Sammy Hagar: Rock, tequila, cerveja, praia, e um furacão

Resenha - Sammy Hagar's Birthday Bash (Cabo Wabo Cantina, Mexico, 11/10/2008)

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Por Vitor Bemvindo, Fonte: MOFODEU
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O MOFODEU (o Programa que tira o MOFO do ROCK) tirou férias no mês de outubro para viajar para o México para curtir e fazer a cobertura dos shows de aniversário de Sammy Hagar (ex- Van Halen e Montrose) no seu bar, Cabo Wabo Cantina, no paradisíaco balneário de Los Cabos (na cidade de Cabo San Lucas), na Baixa California. É a sina desses caras, tirando o mofo do rock até durante as férias.

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Chegamos a Cabo San Lucas (dia 10/10) e fomos direto a "Listening Party" do novo disco de Sammy Hagar, "Cosmic Universal Fashion", que será lançado, oficialmente, no dia 18 de novembro. Antes de darmos um jeitinho brasileiro para entrar na festa, ficamos sabendo que o show do Birthday Bash do dia seguinte tinha sido cancelado por conta da passagem do furacão Norberto.

Para adquirir gratuitamente as pulseiras que dão acesso aos shows de aniversário do Sammy Hagar, as pessoas formam filas de até 14 horas de espera, e a passagem do furacão poderia ameaçar a segurança das pessoas que passariam a madrugada na fila. Ficamos decepcionados, mas ao mesmo tempo um pouco aliviados de saber que não teríamos que dormir na calçada.

No dia seguinte, recebemos a notícia, através dos brasileiros Eduardo e Patrícia, que encontramos no dia anterior, que devido a melhora do tempo, Mike Anthony, ex-baixista do Van Halen, faria um show "surpresa". O anúncio na porta do Cabo Wabo anunciava um show do "Mad Anthony Express" e alguns convidados.

Formamos uma fila e depois de “apenas” duas horas conseguimos nosso passaporte para a alegria. Ficamos muitos felizes, pois havíamos trocado as tradicionais 14 horas por apenas 2. Durante a espera, eu, Luiz, Eduardo e Patrícia fomos entrevistados para os extras do DVD que estava sendo gravado.

Quando a fila terminou, logo foi formada outra para entrar e nós, os brasileiros, éramos um dos primeiros. Com isso conseguimos ficar encostados no palco e ver o show de um lugar privilegiado.

Depois de uma curta espera, Mike Anthony vem ao palco, acompanhado por Vic Johnson (guitarrista do Waboritas, banda de Hagar) e Vinnie Paul (batera do Pantera). Mike liderou os vocais abrindo com o show intercalando clássicos do Van Halen, na fase David Lee Roth, com covers do ZZ Top. Para começar, a fantástica "Somebody Get Me a Doctor", a qual ele já havia cantando na época de Van Halen em algumas turnês. Seguiram-se duas canções do primeiro disco da banda original de Anthony, as extraordinárias "Runnin' With The Devil" e "Ain't Talkin' 'Bout Love". Depois veio a primeiro cover do ZZ Top, "Beer, Drinkers and Hellraisers", logo "D.O.A." ("Dead or Alive") do "Van Halen II" e mais uma dos barbudos: "Tush".

Anthony esbanjou simpatia e energia no palco, Johnson seguia sem exageros os passos do grande Eddie e Paul estraçalhava seu pobre instrumento. No intervalo entre a primeira e a segunda música, Mike olha pra mim e me oferece a garrafa da "Cabo Wabo Tequila". Sem pensar muito, agarrei a garrafa e dei uma bela golada. Ótima tequila; gelada é ainda melhor. Acho que exagerei na golada, pois quando devolvi ele passou a garrafa para a menina ao meu lado e fez um sinal para que ela bebesse só um pouquinho.

Depois desse começo fenomenal, Mike Anthony chamou Sammy Hagar que desceu de seu camarim para tomar conta do palco. Hagar se uniu aos outros três para executar duas canções: "Heavy Metal" (um clássico de sua carreira solo) e "Fight For Your Right to Party" (um cover um pouco desnecessário dos Beastie Boys).

Depois disso, Vinnie Paul se despediu, dando lugar ao batera dos Waboritas, David Lauser. Vic Johnson saiu junto com Paul e Sammy assumiu sozinho a guitarra dos "Tres Gusanos". Eles tocaram entre outras músicas "Love or Money" e "Rock and Roll Weekend", encerrando aquela noite inesquecível com uma versão à capela e com instrumentos de percussão da canção que dá nome aquele lugar mágico: Cabo Wabo.

A gafe ficou por conta de Sammy Hagar, que ao pegar uma bandeira do Brasil, atirada no palco pela Patrícia, demonstrou o seu lado sou-americano-que-se-foda-o-resto-do-mundo e ficou perguntando de que país era aquela flâmula. Depois de gritar mil vezes ele entendeu que era do Brasil, ele gritou "Brazil is in the house!", me cumprimentou e depois devolveu a bandeira assinada.

Ver as fotos do primeiro dia.

No dia seguinte, encaramos 12 horas de fila para conseguir as pulseiras que dariam direito a participar da verdadeira festa de aniversário de Sammy, a do dia 13 de outubro. Como já tínhamos visto o primeiro show na "primeira fileira", resolvemos ficar um pouco mais atrás e curtir o show sem esporros dos seguranças que não aprovaram os pulos e batidas de cabeça do primeiro dia.

Como o lugar não é muito grande, mesmo assim conseguimos um lugar onde vimos com tranqüilidade o show. Ao contrário do show do dia 11, quando Sammy dividiu os holofotes, no dia do seu aniversário, todas as atenções estavam voltadas para ele. Ele abriu o show, junto com os Waboritas, tocando músicas de sua carreira solo, começando por "The Way We Live", do "Livin' It Up", seguidas por "Tropic of Capricorn", "Marchin' to Mars", "Mas Tequila", "Let Sally Drive" a nova "Cosmic Universal Fashion" (que ao vivo nos pareceu bem melhor que a versão de estúdio), antecedida de uma versão sem teclados e não muito empolgante de "Right Now" do Van Halen.

Na segunda parte, Sam recebeu Vinnie Paul e Mike Anthony que substituíram Mona e Lauser. Daí pra frente, só clássicos do Van Halen como "Good Enough", “Best of Both Worlds” e "Dreams", do "5150", "Finished What Ya Started", do "OU812" e "Poundcake" do "F.U.C.K."

Sem dúvida uma grande festa. Sammy Hagar estava cantando melhor do que nunca e se divertindo como sempre. Para encerrar o grande dia, bolo e a platéia cantando um sonoro "Happy Birthday, Dear Sam".

Um show para não esquecer. Se é que posso reclamar de algo, fico um pouco decepcionado com a parte das canções solos, por alguns momentos de falta de concentração dos Waboritas, em especial de Vic que errou algumas vezes, e a falta de clássicos da sua carreira como "I Can't Drive 55" e "There's Only One Way To Rock". Mas foi um dia tão especial, que isso nem abalou nossa empolgação.

Foi um sonho realizado, que nunca esqueceremos. Dias mágicos, com direito a Rock, Tequila, muita Cerveja, Sol, Praia e até um furacão.

Ver as fotos do show do dia 13.

Não deixe de ouvir o Especial feito pelo MOFODEU sobre os dois dias de shows do Birthday Bash de Sammy Hagar. Selecionamos algumas canções que fizeram parte dos set lists e para ouvir, basta acessar um dos dois sites:

http://www.mofodeu.com
http://www.programamofodeu.blogspot.com

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Sobre Vitor Bemvindo

Historiador de formação, tem verdadeira adoração pelo Rock and Roll desde sua infância. Seu instinto de pesquisador fez com que "se especializasse" em bandas velhas, especificamente as das décadas de 1960 e 1970. Produz e apresenta o MOFODEU (www.mofodeu.com), o Programa que tira o MOFO do ROCK, juntamente com seu parceiro Luiz Felipe Freitas (a Enciclopédia do Rock). O Programa está no ar desde 2007, tocando só bandas sessentista e setentistas sempre com muita informação e bom humor.

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