Da mesma forma que na edição de 1991, A Música Progressiva passou ao largo do evento Rock In Rio. É verdade que o nome do baixista e vocalista Roger Waters (ex-membro do PINK FLOYD) chegou a ser fortemente cogitado, mas o próprio Roger tratou de afirmar que os contatos foram muito superficiais. Apesar disso, interessantes inovações ocorreram neste novo Festival e, entre elas, a criação de dois palcos paralelos - a Tenda Brasil e a Tenda Raízes - que mostraram artistas bem interessantes.

Assim sendo, segue abaixo, em ordem cronológica, pequena resenha dos shows realizados por esses grupos:
Dia 12
1 - ANIMA (Brasil): Esta NÃO é a banda Progressiva carioca, mas sim uma EXCELENTE banda oriunda de Campinas (SP) e, por causa da igualdade de nomes é que a carioca mudou o seu para Anima Dominum.
Composto por 6 membros (originalmente eram 7), o Anima criou uma interessantíssima fusão de ritmos, melodias e arranjos provenientes de Músicas Tradicionais Brasileiras e Européias, englobando ainda, sonoridades Africanas e Asiáticas.
Já editaram 3 Cds, ambos com produção gráfica REQUINTADÍSSIMA.
Seus integrantes são:
- Dalga Larrondo: Percussões brasileiras diversas e mais a Kalimba Africana, o Zarb Iraniano e o Bendir Turco, além do Dulcimer da Idade Média
- Isa Taube: Vocais
- Luiz Fiaminghi: Rabecas Brasileiras
- Patricia Gatti: Cravo, Percussão e Vocais
- Paulo Freire: Viola de 10 cordas, Viola de Cocho e Violaúde
- Valéria Bittar: Flautas diversas
Em relação à apresentação da banda, ela foi sensivelmente prejudicada pela má qualidade do audio oferecido pela produção do evento. Apesar disso, os 40' de show foram de ótima qualidade, extremamente animados e com excelentes atuações dos artistas.
Os arranjos criados para as canções e danças Tradicionais são bem diversificados e todos os integrantes tiveram seus momentos de destaque.
2 - VÄRTTINNÄ (Finlândia): 6 músicos extremamente competentes (bateria, violino, baixo acústico, acordeon, sopros diversos e outros instrumentos de corda) e 4 vocalistas deveras atraentes (2 delas, então...).
Utilizam uma receita sonora bem curiosa, englobando instrumentação Folk, bateria oscilando entre o Folk, o Pop e o quase Heavy e arranjos vocais muito loucos.
Por serem excessivamente agudas, as vozes das cantoras soavam um pouco desagradáveis em alguns momentos, mas as instrumentais foram de arrasar.
Executaram, ainda, uma belíssima balada, onde somente uma voz feminina atuou, acompanhada de suave instrumentação e que emocionou a todos.
3 - THIERRY ROBIN (Bretanha/França): Um time sensacional de músicos, mas seu líder estragava tudo com seu vocal absolutamente irritante. Uma pena, pois se o grupo fosse puramente instrumental, seria um arraso.
Dia 13
Além de novas apresentações de Thierry Robin e do Värttinnä (este em show muito inferior ao da noite anterior), ocorreu a esperadíssima performance do lendário grupo espanhol COMPANYIA ELECTRICA DHARMA.
Com mais de 25 anos de carreira, o C.E.D. é considerado atualmente um dos mais importantes grupos pop da Espanha (e, em particular, da Catalunha, região de onde surgiram), sendo comum fazerem apresentações para mais de 30.000 pessoas.
Mesclando a música folclórica de seu país, com diversos elementos de jazz e rock, já editaram mais de 15 discos. Excelentes amostras do seu trabalho podem ser conferidas através da coletânea "La Nueva Musica Del Mediterraneo", editada no Brasil pela gravadora VISON.
Dessa forma, realizaram nesse dia e, principalmente, no dia seguinte, empolgantes apresentações que muito agradaram ao público.
Dia 19
Neste dia aconteceu a 1ª apresentação do excelente grupo Irlandês DERVISH, mas a melhor descrição do que fizeram deverá se referir ao que realizaram no dia 20.
Explorando amplamente as riquíssimas raízes musicais de seu povo, o DERVISH pode ser comparado aos maiores expoentes do folk-rock britânico, tais como o STEELEYE SPAN, o FAIRPORT CONVENTION e o CLANNAD.
Aclamado em seu país como uma das melhores bandas de Música Tradicional Irlandesa da atualidade, já lançaram 5 discos, ganharam diversos prêmios e se apresentaram em muitos países, tais como a Malásia, Hong Kong e Europa em geral, além de muito bem-sucedida turnê de 6 semanas pelos EUA e do inesquecível concerto na cidade de Palma de Mallorca, nas Ilhas Canárias, registrado no memorável album duplo "Live In Palma".
Assim sendo, com esse maravilhoso histórico, a expectativa era a melhor possível e eles não decepcionaram.
Foram 60 minutos de pura emoção, com a platéia (de cerca de 3000 pessoas) absolutamente hipnotizada com a voz da cantora e percussionista Cathy Jordan e as melodias criadas pelos músicos Liam Kelly (flauta), Tom Morrow (rabeca e viola), Shane Mitchell (acordeão), Michael Holmes (bouzouki), Seamus O'Dowd (violão) e Brian Mc Donagh (mandola).
Complementaram esse dia:
- o grupo Mineiro UAKTI, que, devido a uma inexplicável antecipação de seu horário de apresentação não poderá ser resenhado;
- o grupo Cubano SINTESIS, famosíssimo entre os colecionadores de discos Progressivos, por ter editado 2 raríssimos (e ótimos) LPs na década de 70. Infelizmente, a decepção foi total e seu show foi totalmente pop e um dos piores do Festival.
Para finalizar, concluímos que o Festival apresentou muitos trabalhos de grande qualidade (independente do fato se eram ROCK ou não...), mas a divulgação foi de tal forma ineficiente que quase ninguém ficou sabendo que estes shows iriam ocorrer.
Esperemos então, que esta idéia seja mantida em 2003 e que a divulgação seja satisfatória.
Esperemos ainda mais, que a equipe de Organização do Festival clareie um pouco mais a mente e enxergue que o Progressivo tem um público muito grande (afinal, por que será que shows de bandas como Yes, Jethro Tull e ELP estão sempre lotados????) e que existem muitos artistas do gênero que nunca por aqui aportaram e que estão ativos, como, por exemplo, King Crimson, Tangerine Dream, Mike Oldfield, Eloy, Kansas e muitos outros.
Finalizando definitivamente e antes que alguém pergunte "E o Floyd???" eu respondo: "Esse eu só acreditarei quando eles estiverem no palco e na minha frente..."
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Nasceu em Petrópolis (RJ), em 22 de março de 1964. É Produtor Fonográfico (Som Interior Produções Artísticas) desde 1988, Programador Musical (produziu por 4 anos o programa Tribuna Progressiva, além de ter exercido por 18 meses a função de Programador Geral da emissora Tribuna FM), Produtor de shows e eventos nacionais e internacionais (entre eles, em 1997, a 1ª turnê brasileira da "Voz do Renaissance" - a cantora inglesa Annie Haslam) e comerciante de discos (proprietário da Renaissance Discos desde 1993). Além disso, publica artigos e resenhas desde 1997, em veículos variados, tais como o jornal Metamúsica (Campos - RJ), o jornal Culturarte (Petrópolis - RJ), a revista Poeira Zine (São Paulo - SP) e diversos websites e foruns de discussão.
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