguir foram escolhidos devido terem excedido, e muito, minhas expectativas.

IN FLAMES – Clayman (2000): o único estilo que não aprecio dentro do heavy metal é o extremo, mas esta banda sueca com um tal de death metal melódico conseguiu me capturar. Com uma pegada thrash, melodias de guitarra do metal tradicional, momentos de selvageria alternados com outros mais calmos e vocais que fogem do estilo “cookie monster” característicos das bandas de death metal tradicional, indo numa linha mais aguda e rasgada, a música apresentada em “Clayman” é de muita qualidade e enriquece a cena metálica.

NEVERMORE – Dead Heart In A Dead World (2000): esta banda Americana levou o thrash metal a um novo patamar, executando um som moderno, pesado e agressivo, mas com muita melodia, e tudo somado à ótima interpretação vocal de Warrel Dane, que ora está mais sombrio, ora mais agressivo ou ainda mais melódico. Foi um dos álbuns, merecidamente, mais aclamados do início da década.

MAGO DE OZ – Finisterra (2000): quando o folk metal ainda era um estilo não muito popularizado, estes espanhóis colocaram no mercado o cd duplo “Finisterra”, com influências de power melódico, Rainbow, Jethro Tull e música celta. Impossível não gostar deste trabalho, ainda mais com a bela língua espanhola enriquecendo a interpretação. Em minha opinião, a excelência do estilo está aqui.

WARLORD – Rising Out Of The Ashes (2002): após 15 anos esta banda americana de metal clássico/épico, que pouco – ou praticamente nenhum - impacto teve na cena, retorna com dois membros fundadores, o guitarrista William J. Tsamis e o baterista Mark S. Zonder, acompanhados pelo vocalista Joacim Cans (Hammerfall), que fez uma interpretação belíssima. Com faixas inéditas e alguns clássicos regravados, o álbum, apesar de bastante homogêneo, nunca se repete. Excelente!

NIGHTWISH – Century Child (2002): natural da Finlândia, o Nightwish talvez seja o nome mais importante desta primeira década do novo milênio. Formada em 96 pelo talentoso compositor Tuomas Holopainen (que também é tecladista), teve como principal destaque a cantora lírica Tarja Turunen, e causou impacto com sua mistura de power melódico, sinfônico e gótico. “Century Child”, o quarto álbum da discografia, foi o responsável pela consagração definitiva da banda, chegando a ouro em seu país natal em apenas duas horas. No Brasil, a primeira prensagem foi vendida em apenas um dia.

EVERGREY – Recreation Day (2003): o prog metal é um estilo que nunca conseguiu me envolver, mas o Evergrey é exceção à regra. Com palhetadas pesadas, solos melódicos, seção rítmica destruidora, vocais emotivos, excelência na utilização de teclados, arranjos sofisticados em canções que, em média, não ultrapassam os cinco minutos, além de um clima sombrio, ou seja, tudo o que o Evergrey já costumava apresentar, mas desta vez de forma mais aprimorada, “Recreation Day” qualificou esta banda sueca como um dos nomes mais interessantes da primeira década do século 21.

BULLET FOR MY VALENTINE – The Poison (2006): o metalcore é outro estilo que eu acreditava que nunca iria apreciar, mas este álbum desta banda inglesa até que conseguiu atrair minha atenção para o estilo. Vocais urrados fazendo contraponto aos vocais limpos/melódicos - que entram geralmente nos refrãos -, levadas de bateria velozes com dois bumbos alternadas com momentos mais cadenciados e riff’s instigantes e solos melódicos, ou seja, elementos que são característicos de toda banda do estilo, mas então, o que me atraiu em “The Poison”? Acredito que, ao contrário de bandas como As I Lay Dying ou Killswitch Engage, o Bullet For My Valentine não incorpora elementos do death melódico, deixando mais evidente a mistura do hardcore com o thrash metal, que são as bases principais do metalcore, além de explorar mais os vocais limpos.

WITHIN TEMPTATION – The Heart Of Everything (2007): tendo como destaque a vocalista Sharon den Adel, que tem um estilo lírico de cantar, não operístico como o de Tarja Turunen (Nightwish), mas sim explorando mais a suavidade, esta banda da Holanda, com influências do gótico, doom, progressivo e metal sinfônico, conseguiu um resultado excelente – e talvez o ápice da carreira – com “The Heart Of Everything”. Sem soar pretensioso ou enjoativo, este álbum é para ser escutado com a tecla “repeat” do cd player ligada.

ACCEPT – Blood Of The Nations (2010): substituir um vocalista consagrado não é fácil. Fica a dúvida se a banda manterá a qualidade e, ainda, se conseguirá ir além. Isto aconteceu com o AC/DC, quando Brian Johnson foi preencher a lacuna deixada por Bon Scott, ou ainda com o Iron Maiden, quando Bruce Dickinson substituiu Paul Di’Anno. E o Accept também enfrentou este dilema quando resolveu voltar à ativa sem o clássico vocalista Udo Dirkschneider. Ao contrário das bandas citadas, acredito que o Accept nem ao menos repetirá o sucesso dos anos oitenta, no entanto, temos que reconhecer que o vocalista Mark Tornillo (ex-T.T. Quick) foi um substituto à altura, pois sua voz se encaixou bem no estilo da banda. E “Blood Of The Nations” mostrou um som revigorado, mas mantendo as características que consagraram esta banda alemã na década de oitenta. Eu fiquei de queixo caído quando escutei o álbum pela primeira vez. E, passadas dez audições, ainda estou.

KISKE/SOMERVILLE (2010): eu acreditava que o vocalista Michael Kiske (ex-Helloween) não lançaria mais nada de qualidade em sua carreira, haja vista praticamente todos os projetos liderados por ele pós-Helloween não terem emplacado – ou convencido -, mas eis que ele se junta a cantora de música popular norte-americana Amanda Somerville e, juntos, lançam o álbum homônimo do projeto Kiske/Somerville, onde é encontrado um pouco de melódico, tradicional e hard, e com extrema qualidade. É um álbum muito prazeroso de ser escutado.

Sim, realmente é uma sacanagem destacar apenas dez álbuns. Mas o bacana do Whiplash! é que você pode participar do Fórum e também relacionar os dez álbuns que, em sua opinião, foram destaques no novo milênio. Mãos à obra!

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