System Of A Down: Showzaço na Argentina com setlist matador

Resenha - System Of A Down (GEBA, Buenos Aires, 05/10/2011)

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Por Débora Reoly
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Após um hiato de cinco anos fora dos palcos, o System Of a Down finalmente retorna com os seus quatro integrantes originais: Daron Malakian (vocais e guitarra), Serj Tankian (vocais e teclado), Shavo Odadjian (baixo) e John Dolmayan (bateria) para uma turnê de reunião. Pela primeira vez a banda se apresentaria na América do Sul. Com o show no Rock in Rio, outras datas na América do Sul foram marcadas Em Buenos Aires, o show era após a apresentação em SP e no RJ e o público já sabia o que que viria pela frente pois havia assistido a apresentação da banda pela transmissão do Rock in Rio no Youtube. Porém havia surpresas por vir.

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Fotos: Victor Guagnini (show), Débora Reoly (fila)

Na época em que o Rock in Rio divulgou a enquete em seu site para votação das bandas que o público mais gostaria de assistir no festival e o System Of a Down estava entre elas, fiz uma verdadeira campanha pela internet nas comunidades do Orkut, Facebook, Twitter e enviava seguido notas ao Whiplash! sobre a votação grande votação que o SOAD estava tendo, com a esperança de assim mais fãs da banda votarem. E devido à união em massa de todos os fãs, o System Of a Down foi a banda mais votada da enquete. Porém, o anúncio de sua vinda ao Rock in Rio ainda levou algum tempo (devido a trâmites de negociação) o que diminuia a esperança de vê-los no festival, mas ainda assim, confiantes. Quando a banda foi anunciada oficialmente, os ingressos esgotaram em 48 horas e eu, justamente eu que tanto havia lutado para a vinda do SOAD ao Brasil havia ficado sem ingresso.

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O show na Chácara do Jockey estava fora do meu orçamento, e as tratativas com cambistas por ingresso do Rock in Rio era inaceitável, tamanho o valor abusivo que estavam cobrando. E então numa noite tudo mudou. Pensei: "E porque não ir a Buenos Aires? A moeda é mais barata o que deixa o ingresso/ viagem/ hospedagem mais em conta do que eu me deslocar a São Paulo. Na mesma noite pesquisei hotel, uma rota, mas nenhum amigo pôde me acompanhar. Não desisti. Sozinha coloquei a mochila nas costas e viajei 1 dia de ônibus até Buenos Aires. Começava então minha grande aventura e eu tinha uma missão: conseguir ficar na grade do show. O que era quase impossível para uma "chica" de 1,55 de altura. Mas eu disse "quase impossível".

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Como eu não tinha ingresso e não conhecia ninguém na Argentina que pudesse comprar para mim, cheguei um dia antes em Buenos Aires. Foram 6 horas de ônibus de Ijui/RS até Uruguaiana/RS, mais uma espera de 3 horas na rodoviária e depois mais 22 horas de ônibus até Buenos Aires. Chegando a cidade, fui a pé até o hotel, deixei as mochilas e corri até a livraria El Ateneo comprar o ingresso (que por sorte não havia esgotado ainda, ao todo foram 20 mil ingressos vendidos).

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No dia seguinte as 9 horas da manhã peguei o trem até o GEBA, que fica no Parque 3 de Febrero. O trem passou do lado do GEBA, por uma ponte, onde deu para avistar todo o palco. Visualizei ali o corredor que separa o lado direito do esquerdo do palco e pensei "tenho que correr para o lado esquerdo, pois quero ficar em frente ao Daron".

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A fila infezlimente já era grande, os hermanos estavam acampados lá havia dois dias. Havia mais de cem pessoas na minha frente. Em poucas horas já virava a quadra. E às 17 horas, quando os portões se abriram, comecei a ter noção da desorganização deste show em alguns fatores. Ao invés de liberar aos poucos a entrada das pessoas, os seguranças simplesmente abriram o portão e aquele mar de gente foi se esmagando, correndo pelo caminho de terra de cerca de 150 metros até a próxima barreira. Neste pequeno percurso (pequeno, porém parecia interminável), vi muitas meninas caírem, sendo pisoteadas, outras estavam sendo amassadas contra as paredes de madeira laterais que fora construído para mostrar o caminho até a entrada do GEBA, havia bolsas, câmeras, óculos por todo o caminho, e não tinha como parar, nem como se desviar dos caídos, apenas ir em frente.

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A terra em Buenos Aires levanta um pó horrível, agora imagine milhares de pessoas entrando correndo ao mesmo tempo. Fez com que levantasse muito pó. Não dava se quer para enxergar, eu coloquei o rosto dentro da blusa e fui indo em frente, e então paramos em outra barreira que dividiu homens e mulheres. Nesta divisão corri logo para o lado das mulheres ficando entre o grupo das 50 primeiras. Porém ao liberarem esta barreira sequer nos revistaram e nem pegaram o ingresso, ou seja, eu poderia ter entrado sem ingresso! Comecei a correr, e enquanto todos se dirigiam para o mesmo local (lado direito do palco) eu fui direto dar a volta no corredor que havia visualizado do trem e fui para o lado esquerdo, em frente ao microfone do Daron.

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Aos poucos já foi ficando apertado ali pois ao meu lado ficaram duas pessoas de peso elevado, e eu miudinha era visto que iria sofrer. Mas pelo amor ao System Of a Down passaria por tudo isso, eu tinha que ir em frente, como havia passado por tantas coisas até então, e eu estava ali, na Argentina e em frente ao palco!!!!

Outro fato que deixou a desejar no show foram os seguranças. Aqui no Brasil normalmente são seguranças fortes e altos. Mas lá na Argentina eram de baixa estatura e até senhores de idade. Por outro lado, diferente do Brasil, todos eram gentis, conversavam conosco, traziam água free, e tiravam foto da gente. Mas quando começou o sufoco do show, eles tiveram que se virar muito para retirar as pessoas machucadas, quase não deram conta.

Me chamou a atenção na tarde dentro do GEBA o trem que passava por lá, cada vez que fazia o seu percurso por ali passava apitando freneticamente e ao anoitecer piscando as luzes inúmeras vezes, o que agitava a todos que esperavam ali pelo início do show.

As 19:00 horas a banda CABEZONES iniciou o show de abertura. Fazendo um New Metal com letras em castelhano. As letras eram bem melódicas e o instrumental bem arranjado. O vocalista tinha se acidentado há um tempo atrás de carro, onde perdeu alguns movimentos, e hoje em dia sobe ao palco com a ajuda de bengalas e mesmo assim, agita e bangueia. Nas últimas músicas que foram executadas participaram o vocalista da banda D-MENTE e Raul Alberto Antonio Gieco. Neste momento o público cantou e aplaudiu um pouco mais a banda. Na realidade todos queriam O System Of a Down, então durante a apresentação da banda de abertura a maioria do público não se manifestou. E passado a participação da Cabezones, eis que colocam a bandeira do SOAD na frente do palco, onde aparece sobressaído o logo ao fundo.

Pontualmente as 20:30 inicia os primeiros acordes de "Prison Song" caindo o pano branco em frente ao palco aos pés da banda ficando somente ao fundo o logo do SOAD. O empurra-empurra foi total, achei que morreria esmagada ali. Porém na intro de "Soldier Side" amenizou e continuou só para trás.

O setlist foi seguindo os moldes do show no México e os do Brasil até o momento em que ao terminar "Bounce" já inicia os acordes de "ATWA" levando o público ao delírio sendo totalmente cantada em coro pelo público. A surpresa de estarem tocando uma música a mais no setlist (que já era longo) era enorme. Em seguida já emendaram "Kill Rock 'N Roll". Era impressionante a interação que os hermanos tem na Argentina, todas as músicas são cantadas em uníssono e há muitas rodas-punk (lá chamadas de pogo, que particularmente em Bounce, que a palavra pogo [salte] é cantada durante toda a música, olhando ao telão sentia medo de quem porventura estava lá perto das rodas de "pogo", as rodas lá são matadoras!!). Todas as músicas foram cantadas do início ao fim, chamando a atenção de Serj que elogiou os Argentinos e agradeceu por cantarem todas as suas canções a plenos pulmões. Era lindo de se ver, em alguns vídeos no final da resenha dá para se ter uma noção.

O setlist fechou com 30 músicas em quase 3 horas de duração (no Chile tocaram apenas 26 músicas). Os pontos altos do show na minha concepção, além da execução de ATWA que ninguém esperava, foi quando em "Lonely Day" o trem que por ali passava de poucos em poucos minutos foi diminuindo a velocidade e ficou parado por alguns minutos com os passageiros assistindo ao show, neste momento Daron Malakian, olha para o trem e diz "Let me hear the people on the subway sin": "Quero ouvir as pessoas do trem cantando".

System Of A Down: trem pára na Argentina para assistir show

Novamente em Buenos Aires Daron Malakian roubou a cena com sua performance arrebatadora e o seu vocal dá um toque distinto mas Serj com suas características dancinhas ciganas, impressiona demais com a reprodução dos vocais que consegue fazer, de vocal a lá feminino´passando pelo rasgado ao gutural. E a pergunta que ficou na mente de todos após o show foi se a banda retorna de vez ou é somente uma reunião. Minha resposta é: Foi nítida a integração da banda em palco entre sí e com o público. Quem assistiu aos shows percebeu que a banda está passando por um bom momento e que essa volta veio em definitivo. E para terminar, os Argentinos não esperavam um show tão bom quanto no Rock in Rio e São Paulo, por ser o quarto da América Latina e ficaram eternamente agradecidos pelo seu setlist matador!

Setlist System Of A Down - GEBA (Buenos Aires, ARG)
01. Prison Song
02. Soldier Side - Intro
03. B.Y.O.B.
04. Revenga
05. Needles
06. Deer Dance
07. Radio/Video
08. Hypnotize
09. Question!
10. Suggestions
11. Psycho
12. Chop Suey!
13. Lonely Day
14. Bounce
15. ATWA
16. Kill Rock ‘n Roll
17. Lost in Hollywood
18. Forest
19. Science
20. Mind
21. Innervision
22. Holy Mountains
23. Aerials
24. Vicinity of Obscenity
25. Tentative
26. Cigaro
27. Suite-Pee
28. War?
29. Toxicity
30. Sugar

Video de Prison Song

Video de Sugar:




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Sobre Débora Reoly

Débora Reoly era gaúcha de Ijuí, formada em Pedagogia e Turismo e dona da agência de viagens Rocktour, especializada em excursões a shows na América do Sul. Seu lema era "A vida não é um show de Rock. São vários!". Débora morreu em 2017, de uma doença auto-imune. Facebook: www.facebook.com/debora.reoly.

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