Exodus e Kreator: diversão boa, amigável e violenta

Resenha - Exodus e Kreator (Siará Hall, Fortaleza, 24/10/2009)

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Por Carlos Tourinho, Fonte: Toscochanchada
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Fortaleza tem sido uma cidade muito boa pra shows de rock ultimamente. Nunca pensei que veria na capital do forró bandas do porte do Motörhead, Destruction, The Cult, Bad Religion, The Offspring, Blaze Bayley, Nightwish, Helloween e Gamma Ray… Pois todas essas bandas aportaram em terras cearenses, desde o ano passado. E neste sábado útimo, 24 de outubro, pude presenciar um dos melhores shows de minha vida. Exodus e Kreator, duas das maiores lendas do thrash metal mundial, ao vivo!

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Eu já tive o privilégio de ter visto o Kreator anteriormente, em Salvador/BA. Mas nunca tinha visto o Exodus, uma das minhas bandas de coração. "Bonded by Blood", o disco de estréia dos americanos, ainda é para mim o registro definitivo do thrash metal, junto com "Master of Puppets" (Metallica) e "Reign in Blood" (Slayer).

Cheguei no Hall, local do show, exatamente na hora da abertura dos portões. Não estava cheio, aliás, bem tranquilão. Havia de tudo: gente vestida apenas com a camiseta de alguma banda (eu tava com a minha surrada do S.O.D.), carecas, punks, headbangers e verdadeiros metalheads, parecendo que estavam congelados desde os anos 80 e acordaram só pra este show, com suas calças jeans justas, tênis cano alto branco e jaquetas cheias de patches e bottons de bandas. Entrei logo na hora que o Warbiff, banda cearense encarregada de abrir para esses dois gigantes, subia ao palco. E te digo, caro amigo toscochanchadesco, os cearenses fizeram um grande show (apesar da guitarra de um dos integrantes ter falhado um momento), agitaram muito, com direito até a um grande circle pit. Tanto que meu amigo até perdeu o sapato no meio do mosh. Eles saíram ovacionados do palco. Tomara que consigam um reconhecimento maior pelo país. Eles merecem.

Após um intervalo de 15 minutos (aliás, vale ressaltar a pontualidade, coisa rara em shows), o Exodus entra no palco arregaçando com ‘Bonded By Blood’! O que falar deste clássico? Gary Holt é um dos maiores guitarristas da história do metal, Lee Altus (ex-Heathen) já provou ser um substituto digno de Rick Hunolt, o baixista Jack Gibson é coeso, Tom Hunting é um monstro na bateria, e o vocalista Rob Dukes é uma das maiores figuras do thrash metal atual. Além de cantar muito, o cara tem uma presença de palco excelente. E é um seco do caralho. Disse que estava abismado com a beleza das mulheres cearenses (e realmente, não há mulheres mais belas no Nordeste que no Ceará – por isso que saí de Salvador), e que desde que tinha chegado aqui, tinha batido umas 15 punhetas! Na segunda música, ‘Iconoclasm’ (do album Atrocity Exibition: Exhibit A), ele pediu a bandeira do Pará que um fã (paraense, no mínimo) agitava no meio do público, e que foi jogada a ele, que prontamente a enrolou no corpo, ficando assim a música toda. Também chegou a passar um carão nos seguranças, que tavam descendo o sarrafo em alguns fãs. Seguiram-se mais clássicos como ‘Fabulous Disaster’, ‘A Lesson in Violence’, ‘Piranha’, ‘The Toxic Waltz’ (nessa eu cantei junto todinha, e a voz, que já não tava boa, foi embora de vez)… teve até um “Olê, Olê, Olé, Olê” versão thrash (que os torcedores do Ceará emendavam com um “Vovô, Vovô”, apelido do time alvinegro)! No fim, com a matadora ‘Strike of The Beast’, tivemos o primeiro Wall of Death da noite. Com um Rob Dukes pedindo pra galera dividir o local em dois, e falando alucinadamente “ESPERAÍ… ESPERAÍÍÍ…” (em português mesmo), até emendar um “GO!”, com gente se batendo naquela violência boa, amigável e divertida, como eles mesmo apregoam. Ao final, mais uma vez Dukes se enrolou na bandeira do Pará (os paraenses representaram!) e a banda se despediu, aclamada por todos no local.

4Depois desse arregaço todo, pensei logo que o Kreator tinha uma tarefa difícil, quase impossível, de superar o Exodus. Na minha modesta opinião, chegaram perto, mas não conseguiram. Tanto que vi algumas pessoas extremamente exaustas, caídas no chão mesmo, durante todo o show dos alemães. Mas longe de ter sido um show fraco, muito pelo contrário. De início, mandaram ver com ‘Hordes Of Chaos’, excelente faixa-título do mais recente album. A voz de Mille Petrozza ao vivo é impressionante, parece que tava no estúdio (ponto positivo também para a acústica e o som do local, bem limpos) e seus asseclas (Sami Yli-Sirniö na guitarra, o baixista Christian ‘Speesy’ Giesler e o excelente baterista Marco Minnemann, substituindo Jürgen ‘Ventor’ Reil nessa tour) não deixaram a peteça cair um minuto sequer. Logo na quarta música, a clássica ‘Betrayer’, tivemos o segundo Wall of Death da noite. Sem a intensidade do Exodus, mas foi de responsa também. Mais clássicos vieram, com ‘Enemy Of God’, ‘Pleasure To Kill’ e a trinca matadora ‘Violent Revolution’, ‘Extreme Aggression’ e ‘Coma Of Souls’, que fechou a primeira parte do show. No bis, admito que torci o bico, ao ver que teríamos um solo de bateria do Marco Minnemann (sou contra solos, prefiro que preencham o tempo com uma música). Mas logo desfiz a insatisfação, pois o cara toca demais! Todo mundo, e digo todo mundo mesmo, ficou boquiaberto com a performance do mancebo. Ao final, a banda inteira retornou com ‘Warcurse’, do novo album, para em seguida Mille empunhar uma bandeira com o logo da banda. Todos sabiam que estava por vir. E Mille fez todos gritarem juntos: ‘Flag of… HATE’! Fecharam então com ‘Tormentor’, do album de estréia Endless Pain.

Apesar de tantos clássicos, senti falta de duas músicas: ‘And Then There Were None’, por parte do Exodus, e ‘People of the Lie’, por parte do Kreator. Mas nada que tirasse o brilho dessas duas lendárias bandas, e um dos maiores shows que já tive o prazer de presenciar!

Set List – Exodus:

1. Bonded by Blood
2. Iconoclasm
3. Fabulous Disaster
4. A Lesson in Violence
5. Children Of A Worthless God
6. Piranha
7. Deathamphetamine
8. Blacklist
9. War Is My Shepherd
10. The Toxic Waltz
11. Strike Of The Beast

Set List – Kreator

1. Choir Of The Damned (Intro)
2. Hordes Of Chaos
3. Phobia
4. Terrible Certainty
5. Betrayer
6. Voices Of The Dead
7. Enemy Of God
8. Destroy What Destroys You
9. Pleasure To Kill
10. The Patriarch
11. Violent Revolution
12. Extreme Aggression
13. Coma Of Souls
14. Drum Solo
15. Warcurse
16. Flag Of Hate / Tormentor

Vídeos:
Exodus – Fabulous Disaster: http://www.youtube.com/watch?v=8jUyHMSn2vE

Exodus – Strike of the Beast: http://www.youtube.com/watch?v=fiZFnSzTOno&feature=player_embedded

Kreator – Violent Revolution: Jbp58Q&feature=player_embedded

Kreator – Flag of Hate: http://www.youtube.com/watch?v=JaIFUO401UQ&feature=player_embedded

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Sobre Carlos Tourinho

Carlos Tourinho 'tenta' ser economista, além de tradutor nas horas vagas. Fã desde criança de Rock and Roll, por influência do pai músico, desde cedo teve contato com a cena rocker da Bahia, como Marcelo Nova e Raul Seixas, que frequentavam sua casa. Hoje morando no Ceará, curte de tudo um pouco, desde Bob Dylan, passando por Faith No More a Mastodon. Mas seu coração (e cabeça) bate mais forte pelo Thrash Metal de bandas como Metallica, Anthrax e Slayer, e pelo Stoner Rock de Kyuss, Monster Magnet e Fu Manchu. Fanático por Cultura Pop, geralmente é fonte de consulta de seus amigos acerca dos mais variados assuntos sobre cinema, música e literatura. Acredita que Deus é uma mistura de Mike Patton, Martin Scorsese e Bill Waterson.

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