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The Doors: uma marca indelével na história do rock and roll

Por Osvaldo Ettiene | Fonte: "My Space" da banda e outra |

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Formada por Ray Manzarek (teclados), John Densmore (bateria), Robby Krieger (guitarra) e liderada pelo vocalista Jim Morrison, o legado artístico da banda californiana THE DOORS permanece até os dias de hoje, mesmo passados 40 anos do auge da carreira, na década de 60.

Mundialmente famosa (em especial pelas performances de Jim) o grupo angariou ao longo dos anos milhões de fãs. Com canções místicas e vibrantes, que invadem a mente do ouvinte, os DOORS construíram uma reputação de excelentes músicos. Porém, as constantes crises e desordens de Jim provocadas pelo vício em álcool deram ao grupo a fama, também, de uma banda perigosa para o público. Morrison era de fato um artista inconstante. O “rei-lagarto”, como ele se auto-nomeava, frequentemente aparecia para gravar ou tocar tão absorto em seu próprio mundo que começou a causar problemas em praticamente todos os shows do grupo. Passando de problemas com a polícia e indo parar nos tribunais por conta de seus exageros em um show em Miami, Jim foi construindo uma imagem de artista rebelde, incontrolável.

Falando sobre isso, em entrevista que faz parte do livro "The Doors por The Doors" escrito por Ben Fong-Torres, John Densmore traduz um pouco do efeito Morrison: "Hoje eu o teria colocado contra a parede. Mas eu também tinha medo dele. Ele tinha um poder imensurável. Quando entrava em algum ambiente, as pessoas se perguntavam: 'Jesus, quem é esse cara?!'. Ele tinha esse tipo de poder”.

Por outro lado, quando Jim estava em sua melhor forma a verdadeira alma do THE DOORS dava o ar da graça: “O palco era o lugar preferido de Jim. O que ele menos queria era sair de lá. Ficaria por lá a noite toda se pudesse. Acho que um dos motivos pelo qual continuava a beber era para manter aquela sensação eufórica de estar no palco. Íamos embora, e ele ainda estava pronto para o show”. Lembra Ray Manzarek, membro mais engajado do grupo, em entrevista que também faz parte do livro.

Essa história tem início quando os já conhecidos Ray e Jim se reencontram na praia de Venice Beach, Los Angeles. Os dois costumavam andar juntos e ficar chapados na época em que frequentavam a Universidade da Califórnia (UCLA), Jim fazendo cinema e Ray o seu mestrado. Manzarek curtia o estilo misterioso e despreocupado de Jim. Nas palavras do próprio Ray, em depoimento no documentário "When You're Strange", os detalhes do reencontro:

“Estava eu na praia e quem me aparece caminhando junto ao mar? Jim Morrison. Ele me cumprimentou: 'Olá Ray'. "Respondi: 'Jim! Senta aqui comigo um pouco'. "Daí ele sentou em minha colcha indiana. Eu disse: 'E aí cara, o que você está fazendo por aqui?'. "Ele respondeu: 'Estou morando no sótão de Dennis Jakobs, tomando ácido e escrevendo músicas'. "Eu disse: 'Escrevendo músicas'? "Porque nunca pensei que Jim pudesse compor. Sabia que escrevia poesia, mas não que tinha se tornado compositor. Eu perguntei a ele: 'Que legal cara, e como são essas músicas? Cante uma para mim'. “Ele se fechou e me deu a negativa: 'Ah não...sou meio tímido e minha voz não é muito boa'.” Eu respondi: 'Sua voz não é muito boa?! Bob Dylan é famoso no mundo inteiro com aquele guincho que é a voz dele. Vamos lá!'.

Então ele salta da toalha, enfia as mãos na areia e, com areia escorrendo pelos dedos, começa a cantar “Moonlight Drive”: "Let’s swim to the moon/Let’s climb thought the tide/Penetrate the evening that the city sleeps to hide/Let’s swim out tonight, love/It’s our time to try/Parked beside the ocean on our moonlight drive". ['Vamos nadar até a lua/Vamos escalar a maré/Penetrar na noite que a cidade dorme para esconder/Vamos nadar esta noite, amor/É a nossa vez de tentar/Estacionados ao lado do oceano em nossa estrada do luar']. “Eu disse: 'Ei, espera cara. Eu consigo imaginar exatamente como tocar essa música! Basta colocar uns acordes menores, sombrios, ritmados, num timbre de órgão, algo vindo do espaço'.

Assim nasceu o THE DOORS; o dom vocal e as letras de Jim Morrison somadas a música climática de Ray Manzarek; acrescente nesta mistura os dedos habilidosos de Robby Krieger e sua guitarra; e o talento discreto, porém efetivo, de John Densmore lá no fundo do palco, controlando as batidas.

Daí por diante, tudo fluiu fácil. Os quatro componentes tinham muita química musical. Donos de 80 milhões de álbuns vendidos (2 milhões continuam a ser vendidos anualmente) e 5 milhões de Dvd’s, os DOORS foram e sempre serão uma banda que influenciou diversos músicos e outras bandas a trilharem seu caminho no mundo da música. Cito, só a título de curiosidade, a afirmação de Daron Malakian, guitarrista do SYSTEM OF A DOWN, a Ben Fong-Torres: “Os Doors tiveram profundo impacto na visão por trás do System of a Down. O nome da banda vem de um poema meu chamado Victim of a Down, e eu nunca havia escrito qualquer tipo de poesia antes de ouvir The Doors”.

O arsenal da banda parte de canções leves como “Riders on The Storm” , passando por “Spanish Caravan”(claramente enraizada na música flamenca) e chegando as canções mais ácidas como “Break On Through” e “Roadhouse Blues”; e há ainda a música que rendeu aos DOORS boa parte da fama alcançada, "Light My Fire" (composição do guitarrista Robby Krieger).

Com esses e outros sucessos, Jim Morrison e THE DOORS escreveram uma marca indelével na história do rock and roll. Os discos do THE DOORS são, para os fãs, uma espécie de tesouro. Os mais ávidos querem guardá-los para mostrar aos filhos e netos, na tentativa de preservar o espólio musical do THE DOORS. Sempre lembrados e cultuados, nunca serão esquecidos pela memória de quem aprecia a boa e velha música sem rótulos.

Fontes:
- My Space da banda (http://www.myspace.com/thedoors)
- Livro "The Doors Por The Doors" - Ben Fong-Torres

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