Opeth: um espetáculo digno dos deuses da música
Resenha - Opeth (Terra SP, São Paulo, 08/02/2023)
Por Diego Camara
Postado em 18 de fevereiro de 2023
Foram muitos anos de espera para que finalmente o show acontecesse. Desde a primeira remarcação, a apresentação do Opeth já se encontrava esgotada no Carioca Club, e foi com grande surpresa que a produtora Overload mudou a apresentação de local, para o distante e ainda desconhecido Terra SP. Uma casa maior, com espaço para receber os fãs dos suecos, que foram em peso para o extremo da cidade para apreciar uma das melhores apresentações do ano.
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O Terra SP é uma das novas opções para shows na cidade de São Paulo. Localizado na região Sul da cidade, acessível quase que apenas por trem, a casa é muito bem estruturada e tem um ótimo espaço. A distância é realmente enorme para quem não mora na Zona Sul da cidade, mas não é muito diferente em termos de tempo para outras casas famosas, como o Vibra e o Tokio Marine Hall, localizados duas estações de trem antes do Terra SP.
O formato da casa é interessante, bastante alta, com dois camarotes que rodeiam o palco, dá uma sensação de formato teatro, que lembra algumas famosas casas de show europeias. O palco é aberto lateralmente, o que deixa a visão dele ampla para todo o público da casa, apesar de ser um pouco baixo, o que também pode prejudicar a visão conforme o tamanho do público.
O Opeth abriu o show com a curta música "Seven Bowls" do Aphrodite’s Child, banda grega de progressivo formada por Vangelis, um dos mais famosos e bem sucedidos compositores da música contemporânea. Uma homenagem mais que justa ao compositor que nos deixou em 2022, uma das grandes inspirações musicais de Akerfeldt – entre outras bandas excêntricas que ele gosta.
O teor invocatório da música, embrenhada nos elementos místicos, relembra as introduções comuns dos hinos gregos as divindades, como uma invocação das musas, e cai como uma luva para dar o tom do show do Opeth, que veio ao palco com a apresentação de "Ghost of Perdition", uma pancada nos ouvidos desde os primeiros versos. O público cantou e gritou com muita vontade durante os 10 minutos da apresentação, acompanhando os vocais no coro emocionante da música.
A qualidade do som estava realmente muito boa, digna da apresentação dos suecos, apesar de estar um pouco mais baixo do que o normal para apresentações de heavy metal. Porém isso não pareceu prejudicar a qualidade do show para os fãs, que estavam em transe. "Demon of The Fall", música extremamente crua e puxada pelos excelentes guturais, veio logo em seguida para manter o humor do público lá no alto.
A banda jogava com o público, e a belíssima "Eternal Rains Will Come" foi um dos grandes destaques da ala progressiva, uma música que todos os fãs cantaram junto desde o primeiro verso. A música é uma obra de arte complexa e intrincada, marcada por um ritmo dissonante e cadenciado. Uma apresentação impressionante e esplendorosa dos últimos lançamentos do Opeth.
Akerfeldt estava, inclusive, com ótimo humor nesta noite. Com suas típicas piadas e uma conversa intimista, ele encantou o público. "Desculpem por estarmos atrasados", disse ele logo no início do show, falando um pouco sobre a pandemia e como isso afetou o calendário da banda, logo em seguida se apresentando aos que não conhecem o Opeth, tirando risadas dos fãs.
Os suecos atravessaram toda a sua carreira durante o show, saindo do álbum "Orchid" com a crua "Under the Weeping Moon" até o último álbum, "In Cauda Venenum", que fechou a apresentação principal com "Allting tar slut" com sua letra em sueco que ninguém entendeu, mas todos amaram.
A banda trouxe no seu repertório belíssimas composições, e algumas que nunca viram palco no Brasil. Desta vez, ao invés da já conhecida "Drapery Falls" ou "The Leper Affinity", a belíssima "Harvest" foi a escolhida para representar o "Blackwater Park", e a apresentação não poderia ter sido melhor. Cantada com vontade por todos os fãs presentes, rivalizando com os vocais de Akerfeldt aqui e ali, a música sombria e intimista foi um dos grandes destaques da noite.
Outra grande canção – esta tanto figurativamente quanto literalmente – "Black Rose Immortal" deixou o público espantado. A música, com seus 20 minutos de duração, é como uma coletânea de músicas menores, e a cada passagem dos momentos da música era aplaudida com vontade por toda a casa. A técnica musical de toda a banda estava presente ali, e mostra como o Opeth não é apenas a banda do Akerfeldt, mas também que tem integrantes extremamente qualificados. Dentre eles, destaco a gana e a vontade do novo baterista, Waltteri Väyrynen, quase impossível de ver atrás de seu equipamento trouxe o equilíbrio necessário em todas as partes do show.
Finalizando, a banda em seu bis trouxe como sempre "Deliverance", figurinha carimbada dos shows do Opeth nos últimos 20 anos, e "Sorceress", música de abertura na turnê anterior e agora promovida a lugar de destaque no bis.
No final, esperamos que o Opeth retorne em breve para mais um show no Brasil, e que desta vez não tenham que chegar atrasados por causa de alguma crise mundial. Todos os parabéns para a produção da Overload, que apesar de algumas críticas de uma parcela pequena dos fãs, contornou bem a situação ao mudar o espetáculo para o Terra SP, que apesar de ser distante e um pouco fora de mão se mostrou totalmente apta a receber um show técnico e de calibre como o do Opeth.
Setlist:
Intro - Seven Bowls (de Aphrodite’s Child)
Ghost of Perdition
Demon of the Fall
Eternal Rains Will Come
Under the Weeping Moon
Windowpane
Harvest
Black Rose Immortal
Burden
The Moor
The Devil's Orchard
Allting tar slut
Bis:
Sorceress
You Suffer (cover do Napalm Death) x3
Deliverance
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