Helloween e Gamma Ray: dose dupla de metal germânico em São Paulo

Resenha - Helloween e Gamma Ray (Espaço das Américas, São Paulo, 01/12/2013)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Por Durr Campos
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.





















Gostar de heavy metal e não apreciar o jeito alemão de fazê-lo é até paradoxal. Mesmo o estilo não tendo nascido por ali, quem o acompanha sabe na ponta da língua 10 nomes de bandas seminais do país, no mínimo. Arrisco a dizer que o HELLOWEEN, por exemplo, estará em praticamente todas as menções. Se não por seus feitos desde a entrada de Andi Deris há 20 anos, que seja por sua fase inicial (1984-1989), quando editaram para muitos seus trabalhos mais influentes. De uma forma ou de outra o pessoal continua na ativa e mantém-se em alta mesmo com as inúmeras tendências do mercado, assim como o GAMMA RAY. O que se iniciou com ares de projeto logo após a saída de Kai Hansen do próprio Helloween, onde ficou durante o citado período mais fértil, tornou-se logo após uma banda de verdade e, desde o início dos anos 90, editou uma discografia considerável e relevante em sua maioria. Quando em 2007 ambas resolveram cair na estrada no que foi denominado “Hellish Rock Tour” a euforia foi geral. Sucesso absoluto, o Brasil fora incluído no pacote de datas, logicamente. A feita ganhou uma segunda encarnação e lá fomos nós ao Espaço das Américas no último domingo acompanhar com exclusividade pelo Whiplash.Net o que reservava a “Hellish Rock Tour II”. Acompanhe também pelas fotos do Leandro “Steel Lenses” Anhelli.

Fotos: Leandro Anhelli

Os números envolvendo o Helloween e Gamma Ray são impressionantes. O primeiro esteve no país pela primeira vez em 1996. Desde então foram oito visitas totalizando nada menos que 36 apresentações por aqui! Somente em 2008 eles tocaram em 8 locais, incluindo o nordeste e Manaus. Já Hansen & Cia. estiveram menos vezes, mas mesmo assim colecionam 13 decentes concertos em território nacional, sendo que o debut por cá deu-se em 1997, época em que promoviam o excepcional “Somewhere Out in Space” (1997). A fila que se formava do lado de fora indicava que veríamos um Espaço das Américas generosamente cheio. A qualidade de som e infraestrutura da casa, bem como seu facílimo acesso para quem depende do transporte público faz grande diferença, mas é fato que as atrações por si só garantem multidões.

Sem atrasos o Gamma Ray iniciou com a tradicional “Welcome”, abertura de seu debut “Heading For Tomorrow” (1990) e, infelizmente, única dele presente. A deixa foi para o quarteto ajeitar-se e entrar com tudo em “Anywhere in the Galaxy”, perfeita para sabermos que a festa seria de arromba. Seu refrão, cantado a plenos pulmões pela maioria, arrancou sorrisos em Kai Hansen, algo que não é lá tão difícil tamanha a simpatia daquele senhor de meio século de idade. “Men, Martians and Machines” continuou a força de sua antecessora e mostrou-se ideal para ser tocada naquele ponto. Da fase com o ex-vocalista Ralf Scheepers apenas “The Spirit”, do segundo full-length “Sigh No More” (1991). Pô, dali eu indicaria pelo menos mais três: "Changes", "Rich And Famous" e "One With The World", a “United” deles (Nota do redator: Canção do Judas Priest presente no álbum “British Steel”, de 1980). Minha opinião, mas ignorar o “Insanity And Genius” é algo que os que o tem como favorito não conseguem entender. Enfim, com a palavra Kai: “Domingão à noite e amanhã muitos trabalham, mas foda-se. Hoje é dia de festa!” E manda a faixa-título do EP “Master of Confusion”, o qual serviu como aperitivo ao próximo, “Empire of the Undead”, previsto para março de 2014. Aliás, Hansen aproveitou para comentar sobre a má sorte em ter tido seu estúdio em Hamburgo completamente destruído por conta de um incêndio (nota do redator: leia no link no final da matéria), mas garantiu o novo disco. “Até onde eu sei, vai ser muito bom”, brincou.

O hino “Rebellion in Dreamland” não poderia faltar, apenas sua parte final fora deixada de lado, sem comprometê-la. A canção mais “Metallica” (Nota do redator: Até a pegada de “Creeping Death” ela possui) deles prova-se atemporal a cada vez que a incluem no repertório. “Dethrone Tyranny” colou soberbamente, esta mostrando o andamento cavalgado característico do Gamma Ray. Preciso aqui destacar as atuações irrepreensíveis do baixista Dirk Schlächter, fiel escudeiro do patrão, e o “novato” Michael Ehré (ex-Metalium/Firewind/Murder One/Uli Jon Roth), um monstro! Que me perdoem os fãs de Dan Zimmerman, mas Michael adicionou bastante ao grupo, melhorando-o. O início mais obscuro de “Empathy” é bem legal e a linha vocal encaixa-se como uma luva. O peso nas guitarras, muito por culpa do sensacional Henjo Richter, é tamanho que são poucas as casas que suportariam a força sem embolar o som. Felizmente ali deu certo. Continuaram com o álbum “To the Metal!” (2010) e “Rise” veio na sequência. A canção é bem legal e nem mesmo um pequeno deslize do baterista foi capaz de macular sua qualidade.

Um pequeno solo de Renjo entregou a que viria. Show do Gamma Ray sem “Future World” não existe, ainda mais que a forma como a iniciam sempre remete ao “Live In The UK”, celebradíssimo álbum ao vivo deles lançado no final dos anos 1980. Aliás, esta até deixou de ser tocada pelo Helloween durante a excursão para que Hansen pudesse aproveitar-se dela junto aos fãs. Deixemos o alemão falar: “Estamos aqui para celebrar o estilo de música que nos toca e nos faz esquecer todas as merdas da vida real. E qual é ele?” Resposta firme da plateia: “HEAVY METAL!”. Daí sacaram sua “Metal Gods”, ou “To The Metal” como a batizaram. Sinto muito do Priest em quase todo aquele registro que leva o nome desta canção. Para finalizar “Send Me a Sign”, um dos destaques em “Power Plant” (1999) e dona de uma melodia desgraçadamente pegajosa. Em tempo, será que o Kai Hansen tem noção do que representa? Volta e meia me pergunto porque sua humildade é tamanha que nos confunde sacar se o moço percebe o quão essencial foi para a formatação da vertente mais melodiosa do heavy metal como a conhecemos hoje. Se o metal tradicional está para Steve Harris, o melódico está para Kai.

O Helloween já nos visitou este ano quando estivera no Rock In Rio em um show elogiado inclusive pelos caras do Avenged Sevenfold, fãs confessos dos alemães. A troca de palco foi rápida e bastou a canção “For Those About To Rock (We Salute You)” do AC/DC terminar de tocar nos PA’s para “Walls of Jericho” ferver o local. A introdução que abre o seu primeiro álbum de mesmo nome só não empolgou mais que “Eagle Fly Free”. Não adianta espernear, chicotear, trollar ou fazer cara feia, esta e mais uma pancada de outras tantas do grupo são, sim, ritos definitivos do heavy metal e uma das que mais são ouvidas às escondidas nos quartos dos seus detratores quando ninguém está olhando. “Nabataea” abriu alas para o mais recente, “Straight Out of Hell”, que ainda teve mais três dele executadas naquela noite, incluindo a faixa que o batiza, tocada na sequência. Ambas trazem atuações louváveis de Andi Deris, mas não só dele, pois Sascha Gerstner (guitarra), o exímio Dani Löble (bateria), bem como os membros originais Michael Weikath (guitarra) e o figuraça Markus Großkopf (baixo) formam um time de primeira divisão! Todos ali merecem destaques individuais, por preencherem o palco e interagirem com seu público o tempo inteiro.

Devo dizer que não há NENHUMA música que passe despercebida por, no mínimo, 80% da plateia em um show do Helloween. Ela canta tudo, se descabela, solfeja as harmonias – incluindo de baixo e bateria - e arrasa no air guitar. Os caras da banda sabem disso e não contém os sorrisos. “Where the Sinners Go” pertence a um disco o qual confesso ter ouvido muito pouco, “7 Sinners”, de 2010. Na verdade prestei atenção nele apenas por dois motivos à época: primeiro por ter sido lançado no dia do meu aniversário, isto é, 31 de outubro; segundo pelo vídeo de “Are You Metal?”, lançado semanas antes, trazer aquele visual dos filmes “Jogos Mortais”, que ficou bem legal. A canção citada soou pesadíssima ao vivo, ficando até melhor que sua versão em estúdio. Mais uma nova muito bem recebida, “Waiting for the Thunder” passou de boa e ficou bacana ao lado de “Hell Was Made in Heaven”, de autoria de Großkopf e, talvez, uma das poucas que aprecio no regular “Rabbit Don't Come Easy” (2003). Os fãs que me perdoem, mas dali a minha favorita mesmo é “Fast as a Shark”, cover dos seus conterrâneos do Accept, da edição japonesa que possuo em casa.

O solo de bateria do Dani Löble foi curto e não cansou, muito pelo contrário. A turma ali interagiu de forma espetacular com ele. Pude inclusive perceber a cara de Michael Ehré ali na lateral direita do palco expressando algo como “um dia ainda terei isso aqui no Brasa”! Brincadeiras aparte e os músicos retornaram com “I'm Alive”, uma dentre as duas do “Keeper of the Seven Keys, Pt. 1” (1987) lembrada. Deris trocou a letra na entrada após os solos, pois deveria repetir “Look into my eyes, so many things are waiting to be done/ You just need a friend, together we will sing along…” ao invés de “Look up to the sky above and see the morning sun again/ You got so much power inside, so cry it out my friend…”, mas creio que nem todos perceberam a pequena escorregadela. A que seguiu foi oriunda de uma escolha dos fãs após votação no site da banda. “Where the Rain Grows” é muito boa! Creio que jamais mudarei meu pensamento sobre “Master of the Rings” ser o melhor tendo Andi Deris nos vocais. Lançado em1994, o disco não só era melhor que os dois anteriores a ele, mesmo contando com Michael Kiske nos vocais, como trouxe algumas das músicas mais inspiradas de toda a carreira do Helloween. Vou dar nomes aos bois: “Sole Survivor”, “Perfect Gentleman”, a lindíssima balada “In the Middle of a Heartbeat”, a fabulosa “Still We Go” e a escolhida pelo público. E se o caro leitor possui a versão expandida sabe que há ali uns covers irretocáveis para “Cold Sweat” (Thin Lizzy), “I Stole Your Love” (Kiss) e “Closer to Home”, do meu eternamente querido Grand Funk Railroad.

”Live Now!” trouxe o velho jogo da esquerda contra a direita no “quem canta mais alto”. Olha, dei o braço a torcer porque com esta ficou BEM mais legal que com “Power”, apesar desta última ser anos-luz mais interessante. Andi Deris é um showman como poucos; nasceu para isso e fez de uma canção nova um item já obrigatório nos concertos da banda por, pelo menos, mais uns 10 anos. Todo o meu respeito ao rapaz nascido há 49 anos na bela cidade de Karlsruhe, região de Baden-Württember. “If I Could Fly” é outra que ganhou a turma na insistência. Veja, é uma típica balada de Deris, nada que mude o mundo, mas de fato cativa e possui um refrão gostoso de ouvir. E lá veio ela, “Power”. Tamanhos poder e apelo, imagino que Weikath a tenha feito pensando nos velhos dias do Helloween e teve êxito. O primeiro encore trouxe “Are You Metal?”, a música tr00 deles, e “Dr. Stein”, item que sintetiza a gama de alegria que imprimem em suas obras. Lembro-me da primeira vez em que pus os olhos em uma foto promocional dos alemães e percebi como a vibe positiva era latente. Naqueles tempos eu escutava tanto death metal que por vezes me esquecia de como tocar e ouvir o estilo podia ser também divertido sem problema algum. Já o segundo bis trouxe Kai Hansen de volta ao palco para tocarem uma pequena triagem de tesouros. Na ordem tivemos um medley contendo a épica Halloween, o hino How Many Tears e a veemente Heavy Metal (Is the Law). Ao observarmos hoje, uma letra como “Heavy Metal is the law that keeps us all united free/ A law that shatters earth and hell/ Heavy Metal can't be beaten by any dynasty/ We're all wizards fightin' with our spell” pode parecer pueril, mas drible as metáforas e terás ali uma escancarada declaração de amor ao gênero musical em questão. “I Want Out” encerrou a festa com uma bagunça linda no palco. Estavam todos os membros de ambas as atrações em uma felicidade contagiante. Enquanto saíamos “A Tale That Wasn't Right” ecoava ao fundo naquela bela versão do “Unarmed-Best Of 25th Anniversary (2010)”.

Line-up Gamma Ray:

Kai Hansen – apenas guitarra (1989 - 1994), guitarra e vocal (1994 - presente)
Henjo Richter - guitarra e teclado
Dirk Schlächter - guitarra e baixo
Michael Ehré – bateria

Set-list Gamma Ray:

Welcome
Anywhere in the Galaxy
Men, Martians and Machines
The Spirit
Master of Confusion
Rebellion in Dreamland
Dethrone Tyranny
Empathy
Rise
Future World (Helloween)
To the Metal
Encore:
Send Me a Sign

Links Relacionados:
http://www.gammaray.org/‎
https://www.facebook.com/gammarayofficial‎
https://myspace.com/gammaraytothemetal‎
https://www.facebook.com/fangface.gammaray
5000 acessosGamma Ray: incêndio destrói estúdio de Kai Hansen

Set-list Helloween:

* For Those About To Rock (We Salute You) – AC/DC

Walls of Jericho
Eagle Fly Free
Nabataea
Straight Out of Hell
Where the Sinners Go
Waiting for the Thunder
Hell Was Made in Heaven
Drum Solo
I'm Alive
Where the Rain Grows
Live Now!
If I Could Fly
Power
Encore:
Are You Metal?
Dr. Stein
Encore 2:
Halloween / How Many Tears / Heavy Metal (Is the Law)
(with Kai Hansen) (With bass solo by Markus Grosskopf)
I Want Out
(with Gamma Ray)
A Tale That Wasn't Right (Unarmed Version)

Links Relacionados
http://www.helloween.org/‎
https://www.facebook.com/helloweenofficial‎
https://pt-br.facebook.com/HelloweenBR
https://www.facebook.com/helloweenbrasil‎
https://myspace.com/helloween‎

5000 acessosQuer ficar atualizado? Siga no Facebook, Twitter, G+, Newsletter, etc

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Outras resenhas de Helloween e Gamma Ray (Espaço das Américas, São Paulo, 01/12/2013)

1435 acessosHelloween e Gamma Ray: Noite épica no Espaço das Américas!

Uli KuschUli Kusch
"Michael Jackson utilizava ingredientes do Metal"

843 acessosRio Rock City: O Power Metal morreu?1065 acessosAndi Deris: Vocalista canta música eletrônica0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Helloween"

VocalistasVocalistas
Os menos conhecidos de bandas famosas

Michael KiskeMichael Kiske
"Eu nunca fui chamado para o Iron Maiden!"

UnisonicUnisonic
"Somos melhores que o Helloween!"

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de Shows0 acessosTodas as matérias sobre "Helloween"0 acessosTodas as matérias sobre "Gamma Ray"

Black SabbathBlack Sabbath
As 10 melhores músicas da banda segundo a Ultimate Classic Rock

Guns N RosesGuns N' Roses
Irmão de Slash pede desculpas; Axl está de dieta

Artistas popArtistas pop
E se eles migrassem para o Heavy Metal?

5000 acessosDio: algumas curiosidades inusitadas sobre o vocalista5000 acessosGhost: qual a identidade secreta de Papa Emeritus?5000 acessosJack Black: "Nirvana foi a última grande banda do rock"5000 acessosMegadeth: Dimebag Darrell quase foi guitarrista da banda4320 acessosIron Maiden: as músicas do "The Number", da pior para a melhor5000 acessosIron Maiden: Veja as primeiras imagens do Eddie da nova tour

Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Alemanha, país onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar um Scum do Napalm Death, seguido de Substance do New Order ou Black Celebration do Depeche Mode, daí viajar no tempo com Stormbringer do Deep Purple, se acabar ao som do Bounded By Blood do Exodus e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo. Simples assim.

Mais matérias de Durr Campos no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online