Resenha - Venus Doom - HIM

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Resenha - Venus Doom - HIM


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Realmente é incrível como algumas bandas conseguem provocar reações sempre passionais nas pessoas. É o caso do (mais antigo) Mercyful Fate, do (mais recente) Cradle of Filth e sem dúvida dos finlandeses do HIM. Quando se fala dessas bandas, a reação é sempre exagerada: de um lado aqueles que AMAM e de outro aqueles que as ODEIAM. A porcentagem dos que ouvem esse tipo de banda e ficam intocados por um ou outro sentimento (extremo, diga-se de passagem) acaba sendo mínima.

Nota: 7

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Em 2005, o HIM ganhou quatro “prêmios” na revista britânica Metal Hammer: “Melhor banda do ano”, “Banda mais odiada”, “Banda que odiávamos e agora amamos” e “Banda que amávamos e agora odiamos”. Seja você aquele que ama ou aquele que odeia, nós vamos concordar que os inventores do chamado “Love Metal” não passam despercebidos...

Após o morno “Dark Light” lançado em 2005, em que a banda claramente se “moldou” para entrar no mercado norte-americano, eles agora retornam com o sexto álbum de estúdio intitulado “Venus Doom”.

Muito já se foi dito sobre o álbum antes de seu lançamento, e o principal motivo é o fato de que o próprio Valo conseguiu atrair atenção nesse período de pré-lançamento. Coisas do tipo: “...o novo álbum do HIM fará explodir suas caixas acústicas” ou “Venus Doom será uma mistura entre Metallica e My Bloody Valentine” foram publicadas em revistas e sites especializados do gênero. Frases como essas colocaram em polvorosa tanto a mídia quanto o público, que ficou ansioso para saber se tudo isso não passava de atitude marketeira da banda, ou se nelas existia algum traço de veracidade.

A verdade disso tudo, é que “Venus Doom” não é sequer o álbum mais pesado da própria banda (quem conhece a faixa “For You” do álbum de estréia, sabe do que estou falando), então tratem de deixar de lado a crença de que suas estimadas caixas acústicas explodirão quando tocarem o “Love Metal” finlandês, pois isso não irá acontecer.

A primeira faixa, “Venus Doom”, tinha tudo para ser inflamante e começar bem o álbum, mas algo se perde. Logo no início, fica-se com a impressão de que Valo tinha sido honesto em relação ao peso do álbum, porque esta de fato começa agressiva com o sempre competente Lindström (o grande nome do álbum) na guitarra e também com boa presença da bateria de Karppinen. Mas quando Valo nos apresenta a linha de vocal, fica nítido que algo não anda bem, pois a faixa fica difícil de se acompanhar. Que fique claro que não falta qualidade no vocal de Valo, mas simplesmente fica gritante a falta de energia que ele passa ao ouvinte. Nem tudo é perdido, pois no meio da faixa acontece uma quebra no andamento e Lindström insere uma base arrastada, pesada e interessante que é acompanhada pelo vocal grave e característico de Valo. É uma pena que uma faixa com esse potencial para empolgar (e talvez se tornar a nova “Soul on Fire”) tenha evidenciado tanta dificuldade por parte da banda em fazê-la se desenvolver.

As coisas melhoram na “Love in Cold Blood”, uma faixa mais coesa que a primeira, com uma levada mais atmosférica e letras típicas do HIM. É nessa faixa que começa a ficar claro que o grande nome do álbum e talvez o motivo pelo qual ele deve ser escutado é a presença do guitarrista Mikko Lindström. O trabalho consistente que ele apresenta com criatividade, distorção, manobras interessantes e um solo bem encaixado evidencia que o guitarrista é o grande nome do álbum.

“Passion’s Killing Floor” passa despercebida com seu refrão previsível (e bastante repetido) e apenas faz a ponte para o single do álbum “Kiss of Dawn”. No começo, fica parecendo que a faixa foi escolhida para single por ser de mais fácil assimilação (o que de fato não deixa de ser verdade), mas Valo a interpreta com mais sentimento e inspiração do que as anteriores. Dividindo os holofotes com o vocalista, está mais uma vez (adivinha?) Lindström com um belo solo de guitarra e uma levada cheia de feeling para o fechamento da faixa.

Chegou a hora de comentar a melhor faixa de “Venus Doom”: “Sleepwalking Past Hope”. Janne Puurtinen mostra que poderia ter tido seu talento como pianista/tecladista mais aproveitado pela banda; sempre que o teclado aparece, ele é competente e agrega sentimento ao som dos finlandeses, mas fica a sensação de que poderia ter sido mais utilizado. Ville Valo apresenta sua melhor linha de vocal (e consequentemente sua melhor performance) cantando a letra mais bem composta do álbum. Trata-se de uma faixa longa, que poderia talvez até ser mais curta por ter seus melhores momentos após sua segunda metade. “Sleepwalking Past Hope” mostra que ainda existe química e entrosamento na formação do HIM, pois se desenvolve de forma coesa tanto nos momentos de lentidão e levadas arrastadas, quanto nos solos rápidos e energéticos de Lindström que dita o andamento da faixa.

Assim como “Passion’s Killing Floor”, “Dead Lover’s Lane” é previsível e poderia ser uma faixa do insosso “Dark Light” e é seguida por “Song Or Suicide” que basicamente se resume a Valo tocando o mesmo riff repetidas vezes no violão enquanto resmunga alguns versos em seu 1:12 de duração.

“Bleed Well” é repetitiva e dá a impressão de já ter sido ouvida antes. Mesmo assim é uma faixa que deve funcionar ao vivo pela maneira que o refrão será facilmente assimilado pelos fãs, e por Ville Valo que se aproxima mais de ser aquele vocalista que arriscava falsetes e soltava a voz com mais freqüência do que atualmente.

“Cyanide Sun” é o destaque do álbum junto com “Sleepwalking Past Hope”: é pesada e possui aquela atmosfera melancólica que fez a carreira da banda decolar logo nos primeiros lançamentos. Para não deixar de mencionar, Lindström finaliza a canção com um solo que destila bom gosto e coroa sua atuação no álbum.

Nem de longe se trata de um álbum ruim dos finlandeses, mas merece um sinal de alerta. Após mudarem consideravelmente seu som em “Dark Light”, tirando os solos de guitarra, cristalizando a produção e banindo os gritos e falsetes de Valo, o HIM volta mais encorpado em “Venus Doom”. Valo arrisca se soltar mais em suas vocalizações como fazia nos tempos de “Razorblade Romance” e a produção volta a ter aquele toque mais sujo de antes, mas mostra que a banda passa por um período de transição. Tratando-se de uma banda que experimentou o gosto do sucesso de maneira rápida e avassaladora, fica a impressão de que estão indecisos em relação a seu rumo. Cristalizar o som para uma entrada cada vez mais segura no mercado fonográfico norte-americano, ou deixar o feeling de outrora pavimentar a composição de seus álbuns?

Para os fãs, “Venus Doom” deixa o recado de que quando em sintonia, a banda é capaz de criar excelentes momentos (“Sleepwalking Past Hope” e “Cyanide Sun” são a prova disso), deixando assim a esperança de que possam voltar ainda melhores em um próximo lançamento.

A banda que “todos amam odiar” ainda é boa no que se propõe a fazer, e para deleite dos que amam (e desespero dos que odeiam) ainda tem lenha para queimar.

1-"Venus Doom" - 5:08
2-"Love in Cold Blood" - 5:54
3-"Passion's Killing Floor" - 5:10
4-"The Kiss of Dawn" - 5:54
5-"Sleepwalking Past Hope" - 10:02
6-"Dead Lovers' Lane" - 4:28
7-"Song or Suicide" - 1:10
8-"Bleed Well" - 4:24
9-"Cyanide Sun" - 5:54

•Ville Valo — Vocal
•Mikko "Linde" Lindström — Guitarra
•Mikko "Migé" Paananen — Baixo, backing vocals
•Janne "Burton" Puurtinen — Teclado, backing vocals
•Mika "Gas Lipstick" Karppinen — Bateria

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Sobre Marcelo Ferraresso

Iniciado no metal no ano de 1991, quando se deparou com o vinil (emprestado) do "The Number Of The Beast" do glorioso Maiden, se apaixonou pelo Metal "à primeira ouvida". Solteiro, formado em Psicologia, 25 anos e paulista, é amante de praticamente todas as vertentes do Rock e Metal, oscilando entre o Progressivo de bandas como Porcupine Tree e Pain of Salvation, até o inferno sonoro promovido por bandas como Vader e Immortal. Fã assíduo da época "Melissa" do Mercyful Fate, levanta a bandeira dos que acreditam que a melhor fase do Black Sabbath foi com o Dio!

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