ZZ Top: resenha e fotos do show de Porto Alegre
Resenha - ZZ Top (Pepsi on Stage, Porto Alegre, 23/05/2010)
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 28 de maio de 2010
Os fãs brasileiros aguardavam, com certa ansiedade, a primeira turnê do ZZ TOP pelo país. Depois de se apresentar duas noites seguidas em São Paulo, cerca de três mil pessoas conferiram uma bela apresentação e os maiores sucessos do trio americano, dessa vez no Pepsi on Stage, em Porto Alegre.
Fotos: Denis Azevedo
Diante de um público barulhento – que já preenchia um bom espaço da casa desde as 20h30 –, o ZZ TOP subiu ao palco exatamente às 22h05. O espetáculo, que iniciou com a pesada "Got Me Under Pressure", deixou claro, desde o seu início, que faria uma ampla retrospectiva dos quarenta anos de estrada do grupo. Curiosamente, após a primeira música, Billy Gibbons (vocal e guitarra), Dusty Hill (vocal e baixo) e Frank Beard (bateria) retornaram ao camarim. De volta ao palco poucos minutos depois, o promotor do evento explicou o motivo: uma queda de energia impossibilitou a sequência do show naquele momento.
O público – que se dividia entre fãs, simpatizantes do rock n’ roll e devotos incontestáveis do ZZ TOP – não perdeu a compostura com o incidente e tão pouco deixou de agitar, especialmente aqueles que formavam as primeiras fileiras frente ao palco. O show continuou com duas músicas do disco "Tres Hombres", de 1973: "Waitin’ for the Bus" e "Jesus Just Left Chicago". Embora não sejam composições reconhecidamente famosas da banda, os barbudos esbanjaram bom humor em suas coreografias, sorrisos e brincadeiras com a plateia.
Depois de uma nova pausa, dessa vez mais longa, a banda voltou em definitivo para o palco. Os fãs, que por um momento começaram a se preocupar com a continuidade do espetáculo, conferiram uma execução de luxo em "Pincushion", do disco "Antenna", de 1994; e em "I’m Bad I’m Nationwide", do álbum "Degüello", de 1979. Enquanto que os carismáticos Gibbons e Hill demonstravam sincronia e entrosamento em pequenas jams, Beard estava impecável na bateria. Em continuidade ao show, Gibbons chamou ao palco uma bela loira (talvez a intérprete da banda) para um pequeno diálogo em português. "Billy, quando você chegou em Porto Alegre?". "Hoje". "Só hoje?". "Sim". "Você veio de avião?". "Não". "Você veio de navio?". "Não". "Como você veio então?". "Com a minha bicicleta" – que ocasionou risadas entre os músicos e entre os presentes no Pepsi on Stage.
Depois de um momento de descontração, Gibbons, de chapéu, toca o primeiro cover da noite: "Future Blues", gravada originalmente em 1928 pelo compositor country Willie Brown. Na sequência, uma versão para "Rock Me Baby", de B.B. KING. No entanto, o público que não estava mais tão agitado com o show do ZZ TOP nesse momento, voltou a ovacionar o trio com "Cheap Sunglasses", outra composição de destaque do álbum "Degüello".
Não sei sem decorrência dos problemas técnicos do início ou por opção da banda, o ZZ TOP executou apenas um trecho de "My Head’s in Mississipi". Os gaúchos ainda conferiram "I Need You Tonight" antes de um outro momento de destaque da apresentação: o terceiro cover da noite, "Hey Joe", de Jimi Hendrix. Se uma boa parte da plateia não se mostrava grande conhecedora de toda a carreira do trio, o show teve o seu ápice – que se estendeu até o final da apresentação – a partir da próxima música. "Brown Sugar", presente no primeiro álbum do ZZ TOP, de 1971, comprovou que uma boa parte dos fãs presentes aguardava os clássicos setentistas da banda. Com Hill no vocal, "Party on the Patio" colocou mais energia no espetáculo, que continuou com "Just Got Paid" e com a clássica "Gimme All Your Lovin’", bastante ovacionada pelos fãs.
Inegavelmente, a fase mais popular da banda – que contava com videoclipes exibidos na MTV – ainda é a mais celebrada pela maioria dos fãs brasileiros. Como comprovação, bastou perceber a reação do público com "Sharp Dressed Man" e "Legs", da época oitentista do grupo. Nessa última, enquanto que Gibbons e Hill voltaram ao palco com os clássicos instrumentos cobertos por pelúcia, o videoclipe da canção era exibido no grande telão trazido pela banda para a turnê sul-americana.
Embora não seja relevante para qualificar positivamente ou negativamente o espetáculo, um pequeno detalhe não pode passar em branco. Da mesma forma que foi percebida na apresentação da banda em São Paulo, o trio texano fez uso de samplers e playback em diversos momentos do show. Os mais atentos perceberam alguma falta de sincronia entre a boca de Hill – quando cantava "Party on the Patio" – no microfone e a voz que saía dos PA’s do Pepsi. Outros notaram momentos em que o som parecia alto e limpo demais para uma apresentação ao vivo. Outros ainda notaram que o solo de Gibbons continuou, em uma determinada música, mesmo no momento em que o guitarrista trocava de palheta. O uso desses recursos, visto muitas vezes de maneira pejorativa pelos fãs, passou, certamente, despercebida por quem queria ver e curtir a música do ZZ TOP.
Encerrada a apresentação em grande estilo, a banda voltou para o bis com as esperadas e imperdíveis "Viva Las Vegas" (imortalizada no filme homônimo, com interpretação de ELVIS PRESLEY), "La Grange" e "Tush" – essa última talvez o maior clássico da história da banda. Em pouco mais de uma hora e quarenta minutos de show, o público que compareceu ao Pepsi on Stage presenciou, certamente, um dos maiores shows de rock que a capital gaúcha já recebeu.
Set-list:
01. Got Me Under Pressure
02. Waitin’ for the Bus
03. Jesus Just Left Chicago
04. Puncushion
05. I’m Bad I’m Nationwide
06. Future Blues
07. Rock me Baby
08. Cheap Sunglasses
09. My Head’s in Mississipi
10. I Need You Tonight
11. Hey Joe
12. Brown Sugar
13. Party on the Patio
14. Just Got Paid
15. Gimme All Your Lovin’
16. Sharp Dressed Man
17. Legs
18. Viva Las Vegas
19. La Grange
20. Tush










Outras resenhas de ZZ Top (Pepsi on Stage, Porto Alegre, 23/05/2010)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os melhores álbuns de metal lançados em 1986, segundo Gastão Moreira
O erro que James Hetfield admite ter cometido com Jason Newsted no Metallica
Nicko McBrain destruiu camarim por ter se decepcionado com atuação de Blaze em show do Maiden
O rockstar que Ozzy Osbourne considerava o "meu Deus do rock"
O álbum mais subestimado do Led Zeppelin, segundo Robert Plant: "Um dos nossos melhores"
A banda que tentou trabalhar com Kurt Cobain, mas ele mal conseguia parar em pé
Os 10 melhores discos do Kiss, em lista do Classic Rock History
O disco solo que Roger Waters coloca no mesmo nível dos maiores clássicos do Pink Floyd
Causa da morte de Phil Campbell, guitarrista do Motörhead, é revelada
Rudy Sarzo sobre Rhoads x Van Halen: "Pessoas não sabem diferença entre opinião e fato"
A música do U2 em que Bono precisou esconder que praticamente não conseguia cantar
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
"Ed Sheeran não é uma vítima", diz Tom Morello sobre recente polêmica
10 discos dos anos 90 que são perfeitos, segundo o Classic Rock History
Gigantes do metal fizeram Geezer Butler perceber a importância do Black Sabbath
De AC/DC a ZZ Top, os 20 melhores discos lançados em 1981, segundo a Louder
Show do ZZ Top em Porto Alegre sofre mudança de local
Billy Gibbons explica continuidade do ZZ Top tendo apenas sua presença dos membros clássicos
Os 50 melhores riffs de metal e rock de todos os tempos, segundo a Guitar World
12 bandas que já adiaram ou cancelaram shows por motivo de saúde em 2026
Para Sebastian Bach, Pantera soava como uma mistura de ZZ Top com Slayer
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente


