Cinco anos afastado dos palcos brasileiros... Mas no dia 12 de setembro o finlandês Children Of Bodom estará acompanhado do conterrâneo Amorphis para tocar em São Paulo, no via Funchal. Aproveitando a ocasião, o simpático baixista Henkka Sepp concedeu a seguinte entrevista ao Whiplash!, contando como está a atual fase da banda, negócios extra-musicais e planos para o futuro.
Colaboração: Guilherme Rocha
Tradução e adaptação: All Access
Whiplash!: Olá Henkka. Espero que esteja tudo ok com as costelas e ombro de Laiho... Ainda que seu esforço seja admirável, as apresentações agora estão ocorrendo normalmente?
Henkka: Sim, as coisas voltaram praticamente ao normal, o que, diga-se de passagem, é realmente ótimo!!!

Whiplash!: "Blooddrunk" (08) mostrou um retorno dos arranjos neoclássicos, típicos do início da carreira do Chidren Of Bodom, mas mesclados à proposta que vocês veem seguindo desde "Hate Crew Deathroll" (03). Isso conseguiu apaziguar sua relação com parte daqueles velhos fãs que sempre criticaram sua forma de compor livremente?
Henkka: Hmm... Eu não tenho idéia. Em primeiro lugar porque nós não tentamos voltar ao que fazíamos, ou mesmo mudar nosso estilo. Isso vai ficar para as pessoas que escutam a nossa música.
Whiplash!: Vocês fizeram fama por seus covers inusitados. Qual o motivo para "Skeletons In My Closet", estar sendo lançado justamente agora, no melhor momento de sua carreira? Muitos estavam esperando um novo álbum de inéditas...
Henkka: Nós vamos entrar em estúdio na próxima primavera de qualquer jeito, com o álbum de covers saindo ou não, então pensamos, é um bom momento para lançá-lo agora, assim a espera para um álbum de inéditas não fica tão longa.
Whiplash!: O quanto a ascensão do Children Of Bodom significa para seus músicos? Quando iniciaram sua trajetória, vocês achavam que seriam tão reconhecidos na cena musical mundial?
Henkka: Nós nunca imaginamos que chegaríamos onde estamos. Não havia grandes expectativas no começo, então isso significa muito para a gente, porque mudou não só mudou minha vida como a de todos os outros. É fantástico poder tocar nossa música para viver, mas isso nunca foi uma garantia para nós.

Henkka: Sim, eu joguei algumas vezes, e acho que esse jogo não tem nada a ver com tocar guitarra. Eu não sou fã desse jogo. Eu o acho meio bobo, mas acho que não há nada de errado nas pessoas jogarem, quem sabe não inspira alguém a tocar uma guitarra de verdade, mas então perceberão o quanto é difícil tocar um instrumento de verdade, hahahahahaha!
Whiplash!: Vocês tem expandido sua área de atuação, onde Laiho fundou sua própria linha de roupas, a 'WildChild Industries'; além de uma empresa lançar uma linha de tênis para skatistas tendo o grupo como inspiração. Ainda que vocês toquem incessantemente, esses negócios extra-musicais seriam uma forma de compensação financeira pelas mudanças no mercado fonográfico, com uma constante queda nas vendas de discos?
Henkka: Hahaha! Os tênis não são nossos, eles pertencem à Fallen, que é uma marca de skates. Um dos atletas desta fábrica é nosso fã e perguntou se podia usar nosso nome em seu tênis e então fizemos uma colaboração. Então, na real eles são tênis do Chris Cole com a arte do Children Of Bodom neles, portanto isso não é uma coisa que nos dá muito dinheiro, é apenas algo legal de se ter.
Henkka: A “linha de moda” da Wildchild Industries é apenas uma marca de camisetas. As roupas são fabricadas na Europa e pintadas na Finlândia à mão. Então não existe a possibilidade de se fazer grandes quantidades, logo o negócio é bem pequeno. Isto não faz parte dos negócios da banda, exceto pelo fato de Alexi participar do design das roupas que fazemos, por enquanto é só um Hobby, quem sabe um dia tiramos alguma coisa de lá, portanto....sem grana entrando daí.

Henkka: As coisas continuam bem iguais, a única diferença é que as gravadoras só estão apostando em coisas mais seguras. É claro que as vendas online de mp3 são um novo negócio, e as gravadoras estão pensando nisso também... Sem esses detalhes tudo está exatamente igual.
Whiplash!: O Children Of Bodom vem crescendo muito, o que complica a continuação de alguns de seus projetos paralelos. Gostaria de saber como fica a situação do excelente Kylahullut, alguma previsão para um novo álbum?
Henkka: Haha! Eu acho que o novo álbum do Janne’ Warmen sai logo, mas os demais projetos estão meio que congelados no momento.
Whiplash!: Vocês estão vindo ao Brasil pela terceira vez. Ainda que muitas vezes sua agenda seja apertada, vocês tiveram a oportunidade de conhecer outras facetas de nossa cultura (ok, a caipirinha e nossas belas garotas todos parecem querer conhecer...), ou, pelo menos, alguns instrumentos musicais típicos daqui?
Henkka: Haha! Caipirinhas e mulheres, sim, isso nós conhecemos bem!!! Da última vez eu estava meio doente, então não pude aproveitar quase nada, mas desta vez eu irei aproveitar com certeza!!!! As churrascarias, nossos caras estão loucos por isso, eu nem tanto, hehe.
Henkka: Hmm... Eu conheço Berimbau, meus amigos tocam durante as sessões de capoeira!!!! O que posso dizer é que estou muito ansioso para voltar ao Brasil!!!!!!!
Whiplash!: ... O que me leva a perguntar qual seria sua pior lembrança de suas passagens por terras brasileiras?
Henkka: Na última vez provavelmente quando tive que ficar na cama durante todo o dia no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, foi muuuuuiiiiiitttttooooo estúpido, e desta vez quero que aconteça o oposto!!!!!
Whiplash!: Considerando que "Blooddrunk" saiu no ano passado, já dá para se ter uma idéia de como soarão as composições que farão parte do próximo álbum de inéditas?
Henkka: Nenhuma idéia, nós vamos começar a trabalhar em algo daqui a duas semanas, e pegar para valer apenas após o Natal, quando a tour acabar e os feriados passarem. Estou realmente curioso para saber a sonoridade do novo álbum!

Whiplash!: Ok, pessoal, agradeço pela entrevista e, para finalizar, o que o público brasileiro pode esperar da união de forças entre o Children Of Bodom e o Amorphis?
Henkka: O Amorphis é uma das minhas bandas preferidas. Estou muito feliz de tê-los com a gente, e é claro faz muito tempo que não tocamos no Brasil, então as expectativas são grandes para este show, espero ver um monte de brasileiros malucos no show. Então, vejo vocês lá e obrigado pela entrevista.
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Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".
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