Família Sevenfold: o peso e a histeria da meninada
Resenha - Avenged Sevenfold (Credicard Hall, São Paulo, 03/04/2011)
Por Bruno Portella
Fonte: Alpha Lazer
Postado em 12 de abril de 2011
Conheci Avenged faz pouco tempo, achei bacana o repertório, algumas músicas eram bem legais e tudo que eu sabia era que o Mike Portnoy (gênio do Dream Theater) havia tocado uma turnê inteira com os caras. Bom, eles devem ser bons e o som é demais. Mas nunca tinha visto foto de nenhum deles, nem vídeo, nem nada. Por isso, meu choque quando vejo o comentário do Régis Tadeu dizendo que eram uma mistura de Simple Plan com Metallica, uma legítima boy band do Heavy Metal. Achei um absurdo, o som dos caras é bom, pesado, melódico, terrível. Parecia uma boa ideia.
Fui, pois, ao Credicard ver qualé que é a dos caras e, antes mesmo de começar o show, fiquei sabendo qualé que era a dos fãs: meninos e meninas histéricas. A juventude do heavy metal? Muita criança, o que eu acho sempre fantástico em shows de rock, pois mostra como o gênero está se renovando sempre. Mas algo me atiça a curiosidade quando a MAIORIA são de crianças ou de adultos imbecis. Certa feita, os integrantes aparecem no andar superior do Credicard Hall e a fila inteira se aglomera gritando e berrando loucamente - eu estava em dúvida se havia ali uma banda de rock ou se os Menudos haviam voltado tamanha histeria.
Avenged Sevenfold - Mais Novidades
Natural, quando jovens temos essa adoração para com ídolos, não tem o que depreciar, faz parte da formação. Mas ali eu pensei com meus botões, bem baixinho pra não ser ouvido: eis aqui a família Restart do Heavy Metal. Nada contra, sabe. Quando somos jovens, parece que existe um padrão para o comportamento diante dos ídolos, sejam eles o Sevenfold, o Restart ou mesmo os Beatles na década de 60, gritinhos enlouquecidos. Normal. Eu acho.
Ao show, claro. Eu conhecia parte do repertório dos caras e logo de cara, na incrível "Nightmare", a criançada veio abaixo, guitarras pesadas, vocal rasgado e melódico (meio Axl, meio Hetfield). Ótima música, os caras metem bronca. E a criançada berrando, a mulherada mostrando sutien, menininhas chorando, tava um clima realmente oito ou oitenta. Seguiu o repertório pra fã nenhum botar defeito, pouca vírgula diferente dos demais shows da turnê e dá-lhe pula-pula (acho bem bacana essa interação da plateia), gritinhos. Não sabia onde situar essa galera. No final do show, por exemplo, abriu-se uma gigantesca roda de bate-cabeça, veja só que machos esses fãs, não dá pra compreender. Não sei se são Restarts ou se são Pantera. Dá pra entender essa família Sevenfold? Eu gostei, achei legal.
Quanto à banda, um parágrafo à parte. Tirando o vocalista que realmente toma as rédeas e parece curtir cada verso que canta, os demais integrantes são tão insossos quanto músicos de apoio. Muito mais pose do que presença, muito mais marra do que sentimento, muito mais creme do que cabelo... digo. Aí começa a me vir à cabeça aquele comentário do Tadeu, de antes do show, que tanto me deixou encafifado. Agora dá pra entender de onde ele tirou tantas sandices, esse comportamento 'revoltadinho', meio metalzinho da juventude realmente está em cada célula desses caras, o que é uma pena por que aí fica essa coisa meio encenada, meio bocó e com uma puta música bacana nas mãos.
Mas eu gosto das músicas. Eu estava ali por que eu curti o setlist da turnê, senão não teria ido, pô. Musicalmente falando é uma grande banda, pesada, tem seus momentos ótimos, como também tem seus momentos horríveis do começo da carreira (que sabiamente pouco entra no show, grazadeus), mas está ali uma banda que tem sim um bom repertório para um bom show de rock ou hard heavy metal (haha), não sei. Vai melhorar muito quando parar de se maquiar e se preocupar em dar um show realmente digno de um público apaixonado como aquele. Somente explodir fogos, fumaças e efeitos não fazem do seu show ser memorável, o que faz ele ser memorável é o que a banda faz enquanto os fogos explodem.
Mas foi uma boa noite. Diferente. Certa feita o telão do Credicard anunciou as próximas atrações na casa: Restart, vaias largas e xingamentos, achei irônico. Aí xingaram e maltrataram o Leonardo, aí fiquei ofendido.
Outras resenhas de Avenged Sevenfold (Credicard Hall, São Paulo, 03/04/2011)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Veja a estreia da nova formação do Rush durante o Juno Awards 2026
A música sem riff de guitarra nem refrão forte que virou um dos maiores clássicos do rock
Guns N' Roses estreia músicas novas na abertura da turnê mundial; confira setlist
Banda de rock dos anos 70 ganha indenização do Estado brasileiro por ter sido censurada
Para Gary Holt, Exodus é melhor que Metallica, mas ele sabe ser minoria
Por que Geddy Lee achou que Anika Nilles não seria melhor opção para substituir Neil Peart?
A banda que impressionou Eddie Van Halen: "A coisa mais insana que já ouvi ao vivo"
Kip Winger admite não se identificar mais com a música da banda que leva seu nome
Joe Bonamassa lançará show em tributo a Rory Gallagher
Geddy e Lifeson contam o momento em que quase desistiram de Anika Nilles para o Rush
Concerto do Pink Floyd gravado por Mike Millard vai sair em vinil e CD oficial
Os 20 maiores riffs de guitarra da história, segundo o Loudwire
Anika Nilles sobre Neil Peart; "Ele definitivamente não era só um baterista de rock"
A música do Led Zeppelin que para Robert Plant é o seu "cartão de visitas" como vocalista
As bandas de rock que não saem do ouvido do padre Marcelo Rossi: "Tenho todos os discos"
O hit da Legião Urbana que seria recado de Renato Russo para Bonfá e Villa-Lobos
O gênero musical que Fernanda Lira mais conhece além do heavy metal


Guitarrista diz que músicos do Avenged Sevenfold se apaixonaram por "St. Anger", do Metallica
A música do Avenged Sevenfold inspirada em Giordano Bruno, filósofo queimado pela Inquisição
Rock in Rio anuncia lineup dos palcos principais nas duas noites voltadas ao rock
5 bandas de metalcore se tornaram "rock de pai", segundo a Loudwire
A música que Mike Portnoy mais gostou de gravar com o Avenged Sevenfold
Maximus Festival: Marilyn Manson, a idade é implacável!
A primeira noite do Rock in Rio com AC/DC e Scorpions em 1985



