Dr.Sin: Uma das jóias mais preciosas surgidas nos últimos 20 anos

Resenha - Animal - Dr. Sin

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Por Giales Pontes
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Admito que pensei muito antes de escrever uma resenha sobre este magnífico ‘Animal’(2011), oitavo álbum do Dr. Sin. Primeiro porque percebi que já há um número razoável de resenhas sobre ele na internet e aqui no próprio Whiplash.net. Segundo que a esta altura do campeonato, já a beira do lançamento de seu sucessor, provisoriamente intitulado ‘Intactus’, seja lá o que for que se diga sobre as inquestionáveis qualidades de ‘Animal’, isso seria “chover no molhado”. No entanto resolvi me arriscar e engrossar a lista de análises, uma vez que também percebo a enorme carência de material a respeito das grandes bandas brasileiras na internet quando comparamos com a quantidade de matérias sobre bandas gringas. Com exceção de Angra e Sepultura, encontra-se muito pouco sobre os grupos nacionais na rede!
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Após a introdução “martelada”, com destaque para a bateria de Ivan Busic, a faixa-título dá início a obra, com Edu esmerilhando num solo ao melhor estilo Eddie Van Halen. Andria parece vinho francês: quanto mais velho, melhor. Incrível o que esse cara está cantando, ainda mais se considerarmos o fato de estar beirando os cinquenta anos de idade! Impressionante! No mais, é aquela farra guitarrística maravilhosa que nunca falta no som da banda.

‘Lady Lust’ tem um riff pesado e muito cativante na linha stoner rock, e linhas vocais primorosas. Só pra variar, aqui Andria coloca no chinelo muito moleque metido a cantor, e como se isso não bastasse, ainda manda um solo de baixo que deixaria Geddy Lee orgulhoso! O solo de Edu........pois é! O que mais eu posso dizer dele sem parecer um “baba-ovo”? A verdade é que o cara é um poço de competência, um exemplo da combinação perfeita entre talento, técnica e feeling.

A próxima canção, ‘U R Deleted’, me lembrou ‘Nomad’ do antecessor ‘Bravo’(2007), pelo riff utilizando aquelas harmônicazinhas espertas, que por alguma razão que só os deuses do rock sabem, sempre injetam uma tremenda dose de carisma à qualquer música! O refrão novamente incendeia a mente e o coração do ouvinte, daqueles para cantar junto e nunca mais esquecer. Eu mesmo, muitas vezes me apanho assoviando esse refrão sem me dar conta! Uma daquelas passagens cheias de mudanças de compasso guiada pela batera de Ivan, mostra muito do virtuosismo tão característico do trio paulista! No solo de guitarra Edu mais uma vez “desanima” alguns novatos, provando ser, de longe, o melhor guitarrista brasileiro de todos os tempos.

‘Faster Than A Bullet’ é a típica faixa vibrante que aparece com frequência nos álbuns da banda. Riff espetacular, vocais e backings perfeitos, batera técnica e eficiente, e até umas basezinhas espertas ao teclado, dando o tempero setentista que também sempre diz ‘presente’ no trabalho dos “doutores”. Não vou comentar sobre o solo de Edu, assim evitando de estar sendo repetitivo. ‘Train Of Pain’, com uma introdução que me traz a mente Black Sabbath, logo descamba para um daqueles riffs cortantes meio cavalgados, seguido por um ótimo solo de guitarra. Os vocais feitos em backings pelos irmãos Busic são um dos elementos mais marcantes no estilo da banda, e nesta música mostram-se não menos do que perfeitos.

‘Seven Sins’ é outra com um riff sensacional já de cara, com refrão marcante, e Edu mais uma vez tocando um de seus solos cheios de personalidade, daqueles que basta escutar por dois segundos para saber que se trata de Edu Ardanuy tocando. A seguir temos a maravilhosa ‘Pray For Tomorrow’, uma daquelas baladas guiadas pelo piano, capazes de arrancar lágrimas da mulherada nos shows, e por que não, até de alguns marmanjos também? O finalzinho com o singelo “na-na-na-na-na” poderia até soar piegas se fosse outro artista. Mas o feeling dos doutores é implacável, trazendo classe e bom gosto à tudo que os caras gravam!

Adiante temos ‘The King’, uma música-tributo. Algo que está se tornando praxe no trabalho do Dr. Sin. Desta vez o homenageado é o saudoso Ronnie James Dio, falecido em 2010. O arranjo de teclado faz uma citação direta à ‘Rainbow In The Dark’, “classicaço” da carreira solo do mestre Dio, e apesar de ser tocado de forma levemente mais acelerada, até o timbre é muito similar ao da versão original! Uma letra que a exemplo de ‘Celebration Song’, música-tributo ao Led Zeppelin presente no álbum ‘Bravo’, mostra-se super-criativa fazendo alusão a várias músicas da carreira solo de Dio e de bandas famosas por onde o vocalista americano passou, tais com Rainbow e Black Sabbath. Junte tudo isso e temos uma sincera e emocionada reverência ao eterno bruxo do metal, uma das figuras que estará para sempre entre as mais emblemáticas da história do rock.

‘Heroes’ é aquele show de técnica, feeling e virtuosismo de sempre. ‘Life’ tem em seus riffs um grande atrativo, o que ajuda a imprimir um certo peso nesse “hardão” light tradicional. Próximo dos 2:40 da canção, eles fazem uma citação muito legal ao AC/DC, lembrando ‘Whole Lotta Rosie’. A seguir temos em ‘Drifter’ uma das mais gratas surpresas que eles poderiam apresentar aos fãs: um indescritivelmente adorável blues/soul meio roqueiro, meio jazzístico, com a banda toda detonando em uma canção cheia de sentimento, entrecortada por uma narração enigmática feita por Ivan, e temperada por belíssimos coros de soul music. Mas aqui os holofotes se concentram mesmo é nos vocais de Andria. Meu amigo....! Vá cantar bem assim lá na Terra dos Sonhos, cara! Não dá nem pra acreditar no que o cara “apronta” nessa música! Só ouvindo para crer!

E quando se pensa que nada mais vai surpreender, o “Doutor Pecado” manda um troço como essa ‘Those Days’. Só podem estar de brincadeira! Com uma introdução primorosa, trazendo ecos de Dream Theater e até algo daquele Rush dos tempos de ‘Grace Under Pressure’, essa é sem dúvida uma das minhas “queridinhas” em ‘Animal’. Linhas vocais emocionantes, baixo falando alto e mais uma vez lembrando Rush, solos e bases de Edu costurando tudo, com o bom gosto e a precisão de costume. Mais uma citação ao Led Zeppelin lá no meio, lembrando ‘Kashmir’. Ao que parece, o álbum ‘Physical Graffiti’(1975) do Led é uma grande influência para o Dr. Sin.

‘Witness’ é irretocável, e traz em sua sonoridade aquela atmosfera dos tempos de ‘Brutal’(1995), com riffs distorcidos porem melódicos, e mais uma vez um refrão nota dez. ‘May The Force Be With You’ é mais uma música-tributo. Só que ao invés de homenagear um artista do rock, homenageia a série cinematográfica ‘Guerra Nas Estrelas’ de George Lucas, da qual a banda sempre foi fã. Letra divertida e babaca, tal qual como os filmes da série. E a música é estupenda, com ótimos vocais, riffs sensacionais e solo idem. Por fim a virtuosa e animada instrumental ‘Ninja’, que mostra todo o talento dos músicos em quase quatro minutos de puro rock and roll. Enfim, ‘Animal’ mais uma vez prova que o Dr. Sin é uma das jóias mais preciosas surgidas no rock nos últimos vinte anos. E também uma das mais subestimadas, o que é uma pena.

Line-up:

Andria Busic (Baixo/Vocais)
Ivan Busic (Bateria/Vocais)
Edu Ardanuy (Guitarras)

Track-list:

1 . Animal
2 . Lady Lust
3 . U R Deleted
4 . Faster Than a Bullet
5 . Train of Pain
6 . Seven Sins
7 . Pray for Tomorrow
8 . The King
9 . Heroes
10. Life
11. Drifter
12. Those Days
13. Witness
14. May The Force Be With You
15. Ninja

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