Brujeria: A banda merece sua legião seleta de fãs

Resenha - Brujeria (Clash Club, São Paulo, 16/05/2016)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Miguel Júnior
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Eles continuam vindo. Das vezes que tenho notícia, de BRUJERIA em São Paulo, em 2007, 2012, 2014... esta última talvez foi a noite mais caótica, de chuva de granizo derrubando árvores fazendo tudo parar. Mesmo assim, a chuva que cessou não foi capaz de evitar mais um ritual mexicano-californiano em terra brasileira. Sob a névoa de algo dito por alguém ser haxixe subindo na pista diante da voz de Jello Biafra anunciando “Pito Wilson”, com a imagem ao fundo de Donald Trump estampado em dizeres de “fuck you puto”, aquilo estava começando e não tinha mais volta.

5000 acessosEpica: foto original de Simone Simons nua em capa é revelada?5000 acessosStevie Ray Vaughan: "Oi, sou Stevie, alcóolatra e viciado!"

Eu estava no centro exato da pista do Clash Club e meu plano era andar em meio aos presentes para observar a banda e ouvir o que diziam os grenhudos locos sobre o que estava acontecendo; o que eu não esperava é que com a roda que se formou eu simplesmente fui jogado para longe com muita gente junto. Mesmo assim, foi possível notar muita coisa. “Colas de rata” e “La migra”, rápidas e curtas, diretas, funcionam como gasolina jorrada no fogo. Em “La Migra”, foi feito sem sample, na voz mesmo, o diálogo dos “Pinché coyote ladrón” com o público, que foi muito tenso, para só terminar de falar e a pancadaria rolar solta. Hilário e brutal. O público da parte da frente nesta hora que pude ver pelo menos estava levando a sério, honrando a presença da banda.

Juan Brujo interagia conosco perguntando várias vezes se nós estávamos “listos” (prontos), algo realmente necessário para cada pancadaria de dois minutos que é uma faixa do BRUJERIA, geralmente. A entrada de Pititis no palco, apesar de esperada, foi algo de surpresa, pois é possível que poucos sabiam o setlist provável da noite, que iria seguir o do show da Colômbia do último dia 13. “Pititis, te invoco” trouxe histeria à casa, além da hipnose de ver a força dos berros da representante feminina. Em “Anti-castro”, sem sample, a parte da musiquinha feita na guitarra e no baixo, teve direito a várias garotas dançando na roda da pista! “Hoy soy anti-castro!” – gritavam marmanjos e belas garotas da roda e o bate cabeça acelerava rumo a sons cada vez melhores das eras “Raza Odiada” (1995) e “Brujerizmo” (2000).

Juan Brujo canta como se declamasse frases, principalmente em “Matando Gueros”, nos versos de “Tu venganza sera tu destino oscuro”. Ele disse tudo que antecede isso como se estivesse falando para nós no tempo certo para casar com a música, no limite para gritarmos “Matando gueros, ¡viva la raza! Aliás, esses termos ligados a guerrilha, guerreiros, revolução, Pancho Villa, e outros, ganhavam ênfase na boca do público e quando foi a hora de, em “Revolucion”, repetirmos “Viva Zapata, Viva Chiapas, Viva Mexico, Viva la revolucion” realmente ouvi uma massa sonora gigantesca gritando tudo isso junto.

A imagem de Pablo Escobar piscou no telão algumas vezes e isso me fez pensar que seria tocada ou “El Patron” ou a própria “Marijuana”, como foi feito na Colômbia, mesmo com os gritos de “Brujeria!”, “Brujeria!”, fracos, mas, insistentes. Tive que ir embora e li na web a inclusão de Marijuana no setlist, mas não pude confirmar até terminar esta resenha se teria sido tocada “Marijuana”.

Quem vai num show do BRUJERIA? Primeiro, são aqueles que não se importam com o nível de produção ao vivo totalmente cru e propositalmente tosco, bruto e ríspido dessa banda. No entanto, no começo do show, vi gente saindo “de la frontera” com a mão no ouvido com cara de não estar entendendo nada. Verdade seja dita. Em segundo lugar, temas como orgulho mexicano, narcotráfico, satanismo, entre outros, e especialmente, a combinação entre eles, e em língua espanhola, é bem peculiar no metal pesado. Atraindo barbudos e belíssimas garotas de roupas camufladas militares, BRUJERIA é um caso à parte e merece sua legião seleta de fãs.

SETLIST
1. Raza odiada (Pito Wilson)
2. Colas de rata
3. La migra (Cruza la frontera II)
4. Hechando chingasos (Greñudo locos II)
5. Pititis, te invoco
6. Vayan sin miedo
7. El desmadre
8. Ángel de la frontera
9. Marcha de odio
10. Satongo
11. Sida de la mente
12. Brujerizmo
13. No aceptan imitaciones
14. Anti-Castro
15. Revolución
16. Division del norte
17. Consejos narcos
18. La ley de plomo
19. Matando güeros
20. (?) Marijuana (?)

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Brujeria"

BrujeriaBrujeria
O tão falado show da "favela" carioca

BrujeriaBrujeria
Bruxaria, assassinatos no México e tráfico?

Justin BieberJustin Bieber
Montagens detonam popstar com Pantera e Metallica

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de Shows0 acessosTodas as matérias sobre "Brujeria"

EpicaEpica
Foto original de Simone Simons nua em capa é revelada?

Stevie Ray VaughanStevie Ray Vaughan
"Oi, sou Stevie, alcóolatra e viciado!"

Ozzy OsbourneOzzy Osbourne
Homenagem a Axl em álbum de Slash?

5000 acessosOzzy Osbourne: No Rock In Rio, má impressão sobre o Brasil5000 acessosMike Portnoy: a reação ao ouvir garoto de 8 anos tocando cover do Dream Theater5000 acessosRock Progressivo: os dez discos mais importantes da história5000 acessosMotörhead: Amy Lee no colo de Lemmy Kilmister5000 acessosSlipknot: 12 histórias que retratam o quão insana a banda é5000 acessosIron Maiden: voz de Bruce Dickinson a capella em cinco músicas

Sobre Miguel Júnior

Paulistano, não tem banda porque não sabe tocar, exceto tirar trechos de black metal no violão. Escreve basicamente resenhas de shows que assiste, e deve ter uns 50 ingressos de show já assistidos guardados. Ouve metal mais pelo som, permitindo-se ouvir bandas cuja ideologia não inteiramente concorde. Quer escrever sobre todos os shows extremos e sinceros que acontecem em São Paulo.

Mais matérias de Miguel Júnior no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online