Raimundos: Desfile de clássicos em Santa Catarina
Resenha - Raimundos (Concórdia, Santa Catarina, 24/08/2013)
Por Luis Fernando Ribeiro
Postado em 27 de agosto de 2013
Só aqueles que moram em municípios do interior, rota improvável para bons shows, sabem a empolgação causada quando uma banda grande dá as caras em sua cidade. Foi isso que aconteceu em Concórdia, no meio-oeste catarinense. A energia dos fãs podia ser sentida no ar, no gelado 24 de Agosto deste ano, quando o RAIMUNDOS passou pela cidade.
Também, como é típico nessas situações, as casas de shows não estão preparadas para receber este tipo de bandas, mas a estrutura que recebeu o RAIMUNDOS era muito boa. Lamentável apenas foram as músicas executadas pelo DJ antes da banda entrar, totalmente despreparado para o show que iria antecipar.
Detalhes à parte, o que pudemos presenciar foi uma banda que já não está à sombra de seu ex-vocalista, Rodolfo Abrantes. Digão, Canisso, Marquim e Caio fizeram uma apresentação tão enérgica e empolgante que nem dá para reclamar da notável falta de clássicos como "Tora Tora", "Herbocenética", "Sereia da Pedreira", "Andar na Pedra", "Palhas do Coqueiro", "Baile Funky", "Selim", "Marujo", "Deixa eu Falar", "Pintando no Kombão", "Nariz de Doze", "Bestinha" entre outros inúmeros clássicos. Ficou claro que a proposta da banda era tocar as músicas que obtiveram maior sucesso comercial do que as que são realmente clássicas.
Os músicos sequer deixaram transparecer o cansaço de uma viajem direta de São Paulo para Santa Catarina e tocavam com um sorriso de alegria no rosto, demonstrando claro prazer de estar se apresentando para aquele público, que por sinal correspondeu à altura, gritando, pulando e promovendo grandes rodas de mosh. Os já não tão novos integrantes, Marquim e Caio, respectivamente guitarrista e baterista, se mostraram escolhas acertadas e fecharam perfeitamente com os já conhecidos Digão e Canisso.
O show começou com uma das mais conhecidas. "Mulher de Fases" se mostrou uma escolha acertada, pois agrada os fãs das antigas, mas também aqueles que só conhecem as músicas que tocaram nas FM's, isso trouxe os fãs pra perto da banda.
O desfile de clássicos se deu com "Nega Jurema", "O Pão da Minha Prima", "Bê-a-Bá" e "Opa! Peraí, caceta", deixando os fãs mais antigos ensandecidos. Durante essas músicas tivemos alguns efeitos pirotécnicos muito bem utilizados.
Digão já tinha o público na mão, se mostrando muito comunicativo e fazendo muitas brincadeiras, então foi fácil trazer a casa abaixo em "Aquela", "Me Lambe", "A Mais Pedida", "Reggae do Maneiro", "Eu quero ver o oco" e numa versão bem diferente para "I Saw You Saying (That You Say That You Saw)", que foi cantada em uníssono pela plateia.
Não é difícil notar o entrosamento da banda, que parava durante as músicas e retomava inesperadamente, bem como improvisava com naturalidade.
Vale destacar também vários momentos inusitados e engraçados durante o show, como o casal de meninas que agarrou as partes íntimas do vocalista Digão durante uma aproximação do músico ao publico em frente ao palco, o Canisso voltando para o bis e quase não conseguindo pegar o baixo em tempo de a música começar e as dancinhas de Marquim e Canisso, claramente não ensaiadas, visto a falta de entrosamento.
Além da homenagem ao falecido vocalista do Charlie Brown Jr., com "Zóio de Lula", ainda tivemos outros bons momentos em "Rapante", "Pompém" e "Esporrei na Manivela". Se "Jaws" já impressiona pelo peso em sua versão original, ao vivo ela fica ainda mais matadora, fazendo cabeças baterem e as rodas comerem soltas. Aliás, as novas músicas tem se mostrado muito promissoras e deixam uma boa expectativa para o novo álbum.
A banda volta para o bis, com "Puteiro em João Pessoa", que foi aclamada por todos, encerrando assim um show que certamente ficará na memória de quem o viu.
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