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Cortina de Ferro

Postado por Revival Music | Fonte: Last.fm |

Se competência e criatividade musical influenciassem na longevidade da carreira de uma banda, o Brasil estaria infestiado de grandes nomes - ainda mais se tratando dos anos 80. E certamente a banda paulistana Cortina de Ferro estaria figurada entre elas. Mas devido a má infra-estrutura, quase nula divulgação na mídia e investimentos um tanto pobre - causaram que algumas bandas sentissem poucas vezes o sabor dos palcos durante o começo de carreira até terminarem as atividades. E é nesse sistema que a grande Cortina de Ferro se enquadra. Se enquadra também naquele tipo de banda que muda radicalmente seu estilo musical, assim como aconteceu com o Pantera, por exemplo.

Formada no final dos anos 80 em São Paulo pelos irmãos Luiz Roberto (baixo e vocal) e Maria Lúcia Alves (teclados) que a vida da Cortina de Ferro começa. Posteriormente contando André Luiz (guitarra) e Marco Oshiro (bateria) o grupo consegue um contrato com a lendaria gravadora Baratos Afins e no ano de 1993 gravam seu primeiro e único álbum - o fabuloso “Temple of the Darkness”. Apesar de contar com uma produção precaria e pouca divulgação, o disco soa poderoso e eficiente até os dias de hoje. Sem falar da arte da capa, que chama a atenção logo de cara e talvez seja uma das mais bonitas capas de bandas nacionais em todos os tempos.

Em uma época em que o senario da música pesada do Brasil vivia do Thrash Metal e bandas como Sepultura dominava as mentes dos headbangers tupiniquins, a Cortina de Ferro corria contra as águas e apostava em um som influenciado pelo Heavy Metal tradicional com guitarras técnicas, melodias cativantes e teclados bem presente, que chegam até lembrar alguns trabalhos da banda solo do guitarrista suéco Yngwie Malmsteen. Som no qual se caracterizava o não tão comentado gênero Melodic Heavy Metal ou Power Metal aqui no Brasil na época.

“Temple of the Darkness” se fosse feito com todos os requintes e cuidados de um produtor renomado e lançado por uma gravadora com ampla visão do mercado internacional, talvez hoje não seria tachado como raro e provavelmente não faltaria na coleção de um fã de Metal Melódico.

O disco começa com a faixa “Into the Fire”, que tem uma introdução bem interessante e depois sai arrasando num Heavy Metal bem empolgante com uma melodia vocal emocionante mas sem deixar de ser agressivo. O álbum inteiro segue o mesmo pique e na faixa seis temos uma surpresa: um cover para “Breaking the Law”, originalmente gravada pela banda inglesa Judas Priest. Se não fosse pelos teclados, a versão seria um tanto fiel à original. O disco também dá espaço para o Hard Rock, como podemos conferir na faixa “The Mirrors Never Lies” e também encontramos essas nuances em outras músicas. Um disco de ótimo bom gosto!

Em 1994 a banda lança de forma independente o single “Agitated World” contando com apenas duas canções - a faixa titulo e uma nova versão para “Shadows” (música instrumental já estreada no Temple of the Darkness) que teve uma roupagem bem inesperada e um tanto revoltante. Pois foi aqui que a Corina de Ferro torceu o nariz dos fãs e começou a ter flertes com a música Eletrônica.

Após essa inusitada iniciativa, o grupo muda o nome para Cortina e agora de vez, cai de corpo e alma na música Eletrônica/Techno/Trance. Sob o nome Cortina e contando somente com os irmãos Luiz e Maria Alvez, a banda lança em 1996 o odiado “The Tribal Tech”.

Decididos na nova proposta, Cortina de Ferro e Cortina se tornam passado e os irmãos formam em 1998 o projeto X-Action, de mesma sonoridade do Cortina. A partir daí, é outra história.

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