HammerFall: ficaram foi bestas com os cabras do Ceará

Resenha - HammerFall (Complexo Armazém, Fortaleza, 03/12/2017)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Já faz quase duas semanas que o HAMMERFALL esteve em Fortaleza, mas a memória dos headbangers do Ceará ainda guarda o show como um dos melhores do ano inteiro. É claro, há de se convir que outras grandes apresentações de como BELPHEGOR, AMON AMARTH, NUNSLAUGHTER, SONATA ARCTICA e, mais recentemente, DEICIDE, também concorrem ao posto de melhor show internacional de metal na cidade, mas, a recenticidade e a própria qualidade do show, traduzida em empolgação tanto por parte do público quanto da própria banda, ratificam o dizer de quem compareceu ao Complexo Armazém no domingo, 3 de dezembro. Veja abaixo como foi o show.

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Foto: Rubens Rodrigues
Foto: Rubens Rodrigues
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Não há como dizer que o público não estava um tanto temeroso nos dias que antecederam este show. O adiamento do show do ACCEPT, semanas antes (por culpa da companhia aérea, é sempre bom lembrar) tinha sido um belo balde de água fria. Responsavelmente, a produtora (de ambos os shows, Empire) já havia sinalizado que, quem quisesse, poderia entrar com o ingresso da noite do Festival Ponto.CE em que a banda alemã tocaria, além das opções de reembolso ou utilização na nova data anunciada (5 de maio). A atitude da produtora serviu para mitigar o desconforto gerado por aquele cancelamento, reafirmar a sua seriedade e facilitar com que os bangers apenas se entregassem ao show do HAMMERFALL de corpo e alma, sem outras preocupações (pelo menos não em relação a ingressos). O entusiasmo era tanto que as pessoas cantavam junto até mesmo as canções que tocavam antes do show começar, principalmente quando era alguma do IRON MAIDEN. O que Joacim Cans (vocal), Oscar Dronjak e Pontus Norgren (guitarras - o primeiro destes portando um instrumento personalizado em forma de martelo, o próprio martelo de Thor), Fredrik Larsson (baixo) e Davis Wallin (bateria) encontraram quando se viram diante do fosso que separa o palco do público no Armazém foi uma multidão sedenta por metal e empolgada para a batalha. Foi um absurdo de energia em "Hector's Hymn", a canção que abriu o show. Impressionantemente, a canção é do "(r)Evolution", de 2014, mas é uma das melhores aberturas de shows da história da música (e não só do HAMMERFALL). É um verdadeiro chamamento para a guerra. Como a banda pode passar mais de 20 anos sem lançar um hino desses?

Foto: Rubens Rodrigues
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O show prosseguiu com o público pulando e cantando o refrão de "Riders of The Storm" e recebendo muito bem a paulada "Bring It!", a primeira nova, do álbum mais recente, "Build To Last", lançado no ano passado e que dá mote à turnê. Os riffs já fizeram o povo enlouquecer e até fazer roda. Sim, não é Thrash Metal, não é Punk, mas teve roda no show do HAMMERFALL. A alegria do público era tão aparente que Joacim reconheceu, antes de "Blood Bound", que "a noite seria uma noite para relembrar". "Nem vou perguntar se vocês estão ok, porque estão melhor que ok", disse ele. "Fechem os olhos e cantem", ele completou.

Foto: Rubens Rodrigues
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Sem nenhuma alteração no set apresentado no Carioca e no Music Hall, nas capitais paulista e mineira, chegou a vez de se entregar ao coro de "Any Means Necessary" e ficar em êxtase com seu solo arrasador. E tome mais roda em "Renegade". A Joacim restou brincar com a guitarra de Oscar. Antes de anunciar a seguinte, "Dethrone and Defy", ele mais uma vez rendeu loas ao público cearense (e também potiguares, piauienses e sei lá mais de onde). "Estamos sem palavras com o que encontramos em Fortaleza". Mas antes da belíssima "Crimson Thunder", com seus solos sempre cheios de melodia, ele pontuou: "podemos parecer velhos na aparência, mas somos novos como vocês".

Foto: Rubens Rodrigues
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Aquele glorioso combate (e nem tão glorioso, nem tanto combate, mas estamos falando de um show de rock em que a tônica lírica se dá principalmente a partir destas duas ideias) ainda estava pela metade quando Joacim perguntou "quem, quem será o último homem ou mulher de pé"? Claro, era o anúncio de que a próxima seria "Last Man Standing". Cabe ressaltar que ele notou a grande presença feminina no show. "Vir ao Brasil é fantástico. Normalmente são uma mulher e 99 caras nos shows na Europa", comentou. "Elas não vem pra ver minhas roupas, vem porque amam o Heavy Metal", divagou o vocalista sueco.

Foto: Rubens Rodrigues
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É então que vem um dos momentos mais esperados da noite. "Let The Hammer Fall". Joacim começa a ensinar para o público o que eles devem fazer a seguir (ok, esta parte não é tão espontânea - ele faz isso em todo show): "Quem já viu o HAMMERFALL ensine a quem não viu. O que se deve dizer quando eu digo "Let The Hammer"?". O grito "Fall" é de abalar as estruturas da Praia de Iracema inteira. E sim, isso sim é muito espontâneo. Muito oportunamente Oscar está com seu martelo/guitarra, guitarra/martelo (ele tinha trocado por uma "normal" umas duas ou três músicas antes). HammerFall, HammerFall, HammerFall, é o coro que sucede ao clássico.

Foto: Rubens Rodrigues
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Conectando passado e presente do HAMMERFALL, a canção que dá nome ao último álbum vem seguida de um medley com partes de canções, sons de "Glory To The Brave" que culmina na faixa título deste álbum, o de estreia. "Vocês lembram 1997? Alguns nem tinham nascido. Em 1997, 5 caras de Gotemburgo lançaram um álbum. Não estamos falando de DARK TRANQUILLITY, nem de IN FLAMES. Estamos falando de HAMMERFALL", disse Joacim sobre o álbum que apresentou a banda ao mundo. E a aqueles que ele mencionou como ainda nem nascidos em 1997 ele declarou. "Vocês são o futuro do Heavy Metal". Todo esse conjunto foi um bonito momento, principalmente porque a banda não podia dar uma parada por um segundo que o povo gritava: "HammerFall, HammerFall, HammerFall". Ainda se mostrando extremamente feliz com a receptividade do público, Joacim lembrou "Vocês vão trabalhar amanhã (afinal, era domingo). Vocês são loucos. Lançamos o álbum em janeiro, fizemos turnê por toda e Europa e toda a América do Norte e vocês tem sido um dos melhores".

Foto: Rubens Rodrigues
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Depois de "Origin", apresenta a banda. Oscar, que fundou a banda ao lado do amigo de CERIMONIAL OATH Jesper Strömblad, é o mais ovacionado. Chega a hora de mais uma canção que será certamente um clássico (ainda não é só porque não houve tempo para isso), "Hammer High". Esta é uma daquelas canções que muito injustamente, porque o tempo não é justo, não tem 20 ou 30 anos de idade. Todos cantam, com seus punhos para o ar. E como não se pode ter martelos na casa de shows, o único a portar um martelo (Oscar, com sua guitarra) faz proezas excepcionais. A iluminação vermelha do palco ajuda a entrar no clima. É um dos melhores momentos da noite.

Foto: Rubens Rodrigues
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Mas tudo que é bom tem que durar pouco. O Heavy Metal pelo HammerFall encontra na ótima "Bushido" mais uma excelente e verdadeira interpretação. "Como podemos partir sem deixar seus corações em chamas?", a pergunta é a deixa a despedida e para "Hearts on Fire". Mas ninguém ficou triste, porque Joacim prometeu "levamos vinte anos para vir. Vou fazer uma promessa. Não levaremos outros vinte para a volta". Eu anotei Joacim. Nós vamos cobrar. Esteja certo disso.

Foto: Rubens Rodrigues
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Sobre bandas de abertura

Não houve nenhuma banda de abertura para o show do HammerFall no Armazém. A decisão teria sido tomada pela própria banda. Talvez eles até tenham se arrependido disso e ficado curiosos pra ver o metal que é feito no Ceará depois de enfrentarem o público cearense. No entanto, apesar da imensa alegria demonstrada pelos bangers, faremos novamente a questão, que já foi levantada aqui outras vezes, se houvesse banda de abertura, o headbanger assistiria o show, apoiando a cena local, ou continuaria apenas bebendo na praça do Dragão do Mar como já aconteceu muitas outras vezes?

Agradecimentos:

Empire, especialmente Maurílio Fernandes e Caike Falcão, pela atenção e credenciamento.
Rubens Rodrigues, pelas imagens que ilustram esta matéria

Foto: Rubens Rodrigues
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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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