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Abril Pro Rock: Mantendo marca de organização e muito peso

Resenha - Abril Pro Rock (Chevrolet Hall, Olinda, 26/04/2014)

Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Em 01/05/14

Mais uma vez, em uma das inúmeras caravanas que partiram em direção a Pernambuco, fomos a Olinda conferir o Festival Abril Pro Rock, que há muito se firmou como um dos maiores festivais do Brasil (e também um dos mais aguardados). Dessa vez, tivemos a companhia de Diego Camara, responsável pelas fotos que você vai ver na matéria. Entre as principais atrações desta edição do festival, estava a banda americana OBITUARY, um dos maiores nomes do Death Metal, os indie SEBADOH, a canadense KATAKLYSM, o thrash metal do HAVOK, além dos brasileiros HIBRIA e CHAKAL, entre muitos outros nomes.

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Na sexta-feira, noite dedicada a músicas mais "calminhas" as atrações principais foram o SEBADOH, liderados pelo baixista Lou Barlow, numa apresentação de poucas palavras com o público, e um coletivo com a banda THE ROSSI (banda de apoio ao artista pernambucano REGINALDO ROSSI) e vários convidados. China (ex-SHEIK TOSADO) cantou "Garçom", Canibal (da DEVOTOS) cantou "O Rock Vai Voltar" (da fase roqueira de Rossi) e todos juntos cantaram "Recife, minha cidade", com a THE ROSSI. Além destes, apresentaram-se o cearense DANIEL GROOVE, com sua mistura de rock e brega e o performático JOHNY HOOKER, entre outros.

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DUNE HILL

Voltaremos nossa atenção, obviamente, para a noite já conhecida como "noite das camisas pretas", o sábado, que atraiu ao Chevrolet Hall cerca de três vezes o público da noite anterior. Como já é praxe no APR, o festival começou na hora marcada, com a primeira banda no palco do lado esquerdo, tocando para um público ainda muito reduzido e lutando contra um som ainda mal equalizado (reclamações sobre a qualidade do som no palco esquerdo seriam vistas nas redes sociais nos dias seguintes, tirando um pouco do brilho de todas as bandas que se apresentaram ali). A local DUNE HILL trouxe um Rock and Roll bem pesado (a banda define seu estilo como hard/rock mas há bem mais que isso no som deles) com um set list curto mas capaz de despertar o interesse para seu trabalho. O show incluiu canções de seu EP Big Bang Revolution e do álbum White Sand, lançado recentemente, como "Big Bang", "Miracles" e "Lamb of Gold", que teve a participação de Thiago Ramos nos vocais. Na camisa de Leonardo Treva, vocalista da banda, uma homenagem silenciosa à cena metal de Pernambuco, na forma da capa do livro PEsado, um compêndio que detalha a história do heavy metal nas terras pernambucanas, recentemente lançado pelo jornalista Wilfred Gadelha. Saiba mais sobre o livro neste link.

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Outra homenagem que aconteceria, silenciosamente, várias vezes durante a noite seria ao produtor cultural Sérgio "Pezão", cuja foto foi exibida algumas vezes nos telões entre um show e outro. A notícia de sua morte na noite anterior abalou a cena roqueira do Recife.

MONSTER COYOTE

Imediatamente após o encerramento do show, abrem-se as cortinas do palco à direita para o show dos mossoroenses da MONSTER COYOTE com seu Stone Metal (bem puxado para o Sludge) e conteúdo lírico fortemente baseado em licantropia. Outro show bem curto, apenas 25 minutos. O trio merecia bem mais. Se a MONSTER COYOTE for tocar na sua cidade, vá. Quem já conhecia a banda ficou querendo mais do "The Howling". Além das músicas do citado play, a banda também tocou a inédita "The Sheperd Who Saves The Wolf, Dooms His Sheep". Do show da MONSTER COYOTE fica uma reflexão: talvez fosse melhor limitar o número de bandas (ano passado eram dez, este ano são doze) e permitir que cada uma tenha pelo menos dez minutos a mais. Felizmente, a tarefa de escolher quem ficaria e quem aguardaria uma próxima oportunidade não é nossa.

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KROW

No palco à esquerda, já está a KROW, para apresentar seu death metal com sotaque mineiro, (se é que há algum sotaque nos guturais de Guilherme Miranda e Lucas Simon, que reforça os vocais). A KROW é uma das bandas mais interessantes que surgiram recentemente no metal nacional e entre os sons, marcaram presença "Retaliated" e as novas "Whore Born" e "Relentless Disease" (que dá nome ao EP que eles acabaram de gravar na Suécia). O público ainda chegava, mas já lotava o Chevrolet Hall e fazia roda ou batia cabeça no centro do espaço. No fundo do palco, a capa do EP "Relentless Disease". "Before The Ashes" pôs fim a um show de profissionalismo e metal extremo. E nas palavras do Diego Câmara, o show foi "simples direto e reto. O povo de São Paulo tem que abrir o olho pras outras regiões e ver joias como esses caras".

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DESALMA

De volta ao palco à direita, vem a DESALMA com seu thrash metal (mas com vocais bem death e inclusão de alguns efeitos esquisitos como diferencial). As letras são em português (ininteligível, mas, who cares) e o show baseou-se bastante no álbum "Foda-se", lançado no ano passado. A participação do grupo percussivo BONGAR, tocando uma música em conjunto com o DESALMA ao fim do show, dividiu o público. Muitos gostaram da novidade, uma parte, porém reprovou. Um pouco de demora na chegada e posicionamento dos tambores no palco também deu uma aliviada no clima geral (no sentido do entusiasmo do público, não do calor, que imperava no Chevrolet Hall). Desde o início da noite, era a primeira vez em que, por alguns instantes, não havia uma banda tocando alguma coisa em algum dos palcos. A parceria, apesar da demora mencionada acima, foi interessante mas como os dois grupos tocaram apenas uma música, realmente desperta o questionamento se foi válida. Um número maior de canções em conjunto teria feito o inusitado arranjo valer mais a pena. Ah, claro que é impossível não lembrar do SEPULTURA e as contribuições de CARLINHOS BROWN e TAMBOURS DU BRONX.

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CONQUEST FOR DEATH

A primeira punk da noite e última do cast preliminar, a multi-nacional CONQUEST FOR DEATH não pareceu empolgar todo o Chevrolet Hall, mas levantou uma boa galera que já os conhecia e fez o possível para ficar bem perto do palco, com muitas rodas de pogo e crowd surfing. Devon, o vocalista fez de tudo no palco, de estrelinhas (ou cambalhota, ou como quer que você chame no seu estado) a subir nas caixas de som e até mesmo na bateria. Ele também agradeceu às várias cidades que os estão recebendo neste retorno ao Brasil, como São Paulo, Curitiba, Mossoró e Fortaleza (onde eles tocaram na noite anterior). O baixista, Robert Collins, com sua imensa barba a la Billy Gibbons e o guitarrista oriental (cujo nome não conseguimos levantar) também agitavam bastante (com menos liberdade que Dev, claro).

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OLHO SECO

Quando a banda veterana do punk nacional, OLHO SECO, subiu ao palco da direita ficou impossível ficar no meio da pista. Enquanto os caras tocavam no palco sucessos como "Acreditamos na Violência", "Castidade" e "Desespero", o público na pista fazia um show particular (na verdade, muitos ali tinham ido ao Chevrolet Hall apenas para ver a banda paulista), com rodas por todo o lado e muitas pessoas nadando sobre as outras, uma coisa linda de se ver. Sempre com os punhos no ar, o vocalista Fábio, já tiozão, revelou ao público que "se não fossem vocês, a banda já tinha terminado. Viva vocês", mas ainda não era a deixa para a música que encerraria o show. Ainda rolaram "Eu Não Sei", "Caminho Suicida", cada uma com uma recepção melhor que a outra. Em certo momento Fábio declara: "relembrando o começo do fim do mundo, eu me pergunto 'Haverá Futuro?'". O ponto alto da noite foi quando todos os punhos ficaram no ar e todas as bocas cantaram "isto é olho seco/ seco, seco, seco". "Viva Nós" foi a música que colocou um ponto final na festa do OLHO SECO. "Ignorante" estava no set, mas não foi tocada.
MUKEKA DI RATO

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A roda só mudou alguns metros para a esquerda para festejar a presença dos capixabas (veteranos de Abril Pro Rock) e sons como "Pasqualin na Terra do Xupa-Cabra", "Cachaça" e algumas do novo álbum "Atletas de Fristo". Apesar da relativamente pouca movimentação no palco (em comparação com outras bandas do estilo), na pista as rodas e os crowd surfings continuaram initerruptamente. Os adeptos do metal extremo procuravam algum lugar para apenas apreciar a cena, aguardando ansiosamente a destruição que viria a seguir, mas alguns fãs mais die-hard da banda do Espírito Santo já se programavam para vê-los em Natal, na noite seguinte.

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Que outro festival reuniria dois nomes tão importantes da cena punk, um ao lado do outro. E isto após ter recebido o DFC, o DEAD KENNEDYS e os RATOS DE PORÃO nas últimas edições. Mas a parte punk da noite chegava ao fim.

Outro ponto a ser citado no festival é a feirinha que ocorre nas laterais da pista. De itens como merchandise de bandas (com camisas, CDs e vinis), livros (como o já citado PEsado) a roupas, dava pra encontrar itens de toda sorte. Vale muito a pena sacrificar algum show cujo estilo você não curta muito e conhecer os diversos stands (e se arrepender por não levar mais dinheiro). O preço das bebidas, mais uma vez, foi motivo de reclamação por boa parte dos presentes.

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HIBRIA

O show dos gaudérios do HIBRIA começou com "Silent Revenge" e, logo nos primeiros 30 segundos, Iuri Sanson mostra porque tem se destacado como uma das melhores vozes do metal brasileiro na atualidade. Como característico no estilo, o vocalista é acompanhado por dois guitarristas muito técnicos, um baterista que manda ver sem pena, tudo comandado pelo baixo pulsante de Benhur Lima. A marcante "Shoot Me Down" arrancou muitos gritos do público. Dirigindo-se ao público, Iuri afirmou: "esse show é pra vocês baterem cabeça, fazer roda e cantar com a gente". Também saudou as caravanas das cidades vizinhas (ficou devendo Fortaleza, que levou tanta gente que, nas palavras da cearense Kelly Matos, o show no Chevrolet Hall estava parecendo um show no G.R.A.B.). Em "Blinded By Faith", uma das mais belas canções da discografia do HIBRIA, Iuri pediu para todo mundo abaixar-se, apenas para levantar-se num pulo um segundo depois, num momento bonito de interação banda/público. Em "Silence Will Make You Suffer", Iuri sobe no praticável da bateria e o baterista Eduardo Baldo dá ainda mais de si (como se fosse possível) e o refrão é cantado a plenos pulmões. Antes de "Tiger Punch", Iuri avisou que era a última e perguntou: "quem quer show de turnê solo do HIBRIA no Nordeste? Ouviu muitos "Eu" (Emydio, Fabrício e Gino, em Fortaleza a bola está com vocês). O gaúcho ainda enrolou-se nas bandeiras de Pernambuco e na do Santa Cruz (time pernambucano) que tinham sido lançadas ao palco. Apesar do que disse Iuri, eles ainda tocaram "Rock And Roll", do LED ZEPPELIN e Baldo fez um curto solo de bateria, seguido de muitos "hey, hey, hey", puxados por Iuri, deixando produção e público loucos (por motivos diferentes). É uma banda que, com carisma, técnica e boas composições, está abrindo seu caminho e se tornando, merecidamente, um dos nomes mais relevantes da cena nacional. Não é a toa que fizeram as honras para os inventores do Heavy Metal em sua cidade natal.

CHAKAL

Uivos anunciam no outro palco a presença do CHAKAL, que dividia com o HIBRIA o posto de maior atração nacional da noite, mas com um tempo de estrada bem maior. Apesar disso, quem esperava ver os sons mais antigos do CHAKAL teve que se contentar com Jason lives, do "Abominable Anno Domini" (1987). Todo o restante do repertório foi baseado em "Demon King", nem tão recente assim, de 2003, e "Destroy, Destroy, Destroy", lançado no ano passado (quatro músicas de cada disco). Apesar disso, antes mesmo da meia-noite (o que era surpreendente para um festival com aquele número de bandas), o CHAKAL fez um show inesquecível para os fãs, desfilando o seu thrash metal com o vocal inconfundível de Korg e múltiplos e belos solos. Em "Jason Lives", Korg até exibe uma bandeira com a máscara do personagem da série de terror e ainda brincou com o público no início de outra música. "Agora nós vamos tocar uma balada. Qual é o problema? O METALLICA também tem baladas", mas o que vem é chumbo grosso, thrash metall para dummies e thrashers veteranos.

HAVOK

No palco à direita, os americanos do HAVOK começaram um dos shows mais esperados da noite com "Covering Fire", seguida de "Point of No Return". O quarteto do Colorado se destaca pelo seu thrash metal bem old-school, com extensos solos de guitarra, uma das melhores bandas a emular o espírito da bay area e suas crias. Não sei se David Sanchéz não sabia pronunciar o nome de nosso país ou estava dando uma de Ozzy quando cumprimentou o público em português. "Obrigado Brasília". Voltando ao inglês, Sanchez quis saber: 'Vocês já estão se divertindo? Eu não sei quanto a vocês, mas eu digo "Give me Liberty...or Give Me Death"'. Os solos de guitarra são sempre longos e marcantes (não custa dizer isso outra vez), como os de "I Am The State". O baixista Mike Leon também se dirige ao público de vez em quando e diz que gosta de ver as rodas, que a esse momento, pipocam por todo o salão. Seguem-se "From The Cradle To The Grave", que começa com um curto solo de bateria, D.O.A e "Under The Gun", e a galera ficando cada vez mais louca, quando Sanchez fala que só tem mais tempo para umas duas canções. "Afterburner" leva os punhos para o ar e as gargantas a gritar em coro "burn, burn, burn" e "Time Is Up" declara: o tempo tinha acabado mesmo. Ficaram de fora porradas como "Innatural Selection" e "Fatal Intervention", que costumam fechar os shows. Na opinião de nosso correspondente Diego Câmara, foi o melhor show da noite. "Os caras realmente são revelação, novos, muita técnica e muita vontade. Levantaram demais o público".

KATAKLYSM

Ainda absolutamente sem nenhum atraso, os canadenses do KATAKLYSM, em sua primeira turnê no Brasil (quando também passariam por cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Belém), subiram ao palco dizendo querer algum barulho. E o fizeram. O vocalista Maurizio Iacono ainda fez brincou com os presentes (que caíram na pegadinha por não dominar o inglês falado pelo canadense). "Que merda vocês estão fazendo em Recife? Nós somos o KATAKLYSM e vamos chutar suas bundas. Vocês estão prontos pra ser fudidos?" O público respondeu, siiiiim. Faz parte.

Iacono ainda tirou onda com os seguranças antes de "As I Slither". "Eu quero ver vocês mantendo a segurança ocupada. Eu quero ver crowd surfers, um após o outro". Nem precisava pedir. O público já estava fazendo isso desde o comecinho da noite.

Os belos climas criados pela guitarra de Jean-Francois Dagenais e pelo baixo de Stephane Barbe, aliados aos Northern Hyperblasts do novato Oli Beaudoin e aos vocais potentes sem abusar dos guturais de Iacono fizeram da apresentação do KATAKLYSM uma das mais memoráveis da noite. Iacono disse precisar que o público o carregasse até "At The Edge Of The World" e o público, cada vez mais cativo, se mostrava disposto a atendê-lo.

Ele também dedicou "Iron Will" a todos aqueles que apoiam o metal, não importa de onde sejam. No show, também não poderia faltar "Elevate" que ganhou clipe filmado na Sérvia.

OBITUARY

Primeira vez durante toda aquela noite, há alguma espera, o que é formidável em um festival com doze atrações. Mesmo assim, esta espera é muito pequena. Apenas Trevor Peres, Donald Tardy, Terry Butler e Kenny Andrews iniciam o show com a longa introdução de "Stinkupuss". Quando John Tardy aparece para cantar a segunda parte da música, a catarse é geral. Os irmãos Tardy tornam a OBITUARY única (ou pelo menos pioneira no estilo, tanto nos vocais de John quanto no massacre percussivo de Donald). O estilo cadenciado impresso pelos riffs de Trevor Peres e os solos rápidos de Kenny Andrews fazem com que eles se distinguam de qualquer outra banda de death metal. A cada fim de música, todos os presentes (exceto aqueles já desmaiados) gritam "Obituéri, Obituéri".
O salão estava mais vago que horas antes, mas ainda quase cheio (bem mais que no show de encerramento do ano passado) e muito mais que as cerca de 300 pessoas no último show do dia anterior. Para muitos ali, nordestinos de várias cidades, ver o OBITUARY tocando clássicos como "Intoxicated" servia também como uma expiação do MOA, aquele outro festival que aconteceu apenas uma vez por estas bandas e que mostrou ser, em tudo, exatamente o contrário do Abril Pro Rock.

John não é de falar com o público. E, como já lhe é característico, algumas vezes nem é possível ver seu rosto, escondido atrás da vasta cabeleira. Apenas o Trevor Peres solta um "obrigado" de vez em quando. Em uma das poucas vezes que se dirige ao público, o vocalista avisa: "Nós vamos tocar umas duas canções aqui do novo álbum, que vai ser lançado em julho". O nome das músicas? Fica pra quando o álbum sair. Eles simplesmente não anunciam.

A primeira delas começa bem fora do estilo que consagrou a OBITUARY (não que isso seja ruim). É rápida. Energética até e agradou a multidão. A segunda também segue com a mesma pegada (bem mais para "Intoxicated" do que para "Stinkupuss". No entanto, foi com as primeiras três notas de "Chopped In Half" que o Chevrolet Hall quase vem abaixo. Como não poderia deixar de ser, o clássico vem colado em "Turned Inside Out". Donald Tardy, cujo praticável onde estava instalado com seu kit tinha sido trazido bem para a frente do palco, é que dizia o resto dos músicos à sua frente qual seria a próxima música. A palavra do homem era a lei e assim seguiram "Back To One", uma que honestamente não poderei precisar mas me pareceu "Rotting Ways" e a pedrada "The End Complete".

A parede sonora deixava todos boquiabertos e era interrompida (ou melhor, minimizada) apenas quando Andrews metia o pé no Cry Baby e executava mais um solo ultra-veloz. A ótima "I'm In Pain" levou todos à loucura com o longo solo na intro. Se eles soubessem o que eu sei, não ficariam tão contentes assim. Por um lado antecedia o maior clássico do OBITUARY, mas, por outro significava que o fim daquele show, de pouco mais que uma hora, estava bem próximo.

No único show da noite a ter um bis, os músicos todos saem do palco e quando voltam John está exibindo uma camisa com nada menos que "Slowly We Rot", clássico imperecível da banda, momento que vai ficar na memória de cada um daqueles bangers naquela noite.

Fora o calor que fez com que fosse meio-dia a noite inteira no Chevrolet Hall, a duração extremamente curta de alguns dos primeiros shows e a qualidade do som do palco esquerdo (inferior ao seu "colega do lado") e apesar do número de atrações, o maior imprevisto foi a completa ausência de imprevistos. Por volta de três da manhã, bangers e punks de todo o Nordeste já podiam se considerar ansiosos pela edição 2015 do Abril Pro Rock.

Set Lists

DUNE HILL

Big Bang
Seize The Day
Miracles
Perfect Fire
Lamb of Gold
Ace of Spades (MOTORHEAD)

MONSTER COYOTE
1. Dead Bravery
2. Windmill Tales
3. Unleash The Monsters
4. The Shepherd Who Saves The Wolf, Dooms His Sheeps
5. Wolfslayer
6. Beacon of Lost Souls

KROW

1. Relentless Disease (nova)
2. Despair
3. Retaliated
4. Outbreak of a maniac
5. Eidolon
6. Whore Born (nova)
7. Before The Ashes

OLHO SECO

1. Me Tirem Deste Inferno
2. Olho de Gato
3. Vida Violenta
4. Castidade
5. Botas, fuzis, capacetes
6. Desespero
7. Eu Não Sei!
8. Haverá Futuro?
9. Sinto
10. Lutar, Matar
11. Caminho Suicida
12. Muito obrigado
13. Nada
14. Isto é Olho Seco
15. Viva Nóis!
16. Ignorante

HIBRIA

1. Silent Revenge
2. Lonely Fight
3. Shoot Me Down
4. Steel Lord On Wheels
5. The Anger Inside
6. Blinded By Faith
7. Silence Will Make You Suffer
8. Tiger Punch
9. Rock And Rol

CHAKAL

Christ In Hell
Exorcise Me
Head Shooting for Dummies
Flowers in Your Grave
Jason Lives
Equinox
Destroy! Destroy! Destroy!
Demon King
Evil Dead (DEATH)

HAVOK

Covering Fire
Point of No Return
Give Me Liberty...or Give Me Death
I Am the State
From the Cradle to the Grave
D.O.A.
Under the Gun
Afterburner
Time Is Up

KATAKLYSM

Push the Venom
Like Angels Weeping (The Dark)
Like Animals
As I Slither
At the Edge of the World
Taking the World by Storm
Fire
Iron Will
Elevate
In Shadows And Dust
Crippled & Broken

Como curiosidade (e por respeito a um artista que, apesar de ter seguido por caminhos diferentes, foi um dos primeiros roqueiros nordestinos), veja abaixo o setlist da THE ROSSI.

THE ROSSI

Recife, Minha Cidade
4 Estações
A Raposa e as Uvas
Em Plena Lua de Mel
Desterro
Garçom
Pedaço de Mau Caminho
Cuca Fresca
O Pão
O Rock Vai Voltar
Tô Doidão
Deixa de Banca
Recife, Minha Cidade (reprise)

Fotos: Diego Camara.

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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