Testament: saraivada de clássicos no Carioca Club
Resenha - Testament (Carioca Club, São Paulo, 20/08/2011)
Por Fernanda Lira
Postado em 29 de agosto de 2011
Que o Brasil virou rota certa para shows internacionais de vários portes, todos já sabem. Aliás, sabem muito bem, já que boa parte dos headbangers tem que operar milagres com suas economias para tentar prestigiar às suas bandas favoritas. Há ainda aqueles que devem tristemente optar por abrir mão de uma apresentação, para comparecer a outra. Contudo, não raro surgem aquelas datas pelas quais muitos vinham esperando e esses shows – ah, esses são imperdíveis, como o que rolou no último sábado, 20. Neste dia veio a São Paulo, depois de um hiato de quatro anos rondados por cancelamentos e especulações, um dos grandes ícones do thrash metal americano e quiçá mundial, Testament.
A produtora Liberation merece todo e qualquer elogio por ter levado adiante um concerto que muitos já haviam perdido a esperança de conferir e esperar. E toda essa ânsia em ver os veteranos ao vivo estava explícita já na fila do evento. Debaixo da fina garoa, muitas horas antes do show, já estavam presentes muitos fãs, que, como habitualmente fiéis ao estilo, não se intimidaram com o mau tempo. Mais uma vez, foi impressionante ver a velha e a nova guarda do metal, ali, reunidas, trocando expectativas sobre o show que se aproximava.
Uma pena a banda Test, já famosa com sua Kombi e shows a céu aberto nas filas de shows, não ter comparecido. Seria uma boa opção para aquecer os bangers, além, de é claro, um pouco de álcool e o tradicional cachorro quente do outro lado da rua!
A abertura do evento ficou por conta dos paulistanos do Chaosfear, que tocam um thrash metal rápido, técnico, mas com algumas levadas diferenciadas e mais melodiosas vez ou outra. Há pouco mais de um mês, pude conferir uma apresentação desse grupo e me impressionei com tanta potência ao vivo. Portanto, não há como negar que a escolha deles para receber os fãs naquela noite foi muito adequada e agradável. Cumpriram seu papel frente a uma casa já bem cheia, e a vivacidade do grupo, mesclada à presença de palco bem enérgica conquistou o gosto de quem estava presente.
Bem próximo ao horário previsto, o Testament deu as caras com "More Than Meets the Eye", música de trabalho de seu último disco, que causou gritos altíssimos de excitação no público, que praticamente lotava o Carioca Club, e desespero para as dezenas que ainda ficaram de fora alimentando uma última esperança de conferir o quinteto. Sem pausa para respirar, veio a clássica "The New Order" para manter os ânimos no topo.
Aliás, não posso deixar de comentar algo. Que escolha de repertório! Da primeira à décima música, não houve um momento sequer em que houvesse ocorrido aquela esfriada típica de meio de set list no show. Eu particularmente não acreditava na saraivada de clássicos um após o outro, e vocês me entenderão conforme acompanharem o resto do relato.
Após um breve diálogo com a platéria – e o vocalista Chuck Billy sabe ser bem direto – uma tríade para deleitar qualquer bom fã da banda. "The Preacher", "Practice What You Preach" e "Over the Wall" vieram para mostrar o porquê de a banda ser tão querida e tão aguardada por aqui. O thrash metal de qualidade do Testament é indiscutível e ao vivo são tão fiéis à sua tradicional pegada, que mosh pits eram constantes, devido à grande energia sentida pelo público. Pena que nesta última, a brilhante vibe daquele solo marcante e ímpar foi ofuscada por um problema que perdurou por toda a noite. A qualidade do som parecia totalmente inversa à potência geralmente apresentada pelo grupo: apesar do bom peso da bateria, as guitarras estavam muito apagadas e por vezes mal se ouvia os backing vocals. Isso, sem dúvidas, foi percebido por todo mundo que estava ali e foi talvez o único ponto negativo da apresentação, junto com a iluminação escura, ótima pra criar uma vibe diferente, mas péssima para os fotógrafos. Porém, ambos passaram praticamente imperceptíveis em meio a tanta empolgação, tamanha era a satisfação do público e a presença de palco e performance cativante dos integrantes da banda.
Outra seqüência matadora se iniciou com "Electric Crown", a trilha sonora para bate-cabeças "Into the Pit" e "Souls of Black", na qual fiquei feliz de ver uma grande massa de pessoas pulando juntas, bem como nos vídeos que sempre vi dessa música. Senti falta de "The Haunting", mas, pelo menos para mim, expectadora de primeira viagem do Testament ao vivo, esse repertório afiado era como a realização de um sonho.
Durante essas todas, e as três próximas, "Burnt Offerings", "D.N.R." e "3 Days in the Dark", o público desempenhou um papel fundamental para todo bom show. Não só as letras eram cantadas, como também diversos dos solos executados pelos excelentes Alex Skolnick e Eric Peterson. As melodias foram todas acompanhadas por um coro incansável dos felizardos ali no Carioca. Nem mesmo Paul Bostaph, que foi substituído na turnê latino-americana pelo baterista John Allen, do Sadus, foi esquecido pela galera. Na pausa antes do bis, os fãs gritaram por seu nome, mostrando que sentiram sua falta, apesar da ótima performance de Allen.
"Alone in the Dark" e o hino "Disciples of the Watch" foram executadas para fechar a noite que, apesar do curto set list, valeu muito à pena.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Novo vídeo mostra como está Mingau quase três anos após o tiro na cabeça
O lado bom e o ruim de fazer shows na América do Sul, segundo o líder do Iron Maiden
Iron Maiden transforma primeiro festival próprio em celebração monumental de 50 anos
A opinião de Steve Harris, do Iron Maiden, sobre o The Darkness
5 músicas de rock que todo mundo conhece, mas pouca gente sabe de quem são
O músico que salvou os Ramones e depois deu no pé, deixando os caras na mão
A banda que realmente criou o heavy metal, de acordo com Eric Clapton
Steve Harris relembra o dia em que bebeu antes de um show do Iron Maiden
Floor Jansen promete "volta às raízes metal" em seu novo álbum solo
A melhor banda de rock progressivo do Brasil, segundo a Loudwire
A melhor banda de rock progressivo de 25 países, segundo a Loudwire
5 músicas que quando tocam no show todo fã de metal entra no mosh na hora
O erro que Steve Harris cometeu no primeiro show do Iron Maiden
O baterista que estava fora do alcance de Dave Grohl; "fisicamente nem musicalmente capaz"
Bruce Dickinson afirma que Blaze Bayley é "um cara fantástico"
Técnico do Metallica explica tino visionário de James Hetfield: "Nenhuma banda usava"
Quando Sílvio Santos fez piada com a montagem onde aparece como Steve Harris
Chuck Billy (Testament) ficou "mais espiritual e menos religioso" após superar câncer
Chuck Billy (Testament) conta como foi ter Rob Halford escrevendo prefácio de sua biografia
Integrantes do Testament viviam como estrelas do rock, segundo Chuck Billy
O disco do Testament pelo qual Chuck Billy gostaria de ser lembrado
O álbum do Metallica que Chuck Billy gostaria que nunca tivesse sido lançado
O álbum clássico do Metallica que Chuck Billy gostaria de ter feito
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente
Em 16/01/1993: o Nirvana fazia um show catastrófico no Brasil



