Super Bowl: quando as guitarras fizeram touchdown
Por Gustavo Dezan
Fonte: The Playoffs
Postado em 31 de janeiro de 2015
Katy Perry e LENNY KRAVITZ serão as atrações do Super Bowl XLIX, que acontece no próximo domingo, 1º de fevereiro. Com uma audiência superior a 100 milhões de espectadores, o evento tem como tradição convidar grandes nomes da música para tocar no Halftime Show, o verdadeiro "show do intervalo", sem gastar um tostão com cachês. Aqui, vamos relembrar quando o bom e velho Rock 'n' Roll agitou os fãs da bola oval.
Durante as décadas de 70 e 80, as atrações do intervalo eram as bandas marciais locais, às vezes com alguns artistas sem renome internacional. A partir dos anos 90, a NFL começou a chamar artistas de apoio popular, como a boyband New Kids on the Block para a edição XXV, em 1991, e Michael Jackson, dois anos depois, naquela que é tida por muitos como a melhor apresentação até hoje.
O primeiro show com a presença de uma banda de rock aconteceu em na edição XXXI, em Louisiana, no ano de 1997, quando o ZZ Top tocou com o The Blues Brothers, banda formada pelos atores Dan Aykroyd, John Goodman e James Belushi (irmão de John Belushi, falecido líder do grupo). O show ainda teve participação de James Brown, o rei do funk americano. Os irmãos barbudos do ZZ TOP fizeram um playbackão nervoso de duas músicas, "Tush" e "Legs", frente a um calhambeque, algumas motos e muitas dançarinas com belas pernas de fora, em homenagem à canção.
As guitarras começaram a ser plugadas de verdade nos anos 2000, mas quase sempre com uma mistureba (às vezes bizarras) de artistas. A primeira foi em 2001, no Super Bowl XXXV, em Tampa, que teve o tema "Reis do Rock e do Pop" e contou com o AEROSMITH. A banda participou de uma esquete de comédia com Ben Stiller e Adam Sandler exibida nos telões e subiu a um palco parecido com o cenário da Xuxa, revezando as músicas "I Don´t Want to Miss a Thing" e "Jaded" (essa em playback) com canções da boy band N´Sync, de Justin Timberlake. Ao final, mandaram a clássica "Walk this Way" com a gangue de Timberlake, além de Britney Spears, Mary J. Blige e o rapper Nelly.
Em 2002, a ideia da NFL era fazer uma homenagem à tragédia de 11 de setembro de 2001 e convocou o U2 e suas letras politizadas para o Super Bowl XXXVI. Bono Vox entrou em campo pelo túnel dos jogadores cantando "Beautiful Day", até chegar a um palco em formato de coração. Durante a segunda música, "MLK", surgem em um imenso painel os nomes de todas as 2.977 vítimas do World Trade Center e dos aviões envolvidos nos atentados. A homenagem é completa com a belíssima "Where the Streets Have No Name".
No ano seguinte, para a edição XXXVII, em San Diego, NO DOUBT, de Gwen Stefani, e STING, ex-The Police, fizeram o show menos rock da lista, ainda sob um pouco da luz do dia e sem a companhia de Shania Twain. A musa country canadense subiu primeiro, fingiu cantar duas músicas e não retornou mais. O No Doubt tocou "Just a Girl" e depois se juntou ao veterano astro para a repetitiva "SOS".
O gênero ganhou mais força após um incidente no show do Super Bowl XXXVIII, que acabou exibindo um seio da cantora Janet Jackson ao vivo para milhões de pessoas em todo o mundo. A NFL decidiu começar a levar alguns dinossauros do rock para evitar polêmicas e tomou a precaução de transmitir com um atraso/delay de cinco segundos para cortar surpresas desagradáveis. Então, para garantir o programa em família, levaram a Jacksonville o ex-Beatle Sir. PAUL MCCARTNEY, que tocou quatro clássicos: "Drive My Car", "Get Back", "Live and Let Die" e "Hey Jude", para delírio da multidão presente e também não presente no atual EverBank Field.
A produção tentou repetir a fórmula em 2006 e levou a maior banda de rock em atividade, THE ROLLING STONES, para Detroit, onde moradores criticaram e escolha por não representar a cultura local. Além disso, há quem diga que o canal ABC aproveitou o delay para abusar da censura nas letras explícitas, chegando a cortar o microfone do vocalista Mick Jagger nas palavras mais apimentadas. O palco foi o maior já montado, em formato de uma boca gigante com a língua de fora, e o set list foi bem manjado, com "Start Me Up", "Rough Justice" e "(I Can´t Get No) Satisfaction".
As edições XLII e XLIII levaram dois dos maiores orgulhos do rock norte-americano: TOM PETTY & THE HEARTBREAKERS, em 2008, e BRUCE SPRINGSTEEN, em 2009. O primeiro fez um show surpreendente para o brasileiro que não o conhece, com "American Girl", "I Won´t Back Down", a melosa "Free Fallin" e "Runnin' Down a Dream". O segundo emendou a sequência "Tenth Avenue Freeze-Out", "Born to Run", "Working on a Dream" e "Glory Days", em um palco com belo telão e pirotecnia. Pena que ele não tocou Raul, como viria a fazer no Rock in Rio em 2013.
O Sun Life Stadium, em Miami, recebeu o Super Bowl XLIV em 2010 e, junto, os monstros britânicos do THE WHO. Roger Daltrey e Pete Townshend emplacaram cinco músicas em um palco redondo, simples, mas repleto de lasers que deram um visual ultramoderno. "Pinball Wizard", "Baba O´Riley", "Who Are You", "See Me, Feel Me" e "Won´t Get Fooled Again" foram as escolhidas para empolgar a multidão.
Em 2011, Super Bowl XLV, no Cowboys Stadium, o guitarrista SLASH fez uma aparição surpresa no show do Black Eyed Peas. Na ocasião, ele saiu literalmente do chão, com sua cartola e a guitarra Les Paul, tocando o inconfundível riff de "Sweet Child O´Mine", do GUNS N´ROSES. Fergie – que havia acabado de gravar "Beautiful Dangerous" para o disco de Slash – cantou uma versão picotada e semieletrônica da música imitando os trejeitos de Axl Rose.
A última aparição de uma banda de rock foi no Super Bowl do ano passado, quando o RED HOT CHILI PEPPERS invadiu a apresentação de Bruno Mars enquanto os jogadores do Denver Broncos tentavam respirar após serem atropelados pelo Seattle Seahawks no primeiro período. Os símbolos das equipes estavam estampados na bateria do grupo, que tocou "Give It Away" junto com Mars.
E aí, qual foi o melhor show desses listados e quem você que é fã da bola oval e de guitarras distorcidas gostaria de ver nas próximas edições do Super Bowl?
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