Testament, Cannibal Corpse, Genocídio: três lendas no palco em SP
Resenha - Testament, Cannibal Corpse, Genocídio (Carioca Club, São Paulo, 21/11/2015)
Por Vitor Franceschini
Postado em 03 de dezembro de 2015
Uma lenda do Thrash Metal mundial, um ícone do Death Metal mundial e uma das mais importantes bandas do Metal extremo nacional. O último dia 21 de novembro foi um dia em que nenhum headbanger de origem tupiniquim, principalmente os paulistas e paulistanos fãs de Metal extremo poderiam reclamar. Afinal, não é sempre que Testament, Cannibal Corpse e Genocídio sobem no mesmo palco e destilam o que de melhor sabem fazer.
Em um dia típico da capital paulista, o Carioca Club (casa que ainda sofre com o calor excessivo no caso de lotação, que foi o caso) recebeu headbangers de todo país. Mas, ainda com o público chegando, o grande Genocídio subiu ao palco que lhe é tão familiar. Mesmo com menos tempo e divulgando seu mais recente trabalho, "In Love With Hatred" (2013), além de comemorar o relançamento do clássico "Posthumous" (1996), a banda ousadamente conseguiu passar por boa parte de sua carreira destilando sons de seus principais álbuns como Encephalic Disturbance do "Depression" (1990), Up Roar de "Hoctaedrom" (1993) e Cloister do "Posthumous", por exemplo. Chamou atenção como a mais recente Kill Brazil de "In Love..." já virou um clássico. O ponto alto foi para o cover de Come To The Sabbath (Mercyful Fate) que deveria fechar o set list, o que não aconteceu. Nem precisa comentar a performance do ‘Genoca’, que tem em seus integrantes segurança e experiência necessárias.
Apesar de ser a primeira vez deste que vos esceve acompanhando ‘in loco’ o Cannibal Corpse, quem conhece um show da banda sabe que os caras são praticamente os ‘Ramones’ do Death Metal. Não, esse não é um comentário pejorativo, pelo contrário. A banda sabe bem onde pisa, não ousa e os movimentos são ‘quase’ que calculados. Quem conhece sabe que, mesmo com disco recente na praça, o Cannibal Corpse dificilmente dispensa os clássicos e foi a mescla que vimos. Com a banda sendo direta e mostrando sua técnica e precisão de sempre, Sentenced To Burn, I Cum Blood, Unleashing The Bloodthirsty, Make Them Suffer, A Skull Full Of Maggots, Hammer Smashed Face, Devoured By Vermin tiveram como aliadas as mais recentes Evisceration Plague, Kill Or Become e Sadistic Embodiment em um set list também abrangente e que conta um pouco mais da história dessa que, talvez seja o maior nome do Death Metal mundial em atividade. Como atração, George ‘Corpsegrinder’ Fisher e seu pescoço avantajado sempre fazendo um ‘headbanging’ que ajudou a ventilar no calor escaldante do Carioca Club.
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Público nada cansado, casa abarrotada e a ansiedade para ver um dos maiores nomes do Thrash Metal mundial. Após o ‘tolerável’ tempo pra se ajeitar tudo no palco, as cortinas se abrem e o Testament surge com a sua linha de frente clássica: os guitarristas Alex Skolnick e Erick Peterson, e o ‘homem-montanha’ Chuck Billy rindo à toa e executando um dos maiores clássicos, Over The Wall. Como se não fosse o suficiente a cozinha mais técnica da história do grupo – com Steve Digiorgio (baixo, Sadus, ex-Death e vários outros) e Gene Hoglan (bateria, ex-Dark Angel, Death, Fear Factory, etc) – mostrou sua pegada, ali, diante de todos, no palco. Impressiona como a banda consegue transformar sua fase mais clássica em atual e sua fase atual em clássicos. Exemplo disso é a execução de sons como More Than Meet The Eye, The Formation of Damnation, Rise Up, Native Blood que soam como verdadeiros hinos, sendo cantadas por todos, mesmo sendo composições dos dois últimos álbuns. De qualquer forma, o ápice ficou bem evidente em composições como The Preacher, True Believer (que peso absurdo essa música ao vivo) e Disciples Of The Watch. A grande surpresa foi para Dog Faced Gods, do ótimo e injustiçado "Low" (1994). Aliás, injustiça mesmo é o Testament não poder tocar por umas três horas e incluir em seu setlist faixas dos clássicos "Practice What Your Preach" (1989), "Souls of Black" (1990) e "The Ritual" (1992), o que é compreensível (eu não disse aceitável, risos) para uma banda de uma discografia tão rica. Enfim, presença de palco matadora, carisma acima do normal e um show impecável provaram a força do Testament no Brasil. Como se isso precisasse ser provado. Infelizmente tudo acaba, e esse dia memorável já ficou pra história.
Fotos: Junior Moreira
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