RPM: Um verdadeiro brinde ao Rock nacional e aos anos 80

Resenha - RPM (Audio Club, São Paulo, SP, 29/08/2014)

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Por Otávio Augusto Juliano
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Não sei se algum leitor do site ainda torce o nariz ao ver uma resenha de um show do RPM publicada por aqui, por se tratar de banda considerada por alguns desavisados como um grupo Pop que fez sucesso nos anos 80 e nada mais. Pois aí que está o grande engano. O RPM tem todas as credenciais para fazer parte desse site de Rock e fiquei feliz em encontrar outras duas resenhas de shows do grupo já publicadas por aqui. Como se diz popularmente, o RPM "põe no chinelo" muitas dessas autointituladas bandas de Rock da nova geração e, em São Paulo, deu outra lição de como fazer um show agitado e cheio de energia.

Fotos por Leandro Anhelli
http://www.anhelli.com.br

O local escolhido para a apresentação, que mudou de nome recentemente e passou por uma reforma, não ficou lotado e isso favoreceu a movimentação dos presentes pela pista e pelos camarotes, com bastante conforto. Antes do show, um DJ embalou o público com sucessos internacionais dos anos 80.

Já passava da meia-noite quando o RPM deu as boas vindas à plateia que compareceu ao Audio Club, com a canção "Rádio Pirata", faixa de abertura do primeiro disco lançado pela banda, nos idos de 1985.

Sem muita conversa, o grupo engatou uma música seguida de outra, em um palco muito escuro e com bastante fumaça. Em meio a casais dançando e garotas suspirando pelo vocalista Paulo Ricardo, todos estavam unidos naquela noite para acompanhar a banda nas letras de sucessos como "Vida Real", trilha sonora do reality show Big Brother Brasil.

Além das próprias canções, o RPM ainda remeteu a plateia à história do Rock mundial, a começar pela camiseta usada por Paulo Ricardo em uma parte do show, da banda inglesa T. REX, liderada por Marc Bolan. São vários os trechos de clássicos mundialmente conhecidos, como "Wish You Were Here" (PINK FLOYD) e "Ruby Tuesday" (ROLLING STONES), durante a execução da dobradinha "Onde Está o Meu Amor/Dois" em versão acústica, e "Light My Fire (THE DOORS), em meio aos riffs de "Rádio Pirata", na versão que fechou a noite.

Musicalmente o RPM é ótimo. Enquanto Fernando Deluqui comanda as seis cordas com maestria e ainda brinda o público com músicas instrumentais como "Mergulho" e a excelente "Naja", Paulo Ricardo e o baterista P.A. ditam o ritmo da "cozinha" do grupo, com igual talento.

O time se completa com o tecladista Luiz Schiavon, músico que se destaca em praticamente todas as canções do RPM, muito marcadas pela forte presença do teclado nas composições.

Dentre tantos pontos altos, nem é preciso dizer que o grande sucesso "Olhar 43" foi cantado por todo o Audio Club, a essa altura quando já começava a madrugada do sábado.

Com o grito de "tesão" ao final dessa canção, Paulo Ricardo e os companheiros de banda se retiraram por alguns minutos, voltando para o bis com "Primavera Tropical", música gravada em 2013, em alusão às inúmeras manifestações ocorridas no Brasil. "Rádio Pirata", tocada pela segunda vez na noite pôs então fim ao concerto, quando o relógio marcava 2hs da manhã, com direito a chuva de papel picado e muitos aplausos.

Um verdadeiro brinde ao Rock nacional e aos anos 80, época que tantas grandes bandas brasileiras surgiram, como é o caso do RPM.

Espero ver um novo show desses caras em breve!

Agradecimentos a Naiane Santos (Agência Cartaz) pela atenção e credenciamento.

Banda:

Paulo Ricardo - baixo e voz
Fernando Deluqui - guitarra
Luiz Schiavon - teclado
Paulo P.A. Pagni - bateria

Set List:

1. Rádio Pirata
2. Louras Geladas
3. Rainha
4. Vida Real
5. Dois Olhos Verdes
6. Juvenília
7. Liberdade/Guerra Fria
8. Muito Tudo
9. A Cruz e a Espada
10. Partners
11. Exagerado
12. Mergulho
13. Naja
14. London London
15. Onde Está o Meu Amor/Dois
16. The Killing Moon (ECHO & THE BUNNYMEN)
17. Flores Astrais
18. Revoluções Por Minuto
19. Alvorada Voraz
20. Olhar 43

Bis

21. Primavera Tropical
22. Radio Pirata



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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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