Master: Como foi a apresentação em São Bernardo do Campo

Resenha - Master (Princípios Bar, São Bernardo do Campo, 26/01/2014)

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Por Monica Prado
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O Princípios bar, em São Bernardo do Campo, foi palco de grandes shows que tiveram início no final da tarde de um domingo exageradamente quente. O local não ostenta beleza, mas isso não parece ser um problema para o público que estava presente neste dia, já que o que realmente importava era ver a apresentação de ótimas bandas de abertura e do tão aguardado Master. O som durante todas as apresentações estava à altura das bandas, e o público foi o maior beneficiado.

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A primeira banda a se apresentar, o Midnightmare, do ABC paulista, formada em 2000, trazendo Simone Midnightmare nos vocais e baixo, Rogério Luque Quercia Midnightmare na bateria e Kedley Moraes na guitarra, mostrou toda agressividade que já é marca do grupo. O público, embora pequeno, curtiu a apresentação do trio que faz parte do cenário nacional do bom heavy metal e lança seu primeiro CD “Death Is The Only Salvation” no próximo mês.

Line up:
Simone Midnightmare – vocais/baixo
Kedley Moraes – guitarra
Rogério Luque Quercia – bateria

Set List:
Imortal Pain
Chaos
Death is the Only Salvation
Rage In Fire
In the Name Of God
Final Conflict
Behind the Agony Mask
Sexual Devastation

O Malediction 666 ficou responsável pela segunda apresentação da noite. A banda de Suzano (São Paulo), formada em 1997, já contabiliza 4 releases demo e um álbum oficial na sua trajetória. Influenciados pelo death/black metal nacional e internacional (Rotting Christ, Communion, Vulcano, Impurity e Master), a banda, que gravará seu segundo álbum oficial ainda este ano, apresentou um set list que transitou entre o mais sombrio death metal e o heavy metal tradicional. Conseguiram aquecer o público exigente e mostraram que tem garra para conquistar um território maior em 2014.

Line up:
Fernando Iser - vocais/guitarra
Emerson Grasso - bateria
Bruno Ian – baixo

Set List:
Malediction
Decaptation
Innoculation
Dagon
Opposite
Ancient Demons Arise
Blackened Hordes Victory
When Planets Collide

A terceira apresentação ficou por conta das meninas de Campinas que formaram, em 2010, o Sinaya, banda cujo nome remete a uma pequena cidade de montanha localizada na Romênia, conhecida pelos magníficos castelos e pelo Mosteiro de Sinaia. Não se deixe enganar pela pouca estatura e pelo rosto oriental e angelical da vocalista Taty que surpeende com um som gutural arrepiante, mostrando o ânimo e entrosamento deste grupo de thrash/death metal, cujas músicas são pontuadas com riffs cavernosos e solos curtos. A apresentação contou ainda com covers do Cannibal Corpse (Stripped, Raped and Strangled) e do Sepultura (Arise).

Line up:
Taty Kanazawa – Vocais
Mylena Monaco – Guitarras e backing vocals
Tamyris Leopoldo – Baixo
Isabela Moraes – Bateria

Set list:
The Resurrection
Pure Hate
Infernal
Reverie
Stripped, Raped And Strangled (Cannibal Corpse Cover)
Obscure Raids
Life Against Fate
Legion Of Demons
Arise (Sepultura Cover)

A última banda de abertura está na ativa desde 1987, o Necromancia, que já se estabelece como um dos grandes nomes do thrash nacional. Formada atualmente por Marcelo d'Castro (vocais/guitarra), Kiko d'Castro (bateria) e Roberto Fornero (baixo), o grupo fez uma apresentação com aquela fúria e brutalidade que seus fãs já estão acostumados, e de forma ainda mais potencializada. O último CD da banda "Back from the Dead" já está sendo considerado seu melhor trabalho até o momento. O set list escolhido foi marcado por um som com momentos rápidos e ferozes, com muito e peso e agressividade, signos característicos de uma banda que, como Marcelo mesmo disse “Fazemos o que curtimos. E fazer o que se gosta hoje em dia não é fácil, pagamos o preço de estar a tanto tempo na estrada”. A banda fechou com a saideira “Afraid of Being Alive” e o público agradece e torce para que os caras não abandonem a estrada tão cedo.

Lineu up:
Marcelo “Índio” d'Castro - vocais/guitarra
Kiko d'Castro - bateria
Roberto Fornero – baixo

Set List:
Playing God
Under The Gun
The Blooding
Greed Up
Check Mate
Necrosphere
Global Fall
Cold Wish
No Way Out
Death Lust
Afraid Of Being Alive

Master é uma banda de death metal formada em Chicago, EUA, em 1983. Pouco depois a banda passou por problemas internos e Paul Speckmann (vocais/baixo) então formou a banda Death Strike, que em 1985 ele renomeou de Master.

Com um histórico impressionante, a banda conta com onze álbuns de estúdio: Master (1990), On the Seventh Day God Created... Master (1991), Collection of Souls (1993), Faith Is in Season (1998), Let's Start A War (2002), The Spirit of the West (2004), Four More Years of Terror (2005), Slaves to Society (2007), The Human Machine (2010), The New Elite (2012), The Witchhunt (2013); além dos álbuns ao vivo: Live in Mexico City (2000) e Live Assault (2012).

O trio formado por Speckamann, Nejezchleba (guitarra) e Pradlovsky (bateria) estão gravando juntos desde Spirit of the West (2004). Os temas das gravações do Master são ditados pelo mundo. O vocalista afirma “Somos um povo vivendo um tumulto, já que os disseminadores do poder continuam a tomar o controle do petróleo e de toda a riqueza do mundo. A América ainda está tentando controlar todos os aspectos da vida de todos ao redor do globo. O mundo tornou-se um lugar muito mais difícil para se viver”. E acrescenta “nós tocamos para o público, por exemplo, de todos os tamanhos, desde 75 até 5000 pessoas, e as pessoas sempre entendem que vivemos para a música, e você pode sentir isso ao vivo, bem como nos álbuns. Muitos dos criadores de hoje só tocam por dinheiro; esta não é a única motivação para o Master. Nós genuinamente adoramos estar em turnê e compartilhar as músicas novas antigas com público do mundo todo”.

A banda sofreu um acidente de carro em Dezembro de 2013 na Romênia onde estava se apresentando. O guitarrista Alex Nejezchleba quebrou a vértebra, o que o impossibilitou de vir a América do Sul para fazer os shows já agendados. Marcelo "Índio" D´Castro, do Necromancia, foi o escolhido para substituir Alex durante a turnê sul americana. Nesta noite, ele teve trabalho duplo, primeiro com o Necromancia, depois com o Master. Sem dúvida, merece ser parabenizado em dobro.

A atração principal da noite subiu ao palco às 20:30hs. A banda abre o show com as músicas “Master” e “Shoot to Kill”. “Slaves To Society” vem na sequência, e é uma escuta divertida, Paul Speckmann trata o ouvinte com vocais muito distintos e duros. Mais duros até que o vocal dele são suas letras, muito bem escritas, de um divertido e sério do ponto de vista. Ele deixa claro seu ódio e aversão pela sociedade da América, como ele mesmo faz uma paródia do juramento de lealdade, que é até um pouco cômico.

É necessário dizer que a bateria é quase obsessiva, a performance de Zdenal é estonteante, ele parece estar em êxtase durante toda apresentação."Judgement of Will" é realmente obscura e as guitarras são ainda mais pesadas aqui com uma aceleração soberba da bateria no meio. A violência verdadeiramente incrível surge na sequência com "Submerged in Sin" .

"Smile as you’re told" mostra que esses caras, com todo respeito, não tem intenção de dar forma aos aspectos comerciais do negócio - Master é “o negócio”, e eles já provaram que não vão se encolher para ninguém. Em uma época onde alguns artistas de longa data curvam-se criminalmente para o poderoso Deus do capitalismo, algumas bandas mantem os aspectos integrais que fazem dos fãs um exército orgulhoso e Master é certamente essa mistura.

“Unknown Soldier” é uma boa mistura de um ritmo baixo inacreditável alternando partes rápidas. O vocal de Paul é cruel e áspero, em estilo de death/thrash clássico.

No início de "Funeral Bitch" pudemos realmente apreciar a essência de uma distorção de guitarras de motosserra que destrói tudo em seu caminho. Ele também é brutal!

As letras são também bastante cativantes, especialmente em "Funeral Bitch", lembra um cântico cujo coro fica na memória. Quanto os riffs, estes criam um ruído, rápido e caótico e maravilhosamente composto. Os solos feitos por André são executados muito bem na minha opinião, ele faz um trabalho fenomenal. Tudo flui maravilhosamente.

O público é então brindado com “The Parable”, a única faixa do último álbum neste show, e, na sequência, “Cut Through the Fifth” e “Remorseless Poison”. Talvez o componente mais característico do som do Master através dos tempos, uma marca registrada e intacta, são os vocais de Paul, este rosnar híbrido estridente e angustiante. Os riffs intensos e groovy, os vocais ásperos ainda distinguíveis e a atmosfera geral de ódio e opressão também fazem parte do espetáculo.

É incrível como as estruturas das músicas resultam num trabalho cativante que prima por sua essência, evitando ser muito longo e dispersivo, perfeito. "Pay to Die" é fantástico pela velocidade. Alguns solos são realmente essenciais e soam como um simples desejo de destruir os acordes.

A banda finaliza com o cover Black Sabbath "Children of the Grave" numa performance soberba, um hino que só aqueles que acreditam no que fazem, percebem a hipocrisia ditada pelos governantes, mas não se curvam ao seus feitiços, tem coragem e força para gritar:

“Então crianças do mundo
Ouçam o que eu digo
Se vocês querem um lugar melhor para viverem
Espalhem as palavras hoje
Mostrem ao mundo que o amor
Ainda está vivo e vocês devem ser fortes
Ou vocês crianças do hoje
Serão as crianças da sepultura”

Às 21:45, o público demonstra satisfação e honra por saber que há bandas tão boas que fazem o metal ser um dos estilos mais aclamados da atualidade.

Line up:
Paul Speckmann – vocais/baixo
Marcelo "Índio" D´Castro - guitarra
Zdenek "Zdenal" Pradlovsky - bateria

Set list:
Master
Shoot to kill
Slaves to Society
Judgement of will
Submerged in sin
Smile as you’re told
Unknown soldier
Funeral bitch
The Parable
Cut through the filth
Remorseless poison
Pay to die
Children of the grave (Black Sabbath cover)

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Sobre Monica Prado

Sou formada em Engenharia pela E. E. Mauá e atualmente curso Filosofia na FFLCH-USP. Sou professora e tradutora de Inglês. Amo música e curto desde música clássica até o Heavy Metal. Música brasileira não é meu forte, mas sei apreciar um som de qualidade. A música me ajuda a sobreviver neste mundo, e ele ainda vale a pena por causa dela!

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