WHIPLASH.NET - Rock e Heavy Metal!

Chameleon (Expanded Edition) - Helloween

Por Rodrigo Werneck | Em 07/01/07
Enviar por emailEnviar correção

Seguindo o caminho iniciado pelo disco anterior, “Pink Bubbles Go Ape”, com seu sucessor “Chameleon” o Helloween deu mais uma guinada no seu som para os lados de um hard rock mais acessível, deixando mais distante ainda o speed metal melódico pelo qual se tornou conhecido mundialmente.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Imagem
Prosseguindo com a formação que incluía Michael Weikath e Roland Grapow nas guitarras, Michael Kiske no vocal principal, Markus Grosskopf no baixo e Ingo Schwichtenberg na bateria, esse quinto disco de estúdio do Helloween viria para gerar um bocado de polêmica. Para a produção chamaram novamente Tommy Hansen, e as participações especiais de uma orquestra e de um grupo de metais (Kick Horns) acabaram causando uma profunda modificação no som do grupo.

Do ponto de vista comercial, tinha tudo para dar errado, e deu. Um LP duplo, recheado de músicas fora do estilo tradicional do Helloween, trafegando pelo pop, pelo blues, pelo hard rock, e até com pitadas progressivas, além de menos velocidade e vocais mais “domesticados” de Kiske. Enfim, tudo o que os fãs do Helloween *não* queriam, fora o fato do disco ter sido lançado quando o “grunge” e as camisas de flanela começavam a dominar o cenário do rock (1993). Do ponto de vista artístico, porém, o resultado foi ótimo e, ouvindo o disco hoje em dia, nota-se que há uma boa quantidade de material de primeira qualidade nele, e que sobreviveu muito bem ao tempo, mais de 10 anos depois de seu lançamento original.

O disco abre, entretanto, com um tema de Weikath que lembra os tempos passados da banda. “First Time” possui riff de guitarra cativante e vocais com uma progressão harmônica no melhor estilo do Helloween. Já na faixa seguinte, “When The Sinner”, composta por Kiske, as novidades começam a surgir: o grupo de metais Kick Horns tem presença marcante nessa composição de forte acento pop, e inclui um final até meio jazzístico. A música que se segue é a balada “I Don’t Wanna Cry No More”, de Roland Grapow, que inclui inspirados solos de violão e guitarra. O refrão é grudento, sem ser chato, e apresenta mais um bom trabalho de Kiske.

O início do disco nos dá uma boa mostra do trabalho como um todo, a começar pelo fato das composições serem igualmente divididas por Weikath, Kiske e Grapow (exatamente 4 de cada). A quarta faixa é “Crazy Cat”, outra com forte participação dos metais, um hardão inspirado que apresenta backing vocals cantados por, entre outros, Lenny Wolf (vocalista da banda Kingdom Come). Aí as coisas começam a pesar num tema de Weikath, “Giants”, onde os fãs de heavy metal finalmente se encontram em casa. Esta música é dedicada às grandes gravadoras que duelaram pela banda no passado (Noise e EMI), e também às agora extintas torres-gêmeas do World Trade Center de Nova York, inclui um bom trabalho “guitarrístico” (com solos de ambos os guitarristas) e vocais agudos de volta, sendo um breve toque do velho Helloween. Introduzida pelo ruído de um moinho girando, “Windmill” é outra balada (escrita por Weikath), com melodia pegajosa (talvez até um pouco demais) e solos até de bandolim e piano, mas que de qualquer forma ajuda a manter a dinâmica e o ecletismo do disco. Fechando o quarteto de composições de Weikath está “Revolution Now”, que lembra um pouco o trabalho do Queensryche da mesma época, mesclado a influência setentistas. Uma letra mais madura e ácida, e a surpresa da inclusão do clássico “San Francisco (Be Sure To Wear Some Flowers In Your Hair)”, de John Philips, no seu meio.

“In The Night” é a próxima contribuição de Michael Kiske, e mescla diferentes influências de rock mais tradicional, assumidamente algo entre Elvis Presley e os momentos mezzo acústicos do Led Zeppelin. Um tema inspirado e contagiante, porém mais uma vez distanciando o grupo de seu legado do passado. Grapow contribuiu com mais 2 músicas: o ótimo blues rock “Music”, um dos destaques do disco, com excelentes arranjos incluindo a seção de metais e uma orquestra, e ótimos solos de Grapow e Weikath, e a comercial “Step Out Of Hell”, dispensável (o teclado inicial, ou guitarra sintetizada, à la Journey ou Foreigner em seus piores momentos, não permite enganos).

Fechando o álbum com fecho de ouro estão as duas últimas músicas de Kiske. “I Believe” é uma longa e intensa faixa de mais de 9 minutos, com arranjo brilhante que inclui novamente orquestra, metais, e ainda um coral de crianças e até um órgão de igreja. Na minha opinião, a melhor música deste disco e um dos grandes clássicos do Helloween. Guitarras pesadas carregam a música nas costas, somadas aos inspirados vocais de Kiske, que com o passar do tempo aprendeu a melhor lidar com sua voz, desenvolvendo um estilo no qual os agudos ficaram propositalmente mais contidos (e mais desnecessários também). Guitarras brilhantes se alternam, em momentos mais rápidos e outros mais calmos, ora sujas e pesadas, com pedal wah-wah e outras distorções, ora límpidas e cristalinas, com teclados de bom gosto enriquecendo as passagens. Já “Longing” é uma poderosa balada, mostrando que Michael Kiske não estava brincando em serviço, tanto na composição quanto nos vocais, simplesmente magistrais nesta última faixa, que acabou sendo ironicamente o seu canto do cisne junto à banda.

De extrema relevância é o segundo CD dessa versão remasterizada e expandida do álbum original. Além de incluir como material bônus todos os lados B de singles lançados na época, é importante frisar que tal material é de excelente qualidade! Dentre os lados B do single “When The Sinner” estão “I Don’t Care You Don’t Care”, com seu refrão cativante (“shit happens”) e a excelente instrumental “Oriental Journey”, de Grapow, um tema pesado com melodias de influência oriental. Seguem-se 3 faixas que faziam parte do single “Windmill”, sendo elas uma boa composição do baixista Markus Grosskopf, “Cut In The Middle”, mais “Introduction” e “Get Me Out Of Here”, ambas de Weikath. A primeira é apenas uma brincadeira (tradicional da banda), onde há um diálogo em inglês simulado entre um entrevistador e um membro de uma banda alemã (quem será?) com forte sotaque. Já “Get Me Out Of Here” é o Helloween soando como Kiss (assumidamente), um típico “party rock”.

Uma longa e tentadoramente interminável jam session se segue no formato de “Red Socks And The Smell Of Trees”, com seus quase 11 minutos de duração. Solos de guitarra em profusão à la Jimi Hendrix, em outro grande momento dessa compilação. Outro contagiante tema de Grosskopf vem a seguir, com a ótima “Ain’t Got Nothing Better”, no melhor estilo Lynyrd Skynyrd e afins. Por fim, uma versão alternativa (demo) de “Windmill”, essencial para os “completistas”.

O encarte de 12 páginas coloridas inclui todos os créditos e letras, a entrevista habitual com Michael Weikath, e fotos da época. Além, é claro, de vários desenhos da abóbora de “Halloween”, tradicional nos discos da banda, fazendo referências aos títulos e/ou letras das músicas deste álbum.

Resumindo, o disco “Chameleon” apresentou novos caminhos naquele momento especial da carreira da banda, com longas músicas não necessariamente presas a estilos, mas o destino reservava uma brusca ruptura à frente, com as saídas de Michael Kiske (que seguiria carreira solo) e de Ingo Schwichtenberg (que viria tristemente a se suicidar). No entanto, um retorno ao peso desejado pelos fãs mais antigos era planejado pelo destino para o próximo lançamento...

Tracklist:

CD 1 (original album)

1. First Time
2. When The Sinner
3. I Don't Wanna Cry No More
4. Crazy Cat
5. Giants
6. Windmill
7. Revolution Now
8. In The Night
9. Music
10. Step Out Of Hell
11. I Believe
12. Longing

CD 2 (bonus tracks)

1. I Don't Care You Don't Care (“When The Sinner” single b-side)
2. Oriental Journey (“When The Sinner” single b-side)
3. Cut In The Middle (“Windmill” single b-side)
4. Introduction (“Windmill” single b-side)
5. Get Me Out Of Here (“Windmill” single b-side)
6. Red Socks And The Smell Of Trees (“I Don’t Wanna Cry No More” single b-side)
7. Ain't Got Nothin' Better (“I Don’t Wanna Cry No More” single b-side)
8. Windmill (previously unreleased demo version)

Site oficial: http://www.treasurechest.de/

Todas as matérias da seção Resenhas de CDs
Todas as matérias sobre Helloween

Helloween: formação clássica irá se reunir? Não, não vai! [22/05/12]
Resenhas de Shows - Unisonic e Gotthard (HSBC Hall,São Paulo, 18/05/12)
Entrevistas - Helloween: entrevista com Michael Weikath em 1996
Resenhas de CDs e DVDs - Helloween & Gamma Ray Tribute - HelloRay
Unisonic: ouça Michael Kiske cantando March Of Time [16/05/12]
Michael Kiske: "acho que eu e Weikath precisamos conversar" [06/05/12]
Entrevistas - Helloween: entrevista com Michael Weikath em 1998
Unisonic: possível set list de apresentações ao vivo [04/05/12]
Helloween: vídeo do primeiro dia de gravação de novo álbum [02/05/12]
Helloween: banda começa a gravar novo álbum [02/05/12]
Mais matérias sobre Helloween

Os comentários são postados usando scripts do FACEBOOK e logins do FACEBOOK, HOTMAIL, AOL ou YAHOO, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de exclusiva e integral autoria e responsabilidade dos usuários que fizeram uso deste sistema (citados na assinatura de cada comentário). Caso você considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Os responsáveis pelo site podem excluir comentários que julgarem inadequados e fornecer informações sobre os comentários a reclamantes se solicitados.

Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

Mais matérias de Rodrigo Werneck no Whiplash.Net.

Link que não funciona para email (ignore)

QUEM SOMOS | RSS | FACEBOOK | TWITTER | NEWSLETTER | APPS | ANUNCIAR | ENVIAR MATERIAL | FALE CONOSCO

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria. Os textos não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será retirado do site.

Em abril de 2012 Whiplash.Net teve 1.078.971 visitantes únicos, 2.974.068 visitas e 10.616.661 pageviews. Ver stats.