U2: Uma verdadeira aula de como deve ser um grande show
Resenha - U2 (Morumbi, São Paulo, 09/04/2011)
Por Doctor Robert
Postado em 10 de abril de 2011
Todas as vezes que um grande artista de renome internacional vem ao Brasil, seu nome figura em todos os noticiários e, obviamente, em jornais e sites de música. Com o U2 não poderia ser diferente. Tudo que envolve o nome da banda sempre envolve também muitos números: número de ingressos vendidos, quantos milhões a banda faturou, quanto custou para o equipamento da turnê... Sem falar no que concerne as atividades extra-palco dos membros, como a visita à Presidenta Dilma. E até mesmo em relação aos fãs, como alguns mais fanáticos (desocupados?), que acampam por dias na porta do estádio à espera do show (algo que não seria necessário se aqui tivéssemos lugares numerados, como ocorre nos EUA, Japão, Europa e até mesmo na Argentina – mas isso já é assunto para outro momento).
Pois bem, eis que enfim a tour 360° chega ao Brasil, e a expectativa após praticamente dois anos de espera, desde que foi lançado o álbum "No Line On The Horizon", não poderia ser menor. Os irlandeses do U2 sabem o que seus fãs querem e não decepcionam, sempre entregando uma verdadeira avalanche de hits, entremeada a uma alta tecnologia na estrutura do palco, onde cada vez mais eles se superam – e somente presenciando o monstruoso palco desta turnê é que se tem a verdadeira noção disso.
Para completar, Bono e cia. desta vez trazem a tiracolo ninguém menos que o Muse para a abertura de seus shows na América Latina. O trio inglês que está arrebentando tudo no exterior, lotando estádios e vendendo milhares de discos foi a cereja no bolo do espetáculo presenciado pelas cerca de 80 mil pessoas ali presentes. Em uma performance coesa, extremamente enérgica, Matthew Bellamy e seus companheiros aqueceram o público em 45 minutos cravados, onde os pontos altos foram "Supermassive Black Hole" (talvez sua música mais conhecida no Brasil, por conta da trilha sonora do xaroposo filme "Crepúsculo"), "Hysteria", que vinha sendo deixada de lado por eles, e teve direito a uma bela citação de "Back In Black" do AC/DC, e o encerramento com a porrada "Knights Of Cydonia", sem falar na interação do público em "Starlight" e do grande riff de "Plug In Baby". Aplaudidos do começo ao fim, e com justiça.
Um certo atraso acabou ocorrendo para a entrada do U2 no palco, muito provavelmente devido à chuvinha chata que começou a cair no meio da apresentação do Muse. Mas às 21h45, pudemos ouvir os acordes da clássica "Space Oddity", de David Bowie saindo dos PAs, e essa era a senha para a plateia ir ao delírio, a trilha sonora para que o quarteto entrasse no palco, sob aplausos, gritos e tudo mais. E "Even Better Than The Real Thing" começa o verdadeiro espetáculo apresentado, em uma versão levemente diferente da original, mas muito interessante. Em seguida, o primeiro hit da história da banda, "I Will Follow", que faz o Morumbi continuar a tremer (quem estava nas arquibancadas sabe disso). Com o terreno ganho, ganham espaço as composições mais recentes, como "Get On Your Boots" e a ótima "Magnificent", com Bono e sua introdução "What Time Is It In The World?", citando vários estados do Brasil.
Antes da clássica "I Still Haven’t Found What I’m Looking For", Bono apresenta os membros da banda, comparando-os a sabores de pizza (incluindo aí até mesmo uma duvidosa pizza de Jaca, ou de minhoca, para The Edge), e após essa, Bono evoca o público a cantar parabéns a Julian Lennon, chamando-o carinhosamente de Junior. Tudo corria conforme o script, e a primeira surpresa da noite ficou por conta da volta de "Stuck In A Moment You Can’t Get Out Of" ao set list, em sua tradicional versão violão e voz (com direito a The Edge se confundindo com um acorde, provando a todos que ali não tinha playback). Após o momento intimista, uma fã sobe ao palco puxada por Bono, e se senta ao seu lado, lendo trechos de "Carinhoso", de Vinícius de Moraes, com o vocalista repetindo junto a ela "Serei feliz, bem feliz". E a introdução de "Beautiful Day" toma o Morumbi, ocasionando o segundo êxtase da noite.
Tudo no show do U2 é perfeitamente planejado, principalmente a escolha do repertório. Prova disso é que, após duas canções mais lentas para acalmar o público, como "In A Little While" e "Miss Sarajevo", o grupo decidiu manter a dobradinha "City Of Blinding Lights" e "Vertigo", que tem funcionado desde a turnê anterior, outro momento alto da noite. A primeira parte da noite se encerra com a eterna "Sunday Bloody Sunday" e a belíssima "Walk On", com a presença de membros da Anistia Internacional no palco. A banda se retira do palco e no telão surge o bispo Desmond Tutu e seu discurso, que abrem passagem para "One", seguida de uma homenagem aos Beatles (com Bono cantando um trecho de "Help!") e da eterna favorita dos fãs "Where The Streets Have No Name".
Na pausa para o segundo bis, vemos no telão uma animação com alienígenas assobiando esta última música, e logo desce o microfone iluminado para o palco. Era a hora da rocker "Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me" incendiar os falantes, seguida do maior hit da banda, "With Or Without You". Para encerrar, como não poderia deixar de ser, Bono pede ao público para acenderem seus celulares e isqueiros, enquanto o telão exibia os nomes das crianças assassinadas na escola no massacre do Rio de Janeiro. E "Moment Of Surrender" encerra a apresentação perfeita do grupo, após mais de duas horas de uma verdadeira aula de como deve ser um grande show.
Set List:
Muse
1.Uprising
2.Supermassive Black Hole
3.Stockholm Syndrome
4.United States Of Eurasia
5.Hysteria
6.Starlight
7.Plug In Baby
8.Knights of Cydonia
U2
1.Even Better Than The Real Thing
2.I Will Follow
3.Get On Your Boots
4.Magnificent
5.Mysterious Ways
6.Elevation
7.Until The End Of The World
8.I Still Haven't Found What I'm Looking For
9.Happy Birthday
10.Stuck In A Moment
11.Beautiful Day
12.In A Little While
13.Miss Sarajevo
14.City Of Blinding Lights
15.Vertigo
16.Crazy Tonight
17.Sunday Bloody Sunday
18.Walk On
19.One
20.Help / Where The Streets Have No Name
21.Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me
22.With Or Without You
23.Moment of Surrender
Outras resenhas de U2 (Morumbi, São Paulo, 09/04/2011)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Vídeo do Machine Head é citado pela Louder como um dos melhores da história do nu metal
As melhores músicas do Sepultura de todos os tempos, segundo Max Cavalera
O vazio deixado pelo Edguy
Morte de Jeff Hanneman aproximou Tom Araya e Kerry King
Mike Patton escreveu as letras do álbum "The Real Thing" em menos de duas semanas
A banda que deu origem ao metal, ao rap, ao punk e ao pop rock, segundo Bob Dylan
Sepultura "rouba o show" no maior festival de heavy metal da Inglaterra, diz a Metal Hammer
A música que Robert Plant considera a mais difícil que já precisou cantar
As 10 melhores músicas dos anos 1960, segundo John Lennon
O guitarrista brasileiro que estava anos-luz à frente dos outros, segundo Liminha
A canção que fez Frank Sinatra capitular, depois de passar anos atacando o rock
Tom G. Warrior revela a banda que ninguém imagina ter influenciado o Celtic Frost
A promessa que Ronnie James Dio fez para Bob Daisley e não cumpriu, após proposta irrecusável
5 músicas que separam quem apenas ouve metal de quem realmente vive o gênero
5 músicas que conseguem unir os tiozões do metal e a geração enzo
Alice Cooper lista três bandas que todo jovem músico deve ouvir
A banda pouco conhecida que por pouco não se tornou um grande nome do metal mundial
O significado do trecho do "Pai Nosso" que batiza "Hallowed Be Thy Name" do Iron Maiden



A música que o U2 considerou impossível cantar depois dos ataques de 11 de setembro
Os 10 melhores álbuns dos anos 1980, segundo Regis Tadeu
O álbum dos anos noventa que Bono gostaria que surgisse novamente
As 10 melhores músicas do rock lançadas em 2026 até aqui, segundo a Ultimate Classic Rock
Em texto assinado por Bono, U2 presta homenagem a Glen Hansard
A banda que entregou a Bono tudo o que ele procurava no rock
As bandas britânicas dos anos oitenta que decepcionaram o guitarrista do U2
13 bandas que sobreviveram por mais de 40 anos sem separar, segundo a Loudwire
Deicide e Kataklysm: invocando o próprio Satã no meio da pista



