Journey: como foi a apresentação da banda em Buenos Aires

Resenha - Journey (Luna Park, Buenos Aires, 28/03/2011)

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Por Luciano Dias
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

No início de fevereiro, poucos dias antes do Super Bowl, quando descobri que o show do JOURNEY estava confirmado para São Paulo, em 30/03/2011 no Via Funchal, fiquei extremamente chateado. Não entendem? Explico. Já havia marcado uma viagem para Buenos Aires. Entre 28 e 31 de março eu curtiria os bons ares da cidade portenha. Impossibilitado de cancelar a viagem (por motivos sentimentais alheios), aceitei a derrota. Mas não antes de verificar no site oficial da banda se não haveria shows em território "hermano". Mais uma decepção. Show no Chile em 26 de março e no Brasil em 30 de março. Nenhuma menção ao país do tango e do "dulce de leche"...

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Após desabafar (ou dar um “piti” masculino) com uma companheira de viagem, conformei-me. Em 2008 uma nova esperança de vê-los ao vivo havia surgido para mim, com a entrada de Arnel Pineda na banda e a injeção de ânimo que ele promoveu nos outros membros. Embora muitos o critiquem, principalmente ao compará-lo com Steve Perry, a voz do JOURNEY, é inegável que o filipino tem uma bela voz, carisma e que se não consegue ter um desempenho ao vivo no mesmo nível de Perry, faz um bom trabalho. Mas agora, já olhava para meus CDs e DVDs do JOURNEY com a estranha sensação de que nunca os veria ao vivo.

Por desencargo de consciência, no início de março, olhei mais uma vez no site da banda e para minha surpresa (e friozinho na barriga), deparo-me com a seguinte informação: “28/03/2011, Luna Park, Buenos Aires, Argentina”. Marcaram!!!!! Ao lado havia o link para a compra de ingressos. Com um sorriso de orelha a orelha acessei o site. Aí uma surpresa positiva atrás da outra: ingressos para TODOS os locais ainda disponíveis, show sem pista e com cadeiras, o ingresso mais caro (primeiras filas) custando 320 pesos argentinos que são equivalentes a 127,50 reais (pela cotação de 01/04/2011, em que um real compra 2,51 pesos). Isso mesmo, primeira fila de cadeiras, ingresso para não estudante, a menos de 130 reais! Isto levanta uma séria de questões sobre os shows no Brasil não? Mas não é assunto para agora. Claro, havia uma taxa de conveniência (de 10% e não de 20% como ocorre no Brasil) e taxa de retirada (5 pesos) que seria feita em uma das agências da OCA, uma espécie de Correios da Argentina, e sem esquecer também da taxa para compras no exterior com cartão de crédito (2.5%). Comprando DOIS ingressos para a décima fila (melhor lugar disponível), na direção do centro do palco, gastei, com TODAS as taxas já inclusas, 659 pesos ou 262 reais no cartão de crédito. 153 reais por ingresso...

Peguei nossos ingressos na OCA localizada ao lado do Obelisco da Avenida 9 de Julio, bem no centro de BA, no próprio dia 28. Precisei mostrar o cartão de crédito e o passaporte, documento que usei como identificador para comprar os "boletos". Foram impressos na hora, tudo muito tranquilo. Fizemos um tour pela cidade, comemos, tiramos fotos, treinamos nosso espanhol e voltamos ao hotel por volta de 18:30h. O horário do show era 21:30h. A banda SWEET abriria a noite, mas não havia informações sobre o início do show desta banda. Nossa ideia então foi chegar ao local às 20:15h. Tomamos banho e já saímos. Apanhamos um táxi com um motorista bastante simpático. Fomos conversando sobre o show do U2 (ele não conhecia JOURNEY) que ocorreria dois dias depois. Após 15 minutos de viagem, e menos de 20 pesos, chegamos ao Luna Park.

O Luna Park fica em Puerto Madero, um dos bairros mais bonitos e ricos de Buenos Aires, cheio de prédios comerciais (lembra um pouco Itaim, Vila Olímpia aqui em São Paulo, mas bem mais interessante). É um ginásio que costuma abrigar grandes eventos esportivos, principalmente lutas de boxe e shows musicais. Chegamos às 20:10h e facilmente tivemos acesso ao portão de entrada. Não havia revistas (sim, nenhum policial nos apalpou) e logo na entrada fotos com grandes nomes da música que já passaram por ali, entre eles Luciano Pavarotti, Frank Sinatra e Tom Jones.

Alguns passos à frente estava a loja oficial do show, com camisetas, bandeiras etc. Para deixá-los mais um pouco irritados com a questão dos preços, as camisetas oficiais da turnê custavam 60 pesos (23,90 reais). No show do IRON MAIDEN, no Morumbi, dois dias antes, as camisetas foram vendidas por 80 reais!!! Comprei duas, vesti uma e entrei no local.

Apesar de ter conseguido ingressos para a segunda fila, imaginei que haveria uma certa distância entre o palco e proteção de vários seguranças. Que nada! A primeira fila era simplesmente colada no palco, sem ninguém na frente. Na segunda fila eu fiquei a 2 metros do palco!! Mas o local era pequeno, e TODAS as cadeiras eram próximas do palco (mesmo a última fila). Delirei!

A banda SWEET começou seu show às 20:30h em ponto. Não conhecia a banda. Canções bem no estilão hard anos 80, alguns covers, mas não empolgou muito o público que ainda chegava. Para falar a verdade, nós estávamos mais preocupados em preparar a câmera fotográfica para tirar as melhores fotos que pudéssemos do JOURNEY. Você podia comprar bebidas em garrafa plástica, o que não é permitido aqui no Brasil, e comida sem sair do assento. Nem preciso falar que tudo era muito mais barato que no Brasil, né?

Eis que às 21:30h em ponto as luzes se apagam e a banda entra. Antes dos refrões da introdução, Arnel, ainda no escuro, saudou os argentinos. E após a introdução de menos de um minuto, inicia-se o show com "Separate Ways". Muita emoção! Todos cantando a plenos pulmões, pertíssimo da banda, sem o tumulto da pista! A banda bastante animada e afinada. Perfeito! A seguir, "Edge of the Moment". Uma das cinco músicas que seriam tocadas do álbum "Eclipse", que será lançado em maio deste ano. Boa música, mas como era esperado, não empolgou muito o público, que apenas se manifestava quando Arnel pedia para batermos palmas. Os sites de vídeos da internet foram proibidos de divulgar as músicas novas, então ninguém sabia cantá-las! Depois da propaganda do novo álbum, emendaram "Only the Young" imediatamente seguida por "Ask the Lonely", que deixaram todo o ginásio em pé. Não posso dizer que as músicas novas eram um balde de água fria, mas era o que parecia. "Resonate", executada na sequência, também me pareceu uma música agradável, mas sabe como é. O povo gosta de cantar junto, e este é o meu caso também.

Antes da sexta música, Neal Schon executou "Sky Light", um solo bem agradável que geralmente antecede um clássico, que desta vez foi "Stone in Love", promovendo sorrisos no público. Arnel Pineda deixou então o palco para que Deen Castronovo assumisse os vocais de "Keep on Runnin’". Deen tem sempre um bom desempenho e agradou. Na volta de Pineda ao palco, Jonathan Cain anuncia outra música do novo álbum, "City of Hope", e faz a dedicatória para as vítimas do desastre no Japão. A seguir a boa e velha "Lights", muito bem interpretada por Arnel. Novamente Deen Castronovo assume os vocais para "Still They Ride", saindo discretamente do tom em raras oportunidades, o que não prejudicou a bela canção.

E quando Jonathan Cain começa com seu solo longo de piano, sabemos que vem "Open Arms" a seguir, um dos pontos altos do show. Outra música nova, "Chain of Love" ecoou no Luna Park, com um refrão fácil de cantar, mas não foi a mesma coisa dos clássicos. Seguiram-se mais duas antigas, "Escape" e "Wheel in the Sky" que serviram para reanimar a galera. Esta última precedida por uma jam entre Cain com uma gaita e Schon. "Human Feel (Rise Up)" foi a última música nova apresentada ao público.

"Be Good to Yourself" deixou todo o publico de pé, menos umas meninas que estavam atrás da gente que pareciam estar conversando num banco de shopping sobre os namoradinhos umas das outras. "Faithfully", música marcante para Arnel Pineda, afinal foi esta canção que o levou a ser convidado para juntar-se à banda, fez o ginásio todo cantar junto, regida pelo maestro Ross Valory e seu isqueiro. E enfim as meninas se levantaram. Por quê? Tem que ser isso. Alguém já viu aquele seriado Glee?? Elas devem ser fãs daquilo. Nesse seriado musical eles tentam assassinar "Don’t Stop Believing". Mas só tentam, porque essa música não morrerá jamais. E o JOURNEY mostrou isso a seguir, fechando com a imponência desta canção a primeira parte do show.

Após dois minutos de descanso, a banda volta com a empolgante "Anyway You Want It", grande clássico. E encerra o espetáculo com a dançante e "todo-mundo-canta-junto-o-dá-dá-dá" Lovin’, Touchin’, Squeezin’.

Senti falta de "Send Her My Love", "Never Walk Away" e "Mother, Father" que eles vinham tocando em shows dos outros continentes. Acabaram não tocando nenhuma do álbum "Revelation", mas tudo bem.

Resumo: show do JOURNEY + conforto do Luna Park + ingressos baratos = não há preço!

O setlist:
Separate Ways (Worlds Apart)
Edge of the Moment
Only the Young
Ask the Lonely
Resonate
Sky Light/Stone in Love
Keep on Runnin'
City of Hope
Lights
Still They Ride
Open Arms Prelude/Open Arms
Chain of Love
Escape
Wheel in the Sky
Human Feel (Rise Up)
Be Good to Yourself
Faithfully
Don't Stop Believin'
Bis:
Anyway You want it
Lovin', Touchin', Squeezin'

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Sobre Luciano Dias

Luciano Dias nasceu em 1981. Médico, especialista em clínica médica e administração hospitalar. Natural de Santo André-SP e atualmente mora em São Paulo-SP. Fanático por NBA e NFL. Admirador de Iron Maiden, Gotthard, Bon Jovi, Bruce Springsteen, Journey, entre outros grandes artistas do mundo do rock. Também aprecia jazz e blues. Facebook

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