Depois de meses ouvindo “Riot City Blues” você aprende a compreendê-lo melhor. Já não causa estranheza. Sim, o Primal Scream sempre foi a banda mais rocker dentre as eletrônicas e vice-versa. “Country Girl” prova que, mesmo fazendo algo com uma veia tipicamente old-school (e bota “old” nisso), os caras conseguem imprimir sua identidade. Não dá pra dizer que se ela tivesse sido escrita na década de 60 se adaptaria sem problemas ao período. Não é verdade. Esta é uma música do novo milênio. Do que de melhor o rock n’ roll clássico nos proporciona em pleno 2006.
Nota: 8 







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Já “Nitty Gritty” tem um solo delicioso... da mesma forma que “We’re Gonna Boogie” é retrô até a alma. Evidente que não houve nenhuma preocupação em saciar os fãs tradicionais da banda. Aquela imensa maioria que sem dúvida gosta mais da face eletro do Primal. A única comparação possível é com o polêmico “Give Out But Don’t Give Up”, de 1994. Se “Screamadelica” e “XTRMNTR” – cada um em sua época – acabam simbolizando a quintessência do grupo, seus dois momentos mais inspirados, “o disco do garotinho e a cobra” (oopa!) irá embalar festas e mais festas rockeiras por um bom tempo. Pelo menos merece.
E isso tem um motivo: tente ouvi-lo e ficar inerte. Tente sair ileso da guitarra de Robert Young. Do baixo pulsante do folclórico Mani. Da azeitada salada oferecida por Andrew Innes e Martin Duffy e seus brinquedinhos: mandolins, banjo, piano, órgão, moog, harmônica. Da batera de Darren Mooney. Este é o segredo. Sobretudo, “Riot City Blues” é um álbum de rock genuíno. Feito por um conjunto idem. Ele tem alma, tem swing. Provoca, instiga, satisfaz. Foi feito por seis branquelos safados que, há tempos, aprenderam as lições rítmicas dos negros.
Ao final da experiência você percebe que, não importa se é embalando a geração acid-house ou arrancando sorrisos de rockers classudos, o Primal Scream continua fazendo algumas das coisas mais interessantes que temos por aí. Será que o Brasil entra na rota de novo?
Site Oficial: www.primalscream.net
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Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.
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