Brujeria: resenha e fotos do show em Fortaleza

Resenha - Brujeria (Berlinda Club, Fortaleza, 18/05/2018)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Em tempos em que as baixas vendas de discos obrigaram as bandas a encontrar outras formas de manter-se atraentes do ponto de vista financeiro, fazendo com que surjam alternativas controversas como as pistas vips, os meets and greets, quem foi ao show do BRUJERIA ontem, no Berlinda Club, em Fortaleza teve uma experiência fantástica. E sem pagar nem um centavo a mais por isso. Veja como foi, com fotos de Victor Cavalcante.

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Seria apenas um day off para a banda mexicana BRUJERIA em meio a turnê brasileira (que já passou por Limeira e Rio) e ainda vai passar por (até o momento em que escrevemos esta matéria) Recife - PE, Belo Horizonte - MG e São Paulo-SP. Mas a banda queria tocar mais e, se possível, incluir mais uma bela cidade brasileira na rota. Foi aí que entrou Fortaleza. E por que não aproveitar a sexta-feira para fazer um show na bela capital cearense, próxima o suficiente da próxima parada programada - Recife? Besta é a banda que não aproveita. A forma como o show foi desenhado e concretizado o levou à Berlinda, casa da própria produtora, Empire, até pequena para a magnitude da banda (com capacidade para pouco mais de 300 pessoas). E para manter a qualidade no atendimento, segundo a produtora, o número de ingressos foi reduzido a 250. O resultado disso tudo foi um show bastante intimista (isso, claro, no padrão grind core do BRUJERIA). Quem mais ganhou por isso? Os fãs, que não só puderam ver um dos maiores ícones do grind core mundial bem de pertinho, como até mesmo por trás do palco, por cima do palco, a casa inteira virou um imenso backstage. Era como se o BRUJERIA fosse tocar na sua sala e você fosse ver do sofá. Era óbvio que a banda mexicana poderia tocar em uma casa muito maior, mas, melhor ter todos os ingressos vendidos e lotar a casa do que correr o risco de pagar uma fortuna extra por outro venue em uma data adicionada já com toda a turnê planejada. O importante é o show acontecer e o público sair satisfeito. E foi exatamente isso que aconteceu.

Ao invés de ter duas bandas de abertura, o BRUJERIA só pediu para ser a primeira da noite. E fizeram um show com bastante competência. E quando os mexicanos, todos com bandanas servindo de máscaras no rosto (afinal, são todos procurados pelo FBI, né?), desceram a escada que divide a parte superior da casa e e dá acesso ao palco, Juan Brujo e El Sangrón portando dois enormes facões, o público explodiu em vibração. Aliás, dizer que Juan Brujo (vocal), Hongo Jr. (bateria, Nick Barker), El Sangrón (vocal), Patrick Jensen (baixo, do THE HAUNTED) e Anton Reisenegger (guitarra, LOCK UP) são mexicanos é até uma falácia. Um é californiano, outro é inglês, outro, chileno, outro, sueco e outro ninguém sabe de onde vem, mas talvez até seja mexicano mesmo.

Se na primeira música, "Cuiden a los niños", o pessoal ainda está meio que atordoado e quer mais é acreditar que está vendo a banda, na segunda, "La ley de plomo", eles já começam a endoidar e ensaiar a violência das rodas.

E a parceria entre Brujo e Sangrón funciona muito bem no palco. Enquanto um assume mais a postura de frontman, gritando "atención, Fortaleza" e se comunicando com o público, o outro aperta as mãos de quem está ali mais a frente. Depois invertem. O show é rápido, sem firulas, sem conversas desnecessárias, como é de se esperar em um show de grind. Não se perde muito tempo, mas Sangrón e Brujo ainda fazem gestos que representam as "colas de rata" ou "Hechando chingasos". E em "¡Viva Presidente Trump!", puxam um fuck Donald Trump, com dedos médios em riste (até o guitarrista e o baixista faziam o gesto quando podiam).

Sobre Trump, Brujo tinha me dito em uma entrevista em 2016: "Parece que as pessoas estão voltando a odiar novamente. Quando eu nasci, as pessoas odiavam você. Se você é negro você é odiado. Se você é mexicano, você odiado. Todo mundo odiava todo mundo. E isso passou. E agora o Donald Trump tá tentando trazer isso de volta fazendo todo mundo odiar novamente.". Alguma semelhança com o que temos aqui hoje?

E se o show estava bom para o público, estava bom para a banda também. Nem iam tocar "Satongo", do disco novo "Pocho Aztlan", mas resolveram trazê-la de volta ao repertório. Se ficaram devendo alguma coisa foi só o "discurso" que introduz "Raza odiada", com o ex-governador da Califórnia, Pit Wilson, dizendo bobagens (e pagando por isso). Mas em "Brujerizmo", Brujo ainda canta num falsete a introdução (me voy a com el, me voy a com el), até tudo explodir em pancadaria. E também teve muitos "Viva México, Cabrones" e punhos para o ar em "Division del Norte". Tinha até gente com máscara de "luchador" no meio do público.

Depois de "Marcha de odio", colada com "Revolución", Brujo e Sangrón chamam duas moças na platéia pra segurar um cartaz com si de um lado e no de outro. Era a deixa para "Consejos Narcos". Enquanto uma faz o seu "trabalho", a outra aproveita pra fazer um monte de selfies, mas Brujo até da o microfone pra ela.

O maior momento do show, no entanto, seria o último. "Matando o que"? Perguntam Brujo e Sangrón. O clássico da violência "brujerística" é, claro, "Matando Güeros". E a proximidade com a banda é tão grande que Brujo e Sangrón nem balançaram muito seus facões. O show termina com o BRUJERIA fazendo os camisas pretas de Fortaleza dançar a macarena. Era só uma gravação, Hongo Jr., Jensen e Reisenegger já guardavam seus equipamentos, mas Brujo ainda canta "Marijuana" junto
com o público.

SIEGE OF HATE

Embora uma parte considerável do público tenha ido embora após o show do BRUJERIA, boa parte ainda ficou para ver a SIEGE OF HATE, também conhecida por S.O.H.. Bruno Gabai, guitarrista e vocalista, fez questão de agradecer a todos os que ficaram e prometeu "vamos fazer barulho também". No show, o trio (completam a banda o baixista George Frizzo e o novo baterista Eduardo Lino - também da CLAMUS e BURNING TORMENT) tocou canções dos três discos, do EP "Brave New Civil War", mas também do novo EP, lançado esta semana, só com canções em português (uma novidade na carreira da banda)."Era do Ódio", uma delas, fala do momento que o Brasil está passando e, não intencionalmente, conecta-se às declarações de Brujo na entrevista acima.

É necessário também elogiar o batera, Edu Lino, estreando na banda com muita competência. E se quem foi embora queria dormir, quem ficou queria mais Então, mesmo depois de esgotar o repertório, a Siege of Hate continuou tocando. E Sangrón, agora na posição em que todos estávamos na hora anterior, assistiu e bangeou com o som dos caras.

Agradecimentos:

Empire, especialmente Maurílio Fernandes e Caike Falcão, pela atenção e credenciamento
Victor Cavalcante, pelas imagens que ilustram esta matéria

Para ler a minha entrevista com Juan Brujo, acesse o link abaixo:

Brujeria: impeachment dessa forma não é bom para o país

Para ouvir o novo EP da Siege of Hate, acesse o link abaixo:

Siege of Hate: ouça o primeiro EP que a banda lançou em português

Setlists

Brujeria

1. Cuiden a los niños
2. La ley de plomo
3. El desmadre
4. Colas de rata
5. La Migra (Cruza la Frontera II)
6. Hechando chingasos (Greñudo locos II)
7. ¡Viva Presidente Trump!
8. Ángel de la frontera
9. Satongo
10. Desperado
11. Raza odiada (Pito Wilson)
12. Brujerizmo
13. Anti-Castro
14. Division del norte
15. Marcha de odio
16. Revolución
17. Consejos narcos
18. No aceptan imitaciones
19. Matando Güeros
20. Marijuana (só Brujo)

Siege of Hate

1. Derrocada dos Porcos
2. Brave New Civil War
3. Forthcoming Holocaust
4. Hypochrist
5. Catharsis
6. The World I Never Knew
7. Era do Ódio
8. Choice Control
9. U.S.A.
10. God Killing God
11. Siege of Hate
12. Misleaders
13. The Truth Behind
14. Derrocada dos Porcos

Veja mais imagens deste show abaixo (todos os créditos: Victor Cavalcante).



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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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