Overkill: aula de Thrash Metal em São Paulo
Resenha - Overkill (Carioca Club, São Paulo, 05/11/2011)
Por Durr Campos
Postado em 06 de novembro de 2011
Uma aula de thrash metal! Esta é a perfeita definição para o que presenciei no Carioca Club no último sábado, 5 de novembro, quando os norte-americanos do OVERKILL, veteranos no estilo, estiveram na capital paulista pela terceira vez em uma década para desfilar todo o seu poderio sonoro em cerca de uma hora e vinte minutos de peso, velocidade, muita propriedade e os vocais – perfeitos para o gênero – do mítico Bobby "Blitz" Ellisworth que, ao lado do baixista D.D Verni, mantém a banda na ativa há 30 anos.
Texto: Durr Campos/ Fotos: Pierre Cortes
A Negri Concerts, responsável por trazer o quinteto ao país, já é especialista em promover ótimas turnês de grandes nomes internacionais. Em 2011, pelo menos quinze shows tiveram o nome da empresa envolvido. Nem parece, mas há 20 anos essa realidade era completamente oposta quando pensávamos em concertos desse porte por aqui. Bem, isso é assunto para outro momento, vamos ao que interessa: o OVERKILL. O line-up permaneceu o mesmo desde a última visita ao Brasil no ano passado, ou seja, além de Bobby e D.D, vieram os guitarristas Dave Linsk e Derek Tailer, além do exímio baterista Ron Lipnicki.
Torture Squad - Mais Novidades


Antes, porém, falemos do opening act da noite, nada mais nada menos que o TORTURE SQUAD, recém-chegado de uma bem-sucedida turnê na Europa. Acreditem ou não, mas eu nunca os vi ao vivo até aquela noite em que, para minha sorte, realizaram um baita show! Tá certo que o tempo destinado ao quarteto foi bastante modesto – cerca de 30 minutos, mas os músicos souberam aproveitar cada segundo e desfilaram um repertório de respeito. O vocalista Vitor Rodrigues é um dos front-man mais vigorosos que já pude assistir, assim como Castor (baixo), Almicar Cristófaro (bateria) e o mais novo membro da "tortura", o guitarrista André Evaristo, ótimos no que fazem. Destaques para as músicas "Pandemonium" e "Generation Dead".


Breve pausa para adaptações no palco, pontualmente às 20h o OVERKILL já estava em cena com "The Green and Black", que também abre o mais recente álbum deles, Ironbound, lançado em 2010, seguida da excepcional "Rotten to the Core" – do primeiro, Feel the Fire (1985), cantada em uníssono – e "Wrecking Crew", clássico absoluto do irretocável Taking Over (1987). Bobby não parava de agitar um segundo sequer, realizando aquelas corridinhas até o pedestal características. Ali já era nítida a interação entre banda e audiência, bem como a qualidade de som no Carioca, que estava beirando a perfeição.


De volta ao início dos anos noventa com o álbum "Horroscope" (1991), seguiram com "Infectious", uma das mais interessantes daquele registro, assim como as duas seguintes, "Bring Me the Night", outra das novas, e a velocíssima "Hammerhead", presente no já citado debut. Ótimas escolhas, especialmente pela semelhança na estrutura e soluções de ambas as canções, mesmo que 25 anos as separem na discografia do grupo. "Ironbound" foi um dos highlights da apresentação. Já conhecida da maioria, pessoalmente acho-a uma das mais intricadas do OVERKILL e detentora de uma das linhas de guitarra mais belas já forjadas dentro deste estilo musical que idolatramos.
"Coma", a segunda do Horroscope tocada, provocou um mosh-pit impressionante, intensificado por uma de minhas favoritas de todos os tempos, "Hello from the Gutter", do terceiro álbum Under the Influence (1988). Vale lembrar que este foi o single daquele disco, que anos mais tarde apareceu em um episódio da série escrachada Beavis and Butt-head. "Bastard Nation", infelizmente única tocada do W.F.O. (Wide Fucking Open), de 1994, encerrou a primeira parte do set.


O encore teve início com "Elimination", do Years of Decay" (1989), outra estrela solitária de um álbum tão importante. Pela reação geral, incluindo aí um empolgadíssimo Vitor Rodrigues (Torture Squad), poderiam ter tocado mais umas cinco daquele trabalho que ninguém iria reclamar. Para encerrar, dois covers(!): "Fuck You", dos punks do The Subhumans, e a versão maravilhosa de Dirty Deeds Done Dirt Cheap, do AC/DC. Penso que seria mais prudente incluírem mais canções próprias haja vista a limitação de horário exigida pela casa, mas a competência com que executaram ambas me venceu e quando percebi já estava cantando junto.
Set-list do Overkill:
1. The Green and Black
2. Rotten to the Core
3. Wrecking Crew
4. Infectious
5. Bring Me the Night
6. Hammerhead
7. Ironbound
8. Coma
9. Hello from the Gutter
10. Bastard Nation
Encore:
11. Elimination
12. Fuck You (The Subhumans cover)
13. Dirty Deeds Done Dirt Cheap (AC/DC cover)


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