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Captain Beyond: uma banda entrosada e cheia de energia

Resenha - Captain Beyond - Captain Beyond

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Por Rodrigo Noé de Souza
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Nos anos 70, o Rock estava a todo vapor, com inúmeros lançamentos de diversas bandas pesadas. Apesar da ascensão da Santíssima Trindade (Sabbath, Zeppelin e Purple), havia outras encarnações que, mesmo com a competência dos músicos, não obtiveram êxito. É o caso de Captain Beyond.
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Tudo começou quando Rod Evans foi dispensado no Deep Purple (que queria pegar carona do Heavy Rock), se mudou para os EUA e iria deixar a música para estudar medicina. Nesse meio tempo, gravou um single que não deu em nada. Por outro lado, o guitarrista Larry "Rhino" Reinhardt, que vinha do Second Coming, conheceu Phil Walden, dono da Capricorn Records, que lhe cedeu um contrato para gravar um disco.

Rhino chegou a tocar e gravar com Iron Butterfly o disco Metamorphosis (1970). Com o fim das atividades do IB, Rhino se juntou ao baixista Lee Norman, também da mesma banda, para iniciar o seu projeto.

Rhino e Norman convidaram o baterista Bobby Caldwell, recém-saído da banda de Johnny Winter. Com um time desses, resolveram se chamar Captain Beyond. A origem do nome se deu Rhino e Norman estavam no IB e o baixista apelidou o colega do Captain Negative, por causa do seu mau humor. Chris Squire (baixista do Yes) fez seu comentário: "vocês tem a cara do Captain Beyond". Foi daí que o destino se fez presente.

Com o nome registrado, só faltava o time ficar completo. Rod Evans voltou para a música e procurou uma banda para cantar, com a condição de se fixar nos EUA. Então, as duas faces da moeda se juntaram na Califórnia e gravaram no Sunset Sound Records, em Hollywood, em uma semana, seu álbum autointitulado.

Vale uma curiosidade: apesar de Rhino e Walden (que se tornou empresário do Captain Beyond) serem amigos, diz a lenda que a banda conseguiu um contrato com a bênção de um certo rapaz chamado Duane Allman, fã ardoroso do grupo. Lançado em 1972, o álbum passou a ser dedicado ao falecido guitarrista do Allman Brothers.

A famosa capa foi criada no estúdio Pacific Eye & Ear, que criava obras para Alice Cooper, Black Sabbath, Bee Gees, Beach boys, entre outros. O mascote da banda foi ideia de Joe Garnett. A primeira edição do disco teve 1500 cópias, e trazia uma aplicação holográfica, hoje item de colecionador.

Na parte musical, mostra-se uma banda entrosada e cheia de energia. Seria uma mistura de Led Zeppelin com Jethro Tull? Destaque mesmo para a bateria de Bobby, cujas viradas remetem ao Mitch Mitchell (Jimi Hendrix) e Ginger Baker (Cream). Dancin Madly Backwards (On A Sea Of Air) e Mesmerization Eclipse são ótimas amostras da sua genialidade. Rhino não deve nada aos lendários Eric Clapton e Jimmy Page, dando uma aula de como se toca guitarra.

Rod Evans parecia estar vingado da sua ex-banda, pois seu desempenho é bárbaro. Embora o vocal lembre Ian Anderson (Jethro Tull), ele se saiu bem. Difícil destacar mais faixas desse disco, pois as faixas são, ao mesmo tempo, pesadas e viajantes, com camadas de sutileza e unicidade. Nas palavras de Bobby Caldwell: "Estávamos tentando criar algo totalmente diferente na época do nosso primeiro disco. Esse era o ponto. Não queríamos soar como outras bandas americanas. Queríamos soar somente como nós mesmos".

Mesmo com alguns fãs gostando ou odiando, o álbum não obteve o resultado que se esperava. Com isso Bobby saiu e deu lugar ao Brian Glascock, irmão do baixista do Jethro Tull, John Glascock. Também entraram no CB o tecladista Reese Wynans e o percussionista Guille Garcia, que registraram Suficiently Breathless (1973). Durante as gravações, Glascock saiu e Martin Rodriguez sentou na bateria; Rod Evans saiu, mas voltou para gravar os vocais. Durante esse percurso, foram apresentações acanhadas, falta de apelo comercial, foram o estopim para que Evans sumisse de vez do cenário musical.

O terceiro disco Down Explosion foi lançado em 1977, com outra formação, porém não tão marcante como foi o do primeiro disco. Atualmente, alguns nomes do Heavy Metal declararam sua admiração pelo disco autointitulado, como Michael Amott (Arch Enemy, Spiritual Beggars, Carcass), Bem Ward (Orange Goblin) e Taylor Hawkins (Foo Fighters), sendo que ele toca nos shows da banda, com a imagem do capitão no bumbo da bateria.

No Brasil, o elepê foi, milagrosamente, lançado pela Warner/Chantecler, com uma capa diferente, toda ampliada e sem holografia, além dos nomes dos integrantes mostrados misteriosamente. Enfim, esqueça a parte gráfica e escuta o melhor do Som pesado.

Formação:

Rod Evans – vocal
Larry "Rhino" Reinhardt – guitarra
Lee Norman – baixo
Bobby Cladwell – bateria

Tracklist:

1-Dancing Madly Backwards (On A Sea Of Air)
2-Armworth
3-Myopic void
4-Mesmerization Eclipse
5-Raging River Of Fear
6-Thousand Days Of Yesterdays (intro)
7-Frozen Over
8-Thousand Days Of Yesterdays (Time Since Come and Gone)
9-I Can't Feel Nothin' (part 1)
10-As The Moon Speaks (To the Waves of the Sea)
11-Astral Lady
12-As The Moon Speaks (Return)
13-I Can't Feel Nothin' (part 2)

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Sobre Rodrigo Noé de Souza

Nasci em 1984. Esse ano não é só o início de uma nova democracia, mas também é o ano em que vários discos foram lançados, como Powerslave (IRON MAIDEN), Stay Hungry (TWISTED SISTER), W.A.S.P., Don´t Break The Oath (Mercyful Fate), Slide It In (WHITESNAKE), 1984 (VAN HALEN), The Last In Line (DIO) e, o meu favorito de todos, Ride the Lightning (METALLICA). Sou um aficcionado por Metal, desde AC/DC e ZZ Top, até Anaal Nathrakh e Krisiun. Sou Jornalista, blogueiro, facebookeiro, o que for. Quem quiser saber o que eu escrevo, acessem meu blog: www.esporropublico.zip.net.

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