Bon Jovi: 25 anos de história passados a limpo em SP

Resenha - Bon Jovi (Estádio do Morumbi, São Paulo, 06/10/2010)

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Por Márcio Alexsandro Pacheco
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Os fãs tiveram que esperar 15 anos para um grande concerto do grupo norte-americano de hard rock Bon Jovi, que se apresentou nesta quarta-feira (6) de outubro no estádio do Morumbi, em São Paulo, reunindo quase 70 mil pessoas, como parte da turnê de seu mais recente álbum, “The Circle”.

Fotos: Andressa Guimarães

Já são mais de 25 anos de estrada, com o seu auge nos anos 80 com a explosão hard rock dos álbuns “Slippery When Wet” e “New Jersey”, passando pelo grunge dos anos 90 liderada pela banda Nirvana e então se reinventando nos anos 2000, conquistando uma nova geração de fãs – e perdendo alguns que não gostaram das mudanças. Verdade seja dita, o grupo nunca foi queridinho da crítica, mas eles continuam aí, lançando álbuns, shows, vídeos e atravessando gerações com shows lotados, coisas que muitas bandas de sucesso dos anos 80 não podem se gabar.

Goste ou não de suas canções, é impossível negar que a banda esbanja competência, confiança e entusiasmo em cima do palco. Jon Bon Jovi comandou os seus companheiros, o impecável guitarrista Richie Sambora, o tecladista David Bryan e o baterista Tico Torres, numa verdadeira lição de como fazer um concerto ao vivo. Os quatro, juntos desde a formação da banda, ainda contaram com o baixista Hugh MacDonald, que substituiu o integrante original Alec John Such e o guitarrista Bobby Bandiera, que toca regularmente com a banda nos últimos anos, como músicos de apoio.

Durante a entrevista coletiva de imprensa realizada no próprio Estádio do Morumbi algumas horas antes do show, o cantor disse que a duração do espetáculo iria depender exclusivamente do público, quando perguntado sobre a apresentação histórica em Buenos Aires, na Argentina, com um show que durou três horas, no dia 03 de outubro.

“Só depende do público. Enquanto a plateia estiver animada, nós continuamos tocando”, garantiu. E pelo jeito o público não decepcionou, já que a banda repetiu a performance de três horas em São Paulo, tocando 29 músicas e terminando o show um pouco depois da meia-noite.

“O segredo das nossas músicas é que elas atravessaram gerações”, afirmou o vocalista. Quando perguntado se estaria velho demais, ele respondeu para a jornalista “de mulheres de 60 anos a garotas como você, posso fazer tudo duas vezes”, flertou o roqueiro. Quando o microfone passou para outro repórter, ele rapidamente emendou, aos risos: “Preferia ela”.

Foi nesse tom descontraído que a banda se apresentou horas depois, porém antes de assistir ao grupo de New Jersey, o público – composto de um grupo bem eclético de pessoas, desde jovens de 15 anos até pessoas com mais idade, que inclusive estavam com os seus filhos – teve que passar pela banda abertura Fresno e sua música emocore. Quando anunciado que o grupo gaúcho iria abrir o show dos norte-americanos, muitos fãs do Bon Jovi se revoltaram e protestaram na internet, rolando até um abaixo-assinado contra a apresentação da banda, que começou um pouco depois das 20h.

Como esperado, ao subir no palco o Fresno foi recebido por milhares de vaias, que continuou a cada música que a banda tocava. Milhares de pessoas faziam gestos obscenos para o grupo, que parecia não se importar, tocando aproximadamente por meia hora. “11 anos de Fresno. É o sonho de qualquer banda estar aqui hoje abrindo para uma das maiores banda de rock do mundo”, disse o vocalista Lucas, agradecendo o “respeito” da multidão, que aplaudiu e ovacionou sarcasticamente quando a banda anunciou que estava saindo do palco.

O Bon Jovi subiu ao palco um pouco depois das 21h, com três grandes telões – o maior posicionado atrás do palco – que mostravam o vídeo de abertura da “The Circle World Tour” e levando milhares de pessoas à loucura. Surge então o guitarrista Richie Sambora, tocando os primeiros acordes de “Blood on Blood”, hit do álbum New Jersey de 1988. Com toda a banda já tocando o início da música, Jon Bon Jovi sobe ao palco com um violão em punho. Logo em seguida veio “We Were’nt Born to Follow”, música do mais recente álbum “The Circle” (com imagens de Pelé e Chico Mendes no telão) e logo após o grande sucesso arrasa-quarteirão dos anos 80, “You Give Love a Bad Name”, cantada em coro pela plateia, arrancando todo mundo do chão. “Vocês estão comigo esta noite São Paulo? Mostrem-me o seu melhor”, gritou o vocalista ao microfone, no melhor estilo tradicional do rock de arena que consagrou o grupo.

“São Paulo, é muito bom voltar aqui. Faz muito tempo que não tocamos no Brasil. Vendo essa recepção de vocês, não faço ideia do porquê. Nós deveríamos fazer shows aqui todos os anos”, disse o cantor que por várias vezes interagia com a plateia. Arriscou até um português em certo momento, dizendo “Obrigado São Paulo”.

O que se via no palco era uma banda extremamente competente e entrosada, com todos os integrantes se divertindo e cumprindo seu papel no grupo, como os teclados cheios de energia de David Bryan, as batidas do discreto, mas essencial baterista Tico Torres e os solos de guitarra impecáveis de Richie Sambora, que inclusive assumiu o comando dos vocais na clássica “Lay Your Hands on Me”.

Mas é o frontman Jon Bon Jovi que sem dúvida recebe toda a atenção. É impossível não notar a atenção que o cantor dá aos fãs, apontando e trocando olhares com a plateia. Esbanjando carisma e vitalidade, o vocalista seguiu empolgado durante todo o show, cantando, pulando e fazendo caras e caretas para as câmeras e para os fãs. Aliás, ele parecia saber todo tempo para qual câmera olhar e quais caras e bocas fazer para roubar a cena, algo que aprendeu com os longos anos de estrada, sem dúvida.

A relação da banda com o público é algo que merece destaque. Por várias vezes, durante o show, os integrantes da banda pareciam em êxtase com a empolgação do público brasileiro, bem mais agitado de que o público norte-americano e europeu que o grupo tem visto nestes últimos anos. E todos os músicos eram só sorrisos e nitidamente se esforçavam para entregar ao público o seu melhor, especialmente o guitarrista Richie Sambora, que em cada solo fechava os olhos e parecia sentir a aenrgia da música e do público, e de Jon, que parecia cantar para cada pessoa da plateia. “De uma coisa eu senti falta. O som da voz de vocês gritando”, disse o cantor em um outro momento.

Após um breve descanso e uma troca de camisa enquanto Sambora cantava “Lay Your Hands on Me”, Jon voltou para o palco com mais uma sequência arrebatadora de sucessos, puxados por “Always”, “Blaze of Glory” e “I´ll Be There for You”, todas cantadas em coro ensurdecedor por todo o estádio.

Das 29 músicas, apenas quatro eram do álbum novo, sendo as outras a bela balada “When We Were Beautiful”, “Superman Tonight” e “Working for the Working Man”, que mostram uma letra mais madura e preocupação com temas sociais.

O restante do show foi recheado de sucessos de toda a carreira da banda, desde a antológica “Runaway” de 1984 – com Jon arriscando um solo de guitarra – até sucessos da fase moderna da banda, como “It’s My Life”. Um dos destaques da noite ficou por conta da música “Bad Medicine” e o medley com a música “Pretty Woman”, de Roy Orbinson e a agitada “Shout”, voltando para os longos solos de guitarra de “Bad Medicine”, levando os fãs ao delírio, com uma sequência direta com mais de 10 minutos de duração.

Um outro momento bacana foi quando o vocalista levantou um coro de “Parabéns a você” para o baterista Tico Torres, que faz aniversário nesta quinta-feira, após ver vários cartazes espalhados na plateia Vip que parabenizavam o músico.

O show encerrou com o sucesso dos anos 90 “Keep the Faith”, marcada pelas maracas de Jon e os solos de guitarra de Sambora. Após a tradicional espera pelo chamado dos fãs para o bis, a banda retornou com a bela introdução dos teclados de David Bryan para a música “These Days”, passando pela clássica “Wanted Dead or Alive” (com a plateia cantando errado sua introdução e corrigida pelo vocalista). Seguiram então “Someday I´ll be Saturday Night” e o clássico mor do grupo “Livin’ On a Prayer”, que teve seu refrão entoado pela multidão pouco antes dela começar. “Vocês não conseguem esperar, não é?”, brincou o roqueiro.

Após o final apoteótico e cheio de energia com “Livin’ On a Prayer”, a banda se despediu mais uma vez do público. Ovacionados por longos momentos pelos fãs que gritavam e batiam palmas sem parar, os músicos ficaram parados, estáticos, olhando a reação da multidão.

Após uma breve reunião entre os integrantes, eles anunciaram que tocariam mais uma música derradeira, a balada dos anos 90 “Bed of Roses”, fechando com chave de ouro um show emocionante marcado por grandes sucessos da banda.

Apesar dos quase 30 anos de carreira, o Bon Jovi demonstrou muita energia e vitalidade em um show com três horas de duração que deixou o público e os fãs satisfeitos com uma performance inesquecível, sem efeitos efeitos especiais de pirotecnia ou palcos mirabolantes. Apenas o bom e velho rock’ roll, embalados com o charme e simpatia do grupo, provando que ainda é uma das maiores bandas de hard rock do mundo.

O grupo se apresenta nesta sexta-feita (8) na Praça da Apoteose no Rio de Janeiro, encerrando sua passagem pelo Brasil.

Set List:
“Blood On Blood”
“We Weren’t Born To Follow”
“You Give Love a Bad Name”
“Born To Be My Baby”
“Lost Highway”
“Superman Tonight”
“In These Arms”
“Captain Crash”
“When We Were Beautiful”
“Runaway”
“We Got It Going On”
“It’s My Life”
“Bad Medicine”
“Pretty Woman”
“Shout”
“Lay Your Hands On Me”
“Always”
“Blaze Of Glory”
“I’ll Be There For You”
“Have a Nice Day”
“I’ll Sleep When I’m Dead”
“Working For The Working Man”
“Who Says You Can’t Go Home?”
“Keep The Faith”

Bis
“These Days”
“Wanted Dead Or Alive”
“Someday I’ll Be Saturday Night”
“Livin’ On a Prayer”

Bis 2
“Bed Of Roses”

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Sobre Márcio Alexsandro Pacheco

Sou jornalista residente na cidade de Curitiba. Adoro filmes, cinema, seriados, desenhos, livros, quadrinhos, videogames e claro, música. Sou grande fã do Hard Rock, em especial da banda Bon Jovi, mas obviamente curto outras bandas e estilos musicais, como Guns N´ Roses, Skid Row, Aerosmith, Ramones, Metallica, Nirvana, AC/DC, Ozzy Osbourne, Scorpions, Iron Maiden, Nightwish entre várias outras. Tenho uma namorada linda que também é jornalista. Tento ouvir de tudo um pouco, sem me prender a estilos ou rótulos. Comecei a colaborar com o Whiplash por juntar duas das minhas paixões: a música e o jornalismo. Frase: "What a great f***ing day for rock n´ roll!"

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