Helloween: um espetáculo para ficar na memória dos fãs da abóbora!

Resenha - Helloween (Espaço das Américas, São Paulo, 28/10/2017)

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Por Diego Camara
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Quando você vê muitos shows, de diversos artistas e gêneros diferentes, você acaba criando uma resistência natural ao que ocorre nos shows. Especialmente quando você trata os shows com um objetivo profissional, como no caso do resenhista que vos fala. Mas ainda há momentos mágicos e especiais, profundos. Ver Helloween por quase três horas - espetáculo digno de um show de progressivo - tocando os seus maiores sucessos em um show especial é sem dúvidas este momento que vamos guardar na memória para sempre. Confiram abaixo os principais detalhes do show, com as imagens do inspirado Fernando Yokota.

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O Espaço das Américas estava lotado. Era tanta gente que as pessoas estavam entrando na casa quando a hora do espetáculo já se aproximava. O show iria iniciar às 21h, e como era gravação de DVD já sabiamos que as coisas não andariam da mesma maneira que um show normal. Dúzias de equipamentos, câmeras para todo o lado. O público trouxe, conforme prometeram, uma porrada de balões laranjas. A produção do DVD, porém, pediu cautela com o uso deles, para não prejudicar as gravações.

Não demorou muito para então tocar "Let me Entertain You", cover do Robbie Williams que abre as cortinas do show. Quando desceu o pano da Pumpkins United, porém, o palco não estava muito empolgante. Aparentemente, partes do palco que estavam sendo transportadas para São Paulo não chegaram a tempo da montagem, deixando o cenário meio vazio, distante do que andou sendo praticado no início da turnê - o que é triste, já que este seria o dia para tudo dar certo.

Porém, logo quando começou "Halloween" - que bela música para iniciar um show deste gabarito, diga-se de passagem - a casa foi ao chão em grande festa. Os balões laranjas foram ao ar e o público cantou a plenos pulmões junto com Michael Kiske, que abriu muito bem a música. O som estava animal, especialmente os três guitarristas que soavam firmes e imponentes. O telão ao fundo tinha uma arte bem elaborada, trazendo ao show um poder audiovisual bem consistente para a turnê. A música foi seguida por "Dr. Stein", que animou ainda mais o público, que cantou firme a música inteira com Deris e Kiske.

Deris então falou um pouco com os fãs, se recordando da gravação de DVD que ocorreu há em torno de 10 anos atrás em São Paulo (na verdade são 11 anos) e falou com empolgação da decisão de novamente gravar um DVD em São Paulo, pois gostaram muito do resultado daquela gravação e a cidade conta com um dos melhores públicos da banda. A seguinte contou com a performance de Kiske em "I'm Alive", que destaca a rapidez da banda em sua primeira fase: um Helloween potente, fortíssimo nas guitarras - puxadas pelo sempre talentoso mestre Kai Hansen.

A banda contrabalançava as músicas mais potentes com outras mais leves. Assim, Deris veio para a performance da mais melódica "If I Could Fly", em um belo contraponto da rapidez da anterior. O público cantou junto e aplaudiu com vontade Deris. O ponto alto do início do show foi a performance de "Rise and Fall", uma grata surpresa do repertório: quem imaginaria ver uma joia destas ao vivo ainda? A performance de Kiske aqui foi brilhante como a música do Keepers II necessita, acertou os pontos e mostrou que tem ainda total condição de cantar as músicas da banda - para os agourentos de plantão que achavam que ele não daria conta. A música foi coroada com mais um belíssimo solo, outra das inúmeras obras de arte que Hansen mostraria na noite.

Falando em Hansen, o momento que foi para os vocais (em uma bela remontagem do "Walls of Jericho") foi quando o público derreteu. Pediu ajuda do público para que cantassem com ele. Foi apenas um medley com quatro músicas, mas poderia francamente ter sido muito mais, com "Guardians" ou "Gorgar" não sendo esquecidas. Afinal, quem vê shows do Gamma Ray sabe que Kai costuma tocar "Ride the Sky" em seu repertório. Mas a performance mesmo assim foi digna do saudosismo. Começando por "Starlight", que não é nem de perto das mais empolgantes do disco, mas já tocou fundo os fãs, seguindo por "Ride the Sky", onde o público não largou os vocais em segundo algum, e terminando com as performances mais que dignas de "Judas" e "Heavy Metal (Is the Law)". Essas foram de arrepiar, especialmente pelo belíssimo solo de guitarra de Hansen e Weikarth e a brilhante performance do público gritando "Judas! Judas!".

Após essa surra de heavy metal raiz, o show foi para a lentidão e calmaria da balada "Forever and One", que emocionou as meninas (e diversos marmanjos) em uma performance quase acústica (pois a guitarra estava plugada) de Gerstner, Deris e Kiske. A banda então comentou sobre o telão quebrado, dizendo que se o público quiser ver a performance na íntegra teriam que retornar no domingo. E realmente, o telão havia se esvaído em algum momento entre a quarta e quinta música. Não foi só ele que se foi, muitos playbacks e gravações de áudio morreram junto, como a falta da "Ingo Battle", que tornou o solo de bateria em um dos solos que mais atraíram sono na história do heavy metal.

O show, assim, deixou de ser um espetáculo audiovisual que prometia a Pumpkins United para se tornar um show raiz. Pelo menos o mais importante - o som dos instrumentos e dos vocais - não foi prejudicado em momento algum. Assim a banda marchou por um momento de baixa no show, até chegar em "Power", que foi a melhor performance de Deris na noite. Extasiante, ele levantou o público no refrão desta música que é uma das melhores de sua fase na banda. Em seguida, ele falou sobre "How Many Tears", que foi a primeira música do Helloween que ele ouviu, e como se apaixonou instantaneamente pela banda. Esta, meus amigos, foi outra performance mágica com os três vocalistas cantando juntos a música, que foi coroada por (mais um!) solo animalesco de Weikarth e Hansen, que juntos foram até a passarela para fechar a música.

Após a música, seria a hora da banda inteira sair do palco, o público ouviria "Invitation" e então eles retornariam para que Kiske fizesse sua performance de "Eagle Fly Free". Mas, como não havia playback, a banda nem se retirou do palco direito - Kiske mesmo nem sequer saiu dele - e eles voltaram para tocar "Eagle Fly Free". Sem a bela introdução, podada de maneira triste - não preciso dizer o quão épica ela é - o público teve a graça de ver a "Eagle" mais roots da história. E soou linda. É a música do Helloween onde Kiske mostra melhor toda a sua capacidade vocal, e ele não decepcionou mais uma vez.

O show parecia estar caminhando para o seu final, porém o público ainda receberia outra pancada na cabeça, e das boas: "Keeper of the Seven Keys" na íntegra. O público se empolgou tanto, mas tanto, que acabou iniciando a música até mesmo antes de Kiske. O vocalista, por sinal, deu uma leve deslizada na letra em alguns momentos, mas nada que prejudicasse a performance. O longo épico de 13 minutos recebeu todo o apoio do público.

E ainda tinha um bis. Kai Hansen voltou sozinho para o palco para dar outra demonstração de sua genialidade. Começou um solo de guitarra, que logo encaixou em uma performance moderna de "In The Hall of the Mountain King" de Edvard Grieg, solo este que ele já tem costume de fazer em vários de seus shows. Ele foi encaixado por toda a banda, que entrou no palco com Michael Kiske para tocar "Future World", em outra performance sensacional. Encaixada nesta veio logo "I Want Out", que marcava já o final do show. O público cantou com vontade, as poucas bolas sobreviventes voaram pela plateia, e uma chuva de papel fechou este emocionante show, um capítulo vultoso na história do heavy metal tinha acabado de dar suas mostras em São Paulo.

Setlist:
Intro: Let Me Entertain You (cover de Robbie Williams)
Halloween (com Michael Kiske & Andi Deris)
Dr. Stein (com Michael Kiske & Andi Deris)
I'm Alive (com Michael Kiske)
If I Could Fly (com Andi Deris)
Are You Metal? (com Andi Deris)
Rise and Fall (com Michael Kiske)
Waiting for the Thunder (com Andi Deris)
Perfect Gentleman (com Andi Deris)
Starlight / Ride the Sky / Judas / Heavy Metal (Is the Law) (com Kai Hansen)
Forever and One (Neverland) (com Michael Kiske & Andi Deris)
A Tale That Wasn't Right (com Michael Kiske & Andi Deris)
I Can (com Andi Deris)
Drum Solo
Livin' Ain't No Crime / A Little Time (com Michael Kiske)
Why? (com Michael Kiske & Andi Deris)
Sole Survivor (com Andi Deris)
Power (com Andi Deris)
How Many Tears (com Michael Kiske, Andi Deris & Kai Hansen)
Eagle Fly Free (com Michael Kiske)
Keeper of the Seven Keys (com Michael Kiske & Andi Deris)
Bis:
Future World (com Michael Kiske. Com introdução solo de "In the Hall of the Mountain King" por Kai Hansen)
I Want Out (com Michael Kiske & Andi Deris)

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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