Roger Hodgson: sucessos do passado e prog de primeira

Resenha - Roger Hodgson (Siará Hall, Fortaleza, 04/05/2012)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O ex-TITÃS, NANDO REIS, uma vez publicou em sua conta no twitter que os atrasos dos artistas em seus shows são, às vezes, solicitados pelos próprios donos da casa, para faturarem mais com a venda de bebidas e comidas. Não há como saber se foi esse o caso do show do ex-SUPERTRAMP, ROGER HODGSON, em Fortaleza na última sexta-feira, mas o fato é que, enquanto as mesas eram ocupadas e a área de pista lotava, esperamos que os músicos entrassem no palco por exatas duas horas sem razão aparente para tanta demora (havia pouco movimento de roadies e quase nenhuma passagem de som).

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De certa forma, o atraso pode até ter ajudado àqueles que não poderiam comparecer tão cedo à casa de shows em uma sexta-feira. Quando os músicos entraram no palco (decorado com belas plantas, como já é costume nas apresentações de HODGSON), esta já estava completamente lotada.

Finalmente, por volta de onze e meia da noite, os músicos entraram no palco e começaram a executar o hit "Take The Long Way Home", levando a platéia (formada tanto por jovens na casa dos vinte anos quanto por jovens com carteiras de identidade mais velhas) ao delírio. Foram 14 anos e duas horas de uma longa espera que tinha finalmente acabado. Quando ROGER HODGSON esteve em Fortaleza pela primeira vez, não pude assistir ao show por absoluta falta de grana. 14 anos, coincidentemente, é o mesmo tempo que HODGSON passou no SUPERTRAMP. E em seus shows (tanto os acústicos quanto os em que é acompanhado por uma banda) Roger canta principalmente os sucessos do SUPERTRAMP que foram compostos por ele. Embora as canções fossem sempre creditadas a ele e seu ex-parceiro Rick Davies, são dele os maiores hits radiofônicos, ou seja, o show era "praticamente" um show do SUPERTRAMP.

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Nesta turnê, Roger veio acompanhado de uma banda competente mas sem destaques individuais (exceção do multi-tarefa Aaron Macdonald, que não deixava a desejar no clímax das músicas com seus solos de Saxofone ou gaita e ainda dava boas contribuições nos teclados e backing-vocals). Roger, além de cantar também se alternava entre teclado, piano e violão, enquanto Kevin Adamson (o único membro da banda que parecia ter um pouco mais de idade) ficava logo atrás em um segundo teclado, Dave Carpenter tocava baixo e, atrás de uma estranha estrutura de vidro, Bryan Head ficava a cargo das baquetas.

Na entrada da casa, tínhamos recebido um bonito flyer com uma lista das canções que eram comumente tocadas na turnê, um ponto positivo para a produção, mas eu preferi acompanhar o set-list do show anterior, em Recife, que eu levara impresso.

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E o set-list seguia praticamente idêntico: "School", "In Jeopardy", a bela "Lovers In The Wind" (estas duas últimas da carreira solo de HODGSON), tocada por ele ao piano e, segundo o mesmo, homenageando a todos os que amam. Após voltar ao teclado para "Hide In Your Shell", ocorreu ma pequena mudança em relação ao show de Recife com a inclusão de "Sister Moonshine", do disco "Is Everybody Listening?". Uma boa troca, em minha opinião.

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O show prosseguiu com o grande sucesso "Breakfast in America", que Roger, em um gracejo óbvio, chamou de "Breakfast in Brazil", homenageando o público feminino de Fortaleza. Antes de pegar novamente o violão para "C'est Le Bon", um fato inusitado. Roger exibiu o cartaz de um casal de noivos que pedia que ele assinasse o nome da música em seus braços, para que eles, posteriormente, eternizassem a data com tatuagens.

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Em seguida, "The Logical Song" e um dos melhores momentos do show até ali (digo, para mim, não para a maioria da plateia ávida por músicas mais, digamos, facinhas): o duelo de três teclados em "Child of Vision". E após uma breve conversa de Hodgson com Macdonald, percebi que viveria novamente, em menos de um mês, uma experiência frustrante, um show com setlist encurtado (a outra vez foi naquele tal festival que não quero citar o nome).

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Felizmente, o show não foi tão encurtado assim. "Lord Is It Mine" (da carreira solo), "Don't Leave Me Now" (com o que mais chegou perto de um solo de bateria na noite) e "Dreamer" ainda se fizeram presentes. E, finalmente, Roger perguntou à platéia se ainda teriam disposição para uma longa suite. Era hora de "Fool's Overture". Tirei os óculos para que não caíssem junto aos cadaços de ROGER HODGSON e por que não iria precisar deles estando de olhos fechados. E pra quem acha que não é possível bangear em uma canção de rock progressivo, eu afirmo: é possível, sim!!! E minhas costas ratificaram isso nos dois dias seguintes.

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Somente com a saída dos músicos do palco e sua volta para o bis, o público nas mesas pareceu notar que estava em um show de rock e não em uma churrascaria, correndo para a frente do palco e curtindo, assim como a galera da pista, os dois ultimos sucessos da noite: "Give A Little Bit" e "It's Raining Again".

Com avião para Campinas marcado para dali a quatro horas, a banda enfim se despediu e pôs fim a uma noite intensa de sucessos do passado e rock progressivo de primeira.

O setlist completo foi:

Take the long way home
School
In Jeopardy
Lovers in the Wind
Hide in Your Shell
Sister Moonshine
Breakfast in America
C'est le Bon
The Logical Song
Child of Vision
Lord is it Mine
Don't Leave Me Now
Dreamer
Fool's Overture

Bis:
Give a little bit
It's Raining Again

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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