Giersbergen & Cavanagh: resenha e fotos do show de POA

Resenha - Giersbergen & Cavanagh (Revolution Pub, Porto Alegre, 03/06/2010)

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Por Paulo Finatto Jr.
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Em meio ao feriado de Corpus Christi, um improvável show sacudiu a capital gaúcha. ANNEKE VAN GIERSBERGEN, ex-vocalista do THE GATHERING, juntamente com DANNY CAVANAGH, guitarrista do ANATHEMA, iniciaram em Porto Alegre uma turnê acústica pelo país, que apresentou os maiores sucessos de suas respectivas bandas e mais algumas surpresas.

Diante de mais de trezentas pessoas, a abertura da noite ficou por conta do WORLDENGINE, precisamente às 20h45. O grupo, que não tem formação fixa – pois possui participantes de várias partes do mundo –, trouxe para o seu show os músicos Cris Camboim (vocal), Andrio Maquenzi (violão, do SUPERGUIDIS), Brenno Di Napoli (baixo, da RITA LEE), Vinícius Moller (teclado) e Valmor Pedretti Jr. (bateria eletrônica). Em cerca de trinta minutos, o quinteto realizou uma apresentação consistente e de qualidade, exclusivamente com músicas atmosféricas e cadenciadas. Entre as composições executadas, o espetáculo abriu com uma ótima versão acústica de “Down in a Hole” (ALICE IN CHAINS) e partiu para composições próprias do WORLDENGINE, como as interessantes “Aurora Balloons” e “12th”. Não é muito fácil dimensionar o som do grupo, com bastantes referências internacionais e bastante personalidade. No entanto, o público realmente gostou – e aplaudiu sinceramente no final do show.

Depois de uma pequena pausa, às 21h55 o inglês DANNY CAVANAGAH subiu ao palco do Revolution Pub para a sua apresentação individual. O músico, que se mostrou um pouco desconfortável diante da recepção brutalmente quente por parte do público gaúcho, concentrou o seu show de quarenta minutos em composições do ANATHEMA. Com uma dedicatória ao astro do futebol Pelé, Danny iniciou o seu espetáculo com a interessante “Deep” e partiu em seguida para “Fragile Dreams”, com o público cantando junto em alto som. O guitarrista, que esperava uma recepção mais atenta e silenciosa, pediu inclusive que um fã mais exaltado calasse a boca antes da próxima música, “Lost Control”.

Curiosamente, DANNY CAVANAGH utilizou um recurso de sampler na sua apresentação. Depois de executar batidas ou bases no violão, as passagens eram gravadas e reproduzidas eletronicamente, para que o guitarrista do ANATHEMA pudesse tocar outros trechos no instrumento e até mesmo fazer solos. No piano, o inglês mandou ainda “Angelica”, seguida por “One Last Goodbye”. Na sequência, o cover “Wish I Were Here” (PINK FLOYD) contou novamente com um consistente conjunto de vozes da plateia. Mais a vontade, Cavanagh finalizou o seu set com “Flying”, antes de chamar Anneke para o palco.

Às 22h33 a holandesa ANNEKE VAN GIERSBERGEN entrou em cena para a sua apresentação solo. Da mesma forma que Danny, a cantora do AGUA DE ANNIQUE e ex-THE GATHERING ficou surpresa com a animação extrema do público, concentrado poucos centímetros diante do palco. No entanto, Anneke se mostrou mais simpática frente à situação inesperada. Entre brincadeiras e bom humor com os gritos dos presentes, ela abriu o seu show com a belíssima “Lost and Found”, música que faz parte do primeiro álbum da sua atual banda, lançado em 2007. Ainda surpresa com a animação dos fãs, a bela vocalista comentou a experiência inusitada que era o show de Porto Alegre, justamente pela resposta tão quente.

Depois de “Trail of Grief”, outra do AGUA DE ANNIQUE, Anneke dedicou a música seguinte para um fã, que estava de aniversário. De forma curiosa, para poder dirigir poucas palavras ao público, a cantora precisou pedir silêncio. No entanto, “Shrink” (do THE GATHERING) contou novamente com uma calorosa resposta dos presentes, que deixou Anneke nitidamente animada. Na faixa seguinte – “I Want”, do AGUA DE ANNIQUE –, a dedicatória foi para todas as mulheres que vieram ao show. Com certeza, ANNEKE VAN GIERSBERGEN esbanjou a simpatia que Danny não trouxe da Inglaterra. Enquanto que a cantora executava “My Electricity” (THE GATHERING), Cavanagh, na plateia, se recusava a tirar fotos e dar autógrafos para os fãs que se aproximavam do músico. Depois de constatar que o público brasileiro é realmente fora do comum, a vocalista holandesa ainda trouxe “Beautiful One” e “Physical”, antes de encerrar a sua apresentação individual com a animada e bacana “Sunny Side Up”.

Dez minutos depois, ANNEKE VAN GIERSBERGEN e DANNY CAVANAGH voltaram ao palco da casa para a apresentação em conjunto da dupla, já sabendo sobre a plateia que os aguardavam. Um pouco menos durão (e até fazendo piadas), Cavanagh iniciou a última parte do show com a introdução de “Teardrop” (MASSIVE ATTACK) no violão, acompanhado por Anneke no teclado e no vocal. O público, que já estava mais quieto nessa hora, viu a dupla com violões nas mãos para o momento mais rock n’ roll da noite, anunciado pela holandesa antes de “Hey Okay!”, outra música do AGUA DE ANNIQUE. Em “A Natural Disaster” – do ANATHEMA –, o público voltou a mostrar a sua resposta de forma mais intensa, diferente de “Parisienne Moonlight”, em que a plateia voltou ao seu estado menos agitado (mas ainda vibrante).

Na faixa seguinte, ANNEKE VAN GIERSBERGEN comunicou que a música seria registrada em vídeo e que necessitaria do apoio silencioso de todos os presentes. Entre a plateia localizada mais à frente do palco, alguns menos respeitosos com os artistas não compreenderam a importância da colaboração e demoraram a se acomodar, durante o primeiro momento de impaciência da simpática Anneke. No entanto, a banda conseguiu o apoio quase que incondicional dos gaúchos e tudo correu conforme o previsto em “The Blower’s Daughter”, de Damien Rice. A música, muito aplaudida no final, foi o cover que precedeu uma interessante e animada versão de “Jolene”, do compositor Dolly Patton, que encerrou o show.

De volta para o bis, a dupla ANNEKE VAN GIERSBERGEN e DANNY CAVANAGH executou outra composição do THE GATHERING, “You Learn About It”. Danny, mais uma vez impaciente com a “inexplicável” (para ele) animação da plateia, chegou a pedir silêncio no início da música. Para encerrar a noite e o último set de quarenta minutos, os músicos tocaram novamente “The Blower’s Daughter”, para mais um take do videoclipe que estava em processo de gravação. Dessa vez, foi o momento da plateia ficar impaciente com os câmeras que tomaram o palco e prejudicaram a visão dos fãs mais próximos aos músicos.

Em uma noite surpreendente – para o público que compareceu a um grande espetáculo e para os músicos que não aguardavam uma recepção tão intensa –, ANNEKE VAN GIERSBERGEN e DANNY CAVANAGH mostraram as sólidas e grandes músicas que compõe a carreira individual dos dois. Certamente, os fãs mais devotos saíram satisfeitos com a chance de ver um show tão intimista e de muito bom gosto como esse. A dúvida que fica, por outro lado, é por saber como os dois artistas realmente se sentiram na condição de grandes ídolos e se foram, verdadeiramente, atrapalhados por isso. Por fim, um sincero parabéns à Overload Records e à Abstratti Produtora pela iniciativa de trazer mais um show de qualidade refinada aos fãs gaúchos e brasileiros.

Set-list Worldengine:
01. Down in a Hole (Alice in Chains)
02. The Absolute Truth
03. Flash Before My Eyes
04. Aurora Balloons
05. 12th

Set-list Danny Cavanagh:
01. Deep
02. Fragile Dreams
03. Lost Control
04. Angelica
05. One Last Goodbye
06. Wish I Were Here (Pink Floyd)
07. Flying

Set-list Anneke van Giersbergen:
01. Lost and Found (Agua de Annique)
02. Trail of Grief (Agua de Annique)
03. Shrink (The Gathering)
04. I Want (Agua de Annique)
05. My Electricity (The Gathering)
06. Beautiful One (Agua de Annique)
07. Physical (Agua de Annique)
08. Sunny Side Up (Agua de Annique)

Set-list Anneke van Giersbergen & Danny Cavanagh:
01. Teardrop (Massive Attack)
02. Hey Okay! (Agua de Annique)
03. A Natural Disaster (Anathema)
04. Parisienne Moonlight (Anathema)
05. The Blowers’s Daughter (Damien Rice)
06. Jolene (Dolly Parton)
07. You Learn About It (The Gathering)
08. The Blower’s Daughter (Damien Rice)

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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