Udo Dirkschneider: uma noite memorável em Goiânia
Resenha - U.D.O. (Bolshoi Pub, Goiânia, 10/05/2011)
Por Lelo Nirvana
Postado em 23 de maio de 2011
Para começar a falar do alemão Udo Dirkschneider, é impossível não falar de Accept, uma das mais extraordinárias bandas de Metal dos anos 80. A primeira vez que ouvi os álbuns Restless & Wild e Breaker fez com que eu reavaliasse os meus conceitos metálicos, e a música "Fast as a Shark" acelerou as composições desse gênero contagiante. A primeira foto do Accept no antigo fanzine Rock Brigade (não era revista, ainda!) não tinha nem os créditos de quem era quem! Pasmem! Nem mesmo os redatores possuíam essa informação. Pode parecer estranho, nos dias de hoje, em um mundo globalizado, mas essa era a verdade àquela época! Antes tudo era muito mais difícil, mas também a valorização das bandas, pelos fãs, era muito maior.
Para assistir a essa lenda viva, saí mais uma vez de Brasília, para ir ao Bolshoi Pub em Goiânia. Essa importante casa tem realizado os sonhos de centenas de milhares de aficionados dos gêneros Blues, Jazz e Rock, passando pelas suas vertentes metálicas, como no caso em questão.
A banda U.D.O., que é formada pelos guitarristas Igor Gianola e Stefan Kauffman (antigo baterista do Accept), pelo baterista Francesco Jovino e pelo baixista Fitty Wienhold, está prestes a lançar seu novo CD, porém este show ainda é parte da turnê de divulgação de seu álbum anterior, Dominator, lançado em 2009.
Gostaria de ressaltar a gentileza do Rodrigo (proprietário do Bolshoi Pub), que recebeu a mim e a minha esposa, além dos ouvintes da Rádio Cultura FM 100,9, de forma muito atenciosa e prestativa, em mais uma promoção em parceria com a emissora.
A apresentação começou depois da 11 horas da noite: o mestre de cerimônias começou falando das caravanas que vieram de cidades próximas e, como sempre, ao citar Brasília, a galera gritou em peso, mostrando que os shows continuam atraindo um grande público candango. Então, a banda entrou no palco e deu início a uma noite memorável. No momento em que o "pequeno grande homem" pisou no palco, a casa veio abaixo. Confesso que não pude conter meus olhos, que se encheram d’água na hora que vi esse ícone tão perto. Isso foi incrível: Udo Dirkschneider, realmente, estava lá!
Começaram mandando quatro músicas da fase U.D.O., mas o bicho só pegou mesmo na execução de "Restless & Wild", o primeiro cover do Accept, em um show que seria recheado de outras surpresas; pena não tocarem essa música na íntegra, pois ela foi espetacularmente emendada em "Son of Bitch", um outro clássico e, na minha opinião, a maior surpresa da noite. A cada música o Sr. Udo se mostrava muito simpático, enchia as bochechas e bufava, arregalava os olhos, botava a língua pra fora, encostava a cabeça nas cordas da guitarra do Stefan Kauffman, apontava e sorria para os fãs.
Na sequência, mais pauleira: "Thunderball" e "Vendetta" abrem espaço para mais Accept: "Princess of the Dawn", uma das que mais agitou a galera; depois, um pequeno solo de guitarra, para prosseguirem com "Midnight Mover". Loucura total!
O som do Bolshoi Pub costuma ser sempre impecável, mas nessa noite estava incrivelmente equalizado, nos mínimos detalhes; tudo podia ser ouvido de qualquer ponto da casa, de forma esplendorosa, para qualquer aficionado ficar de orelha em pé.
A partir daí começaram a intercalar Accept com U.D.O. até o final, em uma seqüência matadora: "Man and Machine" e "Breaker"; "Animal House" e "Metal Heart"; "Holy" e "Balls to the Wall".
Uma pequena pausa, e Udo – sem a introdução sampleada – volta ao palco e entoa no gogó: Heidi, Heidô, Heida! A galera entende o recado e canta em uníssono a música "mais rápida que um tubarão", um hino, "Fast as a Shark"; que faltou no show de São Paulo.
Uma noite memorável que para ser perfeita só tocando as outras duas músicas previstas no set (pelo menos o de São Paulo): "Burning" (essa teria sido inacreditável!) e a destruidora versão para "I’m a Rebel", que leva o mesmo nome do segundo álbum do Accept.
De qualquer maneira, um mero discípulo (afinal de contas, tenho uma banda cover de Accept) não poderia repreender o seu Mestre! Ainda mais, depois de ouvir tantos clássicos na verdadeira voz em que foram criados!
Ave Udo! Ave Udo!
Set List
01. The Boogeyman
02. Dominator
03. Independence Day
04. The Bullet and the Bomb
05. Restless and Wild Play/Son of a Bitch
06. Thunderball
07. Vendetta
08. Princess of the Dawn
09. Midnight Mover
10. Man and Machine
11. Breaker
12. Animal House
13. Metal Heart
14. Holy
15. Balls to the Wall
16. Fast as a Shark
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Vídeo do Machine Head é citado pela Louder como um dos melhores da história do nu metal
As melhores músicas do Sepultura de todos os tempos, segundo Max Cavalera
A promessa que Ronnie James Dio fez para Bob Daisley e não cumpriu, após proposta irrecusável
A banda que deu origem ao metal, ao rap, ao punk e ao pop rock, segundo Bob Dylan
Sepultura "rouba o show" no maior festival de heavy metal da Inglaterra, diz a Metal Hammer
A música que Robert Plant considera a mais difícil que já precisou cantar
Morte de Jeff Hanneman aproximou Tom Araya e Kerry King
O vazio deixado pelo Edguy
Mike Patton escreveu as letras do álbum "The Real Thing" em menos de duas semanas
As 10 melhores músicas dos anos 1960, segundo John Lennon
O guitarrista brasileiro que estava anos-luz à frente dos outros, segundo Liminha
A canção que fez Frank Sinatra capitular, depois de passar anos atacando o rock
O cover do AC/DC que o Foo Fighters tocou pela primeira vez no Brasil
Tom G. Warrior revela a banda que ninguém imagina ter influenciado o Celtic Frost
"Eu odeio perder", disse Johnny Ramone ao falar sobre luta contra câncer



Masters of Voices (Auditório Araújo Vianna, Porto Alegre, 13/07/2026)
Com toda sua experiência e talento do seu novo vocalista, Nazareth conquista o público mineiro
Covil Brutal recebe Sentence, Pathologic Noise e Critical Fear em Belo Horizonte
Prime Rock Brasil 2026 reúne gerações do rock nacional em noite histórica no Mineirão
Masters of Voices agita o público em Belo Horizonte
Deicide e Kataklysm: invocando o próprio Satã no meio da pista


