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Tarja: resenha e galeria de fotos do show de Porto Alegre

Resenha - Tarja Turunen (Opinião, Porto Alegre, 04/04/2012)

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Por Paulo Finatto Jr.
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O show de TARJA TURUNEN dispensa qualquer tipo de cerimônia ou de comentário prévio. Com uma carreira construída de maneira extremamente sólida ao lado do NIGHTWISH, a vocalista iniciou em 2007 uma trajetória solo que conquista a cada ano um número ainda maior de fervorosos adeptos. O seu mais recente álbum, intitulado "What Lies Beneath" (2010), é a prova maior de que a cantora permanece com a coroa de maior diva do metal mundial. Portanto, o que era o esperado para a noite da última quarta-feira realmente se concretizou. Os fãs que compareceram ao Opinião presenciaram mais um show inesquecível da finlandesa por aqui.

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Fotos: Liny Rocks (http://www.flickr.com/linyrocks)

O fanatismo extremo pela cantora não é surpresa para ninguém. A fila que foi formada em frente ao local ainda pela manhã impressionou apenas quem desconhece o passado de muito sucesso da ex-NIGHTWISH. O show de abertura iniciou pontualmente às 21h para um público que ocupava boa parte da pista e dos setores adjacentes do Opinião. O espetáculo dos gaúchos da NOCTIS NOTUS animou os presentes com um metal sinfônico muito similar ao que a banda do tecladista Tuomas Holopainen executava nos discos "Wishmaster" (2000) e "Century Child" (2002). O destaque ficou por conta da vocalista Juliana Novo e para o cover "Phantom of the Opera". O show foi excelente e agradou a plateia na medida certa. A sonoridade da banda – que alia aos elementos orquestrais um pouco de thrash metal – mostrou que tem capacidade para arriscar voos mais altos daqui para frente.

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O intervalo entre as duas performances foi o momento adequado para que os mais insistentes pudessem conseguir o ‘free pass’ para conhecer TARJA TURUNEN no camarim. Os poucos fãs que foram presenteados com esse direito estampavam no rosto – e também no modo como ainda tremiam – a felicidade por ter um autógrafo e uma foto ao lado da diva do metal. A cantora subiu ao palco precisamente às 22h10 abaixo de uma chuva de gritos histéricos de um público jovem e extremamente ansioso para o grande espetáculo da noite. A longa intro serviu como pano de fundo perfeito que para TARJA TURUNEN e a sua banda, que conta com Alex Scholpp (guitarra), Kevin Chown (baixo), Christian Kretschmar (teclado), Max Lilja (cello e ex-APOCALYPTICA) e com o sensacional Mike Terrana (bateria) entrassem em cena com um ambiente extremamente favorável. A abertura ficou por conta da ótima "Anterrom of Death", que evidenciou todo o peso da carreira solo da cantora e o som excepcional que saía dos PA’s da casa. O público pulou muito e cantou toda a letra.

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O som impecável do Opinião mostrava toda a virtude técnica da banda e da sua principal estrela. O baterista Mike Terrana é um exímio instrumentista e pouco precisa provar ao vivo todo o status que contorna o seu nome. No entanto, o restante do grupo surpreendeu quem pouco acompanha o cenário periférico e as bandas (ou ex-bandas) de Alex Scholpp e de Kevin Chown. O calor do público era tanto que a cantora agradeceu o carinho em um legível português antes de "My Little Phoenix" – um dos momentos mais intensos do espetáculo. O resultado foi excepcional e deixou muita gente de queixo caído por conta de uma performance simplesmente espetacular de TARJA TURUNEN. O repertório ainda tinha na manga as pesadas "Dark Star" e "Falling Awake" – que destacaram o apoio incondicional da plateia. Os gaúchos cantaram junto com a finlandesa e ainda conseguiram extrair um novo sorriso da vocalista a cada bichinho que pelúcia que era arremessado ao palco.

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A simpatia de TARJA TURUNEN é um fato que precisa ser mencionado. Embora o carinho do público seja um pouco difícil de ser dimensionado, a vocalista parece retribuir cada um dos gestos mais afetivos da plateia. A consequência disso é um show envolvente e que agrada a plateia – sobretudo o mais jovem – de maneira realmente ímpar. Na sequência, a balada "I Walk Alone" foi dedicada ao público, que mais uma vez cantou com a ex-NIGHTWISH. A música retirada do debut "My Winter Storm" (2007) mostrou toda a sua eficiência para permanecer ainda no set-list da cantora. Em seguida, a banda deixou o palco para que Mike Terrana executasse um brilhante solo de bateria. O cara é realmente incrível e impressionou todos com muito malabarismo e intensidade. No retorno do conjunto, a pesada "Little Lies" comprovou definitivamente que o direcionamento da carreira solo de TARJA TURUNEN nada pode ser comparado com o atual momento da sua ex-banda. O seu metal é muito mais pesado e interessante.

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A continuidade do espetáculo proporcionou uma quebra proposital ao clima denso e agressivo criado por "Little Lies". A atmosférica "Underneath" antecedeu o primeiro – e curiosamente – penúltimo momento que revisitou o passado da cantora com o NIGHTWISH. Não há dúvidas de que a faixa "Bless the Child" animou o público. Porém, nada diferente do que havia acontecido antes com as músicas próprias da vocalista. A verdade é que as faixas da sua ex-banda ainda possuem uma áurea especial, mas fica muitíssimo claro que a carreira solo da cantora atingiu o mesmo nível de grandeza. A teoria foi comprovada com pequeno set acústico montado no meio do show. As músicas "Sing for Me" e "I Feel Immortal" contaram mais uma vez com as vozes de apoio da plateia que permanecia ensandecida com a proximidade de TARJA TURUNEN aos seus olhos.

Na sequência do espetáculo, o set-list deu novamente foco ao metal na sua mais pura essência. Porém, a música "Never Enough" não segue a mesma linha das faixas mais pesadas de "My Winter Storm" (2007) e tampouco de "What Lies Beneath" (2010). A música – que pode ser considerada nova – mostra uma proximidade com aquilo que o NIGHTWISH fez de mais comercial em "Nemo". Entretanto, a novidade mostrou potência e qualidade para figurar com destaque em um próximo disco da cantora – que já foi inclusive anunciado para em breve no seu site oficial. O público cantou novamente junto durante a pesada "In for a Kill" – música que encerrou a primeira parte do show. Na volta para o bis, mais um momento para relembrar os anos dourados de TARJA TURUNEN ao lado do NIGHTWISH: "Over the Hills and Far Away" contou com uma resposta à altura do clássico de GARY MOORE e praticamente extenuou o público. O encerramento do espetáculo foi com "Die Alive" e a imprescindível (e excelente) "Until My Last Breath".

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O show durou pouco mais de 1h30. Entretanto, o tempo foi mais do que suficiente para levar o público gaúcho ao delírio e uma pequena parcela mais fanática às lágrimas. Com a promessa de retornar à cidade, TARJA TURUNEN se despediu com a certeza de que a turnê de "What Lies Beneath" (2010) será encerrada em altíssimo nível com outros três shows aqui Brasil. O espetáculo em Porto Alegre – que no mínimo deve ser apontado como excelente – deixou definitivamente claro que a ex-NIGHTWISH não depende do seu antigo grupo – e tampouco de Tuomas Holopainen – para fazer sucesso. No ano em que vai completar trinta e cinco anos de idade, TARJA TURUNEN evidenciou também que está em perfeita forma. Os que não compareceram ao Opinião certamente perderam um show incrível e que dificilmente vai possuir um concorrente à altura em 2012. A expectativa agora é para que o retorno da diva do metal realmente se concretize em um futuro não muito distante.

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Set-list:

01. Anteroom of Death
02. My Little Phoenix
03. Dark Star
04. Falling Awake
05. I Walk Alone
06. Drum Solo
07. Little Lies
08. Underneath
09. Bless the Child (Nightwish)
10. Rivers of Lust/Minor Heaven/Sing for Me/I Feel Immortal
11. Never Enough
12. In for a Kill
13. Over the Hills and Far Away (Gary Moore)
14. Die Alive
15. Until My Last Breath

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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