Possessed: Não sobrou um pescoço inteiro ao final do show

Resenha - Possessed (Grêmio dos Ferroviários, Fortaleza, 10/08/2013)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Desde os primeiros registros escritos da música no ocidente dois temas são preponderantes : o amor e a morte. Desde as composições pré barrocas que falavam da incursão de Orfeu ao mundo dos mortos para resgatar sua amada Euridice, estes dois temas, de uma forma ou de outra, estão presentes. E em Fortaleza, na noite de 10 de agosto, ambos estavam representados em dois eventos distintos, separados por quase uma cidade inteira. Dois shows de rock, mas de bandas de estilos tão distantes quanto os locais em que aconteceram. Enquanto o PARALAMAS DO SUCESSO falavam de amor na Praia do Futuro, escolhemos ver o POSSESSED falando da morte no Grêmio dos Ferroviários. Ambos os vocalistas das bandas, por uma infeliz coincidência, também foram vítimas de tragédias no passado e se apresentariam em cadeiras de rodas.

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Inicialmente o show da banda veterana da Bay Area de San Francisco iria se apresentar no Tendas Bar, local que já recebera anteriormente o ROTTING CHRIST e GIRLSCHOOL. No entanto, por decisão dos donos do local, que resolveram fechar o bar para ampliar a área ocupada pelo vizinho clube de futebol, o show foi transferido para o local definitivo. Boa parte dos bangers não conhecia o recinto, cujo palco é costumeiramente também ocupado por bandas de forró falso e música popular ruim, mas, ao adentrar no mesmo, uma boa surpresa fez a alegria de todos. Além de ter uma grande área para os fãs, um grande palco e um camarim que ocupava uma casa inteira esperavam os músicos mostraram que a troca tinha sido, apesar de não intencional, um grande negócio. A vizinhança não é bem o que se pode chamar de tranquila (há algumas favelas nas proximidades), mas, infelizmente, nenhuma vizinhança é tranquila nesta cidade cuja distribuição de renda é vergonhosa e a segurança pública é exemplo de fracasso. Num veredito inicial, posso afirmar que fiquei muito confortável com a ideia de assistir novos shows ali.

A primeira banda neste palco foi a cearense CARCARÁ, com "Batizados em Sangue", "Tribunal da Morte" e outras porradas rápidas e agressivas. A quarta música no setlist me surpreendeu muito positivamente, com um riff inicial bem fora do comum, continuando num thrash rápido e terminando num solo virtuoso. "Ressurreição dos Seres Ocultos" é o nome do petardo. E a destruição sonora continuou até que, nas palavras do vocalista/guitarrista Rafael Oliveira, a emoção de abrir para o POSSESSED fez com que um pedal da bateria se quebrasse. Um problema muito rapidamente resolvido com a camaradagem típica do meio metal, com o empréstimo de outro pedal pelo baterista da LUSTFER, a outra banda de abertura.

Com o retorno da banda ao som, a galera que até ali tinha se contido apenas com as rodas não aguentou mais e começou com os stage dives, inicialmente reprimidos pela segurança, mas liberados depois da intervenção da produção e da própria banda.

Até então, o palco tinha dois kits de bateria montados. Um pequeno, que seria utilizado pelas bandas de abertura, e um maior, elevado ao fundo do palco, a ser usado pela atração principal. Achei estranho quando vi que o kit pequeno começava a ser desmontado. No entanto, não demorou muito para que uma das lendas do Death Metal, Jeff Becerra e seus asseclas, finalmente estivesse ali, em sua cadeira de rodas, cara a cara com a pequena multidão que tinha saído de todo o Ceará (e de estados vizinhos como Piauí, Maranhão e Alagoas) para vê-lo.

"Heretic" dá o início ao show de metal da morte, seguida de "Tribulation", no palco, em baixo na roda e principalmente na beira do palco, com os seguranças ofegantes tendo muito trabalho para conter os fãs apaixonados. Em "Beyond The Gates" e outros momentos, Jeff bangeia como louco, possuído talvez, mesmo em sua cadeira.

O show prossegue com "Seance", "The Crimson Spike", "My belief". Jeff não arrisca no português mais que um obrigado, mas procura ser simpático. Um longo solo introduz "Storm in My Mind", seguida de "Confessions" e "Swing of The Axe".

Neste ponto do show, a galera estava até mais "tranquila" (se é que este é o adjetivo certo), não por que a porradaria tenha diminuído, mas porque já estava completamente demolida, mas não perdeu a oportunidade de enlouquecer com a intro que anunciava uma das canções mais icônicas do POSSESSED, "The Exorcist". Novidade isto não é. Essa música já enlouqueceu muita gente no mundo inteiro.

Jeff pergunta se os caras já estão cansados. A resposta veio na forma de um fã que consegue furar o bloqueio e lhe dar um abraço. A banda retribui o carinho mandando outro de seus maiores sucessos, "Pentagram". Portanto, hora de parar de escrever está merda e ir curtir com a galera, todos fazendo o símbolo de Dio.

Após "Burning in Hell", Jeff se ausenta do palco, e a galera grita. "POSSESSED", "POSSESSED", "POSSESSED" . O calor é grande e isto está bem visível no rosto do vocalista e dos quatro músicos que o acompanham. Mas foi apenas uma pausa para uma água e para passar uma toalha no rosto. Logo o quinteto está de volta ao palco.

O som estava perfeito. E apesar da grande performance dos dois guitarristas que acompanham Jeff (e dividem solos que pareciam ainda mais destruidores que as versões dos discos dos anos 80), Daniel Gonzalez e Mike Pardi (que também toca na banda DRACONES, cujo CD adquiri durante o evento e gostei bastante) e do baixista Robert Cardenas que chega a dividir os vocais com ele na faixa que dá nome ao primeiro full-length de death metal, "Seven Churches", é o baterista Emilio Marquez que, mesmo sem fazer nenhum solo, hipnotiza os presentes deixando-os paralisados de olhos no palco enquanto castiga seu kit. "O baterista" ou "os bateristas"? O homem passeava com tranquilidade por todo o kit, alcançava sons impossíveis e, como cheguei a falar para o próprio, parecia dois.

O show continuou com mais petardos dos discos "Seven Churches, tocado praticamente na íntegra, e "Beyond The Gates", incluindo as ótimas "Holy Hell", "Twisted Minds", a bombástica "Fallen Angel" (com seu "barulho de sinos"), terminando um dos melhores shows de 2013 com a música que deu o nome ao estilo de metal que mais quebra pescoços e chuta bundas, "Death Metal".

O que se pode sentir por quem curte metal e ousou perder o show do POSSESSED naquela noite de sábado para domingo é pena, por que foi, sem dúvida, um dos melhores shows internacionais de metal em Fortaleza em 2013. E não faltaram atrações neste ano que ainda promete muito, com SOULFLY, DESTRUCTION, MPIRE OF EVIL, ARTILLERY e ONSLAUGHT (os três últimos em um festival em novembro, organizado pela Underground Produções, a produtora responsável pelos shows do POSSESSED na América Latina).

Não havia um pescoço inteiro ao fim do show e uma boa parte dos presentes se rendeu e foi embora. No entanto, apesar do cansaço e do horário, um bom número de bravos continuou no local para ver o show da LUSTFER (que agora seria a banda de encerramento da noite) com um death/black metal poderoso nas melodias e harmonias criadas pelo guitarrista e pelo baixista. Era o fim do evento e a Underground Produções está de parabéns por ter organizado mais um show de qualidade em uma cidade que é sedenta por shows de metal. Quanto ao local do show, o veredito final é de aprovação.

Crédito das Fotos: Victor Rasga (Arquivo Underground)

Set List

Intro - The Heretic
The Eyes of Horror
Tribulation
Beyond the Gates
Seance
The Crimson Spike
My Belief
Storm in My Mind
Confessions
Swing of the Axe
(Intro) The Exorcist
(Intro) Pentagram
Burning in Hell
Evil Warriors
Seven Churches
Satan's Curse
Holy Hell
Twisted Minds
Fallen Angel
Death Metal

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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