Glenn Hughes: Porque o Deep Purple não o chama para alguns shows?
Resenha - Glenn Hughes (Espaço Hakka, São Paulo, 26/10/2007)
Por Humberto Domiciano de Paula
Postado em 28 de novembro de 2007
O vocalista e baixista Glenn Hughes, ex- Deep Purple, Trapeze e Black Sabbath fez ontem em São Paulo mais um show da sua turnê sul-americana, que passou por Argentina e Uruguai.
Fotos: Fábio Sales
Ao lado do guitarrista J.J Marsh (na banda desde os últimos 10 álbuns), do baterista Stevie Stephens e do tecladista Ed Roth, Hughes desfilou clássicos do Deep Purple e canções de seus discos mais recentes em duas horas intensas.
A apresentação aconteceu no Espaço Hakka, local totalmente fora do circuito de shows na Capital. A localização e os preços de ingressos (100 reais, sem meia entrada) afugentaram um público que deveria ser muito maior.
O show propriamente dito começou por volta das 23 horas e a abertura não poderia ser melhor: "Stormbringer". A faixa-título do segundo álbum da Mk 3 do Purple, formação que tinha David Coverdale nos vocais, é uma faixa forte em qualquer local que for tocada. Não é à toa que ela voltou a ser tocada pelo Whitesnake na abertura de seus shows.
Na sequência, Hughes emendou com "Might Just Take Your Life". A introdução de teclado original, composta por Jon Lord, perde bastante poder sem o maestro. Mas os vocais de Hughes tornam a versão muito boa.
Após uma breve apresentação, Glenn fala sobre a felicidade de estar em São Paulo e anuncia uma música mais 'funk': "Land of the Livin" do álbum "Soul Mover". Esse disco, que foi lançado em 2004, talvez seja o mais funkeado do artista. O show ainda contaria com "Don't Let Me Bleed" desse mesmo trabalho.
Existem músicas que podem ser cantadas por muitos artistas. "Mistreated" foi gravada por Coverdale, já recebeu versões de Ronnie James Dio e Joe Lynn Turner, mas com Hughes o sentimento da letra transborda e em quase 10 minutos, ele alterna improvisações vocais dignas dos melhores 'soulmen'.
Prosseguindo com sons de sua carreira solo, o "Voice of Rock" canta "You Got Soul" e "Steppin On", duas faixas do álbum mais recente "Music For The Divine", ainda inédito no Brasil.
Ele fecha o set normal com uma versão extendida de "You Keep On Moving". As luzes se apagam e no bis ele toca "Soul Mover" e fecha com "Burn" tendo a participação de Jeff Scott Soto, que dispensa grandes apresentações.
Ao final fica apenas uma questão. Como o Deep Puple fará 40 anos em 2008, por que não chamar Hughes para algumas apresentações?
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