Resenha e fotos do Sweden Rock Festival 2026 - Keep the Fire burning!
Resenha - Sweden Rock Festival 2026 (Norje, Suécia, 03 a 06/06/2026)
Por Jayme Alexandre de Lima
Postado em 19 de junho de 2026
Mais uma vez a pequena Norje transformou-se na capital mundial do rock e do heavy metal. Mesmo para quem frequenta o Sweden Rock Festival há muitos anos, a abertura dos portões continua sendo um dos momentos mais emocionantes do evento. Em 2026, porém, a organização resolveu elevar ainda mais a experiência. Antes mesmo da tradicional corrida dos fãs para dentro da área do festival, um caça Saab JAS 39 Gripen realizou uma exibição aérea sobre o local, arrancando aplausos e celulares erguidos por todos os lados.
Fotos: Anthony Perine
A edição deste ano também entrou para a história por outros motivos. Pela primeira vez o festival contou com uma banda surpresa e a colocaram para abrir o programação, e também pela primeira vez colocaram à venda ingressos para a edição seguinte antes mesmo de anunciar qualquer atração. Os chamados blind tickets foram um sucesso imediato, demonstrando a confiança que o público deposita no evento após décadas de excelência.
Mas a maior surpresa ainda estava por vir.
DIA 1
EUROPE
Durante semanas, um enorme ponto de interrogação ocupou o primeiro horário da programação oficial. O mistério foi mantido até os últimos instantes e gerou inúmeras especulações entre os frequentadores do festival. Quando Joey Tempest e companhia finalmente subiram ao Blåkläder Stage, a reação foi imediata.

Não seria exagero afirmar que o palco ficou pequeno para receber uma das bandas mais importantes da história do rock sueco. Em apenas cinco músicas, o Europe protagonizou um dos momentos mais comentados de toda a edição. Curiosamente, o grupo abriu o show justamente com duas faixas inéditas, "One On One" e "The Cult Of Ignorance", sinalizando que o sucessor de Walk The Earth vai ser mais um grande sucesso.
Mas foram os clássicos que transformaram a apresentação em uma celebração coletiva. "Scream Of Anger", "Superstitious" e "Rock The Night" fizeram o público cantar em uníssono. Sempre extremamente carismático, Joey Tempest comandou a multidão com enorme facilidade e ainda anunciou que o Europe retornará ao Sweden Rock em 2027 como uma das atrações principais.
JARED JAMES NICHOLS
Poucos artistas atuais conseguem transmitir tanta energia quanto Jared James Nichols. Com apenas um amplificador, uma guitarra e muito talento, o norte-americano mostrou mais uma vez por que vem sendo apontado há anos como um dos grandes nomes da nova geração do hard rock e do blues pesado.
A recente "Killing Time" encaixou-se perfeitamente ao lado de músicas como "Keep Your Light On Mama", "Easy Come, Easy Go" e a excelente "Threw Me To The Wolves", enquanto seus solos arrancavam aplausos constantes. Nichols tem a rara capacidade de soar moderno sem abandonar as raízes do blues e do hard rock clássico.
ROY KHAN
Desde que retornou aos palcos, Roy Khan vem realizando algo que muitos fãs julgavam impossível durante anos. O ex-vocalista do Kamelot segue recuperando parte do repertório que ajudou a transformar discos como The Black Halo e Epica em verdadeiros clássicos do metal melódico.
Apresentando o show batizado de "Black Halo And Beyond" e acompanhado pela banda Seven Spires, o cantor apresentou uma verdadeira coleção de clássicos. "When The Lights Are Down", "Center Of The Universe", "The Haunting", "Karma", "Forever", "Ghost Opera" e a obrigatória "March Of Mephisto" transformaram a apresentação em um encontro entre velhos amigos. O mais impressionante, porém, continua sendo a qualidade de sua voz, extremamente preservada.
DOWN
Enquanto muitos grupos apostam em produções grandiosas, o Down continua confiando principalmente na força de suas músicas.

Descalço durante toda a apresentação, Phil Anselmo surgiu com a habitual postura desafiadora e conduziu um dos shows mais pesados do dia. "Lifer" foi dedicada a Vinnie Paul, Dimebag Darrell e Ozzy Osbourne, criando um momento de forte emoção. Já "Hail The Leaf", "Stone The Crow", "Ghosts Along The Mississippi" e "Bury Me In Smoke" mostraram por que a banda permanece como uma das mais respeitadas dentro do stoner metal e do southern metal.
No encerramento, Jared James Nichols e integrantes da equipe técnica pegaram os instrumentos para tocarem e cantarem a última música junto com a banda em clima de festa.
BLACK LABEL SOCIETY
Se existe uma palavra capaz de definir o show do Black Label Society, ela é intensidade.

Mesmo com o volume do som abaixo do ideal em alguns momentos, Zakk Wylde liderou uma verdadeira avalanche de riffs. O repertório passou por todas as fases da banda, com destaque para "Funeral Bell", "No More Tears" clássico eternizado por Ozzy Osbourne, a empolgante "Set You Free" e a excelente "Name In Blood", que abre seu último álbum "Engines of Demolition".
Musicalmente o show foi impecável. Ao mesmo tempo, ficou a sensação de que a apresentação pouco diferiu das demais datas da turnê, com exceção de não terem tocado a bela "Ozzy`s Song". Para os fãs que estão vendo um show dessa tour pela primeira vez isso não chega a ser um problema, afinal, poucas bandas conseguem soar tão empolgantes quanto o Black Label Society ao vivo.
CORONER
Os suíços do Coroner provaram novamente por que continuam sendo referência absoluta quando o assunto é thrash metal técnico.
A execução foi praticamente impecável do início ao fim. Músicos extremamente precisos, arranjos complexos e uma sonoridade que continua impressionando décadas após os lançamentos de Punishment For Decadence, No More Color e Mental Vortex. A única observação ficou pela ausência de qualquer música do álbum de estreia, o antológico R.I.P., algo que muitos fãs esperavam encontrar no repertório.
THE OFFSPRING
Mesmo assistindo apenas ao final da apresentação, foi impossível não perceber o excelente clima criado pelo grupo.
As últimas músicas transformaram a área diante do Festival Stage em uma enorme festa. O público cantava praticamente tudo enquanto Dexter Holland e Noodles comandavam uma verdadeira celebração do punk rock californiano.
VOLBEAT
Mais uma vez ocupando posição de headliner do Sweden Rock, o Volbeat confirmou seu enorme apelo junto ao público europeu.

Michael Poulsen e companhia abriram o show de forma extremamente forte com "The Mirror And The Ripper", "Lola Montez", "Demonic Depression", "Fallen" e "Sad Man's Tongue". A escolha do repertório agradou especialmente os fãs mais antigos ao resgatar músicas importantes da fase que consolidou a banda internacionalmente.
Com excelente qualidade sonora, produção de palco eficiente e uma sequência de refrões impossíveis de ignorar, o Volbeat mostrou novamente por que continua sendo uma das maiores bandas da atualidade dentro do hard rock e do metal europeu. A mistura inusitada de Johnny Cash, Metallica, Elvis Presley e Social Distortion funciona e muito!
O primeiro dia chegou ao fim com a sensação de que o festival havia começado em altíssimo nível. Entre a histórica surpresa envolvendo o Europe, o peso do Down, a técnica do Coroner e a consagração do Volbeat como headliner, o Sweden Rock 2026 já demonstrava que teria muito a oferecer nos dias seguintes.
DIA 2
Se o primeiro dia havia começado de forma espetacular com a surpresa envolvendo o Europe, a sexta-feira apresentava aquela que provavelmente era a programação mais forte de toda a edição. Evergrey, Trivium, Savatage, Social Distortion, Iron Maiden e
Saxon garantiam uma sequência praticamente irretocável para os fãs de hard rock e heavy metal.
ECLIPSE
Coube ao Eclipse abrir os trabalhos no Rock Stage. A banda continua colhendo os frutos da excelente fase iniciada há mais de uma década, quando passou a figurar definitivamente entre os principais nomes do hard rock melódico europeu.
Mesmo sem grandes novidades em relação às apresentações mais recentes, Erik Mårtensson e companhia entregaram exatamente aquilo que o público esperava: refrões gigantes, excelente execução e muita energia. "Roses On Your Grave", "The Hardest Part Is Losing You", "Still My Hero" e, principalmente, "Viva La Victoria" foram recebidas como verdadeiros hinos por uma plateia que já começava a lotar a área diante do palco.
EVERGREY
Com quase três décadas na estrada, o Evergrey tocou no Festival Stage e provou que é uma banda que continua crescendo de forma consistente, sem atalhos e sem abrir mão da própria identidade.

O grupo atravessa um momento particularmente interessante. Após a saída de Henrik Danhage em abril, muitos fãs questionaram se a banda conseguiria manter o nível de excelência que vinha apresentando nos últimos anos. A resposta parece cada vez mais clara: a atual formação soa extremamente entrosada e o recente Architects Of The New Weave trouxe uma nova energia à sonoridade do grupo sem comprometer a profundidade emocional que sempre caracterizou suas composições.

Tom Englund – carismático e talentoso vocalista, guitarrista e líder da banda – parecia genuinamente feliz durante toda a apresentação. Talvez pelo fato de que, poucas semanas depois, a banda iniciaria uma importante sequência de datas abrindo para o Iron Maiden em algumas cidades europeias. Mas parecia haver algo além disso. Era a satisfação de ver uma carreira construída com dedicação, resiliência e consistência, e que, lançamento após lançamento, segue conquistando novos fãs.

A escolha do repertório chamou atenção pela ausência de músicas anteriores ao álbum Hymns For The Broken de 2014. Em vez de apostar na nostalgia, o Evergrey apresentou um retrato fiel do momento atual da banda. "Falling From The Sun" perfeita para ser tocada ao vivo, "Where August Mourns" e a nova "Heaven" abriram caminho para a pesadíssima "Eternal Nocturnal". Além da surpreendente "Heaven", a apresentação contou ainda com outras quatro músicas novas: "The World Is On Fire", "Architects Of The New Weave", a viciante "Leaving The Emptiness" e "OXYGEN!".
Como fã desde o início da banda, sinto falta de músicas dos primeiros oito álbuns, que esbanjavam originalidade, feeling e intensidade, elementos característicos do Evergrey e que seguem presentes nesta nova fase iniciada com Hymns For The Broken, porém agora com uma pegada mais moderna e sofisticada.
O show terminou alguns minutos antes do previsto, mas deixou duas certezas: a primeira é que poucos grupos conseguiram evoluir sem abrir mão de sua essência tão bem quanto o Evergrey, e a segunda é que os suecos ainda têm muita energia, inspiração e talento para seguirem participando da criação da trilha sonora da vida dos seus fãs, como este que lhes escreve.
TRIVIUM
Embora seja difícil acreditar, 2026 marcou a estreia do Trivium no Sweden Rock Festival.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |

Ao longo dos últimos vinte anos, a banda tornou-se uma das principais representantes da geração que assumiu a responsabilidade de renovar o heavy metal sem perder a conexão com suas raízes. E foi exatamente isso que aconteceu no Rock Stage.
Matt Heafy parecia genuinamente empolgado por finalmente tocar no festival. Desde os primeiros minutos era possível perceber o entusiasmo da banda e do público.
"A Gunshot To The Head Of Trepidation" provocou uma explosão imediata de energia, criando enormes rodas e levantando nuvens de poeira por toda a área diante do palco.
"Pull Harder On The Strings Of Your Martyr", "Strife", "Down From The Sky", "Like Light To The Flies" e "In Waves" transformaram a apresentação em uma verdadeira celebração da carreira do grupo.
Chamou atenção também a presença de músicas de Shogun, disco que, em minha humilde opinião, é o ponto máximo da carreira da banda até agora. Mais do que uma estreia, o show pareceu uma declaração de que o Trivium finalmente conquistou seu lugar definitivo entre os grandes nomes do metal contemporâneo.
SAVATAGE
Para mim, este era o show mais aguardado de toda a edição.

A reunião do Savatage já havia proporcionado momentos históricos nos shows realizados no Brasil no ano passado, mas havia uma expectativa natural para descobrir quais mudanças a banda promoveria na sequência europeia da turnê Prelude To Madness.

Um ponto que gerava curiosidade entre os fãs era a ausência temporária de Jeff Plate. Integrante do Savatage desde 1994 e peça fundamental na fase mais recente da banda, o baterista precisou ficar fora dos dois primeiros compromissos da turnê europeia devido ao retorno de um problema de saúde relacionado a severas hemorragias nasais, condição que já havia exigido uma cirurgia alguns anos atrás. Em seu lugar, assumiu Blas Elias, conhecido principalmente por seu trabalho com o Slaughter e a Trans-Siberian Orchestra. A substituição poderia gerar preocupação, mas rapidamente mostrou-se acertada. Além de sua experiência, Elias já conhecia bem vários integrantes da banda através da família Savatage/TSO e entregou uma performance segura e extremamente competente, contribuindo para que o grupo mantivesse o elevado nível apresentado ao longo de toda a noite.
Logo ficou claro que o repertório havia sido ajustado. A abertura foi com o marcante riff de "Morphine Child"seguida por "Dead Winter Dead", seguida por "Jesus Saves", na qual os fãs comemoravam como se fosse um gol da sua seleção na Copa do Mundo! Sem dar tempo para respirar, veio a lindíssima "Wake of Magelan", a emocionante "Strange Wings" e a poderosa "Sirens". A grande surpresa do repertório ficou por conta de "Lights Out", do aclamado Edge of Thorns – foi a primeira vez que tocaram essa música desde 2003.
Mas o momento que ficará para sempre associado a este show aconteceu durante "Handful Of Rain".
De maneira impressionante, assim como havia ocorrido em São Paulo durante o Monsters Of Rock, a chuva começou exatamente enquanto a banda executava essa música. A coincidência foi tão perfeita que arrancou reações imediatas do público e dos próprios músicos. Ao perceber o que estava acontecendo, Zak comentou com surpresa "Olhem! Está chovendo!", enquanto milhares de pessoas acompanhavam uma das canções mais belas de toda a discografia do Savatage. Foi um daqueles momentos que simplesmente não podem ser planejados.
"Chance" mais uma vez mostrou a criatividade absurda das composições do "Sava", e "Believe", que contou com o mesmo vídeo que foi exibido durante a passagem pelo Brasil, com Jon Oliva cantando e tocando, além de imagens do saudoso gênio Criss Oliva durante o solo, fez muita gente chorar de emoção. Um momento realmente muito forte para os fãs, que cantaram o belíssimo refrão a plenos pulmões.
Zak Stevens continua cantando de forma impressionante. Não apenas alcançando as notas, mas transmitindo emoção genuína em cada interpretação.
A parte final foi um teste cardíaco, com uma sequência de hinos eternos que marcaram uma geração. "Gutter Ballet", "Edge of Thorns", "Power of The Night" e a poderosa "Hall Of The Mountain King" coroaram a estreia da nova fase dessa tour de reunião do
Savatage e, que espero sinceramente que seja apenas a primeira de muitas outras que ainda virão!
SOCIAL DISTORTION
Após a intensidade emocional proporcionada pelo Savatage, o Social Distortion trouxe uma atmosfera diferente, alegre e descompromissada, que só o legítimo punk rock pode proporcionar.
Mike Ness continua sendo uma figura extremamente carismática. Aos 64 anos, o vocalista fez comentários bem-humorados sobre a passagem do tempo e demonstrou enorme satisfação em voltar aos palcos após os desafios enfrentados nos últimos anos. O repertório equilibrou clássicos da carreira com músicas do excelente disco mais recente, Born To Kill – cuja faixa homônima se encarregou de abrir os trabalhos.
As clássicas "Story Of My Life", "Ball And Chain", "Reach For The Sky" e "Ring Of Fire" foram recebidas com entusiasmo por um público claramente feliz por ver uma das bandas mais importantes da história do punk rock americano em plena forma e que continuam compondo músicas que certamente sobreviverão ao teste do tempo, embalando momentos de pura felicidade como foi esse show.
IRON MAIDEN
Poucas bandas possuem uma relação tão próxima com o Sweden Rock Festival quanto o Iron Maiden.

Horas antes do show, Bruce Dickinson já havia protagonizado uma das imagens mais comentadas de toda a edição ao circular pela área do festival a bordo de um tanque militar decorado com bandeiras da Suécia e do Reino Unido.
Quando "Doctor Doctor", do UFO, começou a tocar pelo sistema de som, milhares de pessoas imediatamente correram para o Festival Stage.
A atual turnê representa uma verdadeira carta de amor aos primeiros anos da carreira da banda, concentrando-se principalmente no período entre Iron Maiden e Fear Of The Dark.
A abertura com "The Ides of March" e "Murders In The Rue Morgue" já deixou claro que o repertório seria especial. Em seguida vieram "Wrathchild", "Killers" (com a primeira entrada de Eddie) e "Phantom Of The Opera", provocando reações quase tão intensas quanto aquelas normalmente reservadas aos grandes clássicos.
Mas havia uma música aguardada acima de todas as outras.
Após décadas sendo apontada pelos fãs como uma das maiores ausências dos setlists modernos da banda, "Infinite Dreams" finalmente apareceu no Sweden Rock. Foram necessários 38 anos para que isso acontecesse.
A reação do público foi exatamente aquela que se esperava. Milhares de pessoas cantando cada palavra de uma das composições mais sofisticadas e emocionantes já escritas por Steve Harris.
Somando-se aos diferentes Eddies que surgiam ao longo da apresentação, à impressionante cenografia e à execução impecável de músicas como "Powerslave", "Rime Of The Ancient Mariner" e "The Number Of The Beast", o resultado foi um dos grandes shows de toda a edição.
SAXON
Sair de um show do Iron Maiden e caminhar diretamente para um show do Saxon é um privilégio que poucos festivais do mundo conseguem oferecer.

Mais impressionante ainda é perceber que, após tantos anos, Biff Byford e companhia continuam apresentando performances que rivalizam com qualquer banda contemporânea.
Promovendo o excelente Hell, Fire And Damnation lançado em 2024, e apresentando o show batizado de Castles And Eagles, com uma produção de palco que celebra a era de ouro da banda, revivendo a gigante águia de aço da tour do Wheels of Steel e cenografia inspirada no aclamado Crusader, o Saxon trouxe um repertório que equilibrou perfeitamente material recente e clássicos absolutos da New Wave Of British Heavy Metal.
A sequência formada por "Power And The Glory", "And The Bands Played On", "Heavy Metal Thunder" e "The Eagle Has Landed" funciona praticamente como uma aula de história do heavy metal britânico.
Biff continua cantando de forma impressionante e a banda soa tão poderosa quanto em qualquer outro momento da carreira.
Talvez seja uma opinião que não encontre muitos adeptos, mas continuo acreditando que poucas bandas exerceram tanta influência sobre o heavy metal tradicional quanto o Saxon. E apresentações como esta ajudam a explicar exatamente o porquê.
Ao final do segundo dia, a sensação era de que o festival havia atingido um nível quase impossível de superar. Entre a ascensão contínua do Evergrey, a aguardada estreia do Trivium, a emoção proporcionada pelo Savatage e os shows monumentais de Iron Maiden e Saxon, a sexta-feira entrou imediatamente para a lista dos grandes dias da história recente do Sweden Rock Festival.
DIA 3
Depois de uma sexta-feira praticamente perfeita para os fãs de heavy metal tradicional, o sábado apresentava uma programação um pouco mais diversificada. Ainda assim, havia atrações suficientes para manter o nível elevado, incluindo nomes históricos como Udo Dirkschneider, Foreigner, Joan Jett e Helloween, além de um dos shows mais animados de toda a edição, protagonizado pelos Hellacopters.
ROBIN MCAULEY
A manhã começou de forma especial para os fãs de hard rock melódico. Robin McAuley, uma das grandes vozes da história do gênero, retornou ao Sweden Rock acompanhado pela banda do projeto sueco Gathering Of Kings.

Aos 73 anos, o ex-vocalista do MSG continua impressionando. Mais do que simplesmente alcançar as notas, McAuley demonstra uma presença de palco e um carisma raros. O repertório foi praticamente uma celebração de sua trajetória, com destaque para clássicos do McAuley Schenker Group como "Save Yourself", "This Is My Heart", "Love Is Not A Game", "Anytime" e "Here Today, Gone Tomorrow".
Um dos momentos mais emocionantes aconteceu durante "When I'm Gone", interpretada com enorme sensibilidade. Entre uma música e outra, McAuley interagiu bastante com o público, especialmente com o grupo de brasileiros que ocupava a grade e com quem já havia criado uma bonita amizade durante sua vinda ao país alguns anos atrás.
Foi um daqueles shows que talvez não apareçam nas manchetes, mas que fazem enorme diferença na experiência de quem frequenta o Sweden Rock.
DIRKSCHNEIDER
Nos últimos anos, Udo Dirkschneider parece ter feito as pazes definitivamente com o repertório clássico do Accept. E ninguém saiu ganhando mais com isso do que os fãs.

A atual turnê celebra justamente esse legado e o repertório apresentado em Norje foi praticamente um desfile de clássicos absolutos. A presença de Peter Baltes, parceiro de Udo durante décadas e responsável por algumas das linhas de baixo mais emblemáticas da história do heavy metal, adiciona ainda mais legitimidade ao projeto.
Músicas como "Living For Tonite", "Midnight Mover", "Breaker", "Metal Heart", "Fast As A Shark", "Princess Of The Dawn" e "Balls To The Wall" funcionam como uma verdadeira linha do tempo do Accept. Impressiona também como a banda soa pesada.
Mesmo após tantas décadas, essas músicas continuam carregando uma energia que muitas bandas mais jovens sequer conseguem reproduzir.
OVERKILL
Se ainda havia alguma dúvida de que o thrash metal americano oitentista continua extremamente relevante em 2026, o Overkill tratou de eliminá-la rapidamente. Antes mesmo do show começar, muitos fãs comentavam a ausência de D.D. Verni. O baixista e principal parceiro criativo de Bobby "Blitz" Ellsworth precisou ficar fora desta etapa da turnê devido a problemas físicos envolvendo lesões nos ombros e no bíceps, situação que já vinha sendo tratada desde o início do ano.

Naturalmente, sua ausência foi sentida. Afinal, a dupla Blitz e Verni formam a identidade do Overkill. Ainda assim, a banda entregou exatamente aquilo que se espera de uma instituição do thrash metal.
O som apresentou algumas oscilações durante os primeiros minutos, mas isso não impediu que o Sweden Stage se transformasse em um enorme campo de batalha. "Rotten To The Core" e "Deny The Cross" estabeleceram imediatamente a conexão com os primeiros anos da carreira do grupo, enquanto "Ironbound" provou por que continua sendo um dos melhores exemplos de como uma banda veterana pode permanecer relevante sem viver apenas de nostalgia.
O encerramento com "Elimination" e a obrigatória "Fuck You" provocou um dos maiores mosh pits de toda a edição.
Mais de quarenta anos após sua formação, o Overkill continua representando tudo aquilo que tornou o thrash metal americano uma das forças mais importantes da música pesada.
FOREIGNER
Poucas bandas podem olhar para trás e afirmar que possuem um catálogo tão impressionante quanto o Foreigner.
Mesmo sem nenhum integrante da formação clássica original no palco, o grupo continua preservando um repertório que ajudou a definir o AOR entre o final dos anos 1970 e o início dos anos 1980.
A atual formação tem em Jeff Pilson - conhecido principalmente por seu trabalho no Dokken - uma de suas figuras centrais, funcionando praticamente como diretor musical da banda nos últimos anos.
O repertório foi uma sucessão de clássicos. "Double Vision", "Head Games", "Cold As Ice", "Waiting For A Girl Like You", "Urgent", "Juke Box Hero" e "Hot Blooded" foram recebidas como verdadeiros hinos.
Entre todos eles, "That Was Yesterday" acabou se tornando um dos pontos altos da apresentação. Talvez por não ser executada com tanta frequência quanto outros clássicos da banda, sua inclusão foi recebida com entusiasmo especial pelos fãs mais antigos.
HELLACOPTERS
Poucas bandas representam tão bem o espírito do rock escandinavo quanto os Hellacopters, capitaneados pelo incansável Nicke Andersson.
Quando o grupo subiu ao palco, boa parte do público ainda tentava se recuperar de uma forte chuva que havia passado pela região pouco antes. Bastaram alguns minutos para que isso deixasse de importar.
Com sua combinação perfeita de rock'n'roll clássico, garage rock, punk rock e melodias irresistíveis, os suecos protagonizaram um dos shows mais animados de todo o festival. Era impossível caminhar pela área próxima ao palco sem encontrar pessoas cantando, pulando ou simplesmente sorrindo. Os Hellacopters possuem essa capacidade rara de transformar qualquer apresentação em uma celebração.
E foi exatamente isso que aconteceu.
JOAN JETT & THE BLACKHEARTS
Originalmente, o espaço ocupado por Joan Jett na programação seria destinado ao Twisted Sister. O cancelamento da aguardada reunião da banda após os problemas de saúde enfrentados por Dee Snider acabou abrindo espaço para uma veterana da história do rock. A relevância de Joan Jett é incontestável. Poucos artistas tiveram papel tão importante na abertura de caminhos para gerações posteriores de mulheres dentro do rock pesado.
O repertório trouxe praticamente todos os clássicos esperados, incluindo "Cherry Bomb", "Do You Wanna Touch Me", "Crimson & Clover", "I Love Rock 'N' Roll" e "I Hate Myself For Loving You".
Ainda assim, a apresentação acabou parecendo um pouco morna quando comparada a vários dos grandes momentos do festival. Talvez o posicionamento na programação não tenha ajudado. Talvez a energia simplesmente não tenha atingido o mesmo nível de outros shows do dia.
HELLOWEEN
Enquanto Joan Jett parecia deslocada em um dos principais horários do festival, o Helloween demonstrava exatamente o contrário.

Se existe uma banda que merecia ocupar o Festival Stage naquela noite, provavelmente eram eles.

Celebrando quarenta anos de carreira, os alemães apresentaram uma das produções mais impressionantes de toda a edição. O enorme telão de altíssima definição e as projeções que ocupavam toda a lateral do palco criavam ambientes imersivos e específicos para cada música, transformando o espetáculo em uma experiência quase cinematográfica.
A abertura já dizia tudo. "March Of Time", "The King For A 1000 Years" e "Future World" formaram uma sequência capaz de provocar arrepios em qualquer fã de power metal.
A formação "Pumpkins United" continua funcionando de maneira impressionante. Michael Kiske e Andi Deris não apenas dividem os vocais; eles parecem genuinamente se divertir juntos no palco. O resultado é uma dinâmica que poucas bandas conseguem reproduzir.
O repertório percorreu praticamente todas as fases importantes da carreira. "Eagle Fly Free", "Keeper Of The Seven Keys", "I Want Out" e "Dr. Stein" garantiram a presença dos clássicos obrigatórios, enquanto músicas mais recentes demonstraram que o grupo continua produzindo material relevante.
Ao mesmo tempo, ficou a sensação de que os shows exclusivos da turnê de 40 anos provavelmente proporcionarão uma visão ainda mais ampla da carreira da banda. Álbuns frequentemente subestimados, como Master Of The Rings e Pink Bubbles Go Ape, possuem músicas excelentes que mereceriam espaço em uma celebração dessa magnitude.
Ainda assim, seria difícil imaginar uma forma melhor de encerrar o terceiro dia.
Ao final da noite, a sensação era clara: mesmo sem reunir a mesma concentração de atrações do dia anterior, o sábado havia proporcionado excelentes momentos. Entre a emoção trazida por Robin McAuley, a força do repertório clássico do Accept, a energia inesgotável do Overkill, a festa promovida pelos Hellacopters e a celebração dos quarenta anos do Helloween, o Sweden Rock continuava entregando exatamente aquilo que seus frequentadores esperam ano após ano.
DIA 4
A escalação para o último dia do Sweden Rock priorizou bandas e estilos mais modernos, o que tem um ponto de vista positivo que é atrair um público novo. Para o meu gosto pessoal, esta acabou sendo a programação menos interessante entre todas as edições que acompanhei desde 2007. Ainda assim, o sábado reservou alguns momentos bastante marcantes.
TREAT
Qualquer discussão séria sobre hard rock sueco inevitavelmente passa pelo nome do Treat.
Embora nunca tenha alcançado o sucesso internacional de alguns contemporâneos, a banda construiu ao longo de mais de quatro décadas uma discografia extremamente consistente e exerceu influência significativa sobre diversas gerações de músicos escandinavos.
O repertório apresentado conseguiu equilibrar diferentes momentos da carreira. Clássicos como "Rev It Up", "Ready For The Taking" e "World Of Promises" dividiram espaço com músicas da excelente fase iniciada após o retorno da banda, especialmente o álbum Coup de Grace, representado por faixas como "Papertiger", "We Own The Night", "Roar" e "Skies Of Mongolia".
Musicalmente, o show funcionou muito bem. Robert Ernlund continua sendo um excelente frontman, e o único momento que causou certa estranheza aconteceu justamente durante "Papertiger", quando o vocalista interrompeu o canto enquanto a trilha vocal continuava soando sozinha por alguns instantes. Em uma banda do calibre do Treat, usar faixas pré-gravadas é completamente desnecessário.
Ainda assim, foi uma boa forma de iniciar o último dia e o destaque ficou para a fantástica "Conspiracy", do ótimo Organized Crime de 1988.
TAILGUNNER
Uma das características mais interessantes do Sweden Rock sempre foi sua capacidade de apresentar novas bandas ao lado de nomes históricos.
Nesse aspecto, o Tailgunner representou muito bem a nova geração do heavy metal tradicional britânico.
Inspirados claramente pelos primeiros anos da New Wave Of British Heavy Metal, os músicos demonstraram energia, técnica e respeito pelas raízes do gênero sem soar como mera cópia do passado. Ainda é cedo para saber até onde poderão chegar, mas a apresentação deixou uma impressão bastante positiva.
CANDLEMASS
Se o heavy metal possui seus pais fundadores, o doom metal certamente possui seus profetas.
Poucas bandas exerceram tanta influência sobre um subgênero inteiro quanto o Candlemass. Desde o lançamento de Epicus Doomicus Metallicus, em 1986, o grupo sueco ajudou a definir praticamente todos os elementos que mais tarde seriam adotados por centenas de bandas ao redor do mundo.
A atual formação continua contando com o baixista e principal compositor Leif Edling como força criativa central, enquanto Johan Längqvist, cuja voz marcou o álbum de estreia, permanece à frente dos vocais.
O repertório foi praticamente uma aula sobre a história do doom metal. "Bewitched", "Mirror Mirror", "Dark Reflections", "Under The Oak" e "At The Gallows End" foram recebidas como verdadeiros hinos.
Impressiona como essas músicas continuam pesadas quase quarenta anos após terem sido compostas. Em um festival onde velocidade e agressividade costumam chamar atenção, o Candlemass lembra que o peso também pode ser construído através da atmosfera, da dinâmica e da tensão.
Foi, sem dúvida, uma das apresentações mais consistentes de todo o dia.
YNGWIE MALMSTEEN
Independentemente da opinião que cada um tenha sobre sua personalidade ou sobre seu estilo musical, existe um fato impossível de contestar: poucos músicos alteraram tanto o rumo da guitarra elétrica quanto Yngwie Malmsteen.
Quando surgiu na primeira metade dos anos 1980, o sueco praticamente criou uma nova linguagem para o instrumento ao incorporar influências da música clássica de forma muito mais profunda do que seus contemporâneos. O impacto dessa abordagem continua sendo sentido até hoje.
Como de costume, o show começou com "Rising Force", deixando claro desde os primeiros minutos que o virtuosismo seria o protagonista da apresentação.
O repertório percorreu diferentes fases da carreira, incluindo "Evil Eye", "Far Beyond The Sun" e "You Don't Remember, I'll Never Forget" – ponto alto da apresentação. Entre todas, talvez a maior surpresa tenha sido a inclusão de "Fire & Ice", recebida com entusiasmo por muitos fãs mais antigos.
Um detalhe curioso chamou atenção durante todo o show: a quantidade quase inacreditável de trocas de guitarra. Em determinados momentos, as substituições aconteciam no meio das próprias canções. Se existe um herói não reconhecido naquela produção, certamente era o roadie responsável por manter toda essa operação funcionando, rs.
Outro aspecto interessante foi a divisão dos vocais. As músicas com linhas mais agudas ficaram majoritariamente a cargo do tecladista, enquanto Malmsteen assumia outras passagens e concentrava seus esforços principalmente na guitarra. Isso acabou permitindo que os longos trechos instrumentais ganhassem ainda mais espaço.
Como acontece frequentemente em seus shows, diversas músicas foram estendidas para acomodar improvisações e solos adicionais. Alguns espectadores certamente prefeririam versões mais enxutas. Outros, porém, estavam ali exatamente para assistir a um dos guitarristas mais influentes de todos os tempos fazer aquilo que o tornou famoso. Enquanto Bring Me The Horizon encerrava oficialmente o festival diante de uma enorme audiência, chegou ao fim mais uma edição do Sweden Rock Festival.
Mais um Sweden Rock Festival chegava ao fim e bastou olhar para trás para perceber a quantidade de momentos especiais vividos ao longo daqueles quatro dias.
O voo do Gripen sobre Norje durante a abertura dos portões. A abertura histórica com o Europe surgindo como banda surpresa. O crescimento contínuo do Evergrey. A emoção proporcionada pelo retorno do Savatage. Bruce Dickinson circulando pelo festival em um tanque de guerra horas antes de subir ao palco com o Iron Maiden. A celebração dos quarenta anos do Helloween. O peso monumental do Down e Candlemass. O virtuosismo quase inacreditável de Yngwie Malmsteen.
São justamente esses momentos que explicam por que o Sweden Rock continua ocupando um lugar tão especial no calendário de tantos fãs de rock e heavy metal ao redor do mundo.
Após duas décadas retornando anualmente a Norje, uma conclusão permanece inalterada: poucos festivais conseguem reunir tradição, diversidade, organização e paixão pela música pesada de forma tão consistente quanto o Sweden Rock Festival. E se a edição de 2026 já proporcionou lembranças suficientes para durar muitos anos, o anúncio do Europe como um dos headliners de 2027 e o sucesso dos primeiros blind tickets indicam que a expectativa para o próximo capítulo já começou.
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