Angra: All That Metal faz resenha do show em Porto Alegre

Resenha - Angra (Bar Opinião, Porto Alegre, 01/08/2013)

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Por Paola Rebelo, Fonte: All That Metal
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Esta matéria foi publicada originalmente no blog All That Metal (http://allthatmetal.blogspot.com.br/2013/08/review-de-show-angra-em-porto-alegre.html), onde pode ser conferida a galeria do fotógrafo Tiago Alano, com mais de 120 fotos do show.

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Na quinta-feira (1º de agosto), o Bar Opinião sediou o show de uma das bandas mais icônicas do cenário do metal nacional. O Angra, trazido para Porto Alegre pela produtora Abstratti, conta atualmente com Rafael Bittencourt , o único membro fundador da banda, e Kiko Loureiro nas guitarras, Felipe Andreoli no baixo e Ricardo Confessori na bateria. Com a saída do vocalista Edu Falaschi em maio do ano passado, o italiano Fabio Lione (Rhapsody of Fire) foi convidado para assumir o microfone durante essa turnê, enquanto a banda não encontra um novo vocalista fixo.

Às 20h15, a banda Sastras foi a primeira a subir no palco. Formada na cidade de Butiá em 2005, o diferencial da banda de metal melódico são as músicas cantadas em português, com temáticas relacionadas à história do Rio Grande do Sul. Sua formação atual conta com Nathy Pfützer nos vocais, Rudy Moraes na guitarra, Thiago Moreira no baixo e Thiago Battisti na bateria, contando também com a participação especial do guitarrista Eduardo Martinez (Hangar). Em um show de meia hora, a banda apresentou quatro canções próprias, incluindo o single "Escrituras Reveladas" e "Chacal", do EP conceitual chamado CHACAL: Em Busca do Destino, que será lançado gratuitamente no dia 10 de agosto pelo site oficial da Sastras. Com direito a um solo de bateria de Battisti e a excelente performance de todos os membros da banda, em especial a vocalista Nathy Pfützer, a banda conquistou aplausos e gritos do público que já enchia a casa para assistir ao Angra.

A segunda banda de abertura da noite, Datavenia, começou sua apresentação às 21h05. O grupo, formado no município de Frederico Westphalen em 2007, tem como proposta um som mais puxado para o thrash, e conta com as influências de bandas como Metallica, Pantera, Motörhead e Sepultura, entre outros. A banda é formada por Eduardo Luís Pegoraro, Quatrin Dos Santos, Guilherme Argenta e Guilherme Mello, e suas músicas podem ser ouvidas em seu, assim como informações de seus próximos shows podem ser conferidas em sua página no Facebook.

A banda optou por tocar não só suas músicas próprias, mas também alguns covers de clássicos do metal. Assim, o show foi iniciado com "Sad But True" (Metallica), seguido de "Bang Your Head", uma de suas canções próprias. Com competência e uma incrível presença de palco, Datavenia conseguiu agitar a casa enquanto se deslocava de Black Label Society e Pantera até suas músicas autorais. Às 21h40, fechou o show com um impecável cover de “A Tout Le Monde” (Megadeth), fazendo com que todas as vozes presentes se juntassem à do vocalista Guilherme Mello.

Com um atraso de cerca de meia hora, Angra começou sua apresentação com a longa faixa introdutória “Unfinished Allegro” de seu trabalho de estreia, Angels Cry (1993), seguida da música homônima ao título do álbum. Desde o início, Lione mostrou que, além de sua voz potente e ressonante e de sua impecável presença de palco, também exibia muita simpatia e carisma, e recheou o show do de cabo a rabo com interações com a plateia, ora em inglês, ora em espanhol. Após a acelerada “Nothing to Say”, o vocalista anuncia que um dos fãs na plateia, que estava na grade no show do Kamelot em Porto Alegre (na época em que Lione substituía o ex-frontman da banda, Roy Khan), estava de aniversário. Após conseguir localizar o rapaz para parabenizá-lo, “Waiting Silence” foi a próxima canção escolhida, com um instrumental um pouco diferenciado da versão de estúdio que incluiu um solo de baixo de Andreoli.

De volta às origens do Angels Cry, “Time” foi seguida de “Lisbon”, canção destaque do álbum Fireworks (1998), tocada com o som do teclado gravado, pela ausência de um tecladista. Já em “Millennium Sun”, por sua vez, Kiko Loureiro abandonou temporariamente sua guitarra para assumir as teclas. Sempre conversando com o público no intervalo entre as músicas, em um espanglês de difícil compreensão em alguns momentos, Lione prometeu que na próxima vez que vier ao Brasil já terá aprendido português.

Ainda com Kiko Loureiro no teclado, Felipe Andreoli assumiu as passagens cantadas por Hansi Kürsch (Blind Guardian) na faixa "Winds of Destination", enquanto Lione seguia com sua magistral interpretação das partes cantadas por Edu Falaschi. Em “Gentle Change”, Loureiro auxiliou Ricardo Confessori na percussão, enquanto Rafael dividiu os vocais com Fabio Lione. Em seguida, em “The Rage of the Waters”, o vocalista italiano deixa o palco, e Bittencourt assume inteiramente os vocais. De volta para o público, Lione apresenta com louvor todas as suas técnicas de interpretação na melodiosa "Silence and Distance", em uma perfeita aula de comunicação com o público, sem que sua voz jamais perca a força e desafine em uma nota sequer. Após "Wings of Reality", Lione, Felipe Andreoli e Ricardo Confessori deixam o show ao cargo apenas de Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro.

Uma fã, que conheceu pessoalmente a banda no cruzeiro 7000 Tons of Metal, foi convidada a se unir aos dois no palco. Em um ambiente acústico, sentados em cadeiras com apenas violões e microfones, Rafael discursa um pouco sobre a trajetória do Angra, e falou sobre como as músicas que eles escrevem geralmente são compostas primeiramente para violão, e depois passadas para a guitarra. Com apenas os violões dele e de Kiko, Rafael cantou a comovente balada “Reaching Horizons” e, mesmo sem possuir a pujante voz de André Matos, vocalista original da faixa, não deixou a desejar em sua performance, apostando em elementos mais singelos que destacaram o coeficiente emocional da canção.

Antes de tocar a exótica “Late Redemption”, Bittencourt falou sobre o processo criativo dessa canção de que a banda tanto se orgulha, e como foi trabalhar com Milton Nascimento durante sua gravação. Nessa faixa, Kiko Loureiro assumiu a voz de Nascimento, enquanto Rafael Bittencourt cantou as estrofes que antes pertenciam a Edu Falaschi. Os dois guitarristas aproveitaram aquele momento mais intimista do show para falar sobre o ex-integrantes da banda, citando o nome de cada um deles e dizendo que aquela turnê não comemorava apenas os 20 anos do álbum Angels Cry, mas também os 22 anos de existência do Angra. “É uma entidade, cada um que passa por ela deixa seus valores”, afirma Kiko Loureiro, “mas uma banda é muito mais do que só esse somatório de pessoas”.

Rafael protagonizou o microfone mais uma vez enquanto dividia os acordes de violão com Kiko em “Make Believe” e, surpreendentemente, encerraram o momento acústico do show com “Queen of the Night”. A faixa fazia parte apenas da versão japonesa do álbum Holy Land (1996), e só veio a ser lançada oficialmente no Brasil no EP Freedom Call, em uma versão remixada e menos orquestrada do que a original.

O resto da banda e Fabio Lione retornam ao palco e cobrem suavemente o momento de maior proximidade dos dois guitarristas com o público com a melancólica balada “No Pain for the Dead”. O ritmo se torna um pouco mais veloz em “Evil Warning”, e a plateia que antes se mantinha respeitosamente contida nas músicas que antecederam retornou ao seu status de um público de heavy metal, com entusiasmo e exaltação. Fabio Lione e os membros Angra deixaram os fãs clamando seus nomes para traz por alguns minutos, porém todos sabiam que o show ainda não havia encontrado o seu fim.

Os bons ventos do bis trouxeram as músicas que a plateia passou a noite desejando ouvir. “Nova Era” e “Rebirth” foram cantadas por Lione com auxílio de todas as vozes que encheram o Bar Opinião para o show daquela noite. O italiano aproveita esses últimos momentos em contato com os porto-alegrenses para falar (em seu bom espanglês) sobre seu apreço pelos trabalhos do Angra, e como o considera uma das bandas mais importantes do cenário mundial do heavy metal.

O grand finale foi, evidentemente, “Carry On”. A canção lançada em 1993 pelo álbum Angels Cry, mesmo 20 anos depois, continua sendo o sucesso mais icástico da carreira do Angra. Apesar do desempenho impecável de Fabio Lione durante todo o show, tanto na questão de sua qualidade sonora como em seu comportamento e interação com o público, seu único deslize se deu durante a música mais famosa e esperada pelos fãs. No momento em que veríamos do que a intensa voz do vocalista convidado seria capaz, nas agudíssimas notas cantadas por André Matos na versão de estúdio, ele esqueceu a letra e trocou risadas com Rafael Bittencourt. Um errinho logicamente perdoado pelo público, que cantava animado sem se importar se o cantor deixou de acompanhá-los por um instante sequer.

Faltavam apenas dez minutos para a uma hora da madrugada quando a banda se despedia do público de Porto Alegre, distribuindo agradecimentos, palavras afáveis, palhetas e baquetas. Não se sabe ainda quem assumirá os vocais do Angra daqui para frente ou quando será lançado um novo álbum, mas se sabe que essa turnê foi um importante marco na história da banda. Os fãs de power metal jamais esquecerão o dia em que puderam testemunhar a união da maior representante do estilo do Brasil com um dos maiores vocalistas do cenário mundial.

Setlist:
1 - Angels Cry
2 - Nothing to Say
3 - Waiting Silence
4 - Time
5 - Lisbon
6 - Millennium Sun
7 - Winds of Destination
8 - Gentle Change
9 - The Rage of the Waters
10 - Silence and Distance
11 - Wings of Reality
12 - Reaching Horizons
13 - Late Redemption
14 - Make Believe
15 - Queen of the Night
16 - No Pain for the Dead
17 - Evil Warning
18 - Nova Era
19 - Rebirth
20 - Carry On

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