Megadeth: Em Belo Horizonte, show curto e com problemas técnicos
Resenha - Megadeth (Chevrolet Hall, Belo Horizonte, 08/06/2008)
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 14 de junho de 2008
Dave Mustaine tem, por mérito, o feito de ter trazido um contexto político – uma das mais felizes heranças trazidas do hardcore – a um estilo que só falava de caos e demônios. Contudo, o Megadeth nunca foi a melhor banda do mundo ao vivo. Mas, quando quer, toca. E muito. Como comprova a segunda parte do show em Belo Horizonte. Mustaine, sabiamente, armou-se de um baita guitarrista (artifício sempre usado por ele) como Chris Broderick, que já fazia miséria no Jag Panzer, auxiliando-o de forma precisa e com toda a técnica necessária.
A esta altura, fãs indignados já voltaram para casa com alguma insatisfação e, no mínimo, 70 reais mais pobres. A "pane" do som do Chevrolet Hall já deixou todos os presentes – casa praticamente lotada, como sempre em shows de thrash metal de bandas grandes – insatisfeitos. E não adianta Mustaine vir no site oficial e escrever que "ama a todos e por isso quer sempre o melhor". Se ama, parece que não respeita. Porque cortar três músicas do já diminuto set parece algo, no mínimo, imperdoável...
Show ruim? Não, em absoluto. Mas não dá para esquecer que "Sleepwalker", abertura do ótimo "United Abominations", "Wake Up Dead", "Take No Prisoners" e "Skin O' My Teeth", três clássicos, ficaram praticamente ininteligiveís, muito comprometidas pelo som terrível. Estranhamente, o vocalista sai do palco e o silêncio se instala na casa. Por volta de 10 minutos depois, a banda retorna e "Washington Is Next" - boa, apesar de dispensável – é executada. Leve melhora que foi gradativamente alcançando um patamar bastante aceitável, fazendo com que o show fluisse sem maiores problemas. Qualquer possibilidade que se pode imaginar não apaga os inúmeros escorregões do grupo: não haviam passado o som anteriormente? Já não estava tudo testado, ajustado, pré-equalizado para cada música? Não tinham aprovado as condições? Para que serve a passagem afinal? E será que uma banda do porte do Megadeth, há 25 anos na estrada, não consegue ter um "técnico de som" decente? Ainda mais com o fresco histórico de notória incompetência...
Para onde quer que se olhe, é um descaso que não se justifica. E um lugar que não visitam há 11 anos merecer apenas 1 hora e 10 minutos de show? Casa cheia, empolgação do público imensa, cantando cada melodia da guitarra, interagindo em cada riff, cada refrão, respondendo de forma explosiva ao que vinha do palco. Quem estava ali queria apenas curtir um dos melhores shows de thrash metal que poderiam presenciar, e davam o máximo de si a cada música. Mustaine, parece, ao público que ele "ama e respeita muito", não queria saber disso. Muito se fala do som do Chevrolet Hall, que é horrível, oscila demais, etc. Parte disto é verdade, mas parte é tremendo exagero. Acompanhando inúmeros shows no local há anos posso dizer com convicção que, sabendo usá-lo, o equipamento da casa responde muito, muito bem. O resto é ladainha.
Seja pelos anos de abuso de álcool e drogas, por estilo e problemas de saúde, Mustaine é extremamente econômico no palco. Taciturno, direto e sem interagir, deixando a parte da festa para Broderick e Lomenzo que, se não é espetacular, não compromete. De "In My Darkest Hour" em diante tivemos somente a polpa da carreira do grupo, deixando uma ótima impressão. Desde a obrigatória "Hangar 18", só confirmando que "Rust In Peace" é sem dúvida um dos melhores álbuns da história do metal, até a belíssima "A Tout Le Monde", uma das únicas que se salvam do fraco "Youthanasia", cantada, obviamente, em uníssono, tivemos ainda "She Wolf", também conhecida como "aquilo que ficou do Cryptic Writings" (além de "Trust", ausência sentida) e seu irresistível dueto final de guitarras totalmente calcado na NWOBHM.
"Symphony Of Destruction", impecável, realizou o sonho de muitos, enquanto "Peace Sells" e "Holy Wars... The Punishment Due", a peça final, fizeram valer a presença, sendo duas das melhores composições que o thrash metal possui, exemplos máximos da essência do estilo, executada por uma banda fundamental e única.
Com os presentes ainda atônitos, Mustaine, Broderick, Lomenzo e Drover se despedem, agradecendo a quem deu muito mais do que o respeito demonstrado por eles. Ironicamente, Ramones foi o escolhido para tocar nos PA's enquanto o equipamento era retirado. Tão rápido quanto um show punk?
O certo é que o final precoce deixou uma sensação desconfortável que somente um novo show, completo de verdade, poderá tirar. Pelo menos em estúdio o Megadeth tem lançado obras que honram sua trajetória, após um período, digamos, duvidoso. Mas impossível negar que, em termos de apresentação ao vivo, os argentinos contam com muito mais simpatia do grupo. Espero, na próxima, não ter que ir a Buenos Aires para ver um concerto com o mínimo que se espera dele.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As 5 maiores bandas da história do heavy metal, em lista da Forbes
Eloy Casagrande anuncia ter finalizado suas partes para o próximo álbum do Slipknot
Regis Tadeu aponta problema no show do Iron Maiden e explica atitude do atual baterista
Neil Peart, David Gilmour e Sid Wilson não concordam sobre o maior baterista do mundo
U2 anuncia quarto e último show no Brasil da Tour The Greatest Show On Earth 2027
David Ellefson comenta relação entre "Go to Hell", do Megadeth e "Enter Sandman", do Metallica
Isa Nielsen anuncia nova banda de death metal e toca Sarcófago com Aquiles Priester
Benediction inicia no sábado turnê brasileira de cinco shows com Kam Lee no vocal
Falta de dedicação teria afastado o baterista Nick Menza do Slayer, segundo Kerry King
Dynazty anuncia "Dark Arts", seu décimo álbum de estúdio
Kiss anuncia documentário oficial sobre a turnê "End of the Road"
Lita Ford anuncia título do seu próximo álbum de estúdio, que será conceitual
Por que James Hetfield do Metallica foi expulso de sua própria casa, segundo o próprio
Os 50 artistas de rock e metal mais ouvidos de todos os tempos no Spotify
Eminem iria gravar música do primeiro disco solo de Tony Iommi

O pior disco do Kiss: Paul Stanley escolhe dois, e Marty Friedman discorda
Para Marty Friedman, Nick Menza foi uma das razões para o sucesso do Megadeth
Como AC/DC e Angus Young ajudaram Dave Mustaine a criar solo de "Holy Wars"
As 10 melhores músicas do Megadeth com Nick Menza na bateria
A melhor música que o Megadeth lançou no século XXI, segundo Mateus Ribeiro
O astro do country de quem Dave Mustaine tem mágoa até hoje: "É uma implicância minha?"
Dirk Verbeuren, do Megadeth, agradece Pete Sandoval por ter inspirado "legiões de bateristas"
O que "Tornado of Souls" tem em comum com "Stairway to Heaven", segundo Friedman
Maximus Festival: Marilyn Manson, a idade é implacável!
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida


