Quando Jeff Beck percebeu que Jimi Hendrix estava com sérios problemas
Por Bruce William
Postado em 25 de julho de 2026
Jeff Beck percebeu muito cedo que Jimi Hendrix não era apenas mais um grande guitarrista. Quando viu uma das primeiras apresentações do americano na Inglaterra, ficou impressionado com a combinação de técnica, barulho, espetáculo e canções que parecia não ter equivalente naquele momento.
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"Foi devastador. Ele fez todos os truques sujos: colocou fogo na guitarra, subiu e desceu pelo braço, ele usou toda aquela presença de palco para colocar o último prego no nosso caixão", recordou Beck. Segundo ele, Hendrix ainda reunia agressividade e composições bonitas num pacote difícil de enfrentar.
A admiração, porém, não impedia Beck de reconhecer momentos ruins. O exemplo que mais o incomodou foi uma performance que ele considerou aquém do que vinha vendo até então: "Também houve algumas coisas ruins que ele fez. Aquela 'Star-Spangled Banner' no álbum da Ilha de Wight, aquele negócio em que acho que a mente dele já tinha se perdido um pouco por causa da enorme pressão sobre ele", afirmou (NOTA: Beck deve ter confundindo alguma coisa, pois Hendrix não tocou "Star-Spangled Banner" no show da Ilha de Wight).
Para Beck, a apresentação não parecia apenas uma noite abaixo da média. Ela indicava que Hendrix estava sendo consumido pela obrigação de surpreender o público em todos os shows, destaca a Far Out "Aquilo me abalou. Pensei: 'Jimi, volte para o estúdio e comece a fazer coisas novas', porque tocar ao vivo para pessoas que esperavam milagres todas as noites era demais para ele."
A carreira de Hendrix havia avançado numa velocidade absurda. Entre 1967 e 1968, ele lançou "Are You Experienced", "Axis: Bold as Love" e "Electric Ladyland", três discos que ajudaram a mudar o papel da guitarra no rock. Manter o mesmo nível de inovação diante de expectativas cada vez maiores acabou se tornando uma cobrança quase impossível.
Hendrix morreu poucas semanas depois da apresentação na Ilha de Wight. Embora alguns registros ao vivo mostrem um músico pressionado e irregular, seus álbuns e suas melhores performances continuaram suficientes para mantê-lo como uma das figuras centrais da história da guitarra.
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