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Uriah Heep: Heeps voando baixo no Via Marquês

Resenha - Uriah Heep (Via Marquês, São Paulo, 17/05/2014)

Por Guilherme Espir
Em 30/05/14

O maior clichê dentro do Rock é ouvir alguém dizer que quer ver algum medalhão tocando. Nomes como Deep Purple, Kiss, Black Sabbath, The Who, Led Zeppelin, Rolling Stones... Quem já viu alguma dessas bandas ao vivo pode falar com propriedade, é diferente de todo e qualquer show, e o motivo é simples, provavelmente muitos de nós (fãs de Rock) ou da boa música de maneira geral, começamos a trilhar o caminho do caos ouvindo os grupos citados.

E não importa a idade, trinta, quarenta, cinquenta anos, na hora que uma banda desse calibre sobe ao palco você vira uma criança de dez, lembra de seus primeiros momentos com aquele som encorpado nos ouvidos, e nada mais importa, o resto é o resto. E foi exatamente isso que aconteceu, (para variar) quando o Uriah Heep subiu ao palco (as 21:00) no Via Marquês, numa Tour que tomou de assalto a virada cultural, e merecia uma estrutura melhor para explorar toda a história e força do Hard/Prog de uma das melhores e mais injustiçadas bandas de todos os tempos, porém antes, é claro, tivemos Pop Javali prestando os serviços de abertura com muito Heavy Metal, esquentando a galera na térmica Rock 'N' Roll.

Essa é a quarta passagem dos Britânicos pelo Brasil, vale recordar que a banda passou por aqui em 1989, 1995, e 2006, mas dentre todas essas Tours, creio que essa especificamente, (Latin America Heepsteria Tour) seja a mais especial delas, tamanha a comoção dos fãs da banda quando os boatos de uma eventual apresentação começaram a brotar nos meios especializados. Dia 18 teve Hard em Ribeirão Preto, dia 20 a casa caiu em Porto Alegre, 21 na cidade maravilhosa, no dia seguinte repeteco em Belo Horizonte, e ainda teve show em Brasília e Curitiba, nos dias 24 e 25 respectivamente... Mais uma vez os gigantes mostraram fôlego de garoto e atenderam as orações dos paulistas, afinal dia 27 foi a nossa vez!

Esse show era para ser o último da Tour, porém a localidade seria outra. A ideia inicial era levá-lo para o México, mas ainda bem que não foi necessário, a colônia de fãs do Uriah no Brasil é enorme, e a apresentação do grupo nessa última terça-feira fez jus ao tamanho de nosso amor pela banda, e a importância monumental de seu respectivo som, não só para nós (fãs) mas também para a música, coroando todo esse elo de sentimentos com uma apresentação excelente, arrebatando todos que se encontravam no Via Marquês numa hardeira só, e de quebra, entoando clássicos que sinceramente, pensei que nunca fosse escutar.

Quem estava presente no recinto teve a honra de presenciar uma espécie de cronologia discográfica do Uriah, mas não só isso, seus fãs puderam ver também a evolução do Rock, passando pelo Hard com toques de Blues, fritando ala psych, viajando no Prog, e burbulhando com marteladas secas nos ouvidos ao som dos maiores hits da banda. Com um set list que soube mesclar o novo e o velho de forma extremamente competente, culminando num dos grandes shows do ano, e que pelo andar da carruagem tem tudo para se repetir futuramente, afinal de contas vale lembrar que o grupo tem um novo disco para este ano, trata-se de seu vigésimo quarto disco de estúdio, ''Outsider'', que sairá entre o dia 06 e 10 de Junho em toda Europa e Estados Unidos, Via Frontiers Records.

Instrumentalmente falando o grupo beirou a perfeição, Mick Box segue brilhante, e tocando solto, brincando com a platéia, fez questão de solar sempre que possível, dando sua tradicional benzida na guitarra, enquanto ainda se desdobrava com afinadíssimos backing vocals. Outro que me espantou pelo alcance vocal foi Bernie Shaw, santa traquéia Batman, o Canadense está se aproximando dos 60 anos, mas segue cantando de forma absolutamente natural, e a química entre os músicos segue padrão FIFA, mantendo os ideias vibrantes que consagraram a banda. Na bateria tivemos Russel Gilbrook moendo seu Kit com louvor, muito virtuose nos teclados por parte de Phil Lanzon, e um baixo elementar por parte de um aparentemente tímido mas talentosíssimo Dave Rimmer, tirando faixas da fase Gary Thain como se fosse a coisa mais fácil do mundo!

E por último porém jamais menos importante, depois de duas horas de show, e de finalizar o mesmo com a presença de praticamente todas as mulheres que habitavam a casa, no palco, junto com a banda, vimos Mick Box autografando alguns itens, demonstrando uma humildade realmente fora de série, rejeitando o estigma de Rockstar, agradecendo ao pessoal da mesa de som. E para que ninguém voltasse para casa órfão de mais barulho, e que pudesse ainda permanecer no espaço trocando uma ideia sobre o que acabara de acontecer, tivemos uma banda de encerramento, um fim de noite excelente com a 3HD, a banda de Sérgio Hinds, guitarrista do Terço.

Um show para de fato ser guardado na memória, e que mesmo faltando ''The Wizard'', ou a minha preferida da banda, ''The Magician's Birthiday'' foi fantástico, estou até estudando a possibilidade de colocar isso no meu próximo currículum: Sem experiência, mas em compensação já vi o Uriah Heep ao vivo, e pude também coletar provas concretas de que Mick Box é, além de uma divindade Heep, humano, afinal de contas não é todo dia que você encontra o guitarrista andando no meio fio da Avenida Marquês de São Vicente... E você achando que já tinha visto de tudo na vida! Bernie Shaw foi elementar, o Uriah Heep começou a turnê em São Paulo, e merecia terminá-la da mesma forma, grande espetáculo, sensacional.

Line Up:
Mick Box (guitarra/vocal)
Phil Lanzon (teclado/vocal)
Bernie Shaw (vocal)
Russell Gilbrook (bateria/vocal)
Dave Rimmer (baixo/vocal)

Set List:
''Against The Odds''
''Overload''
''Traveller In Time''
''Sunrise''
''Stealin'''
''I'm Ready''
''Between Two Words''
''Gypsy''
''Look At Yourself''
''July Morning''
''Lady In Black''

Bis:
''Free 'N' Easy''
''Easy Livin'''

Fotos: Fernando Yokota. Galeria completa neste link.

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Sobre Guilherme Espir

Assíduo fã de Zappa e de muitas fritadeiras setentonas, tenta mesclar a peneiração de raridades dos anos 60 e 70 com as novas tendências sonoras de nosso tempo, porém admitindo que o antigo ainda tem preferência em seus fones ensurdecedores.

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