Epica: Resenha do ótimo show em Recife

Resenha - Epica (Clube Português, Recife, 18/03/2018)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Renan Soares
Enviar correções  |  Ver Acessos

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O dia 18 de março de 2018 não foi um domingo qualquer para os fãs recifenses da banda holandesa Epica, pois foi a noite em que a banda de Symphonic Metal se apresentaria pela primeira vez na capital pernambucana, no Clube Português do Recife, localizado no bairro das Graças, zona norte da cidade.

Epica: os 10 anos de Design Your UniverseNightwish: Participação de Dawkins em álbum irritou alguns fãs

Mas antes de começar a falar do show em si, irei falar dos detalhes que antecederam o mesmo e deixou muitos fãs confusos, que foi a venda de ingressos.

Começando pela venda online que em menos de um dia teve os ingressos com preço de primeiro lote esgotados, coisa que achei estranha, pois conheço a comunidade headbanger de Recife e eu sei que os mesmos não se engajam tão rapidamente assim na compra de ingressos para esgotar um lote assim tão rápido. Mas enfim.

Mas, o que mais confundiu a cabeça daqueles que pretendiam ir ao show foi o sistema utilizado na venda física, onde só era aceito o pagamento em cartões de crédito e de débito, e sem parcelamentos, coisa que deve ter quebrado a perna de muita gente.

E o fato de não ser aceito o pagamento do ingresso em dinheiro, muitos desavisados que foram na Vinil Alternativo comprar a entrada dessa forma acabaram perdendo viagem.

Segundo a produtora Liberationmc, isso ocorreu porque a loja foi a única a aceitar a ser ponto de venda e essa teria sido uma exigência da mesma por conta de vezes passadas onde eles venderam ingressos de um show e o mesmo acabou cancelado, o que os prejudicaram na devolução do dinheiro.

E além desse detalhe, outra coisa estranha foi o fato do ingresso meia-estudantil nem sequer ter sido disponibilizado na venda física, fazendo com que a pessoa optasse ou pela inteira ou pela meia-social, a razão disso não foi esclarecida até o momento.

Mas agora, vamos finalmente falar da noite do show.

Mais uma vez tivemos a prova de como os europeus são pontuais em basicamente tudo, a abertura dos portões que estava marcada para as sete da noite começou exatamente nesse horário, com isso, a fila (que estava em um número considerável) foi andando aos poucos.

Apesar de uma pequena falta de organização na fila ao chegar no extremo final (principalmente para aqueles que trouxeram o quilo de alimento para a meia-social), a entrada ocorreu de forma tranquila e sem tumultos.

Entrando no Clube Português, via-se inicialmente a confirmação de que colocar uma front stage por ali, que já é um local pequeno por si só, foi definitivamente uma péssima ideia. Certamente, o espaço reservado para o mesmo foi tão pequeno quanto, fazendo com que a visão de palco de quem estava na front não fosse tão diferente assim de quem estava na normal.

Para todos não restava mais nada a fazer a não ser esperar dar oito e meia, hora marcada para o show começar, e lembrando que por questão de logística não houve banda de abertura.

E mais uma vez a banda colocou em prática a pontualidade europeia iniciando a apresentação exatamente às oito e meia da noite. As luzes do Clube Português se apagaram e o público entrou em êxtase ao ouvi o som da intro "Eidola".

Aos poucos a banda ia entrando no palco fazendo com que o público fosse cada vez mais ao delírio. Após Arien van Weesenbeek (bateria), Coen Janssen (teclado), Isaac Dalahaye (guitarra), Rob Van der Loo (baixo) e Mark Jansen (guitarra) ingressarem no palco, a banda iniciou o riff da música "Edge of The Blade", tendo a vocalista Simone Simmons entrado por último no momento em que se iniciava a parte cantada.

A partir dali, já era perceptível a sintonia do público com a banda, que cantavam juntos com os mesmo do início ao fim das canções, e mostrando toda a alegria que sentiam por finalmente estarem presenciando uma apresentação do Epica.

Em seguida, a banda tocou a clássica "Sensorium", presente no primeiro disco "The Phantom Agony", onde a Simone mostrou que mesmo não se utilizando tanto dessa técnica como fazia nos primeiros álbuns, ela ainda consegue fazer ótimos vocais líricos.

O show seguiu com a "Fight Your Demons", presente no mais recente EP da banda "The Solace System", música que de início achei que o público não ia conhecer bem por ser muito nova, mas felizmente, vi que estava errado em relação a isso.

Após algumas conversas com o público por parte do Mark e da Simone (com eles arriscando um português básico), o guitarrista anunciou a execução da faixa "Storm the Sorrow" do álbum "Requiem For The Indifferent", e admito, não era uma música que esperava aparecer no repertório.

Após quatro músicas intensamente pesadas, chegamos ao primeiro momento de "calmaria" com a execução da balada "Chasing The Dragon".

Logo em seguida, veio a dobradinha presente no último disco "The Holographic Principle" com as músicas "Ascension" e "Dancing In a Hurricane", que são duas faixas que se complementam.

Aliás, dou uma pausa aqui para relatar sobre uma situação chata que ocorreu durante a execução de "Dancing In a Hurricane", e espero que isso sirva de alerta para as casas de shows poderem preparar os seguranças do local para situações do tipo.

No momento em que a música chegou em sua parte mais pesada (com um rápido riff de guitarra e os guturais do Mark Jansen), um mosh pit se abriu no meio da pista, o que de início não é problema, não sou contra os moshs e inclusive costumo participar dos mesmos.

Mas, o problema é que havia um cidadão dentro da roda, aparentemente bastante alterado, que ao "moshar" estava atingindo não apenas aqueles dentro do mosh, mas também as pessoas que estavam do lado de fora e não queriam entrar. Foi desagradável, pois, o mesmo além de sair empurrando todo mundo que estivesse próximo (estivesse o mesmo na roda ou não), ele também agarrava, ou pulava em cima das pessoas conhecendo elas ou não, tendo inclusive feito isso com uma mulher que estava no mosh. E antes que vocês pensem que estou exagerando em relação a isso, houve um cara que reclamou com o cidadão por conta disso.

E enquanto isso ocorria, em nenhum momento vi nenhum segurança próximo para "acalmar" os ânimos do cidadão, ou até mesmo coloca-lo para fora, se necessário, pois do jeito que a coisa estava, havia o risco de ocorrer inclusive uma briga.

Agora, voltando a falar do show, a banda seguiu o show com as músicas "Reverence (Living In The Heart)" e "Unchain Utopia", até finalmente chegarem em uma das faixas mais conhecidas, a "Cry For The Moon", do disco "The Phantom Agony", onde todo o Clube Português cantou em apenas uma voz.

Logo após, tivemos um dos momentos mais bonitos da noite, onde a Simone pediu para que todos acendessem as lanternas de seus celulares durante a música "Once Upon a Nightmare". A plateia atendeu ao pedido e iluminou toda a pista do Clube.

Ao fim da música, a banda se retira sorrateiramente do palco. Teria o show terminado por ai?

Claro que não, essa seria apenas uma daquelas pausas para o chamado "biz".

Com o público clamando para que a banda retornasse ao palco e continuasse o show, o tecladista Coen Jansen volta e conversa um pouco com os presentes, quando aproveitou para agradecer a presença de todos, elogiar a animação da plateia e também o mosh pit formado em alguns momentos do show.

Pouco depois de dizer isso, ele anunciou que logo eles iriam "derrubar as barreiras" naquela noite. Daqui a pouco vocês entenderão o porquê disso.

O guitarrista Isaac Dalahaye também voltou ao palco para conversar com o público, e aproveitou para dar aquela descontraída dizendo que "alguém precisava vir aqui mandar esse cara calar a boca" se referindo ao Coen.

E com o Isaac pedindo para que os presentes gritassem "Hey" quando lhe fosse solicitado, toda a banda retornou ao palco e iniciaram a música "Sancta Terra". E quando foi tocado a parte mais pesada da canção, Isaac pediu para que a roda punk fosse intensificada, tendo a plateia mais uma vez atendido ao mesmo.

Em seguida, a música executou "Beyond The Matrix", também presente no disco "The Holographic Principle", fazendo toda a plateia pular o mais alto que podiam ao ritmo da canção.

Chegando ao final do show, Simone agradece mais uma vez a presença do público e anuncia a última música, mas antes, pediu para que a "barreira" (citada anteriormente) fosse finalmente derrubada, chamou todos que estavam na pista normal para a front stage.

Certamente, houve uma grande correria por parte do público para garantir um bom lugar na parte da frente, tendo alguns até pulado a grade. E assim, rapidamente a pista premium ficou lotada.

A banda, como de praxe, encerrou a apresentação ao som de "Consign To Oblivion", pedindo inclusive uma "wall of death" por parte dos que estavam na front.

Encerrada a música, o show chega no seu fim, e todos seguem para as suas casas com a garantia de terem presenciado uma noite "épica" (perdoem o trocadilho há há).

Agora, vamos para o balanço geral da noite:

O show foi simplesmente sensacional, o público se manteve animado do início ao fim, e o mesmo se pode falar da banda que pareceu se contagiar com a animação. A vocalista Simone Simmons foi impecável em seu performance e esbanjou simpatia com os presentes (e além de tudo é linda, há há).

Os guitarristas Mark Jansen e Isaac Dalahaye também esbanjaram simpatia, e o Mark, como sempre, conseguiu colocar mais intensidade nas músicas com seu forte gutural. Mas, meu principal destaque fica para o tecladista Coen Janssen e sua presença de palco monstra do início ao fim, coisa que é rara de ver vindo daqueles que atuam nos teclados.

Sobre o espaço e a produção do evento, as críticas que tinham para fazer já foram feitas anteriormente, e eu podia adicionar a questão da divulgação que não foi das melhores. Mas infelizmente, isso é o normal se tratando de shows de metal em Recife, os produtores só se dão o trabalho de divulgar nas redes sociais e não investem em materiais externos (como outdoors).

O público veio em bom número, não chegou a lotar o Clube Português, mas também não ficou aquela coisa feia. Mas tenham certeza, se houvesse uma divulgação melhor, esses números com certeza seriam maiores.

E um último ponto positivo que ressalto nesse texto, é o fato de finalmente o som do Clube Português ter sido completamente perfeito, coisa que não costuma ocorrer nos shows que lá ocorrem.

No mais, fica a torcida dos fãs recifenses do Epica para que a banda volte a tocar em terras pernambucanas em futuras turnês.

SETLIST:

1. Eidola
2. Edge of The Blade
3. Sensorium
4. Fight Your Demons
5. Storm the Sorrow
6. Chasing The Dragon
7. Ascension - Dream State Armageddon
8. Dancing in a Hurricane
9. Reverence (Livin in the Heart)
10. Unchain Utopia
11. Cry For the Moon
12. Once Upon a Nightmare

Encore:

13. Sancta Terra
14. Beyond The Matrix
15. Consign to Oblivion




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de ShowsTodas as matérias sobre "Epica"


Epica: os 10 anos de Design Your UniverseEpica: lançamento de versão gold para Design Your Universe

Metal sinfônico: os 10 melhores segundo o TeamRockMetal sinfônico
Os 10 melhores segundo o TeamRock

Epica: veja acidente com Simone em show de 2012Epica
Veja acidente com Simone em show de 2012

Fotos de Infância: Simone Simons muito antes da famaFotos de Infância
Simone Simons muito antes da fama


Nightwish: Participação de Dawkins em álbum irritou alguns fãsNightwish
Participação de Dawkins em álbum irritou alguns fãs

The Voice Kids: garotinha canta Led Zeppelin e conquista todosThe Voice Kids
Garotinha canta Led Zeppelin e conquista todos

Hard Rock: as 25 melhores músicas acústicas do gêneroHard Rock
As 25 melhores músicas acústicas do gênero

Metallica: corrigindo a injustiça contra Jason NewstedMarilyn Manson: "Sou o monstro do Lago Ness! Sou o Bicho Papão!"Mastodon: fãs se irritam com canções "pop" de Emperor of SandLita Ford: cantora admite suruba com Bon Jovi e Richie Sambora

Sobre Renan Soares

Nascido em Recife no dia 03 de novembro de 1994, Renan adentrou ao mundo do rock/metal a partir dos 13 anos de idade e até hoje permanece fielmente no mesmo. Desde que se formou em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, tem se dedicado a conseguir dar a relevância merecida ao nome do estilo.

Mais matérias de Renan Soares no Whiplash.Net.

adClio336|adClio336