Aerosmith e Cheap Trick: Agitando o Air Canada Centre
Resenha - Aerosmith, Cheap Trick (ACC, Toronto, 27/06/2012)
Por Mick Balboa
Postado em 29 de julho de 2012
De volta ao Canadá após dois anos, o Aerosmith fez um show espetacular em Toronto. Contando com o Cheap Trick como banda de abertura, eles agitaram o público de 13,000 pessoas no Air Canada Centre em uma das paradas da Global Warming Tour.
O Cheap Trick, liderado pelo guitarrista Rick Nielsen, com seu característico boné de baseball, e contando com se filho Daxx na bateria (substituindo Bun E. Carlos, que ainda é membro da banda, mas não participa mais das turnês desde 2010), tocou clássicos como Surrender, I Want You to Want Me e Dream Police durante uma hora de show. O vocalista Robin Zander (vestindo um uniforme militar preto) e o baixista Tom Petersson agitaram o tempo todo, e o público correspondeu. Mas não chegou nem perto de obscurecer o Aerosmith.
A banda de Illinois também está na quinta década de existência, mas já não faz o mesmo sucesso que seus colegas de Boston. O Aerosmith superou crises de relacionamento, doenças, machucados, mudanças na indústria e etc., e se estabeleceram como uma das poucas bandas de rock do mainstream.
O vocalista Steven Tyler e o guitarrista Joe Perry apareceram juntos na frente de uma grande passarela, após a introdução, e deram início ao show com "Draw the Line".
"Vocês sentiram nossa falta?" pergunta Tyler, que vai lentamente se livrando de seus acessórios, primeiro a cartola, depois os lenços, até ficar só de calça e camiseta, enquanto a banda tocava hits como "Love in an Elevator" e "Livin’ on the Edge".
http://www.stjohnsscene.com/aerosmith-toronto-live-review/untitled-50/
Steven é um dos melhores frontmen de todos os tempos. Ele correu, dançou e rebolou o tempo todo. Alternando-se entre tocar bateria sobre os ombros de Joey Kramer com seu próprio par de baquetas, bater nas cordas do baixo de Tom Hamilton enquanto este tocava, cantar de ombro colado com a backing vocal, e, é claro, cantar e gritar com a mesma intensidade selvagem e sensual de sempre, Demônio dos Gritos soou como há 10, 20, até 30 anos. Nenhuma fratura ou doença conseguiu abalar o seu astral. Ele também é um homem que ama sua banda e seu público, não desperdiçando chances de cumprimentar as pessoas sentadas em frente ao palco.
Joe Perry é um monstro. Um dos poucos Titãs da guitarra da indústria musical atualmente, ele demonstrou talento e vitalidade para continuar no ramo por muitos anos. Seu solo foi matador, bem no estilo de Jimmy Page. Ele também tocou teclado durante "Rag Doll".
Brad Whitford contribui efetivamente, ainda que sem tanto destaque, para os riffs matadores que Perry extrai de sua guitarra. Ele também teve seu momento de destaque fazendo um solo antes de introduzir "Last Child".
Kramer fez um grande solo de bateria, dinâmico e épico. Agitou muito a audiência e até abandonou as baquetas, esmurrando os bumbos com as mãos nuas. No resto do concerto, ele foi discreto e seguro, como sempre.
A banda também conta com duas backing vocals, uma saxofonista e um tecladista.
A audiência apresentava gente de todas as idades. Havia gente que é fã desde o álbum de estreia, lançado em 1973, os que conheceram a banda após o ressurgimento nos anos 80 quando o Run DMC remixou "Walk This Way", e os fãs que eram crianças pequenas quando a banda lançou o último álbum de estreia, "Just Push Play", em 2001.
Tecnicamente, o concerto ocorreu sem maiores problemas. As músicas ainda duas músicas inéditas tocadas, "Legenday Child" e "Oh Yeah", foram bem recebidas e o público vibrou quando os clássicos como "Walk This Way" e "What It Takes" foram tocados.
As blueseiras "S.O.S. (Too Bad)" e "Big Ten Inch Record", se não empolgaram, foram ao menos surpresas interessantes. Joe Perry fez um solo sombrio, antes de "Boogie Man" e assumiu os vocais em "Combination", mostrando outra faceta não tão conhecida de seu vasto talento.
No bis, "Dream On" emocionou a todos. Tyler surgiu no fundo do palco sentado num piano branco, depois Perry se juntou a ele, a banda toda discretamente tomou seu lugar e tocaram a baladaça clássica lançada originalmente em 1973. Para finalizar o serviço, "Train Kept A-Rollin", um dos clássicos supremos do Rock, foi tocada, colocando a cereja no bolo.
O Aerosmith se despediu dos fãs sob uma chuva de papel picado, após cumprirem mais uma vez sua tarefa de demonstrar porque são uma das melhores bandas da história.
Setlist do Cheap Trick
• Hello There
• Elo Kiddies
• California Man
• Ain't That A Shame
• Never Had a Lot to Lose
• Baby Loves To Rock
• Sick Man of Europe
• Need Your Love
• I Know What I Want
• Surrender
• The Flame
• I Want You to Want Me
• Dream Police
• Goodnight
SET LIST do Aerosmith:
Draw the Line
Love in an Elevator
Oh Yeah
Livin’ on the Edge
Cryin’
S.O.S. (Too Bad)
Last Child
Solo de bateria
Rag Doll
Boogie Man
Combination
What It Takes
No More No More
Legendary Child
I Don’t Want To Miss a Thing
Big Ten Inch Record
Sweet Emotion
Walk This Way
Bis:
Dream On
Train Kept A-Rollin’
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