Madball: os reis do New York Hardcore no Brasil

Resenha - Madball (Hangar 110, São Paulo, 10/11/2007)

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Por Leonardo S. Dias
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Mais uma vez, em pouco mais de um ano, os reis do New York Hardcore se apresentaram no Brasil. Trazidos novamente pela Liberation Music Company, o Madball fez uma das pernas brasileiras da tour sul-americana em São Paulo, na já tradicional casa de shows Hangar 110, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo.

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Com quatro bandas na programação, incluindo o Madball, os shows começaram cedo, por volta das 18 horas, com o Clearview. O quinteto faz um competente hardcore na linha do Agnostic Front, com destaque para a presença de palco do vocalista. Mesmo com um show curto, um pouco mais de 20 minutos, deu para o Clearview mostrar que tem um futuro promissor na cena.

Após uma curta espera, o palco estava arrumado para o Subtera. O power-trio (e põe power nisso) faz um grindcore/death metal muito técnico e rápido. Juro que estava esperando o batera perder o fôlego em algum momento, tamanho a intensidade e pegada com que toca! Mas isso não ocorreu e, por motivos óbvios, ele rouba a cena no palco, uma vez que o guitar e o baixista se revezam no vocal, comprometendo um pouco a presença de palco. O público recebeu muito bem, porém não abriram-se rodas, uma vez que fica meio difícil “acertar o passo” com a incrível velocidade que o trio toca!

Após o show do Subtera, quem estava no fundo da casa pôde cruzar com os integrantes do Madball, que entraram correndo e subiram para o camarote.

Depois do massacre do Subtera, veio a surpresa da noite: atendendo a pedidos do vocalista Freddy Cricien, do Madball, os rappers do Rota de Colisão foram dar uma “canja” no Hangar. O grupo vem da favela do Arpoador (SP), onde ano passado o Madball gravou cenas para o clipe da música “100%”, e ganhou de bônus parte do tempo que seria destinado ao Questions, próxima atração da noite. Em geral, o público curtiu e até “agitou” um pouco às batidas do rap do grupo, que tinha Freddy ao lado do palco, como se fosse um “segurança”. Alguns reclamaram, é claro!

Em seguida foi a vez do Questions mostrar todo o profissionalismo adquirido em anos de estrada e na recente tour pela Europa, onde realizaram 37 shows. Essa era a primeira apresentação do grupo no Brasil após a tour “na gringa” e eles estavam sedentos para mostrar os novos sons do CD “Fight For What You Believe”, recém-lançado. Pena que “emprestaram” o tempo pro Rota de Colisão, pois o HC praticado pela banda é excelente e agita muito o público, que abriu a primeira roda da noite. A precisão com que tocam faz com que pensemos que está rolando um CD. O show foi encerrado com um cover do Agnostic Front, “Your Mistake”, com Freddy do Madball dividindo os vocais com Edu. A banda também estava desfalcada de seu baixista original, Papa. Li na página deles do Orkut que o cara saiu, por motivos particulares. Em seu lugar, mais um sujeito de longos dreadlocks, que parecia o irmão do guitarrista Pablo Menna.

Finalmente eles: Madball! O show começou com todo o gás, com a música “We The People” do nosso álbum “Infiltrate The System”. A longa intro, com apenas os músicos no palco (Mitts na guitarra, Hoya no baixo e Rigg Ross na batera), deu mais apreensão ao público, que aguardava o carismático Freddy Cricien para iniciar o massacre. A roda que se abriu nesta música, e seguiu até o fim do show, tomou conta do Hangar inteiro, desde a frente do palco até o camarote. Coisa linda de ver!

E muitos clássicos foram tocados: “Get Out”, “Pride (Times Are Changing)” (na versão em Espanhol, chamada “Para Mi Gente”), “Heavenhell”, “Down By Law”, “Nuestra Familia”, “Hardcore Pride”, For My Enemies”, entre outras estiveram presentes no set list. Senti falta apenas da “New York City”, clássico do álbum “Set It Off”, de 1994.

E o que falar do carisma do Freddy? Como esse cara é bom! Uma verdadeira aula de como manter o público, que também foi excelente durante todo o show agitando muito no moshpit, aceso e cantando! Ele é tão carismático que, por diversas vezes, senti que ele era um velho conhecido meu que estava fazendo um show. Sim, o cara parece que é amigão de todo mundo, sentimento que pouca gente consegue transmitir em cima do palco. Sem contar que ele preferiu conversar em Espanhol entre as músicas pra facilitar o entendimento de quem não manja muito de Inglês.

Legal também as brincadeiras com o rechonchudo baixista Hoya. Primeiro ele puxou o coro de “Olé, olé, olé, olé, Hoya, Hoya!”. Depois emendou a divertida música “Hoya fuma marijuana, oh ooh ooh, mucha mucha marijuana, oh ooh ooh”. A galera foi ao delírio!

O final foi apoteótico, com praticamente metade do público do Hangar em cima do palco, junto com a banda, cantando em plenos pulmões a já clássica “100%”. Foi de fazer inveja no público que invadiu o palco no DVD do Agnostic Front “Live from CBGB’S”!

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Sobre Leonardo S. Dias

Aficcionado por Rock desde 1995 por causa do “Ballbreaker” do AC-DC, formou-se em Jornalismo com o intuito de trabalhar para revistas de Rock. Enxerga no Whiplash! a oportunidade de fazer o que realmente gosta, priorizando estilos menos divulgados no Brasil, como o Punk e o Hardcore. Toca guitarra em duas bandas de HC, mas seu gosto musical transita do Thrash Metal ao Ska, sendo fã incondicional de Metallica e Bad Religion.

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