Helloween e Gamma Ray: Noite épica no Espaço das Américas!

Resenha - Helloween e Gamma Ray (Espaço das Américas, São Paulo, 01/12/2013)

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Por Aloysio França
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Não importa quantas vezes você os veja, HELLOWEEN ao vivo será sempre uma experiência emocionante, sobretudo se a apresentação for otimizada pela presença do mestre Kai Hansen e seu poderoso GAMMA RAY como banda de abertura, como ocorreu no dia 01 de dezembro de 2013 no Espaço das Américas em São Paulo. Dessa forma tudo se torna mais amigável e no meu caso, a experiência atingiu um nível emocional tão elevado que chegou a dar depressão pós-show.

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GAMMA RAY

Kai Hansen chegou ao palco com sua ESP estilizada e seu típico sorrisão - coisa que foi mantida até o final da noite - e disparou "Anywhere in the Galaxy" para acender a platéia sem demora. O áudio chegava ao público de forma impecável; tudo bem definido sem agredir os ouvidos.

Em meio ao excelente repertório, confesso que senti falta da "Somewhere Out in Space", ainda que soubesse que não rolaria, pois trapaceei e consultei o repertório previamente.

Em "Future World", cover do headliner HELLOWEEN, todos ficaram eufóricos e cantaram com todo o fôlego, atitude esta que não é de se espantar. A derradeira foi "Send Me a Sign", do Power Plant - meu favorito, diga-se de passagem - foi executada com precisão. É impressionante como Kai Hansen está em dia com seus agudos. Dá gosto de ver.

Então concluía-se um show cheio de energia e bom humor, onde se ouvia tudo com clareza. Bom trabalho GAMMA RAY, como sempre! Então, o que restou foi aguardar as abóboras.

HELLOWEEN

Ao soar do primeiro acorde, o banner do fundo do palco que até então divulgava o vindouro "Empire of the Undead" do GAMMA RAY despenca, dando espaço para o tema de "Straight Out of Hell" denunciando que o palco pertencia agora ao HELLOWEEN. A banda iniciou a sequência com "Eagle Fly Free", coisa que deixou o público ensandecido, de modo que nem posso descrever se o som estava bom, pois o que se ouvia era o som de milhares de pessoas cantando juntas. Nada poderia ser mais perfeito que um começo como esse, com velocidade e um refrão épico. E desta vez fui surpreendido pois não consultei o set-list com antecedência, de maneira que a experiência se tornou muito mais emocionante.

Duas músicas de seu novo álbum vieram em seguida, "Nabatea" e a música-título, atingindo uma platéia já amaciada pelo mega-clássico de abertura. "Where the Sinners Go" não é das minhas favoritas, mas admito que ao vivo funciona muito bem. Em seguida tocaram "Waiting for the Thunder", também do CD novo, e se pudesse, trocaria por "Burning Sun" sem pensar duas vezes. Não entendo a resistência da banda em tocar essa maravilhosa música, que inclusive foi o single de trabalho do álbum.

Andi Deris, simpático como de costume, anuncia que a próxima música é uma das suas favoritas, do injustiçado "Rabbit Don't Come Easy" de 2003. E então inicia-se "Hell Was Made in Heaven" e sim, é uma grande música, digna de estar em um show. Foi uma surpresa muito agradável. Na sequência, hora da pausa para a banda beber água, exceto é claro o baterista Daniel Löble que fez seu solo. Solos de bateria são todos idênticos, mas funcionam sempre muito bem para arrancar uns urros do povo, e neste caso ouve bastante interação de ambas as partes. A banda retornou ao palco com a clássica "I'm Alive" obviamente conduzindo todos ao delírio. Outra grande surpresa da noite estava para acontecer, e ocorreu quando Deris revelou que a próxima música seria aquela que foi votada pelos brasileiros através de um e-mail divulgado meses antes. A mais pedida foi "Where the Rain Grows" do esquecido "Master of the Rings" e foi uma surpresa boa pra mim, pois me fez lembrar o tempo que assistia o "High Live" em VHS até gastar a fita. Foi nostálgico e muito agradável. Michael Weikath e Markus Grosskopf continuam fazendo suas palhaçadas.

"Live Now!" veio em seguida e no meio Deris fez o "estúpido jogo" - como ele mesmo descreveu - de ver qual lado grita mais alto. Foi cômico quando ele, cheio de escárnio, mandou um dos lados calar a "porra da boca", pois queria ouvir o outro. A próxima era "If I Could Fly", que cativa com facilidade por seu refrão adocicado, mas o momento das lágrimas ainda estava por vir. E veio, com "Power", e o Espaço das Américas tremeu com todas as pessoas cantando em uníssono. Eles têm o poder. Eles são divinos! Essa música é a "Eagle Fly Free" da era Deris; é infalível e deveria estacionar no set-list para sempre. Em seguida, mais uma vez a banda se ausenta para pegar fôlego e se prepara para o primeiro bis, que inicia com "Are You Metal?", atiçando a todos com peso e agressividade. Na sequência, momento de alegria com "Dr. Stein". Era hora de pular.

O segundo bis foi um verdadeiro privilégio para todos, pois durante aquele famoso medley no qual a banda executa trechos de clássicos de sua era antiga, eis que surge no palco o criador de muitos daqueles riffs. O mestre Kai Hansen dava as caras novamente, ainda sorrindo, e em dado momento entrou em um duelo de agudos com Andi Deris e com a platéia, é claro. É uma felicidade sem tamanho ver a banda em clima tão amigável com o antigo membro. A última da noite era previsível, pois não ousariam encerrar sem ela, "I Want Out", que foi tocada por HELLOWEEN e GAMMA RAY juntos no palco, marcando um grande momento! Então a música chegou ao fim e um sentimento de melancolia já tomava conta de mim, e de todos ali dentro, aposto. A banda se despede e Andi Deris mostra sua camiseta com a estampa de Gene Simmons, imitando sua careta com a língua de fora, enquanto usava seu chapéu de abóbora.

Mais um grande show se conclui. Dizer que a performance foi impecável é redundante. Confesso que gosto de ouvir as músicas do tempo do Michael Kiske sendo cantadas por Andi Deris, pois me tornei fã da banda quando este já fazia parte da formação, e foi com ele que me cativei primeiro. Entretanto não levanto a bandeira nem de um, nem de outro. Levanto apenas a bandeira do HELLOWEEN, uma das minhas bandas favoritas, que jamais fez um álbum de má qualidade! Que voltem logo!

Fonte: MEGALOMANIA
http://megalomania-metal.com.br/helloween-e-gamma-ray-espaco...


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Sobre Aloysio França

Nascido em 1980, ex-guitarrista e vocalista de Thrash Metal, atual artista gráfico e podcaster no site Megalomania-Metal. É também um leitor orgulhoso de Tolkien e Cornwell. Não discrimina gêneros, mas sim música boa de música ruim.

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